2.4. Veri Analizi
2.4.2. Verileri Özetleme
2.4.2.1. Kelime Çağrışım Tekniği ile Toplanan Verilerin Özetlenmesi
O pensamento moderno teria, segundo Santos, uma teoria da história marcada por uma forma de racionalidade dialógica, marcada pelo equacionamento de uma forma de pensamento de raízes e de uma forma de pensamento de opções.
O pensamento das raízes é o pensamento de tudo aquilo que é profundo, permanente, único e singular, tudo aquilo que dá segurança e consistência; o pensamento das opções é o pensamento de tudo aquilo que é variável, efêmero, substituível, possível e indeterminado a partir das raízes (SANTOS, 1996, p. 9).
A diferença entre estas duas formas de pensamento que se inter-relacionam estaria na diferença de escalas temporais que cada uma utiliza. Enquanto o pensamento de raízes utiliza grandes escalas temporais, cobrindo grandes períodos históricos e grandes campos de significação simbólica, o pensamento de opções segue o caminho inverso, abrangendo curtos períodos de tempo e campos simbólicos bastante limitados.
Esta teoria da história representa o rompimento do projeto moderno com as outras visões de mundo feudais, então predominantemente marcadas por uma noção de história circular. A teoria da história da modernidade seria a primeira a reconhecer e a tentar criar de maneira consciente uma forma qualquer de domínio sobre o futuro (SANTOS, 1996, p. 11).
O primeiro sinal desta mudança na percepção da história poderia ser percebido na Reforma Luterana, já que sobre a mesma raiz, a bíblia da cristandade ocidental, criar-se-ia uma opção à Igreja Católica Apostólica Romana. Para o autor,
[...] ao tornar-se optativa, a religião perde a intensidade, senão mesmo o status, enquanto raiz. As teorias racionalistas do direito natural do século XVII reconstituem a equação entre raízes e opções de modo inteiramente moderno. A raiz é agora a lei da natureza pelo exercício da razão e observação (SANTOS, 1996, p. 9).
Neste movimento, mais do que uma simples mudança na maneira de perceber o tempo e a ação do homem nele, tem-se uma prática de desconstrução da antiga ordem em todos os seus aspectos. A religião deixa de ser o elemento basilar da sociedade para dar lugar à ciência moderna.
Com a ciência e a racionalidade modernas atingindo seu status de raiz, cria-se um imenso campo de opções. A ciência, assim,
[...] ao contrário da religião, é uma raiz que nasce no futuro, é uma opção que, ao radicalizar-se, se transforma em raiz e cria a partir daí um campo imenso de possibilidades e de impossibilidades, ou seja, de opções (SANTOS, 1996, p. 11).
Seria no Iluminismo, segundo Santos, que este equacionamento entre raízes e opções se tornaria dominante enquanto forma de apreensão do tempo no pensamento moderno. Dentro do campo de discussões sobre a transformação social, esta forma de racionalidade também se tornaria dominante.
O que ficaria mais evidente nesta forma de racionalidade seria o fato de que todas as ações humanas estariam voltadas para o futuro, sendo o passado ignorado. Mesmo as formas de prática voltadas à transformação social, desde que apoiadas na forma de racionalidade que equaciona raízes e opções, estariam limitadas pelos caminhos que apenas o pensamento científico poderia forjar. Em outras palavras, o pensamento revolucionário moderno estaria limitado pelo próprio projeto moderno (SANTOS, 1996, pp. 14-15).
O marxismo, assim como a teoria moderna em geral, se basearia sempre no conhecimento regulação, ajudando a promover o monoculturalismo, a peritagem heroica e a ação conformista. O monoculturalismo seria tirânico, impedindo que outras formas de saber contribuíssem para a tentativa de emancipação social (SANTOS, 1999, pp. 204-205). A peritagem heroica ocorreria quando o pressuposto de que o conhecimento é válido independentemente das condições que o tornaram possível provoca uma discrepância entre a ação técnica (o ato de efetivação da teoria) e as consequências técnicas (os desdobramentos dessa ação na realidade), descontextualizando o conhecimento a ponto de torná-lo menos científico do que se pretendia. Essa situação colocaria o cientista numa posição de heroísmo, de um aventureiro mais do que a de um cientista (SANTOS, 1999, pp. 206-207). E a ação conformista seria aquela que surge de um momento da modernidade que corresponde ao auge do capitalismo, onde qualquer ato de rebeldia, por mais radical que possa parecer, estaria, na
verdade, preso aos limites estreitos dessa forma de sociabilidade e da forma de racionalidade próprios à modernidade, que não ofereceriam soluções para fora de sua lógica (SANTOS, 1999, p. 208).
O suposto fato de que o pensamento revolucionário moderno pudesse estar atrelado aos valores modernos evidenciaria o momento de “crise”, de desorientação vivida por aqueles que se inserem no campo da atividade científica quanto no da emancipação humana. Ou seja, Santos elimina a possibilidade, dentro de sua argumentação, do marxismo se manter como corrente teórico-prática realmente transformadora. Este “acerto de contas” é necessário para Santos, pois lhe permite entrar em coerência com a lógica de sua argumentação idealista. O ápice desse momento é a reafirmação, de maneira mais elaborada, dos procedimentos necessários à transição paradigmática.
É deste modo que, para a superação dessa forma de conhecimento e da prática dela derivada, Santos propõe: contra a monocultura, o multiculturalismo, através dos procedimentos da sociologia das emergências e do trabalho de tradução. Procedimentos metodológicos estes que visam transformar também a peritagem heroica em conhecimento edificante. E propõe também uma sociologia das emergências para trazer à tona os problemas realmente existentes e autenticamente percebidos pela sociedade em suas diversas frações, substituindo assim a ação conformista pela ação rebelde.
Neste momento, Santos escreve, já de uma maneira mais condensada e segura, quais devem ser os procedimentos para uma possível superação do paradigma moderno e das teorias revolucionárias limitadas.
1.4 O ÁPICE DAS FORMULAÇÕES SOBRE O PARADIGMA EMERGENTE: A