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O método Multicriteria Decision Making (MCDM), no qual se insere o modelo

Analytic Network Process (ANP), consiste num método importante no apoio à

tomada de decisões estratégicas, sendo estas consideradas, as decisões que por norma são tomadas pelos líderes de uma organização, e que afetam criticamente a mesma, revelando-se essenciais para o seu desempenho (Montibeller e Franco, 2010). O MCDM, em termos gerais, consiste num conjunto de técnicas que permitem avaliar possíveis soluções com base em critérios, e selecionar a melhor (Esfahani et al., 2013).

Tal como anteriormente referido, tendo como base o método MCDM, apresenta-se o modelo ANP, desenvolvido como uma generalização e em resposta às limitações do modelo Analytic Hierarchy Process (AHP), modelo mais referenciado em termos da literatura.

De acordo com Saaty (1996), de modo generalista, as pessoas fazem três tipos gerais de julgamentos, em termos da importância, da influência ou da probabilidade, e usam estes julgamentos para selecionar a melhor alternativa (solução de um dado problema). A realização desses julgamentos tem por base o conhecimento adquirido pela pessoa, os quais podem gerar padrões de excelência ou de mediocridade para avaliação das alternativas, ou uma análise beneficio, custo e risco do problema. Quando o problema obedece a situações práticas e a normas, o conhecimento adquirido apresenta-se como uma excelente ferramenta de avaliação das alternativas individualmente. No entanto, sempre que tal não se verifique, constata-se que o melhor método, e em muitas situações único, é a comparação das alternativas. Ora esta é a ideia subjacente ao modelo AHP, que inclui em si ambos os métodos, avaliação e comparação.

O modelo AHP consiste na medida relativa, em termos de uma escala absoluta, dos diferentes critérios, tangíveis e intangíveis, considerados para a obtenção da solução do problema, com base no conhecimento de pessoas experientes e especializadas, de forma a reduzir um problema multidimensional num problema de uma única dimensão. As decisões são determinadas por um único

número que representa a melhor solução, ou por um vetor de prioridades que dá uma ordenação das diferentes soluções possíveis.

O modelo ANP, construído a partir do modelo AHP, difere deste, por ter em consideração a possível existência de dependências entre os elementos da hierarquia que constituem o problema, independentemente dos seus níveis. Este facto revela-se de extrema importância, face à circunstância, de muitos dos problemas não poderem ser estruturados hierarquicamente, em virtude das várias ligações existentes entre os seus elementos. Deste modo, o modelo ANP, é representado por uma rede, ao contrário do modelo AHP, representado por uma hierarquia, isto é, o modelo ANP utiliza uma rede de conexões sem a necessidade de especificar níveis como num sistema hierárquico (Saaty, 1996, 1999), e conforme apresentado na figura 1.

Figura 1 – Diagram as de Decisão

Modelo Linear - AHP Modelo em Rede - ANP

Fonte: Saaty (1999)

O modelo ANP é o acoplamento de duas partes: a primeira, consistindo numa hierarquia de controlo ou numa rede de critérios e subcritérios que controlam as várias interações; e a segunda, consistindo numa rede de influências entre elementos. A rede varia de critério para critério, sendo gerada uma diferente matriz de influências por cada critério de controlo. Por fim, cada uma das matrizes geradas é ponderada, tendo como fator de ponderação a prioridade/peso do respetivo critério de controlo, sendo de seguida, os resultados sintetizados por meio da adição de todos os critérios de controlo. O conceito Influência é a chave do modelo ANP (Saaty, 1996, 1999).

A fim da melhor combinação entre os vários objetivos e critérios, todos os julgamentos qualitativos são expressos numericamente, permitindo a avaliação de fatores tangíveis e intangíveis. De igual forma, de modo a tornar esse julgamento o mais impessoal e credível possível, devem-se fazer comparações de pares recíprocos de forma cuidada e científica. A escala usada para a realização desses julgamentos é a escala apresentada no quadro 1, sendo os mesmos inicialmente efetuados de forma qualitativa, ao qual lhe corresponderá um valor numérico. O resultado desse julgamento é a já supracitada matriz de influências. (Saaty, 1996, 1999). Ao fazer as comparações de pares recíprocos são formuladas questões em termos de dominância ou influência.

Quadro 1 – Escala Fundamental

Quantitativa Qualitativa

1 Igual importância

3 Moderada importância de um sobre o outro 5 Forte ou essencial importância

7 Muito forte ou de importância demonstrada 9 Extrema importância

2, 4, 6, 8 Valores intermédios

Usar valores recíprocos para a comparação inversa

Fonte: Saaty (1996)

O modelo ANP é muitas vezes estudado através de uma hierarquia de controlo ou um sistema de controlo de Benefícios, um segundo de Custos, um terceiro de Oportunidade e um quarto de Riscos. Os resultados sintetizados dos quatro sistemas de controlo são combinados através do quociente entre o produto dos Benefícios e Oportunidades e o produto dos Custos e Riscos por cada alternativa, ou de outra forma, e melhor, de acordo com Saaty (2005), pela diferença entre as somas dos Benefícios e Oportunidades, e a soma dos Riscos e Custos. Seguidamente, e depois da normalização dos resultados ao longo de todas as alternativas em estudo, é então determinado o melhor resultado (Saaty, 1996, 1999, 2005).

Mais se refere, que a fim da formulação de critérios e subcritérios para os sistemas de controlo Benefícios e Oportunidades, deve-se perguntar quais são os 21

principais benefícios ou que apresentam a maior oportunidade de influenciar a respeito deste critério de controlo; por sua vez, para os sistemas de controlo custos e riscos, deve-se perguntar quais os principais custos em que se incorre ou enfrenta o maior risco (Saaty, 1996, 1999).

Refere-se igualmente, que a utilização do modelo ANP tem o seu início com a estruturação do problema nos seus vários elementos de decisão e estruturados numa ou várias redes, constituída por clusters, com um ou mais nós, na qual se inclui, o objetivo final, os critérios, subcritérios e alternativas, com todas as suas interações e influências.

Benzer Belgeler