Yeşim AKIN-YALÇIN 2 Özet
PSYCHOLOGY OF MANAGEMENT Abstract
1. Kapitalizm, Yönetim ve Psikoloj
Apesar da repercussão de certa forma negativa da visita a Emaús, pesquisadora encontrou grande receptividade no seu retorno ao Maruja. Na primeira
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reunião com AMOMAR, informou o propósito da visita e mostrou alguns materiais (fotografias, manual), que despertaram bastante curiosidade nos participantes, manifestada por perguntas diversas. Em função da quantidade de material e do tempo necessário para realizar os esclarecimentos, optou-se por marcar uma reunião para discutir somente os assuntos relativos ao saneamento .
Nesta segunda reunião, que aconteceu no centro de visitantes, os cartazes foram colocados na parede e o restante dos materiais (livros, revistas, manual, panfletos) sobre a mesa, em torno da qual os moradores/membros da AMOMAR (seis pessoas) sentaram-se em semi-circulo (figuras 44 e 45). Inicialmente a pesquisadora explicou o cartaz que trazia informações sobre a caracterização qualitativa de esgotos domésticos e parâmetros de avaliação de um sistema de tratamento (figura 46). Logo em seguida, passou para o cartaz sobre doenças de veiculação hídrica, mencionando os diferentes tipos de ciclos e sintomas das doenças (figura 47). Neste momento foi chamada a atenção para o fato das crianças nadarem em um trecho do canal onde há lançamento de esgoto, levantando a hipótese de que os sintomas de febre, náusea e diarréia manifestados naquele período pelo filho de um dos moradores poderiam estar relacionados a isso, mas esta hipótese foi desconsiderada pelos moradores.
Figuras 44 e 45: cartazes sobre saneamento dispostos na parede e reunião com representantes da AMOMAR
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A pesquisadora passou a falar sobre a alternativa de tratamento que considerava mais indicada para a comunidade, deixando bem claro que esta indicação foi baseada em uma ampla pesquisa bibliográfica que havia feito a respeito das vantagens e desvantagens de cada alternativa de tratamento, inclusive a fossa biodigestora da EMBRAPA. A pesquisadora fez questão de relembrar que tudo isso fazia parte de uma dissertação de mestrado, financiada por um órgão público, e que,
Figura 46: Cartaz com informações sobre a caracterização de esgotos domésticos
Figura 47: Cartaz com informações sobre doenças de veiculação hídrica
Foto: Beccato, M.A.B. (2003)
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portanto não possuía um caráter mercadológico/comercial de venda de produtos. Foram mostrados diversos materiais ilustrativos com esquemas, tabelas de eficiência e custos sobre as técnicas. Com relação à fossa da EMBRAPA, a pesquisadora colocou que sua limitação de uso na comunidade do Maruja estava atrelada ao fato de que sua eficiência dependia da adição periódica de uma mistura contendo esterco de gado, o que seria extremamente difícil de conseguir na Ilha. Além disso, seu dimensionamento é voltado para pequenas unidades familiares (cerca de 5 pessoas) não suportando variações abruptas de carga.
Os participantes da reunião ouviam as explicações, mas não faziam muitos comentários. O auge da discussão ocorreu com as explicações sobre os sistemas combinados de alagados construídos, com perguntas sobre o funcionamento e eficiência do sistema. Foi mostrado um cartaz com desenhos esquemáticos de cada técnica (figura 48) e a partir disso surgiram perguntas sobre os tipos de plantas que poderiam ser utilizados; se não havia a possibilidade de contaminação das plantas por fungos ou bactérias; se o sabonete, o detergente e o desinfetante poderiam causar danos aos microorganismos e plantas de forma a prejudicar a eficiência do sistema, sobre a operação dos sistemas e o período de pousio, e finalmente: “ Mas esse sistema aí funciona mesmo?!?”. Esta última questão é claramente um reflexo da experiência negativa dos sistemas implantados no Marujá, e para respondê–la foi argumentado que a eficiência deste tipo de técnica depende parte do dimensionamento e cuidados na construção, e parte do manejo e operação.
Figura 48: Cartaz com esquemas de técnicas de alagados construídos
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Para maior esclarecimento, foi utilizado um cartaz com ilustrações de cada passo do aspecto construtivo (figura 49) e um cartaz com estações de tratamento que utilizam as técnicas de alagados construídos (figura 50). Neste último cartaz havia algumas fotos da estação de Emaús, o que permitiu fazer uma recapitulação da visita. Neste momento, não houve nenhuma crítica ou comentário negativo a respeito da estação e sim esclarecimentos sobre alguns aspectos que ficaram duvidosos, como a profundidade dos canais e a função da área de armazenamento.
Figura 50: Cartaz com fotos de ETEs que utilizam técnicas de alagados construídos
Figura 49: Cartaz com fotos sobre os aspectos construtivos
Foto: Beccato, M.A.B. (2003) Foto: Beccato, M.A.B. (2003)
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A pesquisadora explicou que estas e outras informações estavam contidas no manual elaborado. Pelo fato de o manual consistir em um compêndio de todas as informações coletadas durante o trabalho até aquele momento, a linguagem textual ainda permanecia carregada de termos técnicos e científicos decorrentes da literatura consultada e da própria formação acadêmica. A pesquisadora desculpou-se por este estilo de linguagem, propondo a idéia de reformulação deste manual para uma linguagem mais adequada e mais ilustrativa, colocando que para tanto seria necessário o auxílio tanto dos próprios moradores locais como de alguns profissionais com experiências neste tipo de trabalho (desenhos, diagramação, etc.).
Vale ressaltar que apesar da forma de linguagem ser distante da realidade local, isto favoreceu o reconhecimento e respeito dos moradores à sua posição de pesquisadora científica, já que tratava-se de uma mulher, que não é nativa da comunidade, mais jovem do que a maioria dos participantes da reunião (todos homens), tentando unir esforços para a resolução de um problema local. Entretanto, a pesquisadora acredita que a reformulação do manual por um grupo diversificado, composto por agentes externos e moradores locais, contribui para a minimização das diferenças existentes entre os grupos, além de produzir um instrumento que auxilie o processo de consolidação do envolvimento comunitário na manutenção das estações. Uma experiência de caráter semelhante é relatada por Brandão (1989) ao elaborar duas versões para o relatório de seu trabalho, denominado “O Meio do Grito” : uma versão foi dirigida aos agentes externos e a outra foi elaborada com a participação dos lavradores locais diretamente para eles, de forma a retornar aos grupos de onde surgiu.
Foi discutido durante a reunião, que para tentar garantir o sucesso, o bom funcionamento e eficiência dos novos sistemas, a proposta de reestruturação a ser encaminhada deveria ter dois cernes principais: o envolvimento comunitário em todas as etapas de implantação do projeto, e os aspectos construtivos referentes à tecnologia a ser utilizada. Para tanto, a pesquisadora informou que seria necessário a
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composição de uma equipe técnica com especialistas em diferentes áreas, mencionando novamente o grupo Canteiro e o Instituto de Ecologia Aplicada.
Com relação ao envolvimento comunitário, foi discutida a necessidade de oficinas e cursos integrando equipe técnica e moradores, para construir de forma participativa todos os detalhes do projeto técnico executivo (locais de implantação, materiais utilizados, mão de obra, etc.). Também foi discutida a idéia de, inicialmente, reestruturar todas as fossas sépticas e caixas de gordura (medida de caráter urgente) e implantar o sistema combinado de alagados construídos em apenas uma unidade, consistindo em um piloto em escala real, para que os moradores pudessem acompanhar o aspecto construtivo e operar e monitorar a unidade por um ano, tornando-os conscientes do funcionamento e manejo do sistema, e para que eventuais adequações pudessem ser realizadas. Após um ano de monitoramento, as demais unidades seriam implantadas. Os moradores participantes da reunião questionaram a necessidade de esperar um ano para reestruturar os demais sistemas. A pesquisadora argumentou que esta etapa seria importante para consolidar o envolvimento dos moradores nos processos construtivos e operacionais, tornando-os bons conhecedores do sistema como um todo. Além disso, a pesquisadora lembrou que os sistemas existentes na comunidade foram construídos às pressas, sem discussão, apoio técnico e monitoramento, resultando na problemática atual. Ficou a critério dos moradores escolher a unidade que seria a piloto, com a sugestão da pesquisadora de reestruturar aquela que vinha apresentando mais problemas e que causava mais risco à saúde por lançar os dejetos no local de lazer das crianças da comunidade.
Com relação aos aspectos construtivos foi de comum acordo que os próprios moradores fossem a mão de obra local, de preferência remunerada. A pesquisadora informou que o Instituto de Ecologia Aplicada (IEA) - empresa que faria o dimensionamento do sistema de alagados construídos - possuía vasta experiência no ramo, e que a associação Canteiro faria o dimensionamento para a reestruturação das fossas e estruturação de atividades de envolvimento comunitário. Com relação
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aos beneficiários do sistema, os moradores participantes da reunião, e posteriormente o diretor do PEIC, enfatizaram que somente poderiam usufruir da reestruturação os moradores nativos da Ilha. As residências de pessoas não nativas, mesmo sendo moradores permanentes, deveriam tratar o esgoto de forma independente, ou então sair da comunidade. A pesquisadora contra-argumentou que sendo uma questão de saúde pública, todos teriam direito, mas os moradores colocaram que dessa forma a presença destes “turistas” seria legitimada e isso seria contrário a legislação ambiental e contra a vontade deles. Para evitar maiores conflitos a pesquisadora decidiu continuar a reunião e retomar este assunto em outro momento.
Ao final da reunião, a pesquisadora apresentou a possibilidade de envio do projeto a linha de financiamento da Petrobras. Os moradores participantes concordaram que a pesquisadora redigisse o projeto com auxílio de sua orientadora, do Instituto de Ecologia Aplicada e do grupo Canteiro, constituindo assim uma equipe multidisciplinar.
Foi discutida também a intenção de montar uma palestra para os demais moradores, com todos os materiais produzidos e os resultados desta reunião. Entretanto, os participantes, por sua própria experiência e convívio com os demais, acharam que pouquíssimos moradores iriam comparecer, então sugeriram a montagem da exposição com a permanência da pesquisadora no local para esclarecer as dúvidas.
A reunião foi encerrada com uma atmosfera mais animadora e esperançosa por parte de todos, em função do grau de discussão atingido.
Os materiais elaborados (cartazes, manual,etc) ficaram na comunidade.