• Sonuç bulunamadı

Yeşim AKIN-YALÇIN 2 Özet

PSYCHOLOGY OF MANAGEMENT Abstract

2. Türk Kamu Yönetimi ve Psikoloj

2.2. Bürokrasi Çalışmaları

De acordo com ANDALOUSSI (2004), em pesquisas que envolvem a participação de grupos em torno de um problema, é possível analisar a situação para trazer um auxílio, esclarecer o significado do comportamento dos diferentes parceiros, e reduzir as divergências entre os participantes para que alcancem objetivos comuns.

Este procedimento é convergente com a dimensão de contrato relacionada à pesquisa-ação integral (André Morin apud ANDALOUSSI op cit), onde o contrato é o

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

fator de ligação entre os diferentes participantes, e se dá através da negociação e do diálogo permanente, visando garantir um acordo deliberado. Nesse caso, a função de cada participante é claramente definida, de forma a adaptar-se ao contorno da realidade vivida. Dessa forma, as posições e a linguagem a serem adotados refletirão as significações ideológicas e facilitarão o envolvimento dos participantes no trabalho. Segundo THIOLLENT (2002), na linha da pesquisa-ação, os pesquisadores desempenham um papel ativo na formulação dos problemas encontrados, no acompanhamento e na avaliação das ações desencadeadas, mas sem substituir a atividade própria dos grupos participantes e suas propostas. Os aspectos argumentativos ou de discussão entre os grupos participantes ocorrem em diversos momentos, desde a exposição do problema, nas explicações ou soluções indicadas pelos pesquisadores, na escolha dos meios de ação a serem implantados, e nas avaliações dos resultados da pesquisa e da ação desencadeada.

Estes processos de discussões e questionamentos ocorreram nas diversas reuniões realizadas neste trabalho, de forma produtiva para o andamento do mesmo, pois cuidados com posturas estratégicas foram tomados pela pesquisadora a partir da repercussão de cada reunião. Sendo assim, é possível reafirmar que a busca constante do processo de integração entre diferentes grupos participantes da pesquisa é de suma importância para a consolidação da ação transformadora.

Segundo Le BOTERF (1999), esta ação é uma fonte de conhecimentos e de novas hipóteses que se desenvolvem em um processo permanente de estudo, reflexão e transformação da realidade. Em suas reflexões sobre a pesquisa- participante, indaga sobre qual seria o ponto de equilíbrio entre os níveis de intervenção da pesquisa e a iniciativa espontânea dos pesquisados, já que considera que o excesso de intervenção por parte dos investigadores pode se tornar um obstáculo à capacidade de iniciativa dos pesquisados, tornando-os passivos em relação às ações, e que a ausência total de pesquisadores pode permitir que os pesquisados estejam mais susceptíveis à dominação por grupos que atuam sem o mínimo de rigor científico.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

Segundo THIOLLENT (1999), em pesquisas que contam com o envolvimento de grupos, a interpretação teórica é praticada pelos especialistas, mas não deve ser monopolizada por eles, pois deve ser constantemente submetida ao entendimento dos grupos implicados, os quais as sugestões devem ser levadas em consideração.

No caso deste trabalho, com relação a esta afirmação de THIOLLENT, entende-se como “grupo implicado” os moradores da comunidade, que serão os principais beneficiários da ação concreta (implantação do sistema de tratamento de esgoto). Entretanto, entende-se por ”especialistas” todos aqueles que estão envolvidos na resolução do problema (pesquisadora, moradores da comunidade, direção do Parque, ONG, empresa privada), cada qual conhecedor de determinado assunto: pesquisadora é responsável pela reunião de elementos necessários para a elaboração da proposta e pela condução do processo de envolvimento dos grupos na solução do problema, moradores locais são especialistas em práticas de manejo de recursos da realidade local, empresa e ONG especialistas nas atividades a que se propõe executar, direção do Parque especialista em medidas organizativas e burocráticas inerentes ao gerenciamento de uma unidade de conservação.

Nesse sentido, entende-se que todos os grupos podem contribuir para a resolução do problema através de seus conhecimentos, sejam eles de caráter científico, técnico, popular. Acredita-se que todos têm possibilidades de produzir novos conhecimentos, mediante a um processo de discussões e trocas de informações através da integração e envolvimento. Segundo BRANDÃO (1999), todo o processo de produção de conhecimento inerente a uma ação transformadora deve ser uma “empreitada” comum, que em um mesmo trabalho comprometa todos os grupos envolvidos, através de um movimento dinâmico de pesquisar e educar (FREIRE, 1989).

A priorização do envolvimento dos grupos, principalmente dos moradores locais, em cada etapa de desenvolvimento do projeto (elaboração e implantação), permite que as chances de sucesso da proposta sejam maiores, assim como a consolidação dos processos de manutenção da mesma, pois através da construção

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

coletiva do conhecimento, aumentam-se as condições para apropriação da idéia e conseqüentemente sua defesa por parte de todos os participantes. Tal medida é convergente com uma das características da “ação pesquisa participativa” proposta por Lewin5, descrita em ANDALOUSSI (2004, p.76): “a ação pesquisa participativa supõe que os membros da comunidade a serem ajudados estejam implicados no processo de pesquisa desde o início. Assim poderão participar da realização de cada etapa prevista e implicar-se na totalidade do programa proposto”. O autor coloca que este tipo de trabalho é mais adequado a resolver problemas locais que poderão mais tarde servir de exemplos em outras comunidades.

Um outro aspecto a ser considerado é relacionado ao processo organizativo dos moradores para a operação e manutenção dos sistemas de tratamento. A compreensão pelos moradores locais de que as estações de tratamento são um bem comum que trata um recurso comum (a água), e seu envolvimento nas atividades de manutenção das estações, poderão estimular o estabelecimento de um “regime de propriedade comum” (Mc KEAN & OSTROM, 2001)6, através da criação de direitos e responsabilidades aos usuários dos sistemas de tratamento. Segundo BEGOSSSI (2001) a utilização dos recursos naturais por comunidades caiçaras seguem regras locais específicas, sendo o grau de organização para as tomadas de decisão em relação às demandas (pesca e agricultura) ou disputas, extremamente variável entre as comunidades. No caso das estações de tratamento de esgoto, o processo organizacional estaria relacionado não a demandas produtivas ou disputas territoriais, mas à responsabilidade de manutenção de uma estrutura que beneficia o coletivo. Segundo a autora, direitos de posse individuais, familiares ou comunitários são importantes condições para o manejo local, uma vez que dependem da exclusão de agentes externos e permitem condições de regular o uso conjunto entre seus membros.

1 De acordo com ANDALOUSSI (2004) Lewin é representante da 2ª geração de precursores de trabalhos com pesquisa-ação.

2 “Regime de Propriedade comum é definido por MCKEAN & OSTROM ( 2001) como arranjos de direitos de propriedades nos quais grupos de usuários dividem direitos e responsabilidades sobre os recursos.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

Sendo assim, quando os moradores locais detiverem o conhecimento sobre o funcionamento das estações e promoverem a articulação de compromissos para a operação e manutenção dos sistemas, irão promover uma maior eficiência das estações e aumentar sua autonomia em relação a técnicos e especialistas externos, já que, segundo FALS BORDA (1989), tais procedimentos levam em conta suas aspirações e potencialidades em conhecer e agir. Todo este processo também pode estimular reflexões que levam a organização da comunidade tanto para a resolução de novos problemas como para realizar ações de intervenção junto às outras comunidades do Parque e/ou semelhantes.

6 - CONCLUSÃO

A Integração entre pessoas que vivem em diferentes realidades, no caso moradores, instituições governamentais, pesquisadores, técnicos e outros profissionais permite uma troca de conhecimentos de caráter amplo, que pode levar a uma reflexão sobre aspectos transcendentes à temática principal, como organização social, conjuntura e atuação política de governantes e governados, responsabilidades e direitos humanos, relação sociedade e natureza

A partir das posturas dos grupos envolvidos na resolução de um problema específico, descritas ao longo deste capítulo, é possível inferir que o processo de envolvimento desencadeado é bastante favorável a continuidade de integração entre os participantes, no decorrer da implantação da proposta elaborada.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

7-

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDALOUSSI, K. El (2004). Pesquisas-ações: ciências, desenvolvimento, democracia. Traduzido por Michel Thiollent – São Carlos: EdUFSCar. 192 p.

ARGUMEDO, M. A. (1987). Em busca de uma metodologia de ação institucional. In: Repensando a Pesquisa Participante. Carlos Rodrigues Brandão (org.). São Paulo: Ed. Brasiliense. 3ª ed..

BEGOSSSI, A. (2001). Resiliência e Populações Neotradicionais: os Caiçaras (Mata Atlântica) e os Caboclos (Amazônia Brasil). In: Espaços e Recursos Naturais de Uso Comum. Diegues, A.C.S. & Moreira, A. C. C. (orgs) São Paulo: NUPAUB – USP.

BRANDÃO, C. R. (1999). A participação da pesquisa no trabalho popular. In: Repensando a Pesquisa Participante. Carlos Rodrigues Brandão (org.). São Paulo: Ed. Brasiliense.

DANIEL, L.A. (2000). Parceria da Universidade na Gestão dos Recursos Hídricos. In: Universidade e Comunidade na Gestão do Meio Ambiente. Freitas, M.I.C. & Lombardo, M. A. (orgs.). Rio Claro: AGETEO, Programa de Pós-Graduação em Geografia – UNESP/ Universidade de Aubrn (EUA). 170.

FALS BORDA, O.(1989). Aspectos teóricos da pesquisa participante: considerações sobre o significado e o papel da ciência na participação popular. In: Pesquisa Participante. Brandão, C. R. (org). São Paulo: Ed. Brasiliense.

FREIRE, P. (1989). Criando Métodos da Pesquisa Alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação. In: Pesquisa Participante. Brandão, C. R. (org). São Paulo: Ed. Brasiliense.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

GALBIATTI, J. A. & DI CIOMMO, R.C. (2000). Educação Ambiental e Participação das mulheres. In: Universidade e Comunidade na Gestão do Meio Ambiente. Freitas, M.I.C. & Lombardo, M. A. (orgs.). Rio Claro: AGETEO, Programa de Pós- Graduação em Geografia – UNESP/ Universidade de Aubrn (EUA). 170.

Le BOTERF, G. (1999). Pesquisa participante: propostas e reflexões metodológicas. In: Repensando a Pesquisa Participante. Carlos Rodrigues Brandão (org.). São Paulo: Ed. Brasiliense.

Mc KEAN, M.A. & OSTROM, E. ( 2001). Regimes de Propriedade comum em florestas: somente uma relíquia do passado? In: Espaços e Recursos Naturais de Uso Comum. Diegues, A.C.S. & Moreira, A. C. C. (orgs) São Paulo: NUPAUB – USP.

MITSCH, W. J. (1994) Global Wetlands . Old World and New. Elsevier. New York. 967 pp.

PIMBERT, M.P. & PRETTY, N. J. (2000). Parques, Comunidades e Profissionais: Incluindo a ‘Participação’ no Manejo de Áreas Protegidas. In DIEGUES, A. C. Etnoconservação: novos rumos para a conservação da natureza. São Paulo:HUCITEC – SP 290 p.

THIOLLENT, M. (1999). Notas para o debate sobre a pesquisa-ação. In: Repensando a Pesquisa Participante. Carlos Rodrigues Brandão (org.). São Paulo: Ed. Brasiliense.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

VELAZQUEZ, C. S. C. (2002). Da formação de grupos à ação coletiva: uma análise com grupos de jovens do assentamento rural da Fazenda Ipanema –Iperó –SP. Dissertação (Mestrado) ESALQ /USP –Piracicaba –SP.

VIERTLER, R.B. (2002). Métodos de coleta e análise de dados em etnobiologia, etnoecologia e disciplinas correlatas. In Anais – Seminário de Etnobiologia e Etnoecologia do Sudeste. AMOROZO, M. C. M. et al.(orgs) Rio Claro - SP: UNESP/CNPq.

____________________________________________________________________________Cap 5 O Projeto

CAP 5 – O PROJETO

Belgede Tüm Sayı, Sayı (sayfa 53-68)