3. BÖLÜM: CİNSİYET ROLLERİ VE SEMBOLİZMİ AÇISINDAN ATAERKİL
3.1. Erillik Konotasyonları ve Erilliğin Ön Plana Çıkması
3.1.1. Kapalı Beden
Inicialmente, na Figura 3.2.1, é apresentado aos leitores o mapa conceitual que representa uma visão geral da organização dos estágios que caracterizam a metodologia qualitativa, reconhecida pela técnica da análise textual discursiva (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011).
Figura 3.2.1 – Mapa conceitual da metodologia qualitativa representada pela análise textual discursiva
Fonte: Desenvolvida pela autora (2015).
A análise textual discursiva é classificada como uma metodologia de pesquisa qualitativa, sendo resultante da uma combinação de duas propostas metodológicas: análise de
conteúdo e análise de discurso (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011).
Conforme Moraes (2003, p. 209): “[...] análise textual qualitativa pode ser compreendida como um processo auto-organizado de construção de novos significados em relação a
determinados objetos de estudo”.
Sendo a realidade investigada imersa de incertezas e instabilidades, constitui-se num espaço sempre em movimento, portanto, para o pesquisador, nunca é um espaço observacional pronto para ser descrito e interpretado. Exige do pesquisador alto grau de concentração, imersão e disciplina. E, à medida que o leitor vai se aprofundando e se impregnando junto a sucessivos estágios de ressignificação de sua análise textual, estágios que se caracterizam por movimentos de idas e vindas, o pesquisador, nesses estágios de aprofundamento de leitura e interpretação, pode se deparar com momentos de insegurança. Tais ações cíclicas e interativas podem exigir do leitor uma constante (re)construção de caminhos nos estágios de construção de investigação, constituindo, assim, um mecanismo de grande potencial para eclodir a inventividade do leitor ou pesquisador (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011).
Por se constituir numa ferramenta aberta, a análise textual discursiva facilita ao seu usuário maiores graus de liberdade e decisão para poder traçar e navegar em seus caminhos de leitura e interpretação, o que se permeia de ciclos e estágios de: construção, desconstrução ou aglutinação, desmembramento de elementos textuais, permitindo a emergência do novo ou do não esperado (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011).
De modo geral, a concepção da análise textual discursiva do corpus de análise se
estrutura através de espirais de análise, constituída por três estágios ou etapas:
– Unitarização: representa estágio cíclico da desconstrução dos elementos
textuais do corpus de análise, que resulta no surgimento dos denominados elementos unitários ou unidades de análise da pesquisa;
– Categorização: resultam relações desse estágio cíclico, recorrentemente,
associações e (des)construções ocasionadas a partir de e entre os elementos
unitários, produzindo-se as denominadas categorias;
– Metatexto: caracteriza-se esse estágio cíclico por uma produção textual que parte
dos estágios anteriores; o pesquisador expressará suas argumentações sobre sua compreensão dos elementos textuais pesquisados, podendo emergir o novo. Em seu estágio preliminar, a análise textual discursiva causa no pesquisador um movimento desconstrutivo junto aos elementos da estrutura de texto que esteja sendo trabalhada, sendo esse estágio denominado de Unitarização. Aqui se busca reorganizar os conceitos e ideias expressos nos elementos textuais explorados, de modo a reorganizá-los (movimento de síntese) em torno dos denominados elementos unitários. Tal processo cíclico é decorrido em meio a intensos movimentos de leitura, interpretação, apropriação e ressignificação textual, num movimento de síntese. Em meio a uma realidade subjetiva, é possível interpretar as narrativas de possíveis aprendizes que possam estar representados no material textual e (des)construí-las, na forma de elementos unitários (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011).
Assim, nas etapas iniciais do estágio de Unitarização, o processo de formação dos elementos unitários pode ser caracterizado por momentos de um caos organizacional, quando alguns dos elementos unitários tendem a se ressignificar e/ou reagrupar. Desse modo, durante o desenvolvimento de tal ciclo, podem emergir momentos de criatividade, de auto-organização. Nos estágios seguintes da Unitarização, tais ciclos tendem a ser menos instáveis, a partir da apropriação progressiva dos conteúdos textuais, o que favorece o desenvolvimento de novas potencialidades de análise, interpretação, apropriação progressiva e construção de sínteses representativas dos conteúdos textuais (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011).
Decorrido o estágio de Unitarização, então é iniciado o processo cíclico de
Categorização. Contudo, tratando-se a análise textual discursiva de um processo cíclico, entre
seus caminhos de ida e vinda do pesquisador, este pode, eventualmente, nas etapas de (des)construção, estar caminhando entre complexos estágios de Unitarização e Categorização.
Depois de decorrido o estágio de Unitarização, parte-se para o desenvolvimento do processo de Categorização. No percurso do estágio de Categorização, o pesquisador realiza um processo de profunda impregnação junto aos elementos unitários, realizando movimentos de idas e vindas em busca de um novo emergente e estabelecimento de novas relações entre os elementos unitários, eventualmente levando a agrupamentos de elementos
unitários semelhantes. Dessa forma, os elementos unitários passam por um estado de
(re)combinação e/ou combinação em grupos, dando origem às denominadas categorias (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011).
Ou seja, mesmo já definidas as unidades de análise, ao se estar construindo
categorias através da (re)organização dos elementos unitários, nesses momentos tanto as categorias como os elementos textuais existentes podem ser redefinidos, aglutinados ou
mesmo eliminados. Reenfatizando, novos elementos unitários e Categorias podem ser recriados, caracterizando-se movimentos de idas e vindas entre os estágios de Unitarização
e Categorização. Resumidamente, a análise textual discursiva constitui-se numa dinâmica
de movimentos cíclicos, navegando entre o caos (a Unitarização) e a ordem (a Categorização). Na Categorização, busca-se estabelecer uma comparação entre as
unidades de análise, com a intenção de (re)agrupá-las na forma de categorias (MORAES,
2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011). Há quatro possibilidades para se classificar as categorias (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011) segundo os métodos:
dedutivo, indutivo, dedutivo-indutivo e intuitivo.
As categorias obtidas através do método dedutivo são construídas partindo-se de informações contidas na literatura acadêmica ou em teorias de referência utilizadas pelo pesquisador. São, portanto, construídas a priori,sendo denominadas de categorias dedutivas. Ou seja, não são obtidas a partir das narrativas postadas pelos cursistas nos fóruns, que caracterizariam o corpus textual empregado para se proceder à análise textual discursiva.
No método indutivo, as categorias são construídas a partir das informações contidas no material textual, ou seja, o corpus textual empregado para se proceder à análise textual discursiva. Do emprego desse método surgem as denominadas categorias emergentes
ou indutivas.
Ao se utilizar, de forma simultânea, os dois métodos precedentes para a obtenção de categorias, caracteriza-se o método denominado dedutivo-indutivo.
Finalmente define-se o método intuitivo, quando o pesquisador constrói as categorias a partir de situações subitamente inesperadas, como momentos de insights.
Segundo os estágios de encadeamento temporal, decorrido durante os movimentos hermenêuticos em espiral, as categorias são categorizadas como: iniciais, intermediárias ou
finais (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006, 2011). As categorias são classificadas
segundo três propriedades: validade, homogeneidade e exclusão mútua (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011).
A propriedade validade está relacionada à forma como as categorias podem criticamente representar a compreensão e representação do material textual que tenha sido criticamente analisado pelo pesquisador, devendo as categorias serem convalidadas por um outro pesquisador, que seja considerado um especialista reconhecido pela comunidade científica e possa potencialmente desempenhar tal função (ALMEIDA, 2000; PRADO, 2003). A propriedade homogeneidade vincula que as construções das categorias devam ser ancoradas num mesmo ponto de partida e elaboradas a partir de um conjunto de princípios comuns.
Quanto à propriedade exclusão mútua, esta preceitua que cada unidade de
análise seja associada a uma única categoria e que uma certa categoria pode apresentar
diferentes formas de interpretação, contudo, com um grau de exclusividade, de modo que possa ser considerada diferente das demais. A Figura 3.2.2 constitui uma representação das diversas formas de classificação das categorias apresentadas através de um mapa conceitual.
Figura 3.2.2 – Um mapa conceitual para categorias quanto ao modo de produção, ao tipo e às propriedades
A terceira etapa ou estágio da análise textual discursiva constitui-se na elaboração do Metatexto, quando o pesquisador expressa, através da escrita de textos, um
estágio mais avançado de maturação, derivado de todo o processo decorrido durante as
fases de Unitarização e Categorização. Agora o pesquisador revela que criticamente desenvolveu uma percepção e abrangência do novo, em que foi consolidado um processo mais profundo de impregnação, desconstrução e reconstrução, (re)escrita e (re)leitura textual, portanto a emergência de competências e habilidades que permitem estabelecer
novas estratégias metodológicas e formas de organização, ressignificação e compreensão do todo (GÓES, 2012; MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011).
Na presente Tese, o estágio de Unitarização decorreu durante o processo de leitura, releitura, desconstrução e reconstrução de elementos textuais representados pelas narrativas postadas nos Fóruns de Discussão e também por mapas conceituais postados em portfólios pelos cursistas e pelo professor-formador durante o andamento da disciplina IE, ofertada no 2º semestre de 2014.
Concluído o processo de Unitarização das postagens dos Fóruns de Discussão e dos mapas conceituais postados nos portfólios individuais, iniciou -se o procedimento de comparação e (re)agrupamento entre as unidades encontradas, com o objetivo de associar os elementos semelhantes e caracterização das categorias indutivas ou ditas emergentes. Quanto à obtenção das categorias dedutivas, estas foram diretamente obtidas pela presente professora-pesquisadora, a partir do uso dos textos dos materiais pedagógicos que foram elaborados pelo professor-formador a partir de artigos científicos (MASETTO, 2003; MATUI, 2006), que foram utilizados pelos cursistas durante os estudos desenvolvidos nos Fóruns de Discussão 3 e 9 do AVA Teleduc.
No tocante aos procedimentos da fase final da escrita argumentativa do metatexto geral, que constitui a elaboração da redação do texto final da presente Tese, tal ação foi operada após a realização da fase do Mapeamento cognitivo de dados
qualitativos multidimensionais (OKADA, 2008b). Para tanto, preliminarmente realizou-se
a etapa de análise exploratória de dados, relacionada ao uso do software de mapeamento cognitivo de dados qualitativos multidimensionais, o qual é denominado de CHIC
(ALMEIDA, 2000, 2008; ALMOULOUD, 2008; GÓES, 2102; MORAES; VALENTE, 2008; OKADA, 2008c; PRADO, 2003, 2008).
Para efetivar esses procedimentos, as categorias dedutivas e indutivas obtidas foram processadas no software CHIC, o que gerou, através de uma de suas saídas de dados, as denominadas árvores de similaridade, que permitem visualizar e analisar as complexas
associações e relações, existentes entre as diversas categorias utilizadas durante o processamento de dados no CHIC.
Na subseção seguinte serão abordados os procedimentos relacionados às técnicas de “Mapeamento cognitivo de dadosqualitativos multidimensionais”.