1) Os trabalhos de coleta seletiva e separação de recicláveis devem ser realizados por catadores que são “especialistas” no assunto, pois garantem a própria sobrevivência utilizando-se do lixo. Funcionários públicos não se mostraram aptos para este serviço, talvez pela falta de motivação, pois um funcionário trabalhando na esteira de separação receberá no final do mês sempre a mesma remuneração, independentemente de separar muito ou pouco material reciclável, pois não será possível pagá-lo por produção. 2) A Prefeitura não foi competitiva na comercialização de materiais, em função
da morosidade e da falta de flexibilidade do processo de licitação para venda, o que ocasionava a perda de materiais, os quais eram separados para venda, e com a demora do processo, se deterioravam e precisavam ser dispostos no aterro em valas;
3) Formar a idéia do cooperativismo é um processo demorado entre os catadores, que desenvolveram uma forma de sobrevivência que desconfia e descrê do apoio do Poder Público, e também dos seus iguais. A convivência coletiva é conturbada, com relacionamentos conflituosos; algumas vezes, os cooperados procuram vantagens individuais em detrimento do grupo. O trabalho social de apoio, com assistente social e psicólogas, com palestras sobre respeito humano, higiene pessoal, economia doméstica, apoio em crises familiares, doenças e assuntos financeiros, além da necessidade de intermediar problemas de relacionamentos, deve ser intenso, constante e
sério, pois é vital para o sucesso da cooperativa. Esse papel cabe à Administração Pública, que neste caso representa a parte da coletividade com melhores condições sociais, que deve envidar esforços para o resgate e o apoio às classes menos favorecidas, na busca constante da igualdade entre todas as pessoas;
4) O Poder Público deve monitorar a cooperativa, ou criar mecanismos para o seu desempenho positivo. Encontrar indivíduos capacitados para comandá-la é fundamental, pois os catadores carecem de conhecimentos técnicos, administrativos, financeiros e contábeis. Na COOPRELP, o desempenho tornou-se melhor quando encontrou um deficiente que havia trabalhado como caixa em agência bancária por dez anos, que se tornou cooperado e passou a organizar compras, vendas, contas a pagar e a receber. O Poder Público deve fornecer profissionais que zelam pelo bom andamento de todos os trabalhos pertinentes, porque tem a responsabilidade pela coleta, transporte, tratamento e disposição final do lixo. Nestas condições, a Prefeitura de Lençóis Paulista apresenta o projeto sendo monitorado diretamente pelo Diretor de Agricultura e Meio Ambiente, um encarregado da coleta, dois chefes de equipe, e um agente de conservação e limpeza. No aspecto social, uma psicóloga e uma assistente social trabalham mensalmente com o grupo. 5) Todos os problemas técnicos de operação são possíveis de serem
solucionados; a questão social, que envolve o assunto, é mais complexa.
4.3.9 Educação Ambiental
O processo de educação ambiental para sedimentação dos conceitos do projeto Cidade Limpa e Solidária junto à população requereu um intenso trabalho nas escolas municipais, com adesão também das escolas particulares. Para tanto ocorreu um processo de capacitação de diretores, coordenadores e professores da rede municipal de ensino, com forte apoio da Diretoria de Educação.
A capacitação se deu por meio de palestras e oficinas realizadas pela UNESP. Os profissionais da educação receberam informações da maneira como deveriam abordar as crianças para ensinar-lhes a melhor forma de separar o lixo dentro de casa e também de todo o processo que ocorre com o lixo desde sua geração até sua disposição final. Uma oficina de trabalhos artesanais a partir de
materiais recicláveis trouxe muita motivação para os educadores. Nesse processo, houve a capacitação de setenta profissionais ligados a área de educação.
Uma cartilha foi elaborada com a criação de personagens que pudessem atingir os alunos da primeira a quarta séries, mas com alcance também aos alunos mais adiantados. A cartilha apresentou os personagens: Reciclídio, Pet, Gotolino, e o cachorro Latídio, tendo sido confeccionada vinte mil unidades para trabalho em sala de aula com os alunos da primeira à quarta séries.
Um programa de visitas na usina de reciclagem e compostagem de lixo, definido entre a Diretoria de Educação e Diretoria de Agricultura e Meio Ambiente, possibilita que as crianças das terceiras e quarta séries tenham contato com o sistema de separação de materiais para a reciclagem e a compostagem. Depoimentos de professores e alunos atestam a impressão que os mesmos apresentam em relação ao Projeto Cidade Limpa e Solidária. Professoras que acompanham os alunos até a usina consideram a importância da atividade para a educação da criança e dos próprios professores que têm oportunidade de acompanhar na prática o que é visto através da cartilha nas salas de aulas. Os alunos gostam da atividade e afirmam que serão incentivadores da prática da separação dos materiais recicláveis contidos no lixo dentro de suas casas.
Nessa programação de visitas, todas às terças e quintas feiras, duas classes de estudantes do período da manhã e duas classes do período da tarde são transportadas até a usina de reciclagem e compostagem, distante cerca de dez quilômetros da cidade, por dois microônibus.
O objetivo foi de que a educação realizada na escola atingisse a população, através das crianças. Entretanto, esforços foram envidados para que a população fosse informada, principalmente dos procedimentos de separação dentro de casa para o sucesso da coleta seletiva. Assim, palestras em igrejas, clubes de serviço, associações de moradores de bairros, e em todos os lugares onde era possível aconteceram.
Em relação à população, percebeu-se que a maioria não contribui com a coleta seletiva. Acompanhando os catadores envolvidos com a coleta seletiva em duas regiões da cidade, verificou-se que a cada 20 casas apenas 03 separam os materiais e os entregam para a cooperativa, o que indicou que apenas 15% da população participam da coleta seletiva realizada pela parceria Prefeitura/COOPRELP/DEFILP.