• Sonuç bulunamadı

Kadına Yönelik Ekonomik Şiddet ile Mücadele

BÖLÜM 2: DÜNYA’DA VE TÜRKİYE’DE KADINA YÖNELİK EKONOMİK

2.7. Kadına Yönelik Ekonomik Şiddet ile Mücadele

O controle de constitucionalidade, embora atribuição típica do Poder Judiciário, também é exercido pelos Poderes Executivo e Legislativo, o denominado controle político. No Brasil foi clara a opção do legislador constituinte em outorgar ao Judiciário o poder-dever de dizer o Direito, função que em alguns países é exercida por outros órgãos.171

170 O Professor Elival da Silva Ramos, ao concluir sua tese, manifestou esta preocupação: “Não devemos

incidir no equívoco elitista de tentar concretizar uma Constituição democrática paradoxalmente, atribuindo ao povo um papel secundário. O ativismo judicial, que seduz os incautos e agrupa os aristocratas do direito, existe tanto na jurisprudência ‘progressista’ a proclamar a aplicabilidade imediata de direitos sociais veiculados por normas programáticas, quanto na resistência abusiva da Suprema Corte estadunidense à legislação trabalhista, no período do ‘governo dos juízes’. Compete aos juristas democratas colocar o seu saber a serviço da construção de instituições que permitam o triunfo de um governo que se faça não apenas em benefício do povo, mas com a sua participação decisiva, diretamente, sob determinadas condições, e indiretamente, de modo diuturno, por meio dos instrumentos de representação política” (Tese, cit., p. 273).

171 Cite-se, como exemplo, a França, que possui um Conselho Constitucional (Conseil Constitutionnel), de

Adotou-se, aqui, o sistema misto possibilitando que todo e qualquer juiz, quando acionado, pode se pronunciar − via incidental − sobre a inconstitucionalidade de qualquer ato normativo (controle difuso), admitindo-se, outrossim, que o controle seja feito pelo Supremo Tribunal Federal, via ação direta de inconstitucionalidade, ação declaratória de constitucionalidade e ação de inconstitucionalidade por omissão (controle concentrado).

No caso do controle difuso, a discussão pode ser levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal por meio de Recurso Extraordinário. A declaração de inconstitucionalidade terá efeitos inter partes. Pode, no entanto, produzir efeitos erga

omnes, desde que o Senado Federal seja comunicado da decisão proferida pelo Supremo

Tribunal Federal e suspenda a execução, no todo ou em parte, da lei declarada inconstitucional, por meio de resolução (CF, artigo 52, X), a partir da qual a decisão será estendida a todos.

Quando se trata de controle concentrado, os efeitos da decisão da Corte Maior são: (i) ex tunc, ou seja, retroativos à data da edição da norma declarada inconstitucional; (ii)

erga omnes; (iii) vinculantes em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à

administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.172

2.5.2. Objeto

As políticas públicas são formadas por um conjunto de atos, editados com a finalidade específica de efetivar um direito social.

Desta forma, defende a melhor doutrina que o controle judicial de constitucionalidade deve ter por objeto todos os atos normativos que compõem a política, não sendo possível a análise isolada e pontual de cada um deles, sob pena de desvirtuamento do programa planejado e não cumprimento do objetivo proposto. Neste sentido, as advertências de Fábio Konder Comparato:

quais 3 (três) são nomeados pelo Presidente da República, 3 (três) pelo Presidente da Assembleia Nacional e 3 (três) pelo Presidente do Senado.

172 É possível, em circunstâncias específicas, a modulação de tais efeitos, no que diz respeito ao aspecto

temporal. Nos termos do artigo 27 da Lei nº 9.868/99, “Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Embora o dispositivo legal esteja incluído na parte relativa ao controle concentrado de constitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal já admitiu a sua incidência em caso de controle difuso (Recurso Extraordinário 197.917-8).

A política, como conjunto de normas e atos, é unificada pela sua finalidade. Os atos, decisões ou normas que a compõem, tomados isoladamente, são de natureza heterogênea e submetem-se a um regime jurídico que lhes é próprio. De onde se segue que o juízo de validade de uma política – seja ela empresarial ou governamental – não se confunde nunca com o juízo de validade das normas e dos atos que a compõem. Uma lei, editada no quadro de determinada política pública, por exemplo, pode ser inconstitucional, sem que esta última o seja. Inversamente, determinada política governamental, em razão da finalidade por ela perseguida, pode ser julgada incompatível com os objetivos constitucionais que vinculam a ação do Estado, sem que nenhum dos atos administrativos, ou nenhuma das normas que a regem, sejam, em si mesmos, inconstitucionais.173

Não obstante a coerência do raciocínio acima exposto, nosso objeto de estudo não permite sua aplicação.

As políticas públicas previdenciárias, aqui consideradas como a política de Estado e as políticas de Governo, não são disciplinadas de forma coerente e organizada, não se encontrando sistematizadas em um conjunto de atos integrados. Muitas vezes, há incompatibilidade entre a lei e o decreto; em outras, a incompatibilidade está entre o decreto e a Constituição; ou, ainda, entre a lei e a Constituição; entre a orientação interna administrativa e a lei; etc. São muitas as hipóteses e muitos os atos normativos, em alguns casos estão todos efetivamente contaminados, em outros não.

Por tais razões, o ponto máximo que conseguimos alcançar é estabelecer os critérios que permitam identificar os pontos controvertidos a serem cotejados pelo juiz (inscritos em normas constitucionais, legais e infralegais) e os parâmetros a serem observados na análise.

A intervenção judicial também é possível em casos de omissão legislativa, oferecendo o ordenamento jurídico os instrumentos legais adequados para a provocação do Judiciário pela via direta (mandado de injunção, ação direta de inconstitucionalidade por omissão, arguição de descumprimento de preceito fundamental) e via difusa (ações individuais e coletivas). Nos tópicos a seguir, veremos quais os limites de atuação judicial nos casos de inércia do Poder competente para a edição e concretização da política, de forma que resolva a lide submetida à sua apreciação e, ao mesmo tempo, não invada a esfera de atribuições dos outros Poderes.

173 COMPARATO, Fábio Konder. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas públicas. Revista

Benzer Belgeler