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Kırgız Çocuk Oyunlarının Tasnifi

B. KIRGIZLARIN TARİHİ

1. Kötü hastalıklardan koru (Ooruu-sırkoodon sakta): Darttan, katuuluktan,

3.3. KIRGIZ FOLKLORUNDA ÇOCUK OYUNLARI

3.3.1. Kırgız Çocuk Oyunlarının Tasnifi

Os distritos rurais de Rio Pardo, incluindo Albardão, ocupam grandes territórios onde estão localizadas propriedades de pequeno, médio e grande porte. Como discute Stülp (2001), baseado no censo anual do IBGE entre 1985 e 1995, a região sul do Vale do Rio Pardo – onde se encontram os municípios de Rio Pardo e outras três cidades vizinhas – possui 11.905 propriedades rurais de todos os tamanhos. Entre as mesmas, 7.507 (63%) são consideradas pequenas, com até 20 hectares; 3.614 (30%) são tidas como médias, com um tamanho variando entre 20 e 200 hectares (com grande concentração na categoria de 20-50 hectares, totalizando 18,7% das propriedades); finalmente, 6% das propriedades são estimadas como grandes, com mais de 200 hectares. Considerando a área total das propriedades, percebe-se que as propriedades pequenas ocupam em torno de 8% da área total, ou 55.027 hectares dos 689.000 hectares das propriedades rurais da região. As propriedades médias concentram 29% da área total, ou 198.051 hectares; por fim, as grandes propriedades absorvem 63,3% da área total, ou 436.212 hectares. Em termos de força de trabalho, as pequenas propriedades

empregam 22.953 pessoas (incluindo membros da família e empregados), as de médio porte aproveitam 12.625 pessoas, e as grandes utilizam 4.899. Na região meridional do Vale do Rio Pardo, 56,7% das pessoas empregadas nas áreas rurais trabalham nas pequenas propriedades (STÜLP, 2001; SILVEIRA E HERMANN, 2001).

Com o processo de internacionalização do setor do tabaco, houve uma crescente integração das terras de pequeno porte do município de Rio Pardo ao sistema conduzido pelas

fumageiras. Por um longo período, as pequenas propriedades da região já se dedicavam à cultura do tabaco Galpão, ou ‘fumo de corda’, o tradicional tabaco escuro produzido na região. Antes do vertiginoso crescimento do mercado de cigarros, o fumo de corda era

largamente usado como matéria-prima para as cigarrilhas artesanais, com expressivo consumo no Brasil. Com a introdução do tabaco Virginia pela BAT, em 1920, juntamente com outras técnicas e inovações sociais, o fumo de corda deixou de ser um produto próspero, em especial se considerarmos o rápido crescimento do mercado de cigarros e a demanda por tabacos mais leves criada neste processo. À medida que os colonos adotavam novos procedimentos

propostos pelas fumageiras, a região passava por um processo de racionalização e melhoramento tecnológico, alinhando-se às demandas do novo mercado. Após algumas décadas, as culturas de fumo de corda eram pouco significativas, já que a maior parte das pequenas propriedades de Rio Pardo estava envolvida no cultivo do tabaco Virginia. Hoje em

dia, a situação está próxima à total dependência, como sugerem muitos autores. Segundo Stülp (2001), ao se considerar as pequenas propriedades (com até 20 ha.) na área, conclui-se que a maior parte das famílias é quase totalmente dedicada ao cultivo do tabaco.

De acordo com a definição técnica e cultural (como entendida pelos mesmos e também pela literatura), colono é aquele que usa a família como força de trabalho para desenvolver diversas atividades primárias, normalmente em propriedades próprias, de pequeno porte (KERSTEN, 1983; VOGT, 1997; MACIEL, 1994). De fato, a noção de colono é originária de um momento em que os imigrantes eram claramente considerados uma classe social

diferenciada, pessoas recentemente chegadas do estrangeiro para viver de seu próprio trabalho em um novo país. Os colonos, pessoas que falavam línguas estrangeiras, geralmente isolados em territórios longínquos, cujo desenvolvimento estava sob sua responsabilidade, tinham de administrar a produção, quase que diária, para as necessidades de toda a família, tais como alimento, roupa, óleo, gordura, etc., num contexto de pouco avanço e disseminação

tecnológica. Historicamente, ser colono tem sido um título pejorativo; pois o colono é rude, um fazendeiro pobre e pequeno, enquanto as pessoas poderosas, os estancieiros, possuíam escravos e grandes propriedades. No início, o colono era freqüentemente associado às pessoas rústicas das montanhas, no território do Rio Grande do Sul, aquelas que tinham que trabalhar duro para sobreviver. Mais tarde, com o rápido desenvolvimento das antigas colônias de imigrantes, como Santa Cruz do Sul, o termo perdeu algumas de suas conotações pejorativas, mas ainda transmite significados associados à rusticidade das pessoas. Com o

desenvolvimento gradual de novas relações sócio-econômicas entre estas pessoas, os sentidos associados ao conceito de colono certamente se modificaram, assumindo novas conotações e dimensões. No entanto, hoje em dia o conceito de colono na região está intimamente ligado ao envolvimento das famílias rurais com a produção de tabaco, em suas propriedades de pequeno porte. Na prática, os colonos abriram mão de muitas das antigas e diversificadas atividades da economia familiar para se dedicarem ao cultivo do tabaco, o que era visto como um meio lucrativo de utilizar as terras. Com o desenvolvimento dos transportes e das comunicações no século XX, o colono já não precisava ser auto-suficiente em sua propriedade; as famílias poderiam plantar tabaco e vendê-lo, inicialmente aos comerciantes que também vendiam outros bens necessários a elas, e depois às fumageiras, que ofereciam uma perspectiva de renda com baixo risco. Desde a chegada dos imigrantes alemães, o tabaco foi considerado uma das culturas de valor comercial mais atrativo, o que poderia contribuir para aumentar os padrões de vida entre os recém-chegados. Hoje, na região, os colonos são os produtores de

tabaco que desenvolvem suas atividades em pequenas propriedades. Alguns deles desempenham outras atividades comerciais, tais como leite e frutas. A maior parte deles cultiva milho e cria animais, como vacas, galinhas e porcos em casa, com propósito de subsistência.

Os seguintes dados, extraídos do censo do IBGE, podem nos dar uma imagem melhor acerca das atividades desempenhadas pelos colonos na região do Vale do Rio Pardo. Se

considerarmos os 13.831 hectares de área total dedicada ao plantio de culturas temporárias nas propriedades de pequeno porte da região (com até 10 ha.), 45% da mesma é utilizado com o cultivo do tabaco, 32% com o milho (largamente usado como alimento para animais, mas também para a subsistência familiar), 9% com mandioca (também de subsistência familiar e para fins comerciais). O restante da área (11%) era ocupado com cultivos menores, tanto para consumo próprio como para fins comerciais: arroz, melancia, cana-de-açúcar e feijão. Ao se examinar as propriedades pequenas de área entre 10 e 20 ha., a situação hoje é similar: 31% da área são usadas com o cultivo do tabaco, 38% com milho, 8% com mandioca, 10% com arroz. O restante (13%) é ocupado com culturas menores: soja, cana-de-açúcar e feijão. Em relação ao valor da produção, observa-se que o tabaco é, de longe, a produção mais relevante em termos econômicos. Nas propriedades muito pequenas, ele totaliza 80% do valor

econômico gerado pelas famílias. Mandioca, melância e milho contribuem com,

respectivamente, 9%, 3% e 5%. Enquanto nas de pequeno porte, ele corresponde a 70%. Mandioca, arroz e milho colaboram, respectivamente, com 11%, 6% e 7%. A despeito da pequena significância, é preciso mencionar as culturas permanentes nas pequenas

propriedades. Em comparação às culturas temporárias (área total de plantio de 13.831 ha. em propriedades muito pequenas), as permanentes – que somam 118 ha. nas mesmas – são bem menos importantes. Estas culturas incluem banana, chá, laranja, pêssego e tangerina. De fato, laranja e tangerina são culturas comuns nas fazendas, mas são em sua maioria destinadas à subsistência ou pequenas transações comerciais.

As atividades de criação de gado, aves e porcos também são expressivas para a subsistência dos colonos. Em geral, ao se examinar o valor destas produções, percebe-se que são de pouca expressão em comparação às culturas temporárias, principalmente, o tabaco. Os seguintes dados descrevem a situação. Ao se pensar os valores totais das produções animal e vegetal nas propriedades muito pequenas da região meridional do Vale do Rio Pardo, apenas 14% provêm da produção animal, dividida entre 7% de grandes animais, como vacas (corte e leite), 3% com animais de médio porte como porcos, e 5% com animais de tamanho pequeno, como

aves e outro animais. Em tais propriedades, a produção vegetal representa 86% do valor total gerado pelas famílias, com 81% concentrado nas culturas temporárias, especialmente o tabaco. Nas propriedades pequenas, os valores não diferem muito: apenas 17% vêm da produção animal, divididos em 9% com animais de grande porte, 3% com animais de médio porte, e 5% com aves e outros animais pequenos. Nestas propriedades, a produção vegetal representa 83% do valor total gerado pelas famílias, dos quais 76% estão concentrados nas culturas temporárias, em especial o tabaco. Pode-se sugerir ainda que as atividades

relacionadas à produção animal sejam destinadas em grande medida à subsistência. De fato, ao se pensar os dados sobre a renda com a produção agrária nas pequenas propriedades, nota- se que apenas 9% provêm do comércio de produtos de origem animal, enquanto 85% estão relacionados com produtos de origem vegetal. Por exemplo, a produção de leite em tais fazendas da região é, em sua maioria, para consumo das famílias, pois apenas 35% dela, aproximadamente, é vendida. De fato, como sugere a análise de Stülp (2001), a situação não poderia ser muito diferente. A produtividade de produtos de origem animal nestas

propriedades da região é mais baixa que a média estadual. Apesar do desempenho crescente na criação de porcos ao longo dos últimos anos, a região do Vale do Rio Pardo não chega a ser especialista em suínos. O mesmo pode ser dito sobre a criação de gado. Em relação ao leite, os dados mostram que apenas nas maiores propriedades da região – cujo tamanho varia entre 100 e 200 hectares – a produtividade é maior que a média no estado; nelas, a proporção do leite vendido é significativamente maior. Finalmente, vale a pena mencionar a importância da silvicultura. Na região, o eucalipto é uma importante fonte de energia na produção de tabaco, pois é usado como lenha nas estufas. Entretanto, tais atividades possuem pouca importância nas propriedades pequenas. Particularmente, a silvicultura é típica nas

propriedades de maior porte da região, por esse motivo, para muitos colonos a lenha é um gasto extra e pesado.

Desde seu estabelecimento, os colonos, que inicialmente se dedicaram à agricultura familiar focada em culturas de subsistência e, com menor intensidade, em pequenas atividades produtivas destinadas a propósitos comerciais, desenvolveram um corpo de conhecimento relacionado aos desafios e às atividades diárias da propriedade. Particularmente, os esforços de subsistência sempre incluíram a criação de animais, como aves e porcos, e culturas como o arroz e a mandioca, de maneira que o conhecimento ligado a tais atividades vem sendo

essencial para a sobrevivência das famílias. Com a intensificação da produção de tabaco na região e a chegada dos imigrantes alemães na colônia de Santa Cruz, o fumo de Galpão era a

única cultura cujo conhecimento estava relacionado às melhorias nos padrões de vida, por permitir a obtenção de renda extra, usada no pagamento das dívidas e investimentos das propriedades. Tal conhecimento foi aperfeiçoado com o tempo, principalmente após a

introdução dos melhoramentos técnicos pela BAT, nos anos 20. Nesta época, o conhecimento usado para produzir o tabaco de Galpão, acumulado pelos colonos ao longo das décadas precedentes, teve de ser parcialmente substituído pelas técnicas ligadas ao tabaco Virginia. De fato, o instrutor era a pessoa a quem cabia a responsabilidade de ensinar aos colonos e ajustar o conhecimento existente para que este refletisse as novas exigências técnicas; no entanto, os colonos aprendiam à medida que se envolviam nas atividades diárias ligadas às culturas. Hoje em dia, o conhecimento técnico desenvolvido pelos colonos inclui procedimentos que

caracterizam o processo de produção de tabaco como um todo; mais do que isso, os colonos têm de lidar com o clima imprevisível, cujas peculiaridades devem estar associadas a várias decisões no processo produtivo. Assim, o tempo é um componente chave das decisões relacionadas à produção de tabaco. Atualmente, podemos afirmar que, implícito ao

conhecimento técnico dominado pelos colonos, existe a necessidade de se garantir a melhor qualidade possível de tabaco, para que os colonos maximizem a renda disponibilizada à família.

Em especial, o conhecimento acumulado pelos primeiros colonos, e ainda por muitos dos colonos atualmente estabelecidos no município de Rio Pardo, foi construído com base nas experiências postas em prática. A disseminação de escolas primárias, ou da educação formal, é uma realidade relativamente nova na região. Como afirmam os atuais avós, o progresso recente tirou as comunidades do relativo isolamento, como havia sido na maior parte de suas vidas. Durante a maior parte do século XX, ir à escola era considerado um desafio quase impossível, pois as instituições eram localizadas muito longe das propriedades familiares, e, portanto, muito difíceis de serem freqüentadas. Simultaneamente, as crianças deveriam ser apresentadas e integradas, por seus pais, às atividades da economia doméstica. De acordo com a pesquisa realizada pela universidade local, a maior parte dos atuais colonos (89,9%), que se dedicam ao plantio de tabaco não completou o ensino fundamental. Esta situação é

freqüentemente associada à falta generalizada de oportunidades que caracterizou outras épocas, diferentemente da realidade atual. Entre estes colonos, 0,5% são analfabetos, 6% completaram o ensino fundamental, 1,2% não completou o ensino médio, 2,1% completou o segundo grau, 0,3% não terminou a faculdade e nenhum deles tem faculdade completa. Se considerarmos os dados do IBGE relativos ao município de Rio Pardo, a situação parece pior.

A porcentagem de analfabetos era de 19,50% entre os maiores de 15, em 1980. Como resultado de recentes investimentos em educação – parte dos programas governamentais – esta taxa diminuiu nos últimos anos, alcançando 10,10%, em 2000, entre os acima dos 10 anos de idade (AFUBRA, 2004; BASSAN, 2003). No entanto, deve-se considerar a baixa qualidade do ensino no Brasil, que pode disfarçar uma situação de baixa autonomia intelectual entre os colonos. De fato, as estatísticas no Brasil consideram alfabetizados aqueles que não conseguem fazer muito mais que assinar seus próprios nomes, como bem documentado. Baseada nas percepções de uma senhora de 70 anos, mãe de um colono, a conversa a seguir ilustra as dificuldades enfrentadas pelos agricultores décadas atrás, e o recente progresso disponível para as gerações futuras.

ALBARDÃO – 6 DE JULHO DE 2005

Vilma: A gente tecia, viajava, vendia, naquele tempo, assim... Era bem diferente, a gente nem tem como explicar. Sobre aquele tempo, né? Nada mais difícil!

André: Mas de lá pra cá, melhorou ou piorou? Ou é difícil falar?

Vilma: É difícil falar, né? Mas eu ainda tenho a impressão que melhorou.

André: Melhorou?

Vilma: Eu acho. Eu acho que a vida, assim, aí no meu modo de pensar, sei lá. A gente não tinha oportunidade. Por exemplo, os mais velhos têm até terceira ou quarta série, porque, antigamente, era muito difícil pra chegar até a escola, e as crianças quando nasciam, logo que ficavam maior, já tinham obrigação de ajudar os pais na lavoura. Outra grande parte destas pessoas foi aprender a assinar seu nome depois de velho. De primeiro, não existia muito fumo, só existia lavouras de fumo, milho, arroz e mandioca; era basicamente o que existia para as pessoas plantarem e sobreviverem.

André: As pessoas conseguiam sobreviver?

Vilma: Conseguiam., Os que não eram donos das plantações trabalhavam de empregados, e, sendo assim, deste jeito, todos conseguiam sobreviver, e isso era geral aqui no interior.

André: Sei.

Vilma: Hoje, não, hoje a juventude tem oportunidade, quer dizer, embora que a gente tenha essa vida assim, como nós aqui, né, uma luta pra sobrevivência, mas a gente sempre tem uma

maneira que pode aproveitar... Porque eu, na minha época, eu não tinha nem o colégio. Nem o primeiro ano eu tinha.

Vilma: Então, eu acho que mudou muito, acho que é melhor. As oportunidades são mais, não vou dizer pra todos... Pra quem quer aproveitar ou, não sei se é pra quem quer, ou se é pra quem tem um pouco de oportunidade, a gente não pode dizer também, né? Mas, na minha opinião, eu tenho a impressão que, pra mim, eu acho melhor hoje.

Entre os colonos, as propriedades podem ser consideradas como unidades da economia básica, onde a vida acontece. Dentro destas unidades, suas famílias – geralmente compostas pelo marido, a esposa e uma média de três filhos – são caracterizadas por alguns papéis esperados. Em termos de divisão de trabalho nas propriedades, há tarefas que são em sua maior parte realizadas pelas mulheres e outras que são exclusivas dos homens; e expressivas variações neste quadro não são comuns. Em geral, as mulheres cuidam dos trabalhos

domésticos, tais como limpeza, roupas e cozinha. Elas também compram a comida necessária para a família e pagam as contas mensais. Os homens trabalham nas lavouras e cuidam da criação de animais, e também organizam e decidem tudo acerca dos plantios, administrando todos os aspectos das lavouras. O trabalho masculino na agricultura e nas criação de animais é considerado o mais pesado, o que inclui o trabalho direto com a terra e os animais, mas

também a organização e a tomada de decisões em relação aos cultivos – as quantidades de aditivos químicos, e a gerência de todas as dimensões das culturas. Em muitas das famílias, os homens não possuem um papel ativo na administração da casa e a mulher não desempenha papel ativo na gestão dos negócios familiares. Contudo, é normal que as mulheres ajudem os homens nas lavouras e nas criações de animais, em tarefas mais leves, possuindo assim uma dupla responsabilidade. Em relação às crianças, os pais geralmente estimulam sua educação, mas também são chamados para ajudar nas lavouras assim que completam 10 ou 11 anos. No princípio, no entanto, a natureza dos trabalhos dos meninos e dos homens é diferente; os meninos geralmente seguem os homens em praticamente todas as suas tarefas, assumindo o papel de aprendizes. Todavia, não têm contato com aditivos químicos, pois estes são

considerados muito perigosos. As meninas, em geral, não trabalham diretamente nas lavouras, mas deveriam ajudar suas mães nos trabalhos da casa, embora algumas delas não ajudem hoje em dia. Particularmente, parece que tal divisão de trabalho é sistematicamente ignorada nos períodos de classificação ou escolha do tabaco, dependendo das competências dos membros da família. Quem souber classificar o tabaco é chamado para executar estas tarefas, pois,

apesar de serem relativamente leves, exigem muito trabalho. É normal que os mais velhos se envolvam, pois acumularam bastante experiência.

A seguinte conversa entre o pesquisador e dois jovens de 18 anos, Alci e Mauro, e um homem de 60, pai de Mauro, mostra a dinâmica do trabalho dentro das famílias:

PASSO DA AREIA – 11 DE JULHO DE 2005

Pesquisador: ... Os homens não cuidam da casa...

Alci: Não, não.

Mauro: Em princípio a casa é da mulher, né? Fazer comida, lavar roupa, arrumar a casa,

fazer pão, essas coisas tudo... Tudo é a mulher, né? Fazer as refeição, o café, janta, almoço...

Alci: Algumas pessoas, aí, alguns homens ajudam a lavar os pratos, né? Mauro: É, a lavar a louça... Só servicinho mais simples, né?

Alci: Mais simples.

Mauro: Passar uma vassoura... Até que agora, né, porque antigamente, não. Taí o pai, né,

pai?

Pai do Mauro: É, o “veínho”, eu nunca peguei uma vassoura. Onde já se viu agora? Mauro: Agora não, agora já é um pouco diferente.

Pesquisador: E, e o homem?

Mauro: O homem trabalha fora, né, o homem trabalha na lavoura. Lógico que a mulher

também ajuda, assim, na área rural, a mulher também ajuda; faz as duas partes.

Alci: Ela ajuda na lavoura... Também ajuda... Pesquisador: Mas o serviço principal é do homem?

Mauro: É o serviço mais pesado, o serviço principal, é do homem... Na administração, né... A

única coisa...

Pesquisador: Administração, a mulher... a mulher não entra na administração...

Mauro: Da casa. Da casa é com a mulher, daí. A maioria dos casos é com a mulher. Comida,

essas coisas, é com a mulher. O homem faz mais a administração na organização da lavoura, custo do, dos insumos, do que vai gastar pra fazer uma lavoura.

Pesquisador: Tá. E, acontece de mulher fazer coisa de homem ou homem fazer coisa de

mulher, como... A mulher organizar a lavoura, ou dar palpite na lavoura, e o homem dar palpite nas coisas da casa, não tem muito isso?

Mauro: Não, não.

Alci: É, a maioria é definido.

Mauro: É, a maioria. Lógico que tem casos a parte, né?

Alci: Mas tem casos, né, que as mulheres dão palpite, né, dão palpite.

Pesquisador: E os jovens? Quando uma criança nasce, assim, ela vai crescendo, vai

crescendo, o que é esperado dela na casa, na vida da família, e com que idade, mais ou menos?

Mauro: O que é esperado? Digamos que... Não, o principal é estudar, né? Os pais sempre tão