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2. BÖLGESEL KALKINMA AJANSLARI

2.3. Bölgesel Politikalar: Temel Boyutlar

2.3.4. BKAlar ve Bölgesel Ortak İçerikleri

Em sua itinerância missionária Jesus permitiu que aqueles simples homens, os camponeses das aldeias da Galiléia e arredores, testemunhassem as diversas curas, milagres e exorcismos que realizava cheio do Espírito de Deus, libertando e combatendo o grande mal da indignidade e da exclusão. Através de Jesus aquele povo se vê ante o Deus do Reino, um

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SOBRINO, J. Fora dos pobres não há salvação. São Paulo: Paulinas, 2008 p.138.

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Deus que cura. “Jesus apresenta o „reinado de Deus‟ como ação eficaz nos corpos para curá- los, alimentá-los e restaurar-lhes sua dignidade” 284.

Para termos uma breve ideia do significado desta prática de Jesus, é preciso antes compreender que, naquele contexto, as enfermidades não traziam em si apenas o componente biológico, mas portava, além disso, um implicativo social e religioso. As doenças às quais Jesus curava, retratavam a condição de um país pobre e subdesenvolvido, onde cada enfermo estava ciente de sua incapacidade de desempenhar seu papel na sociedade, resignado em não poder viver como os “outros” filhos de Deus. O que as ações de Jesus em favor destes doentes vêm dizer, então, é que Deus não os esquecera ou rejeitara como seus líderes pretendiam demonstrar; dizer que seu Deus é o Deus da vida em abundância e que, portanto, cura, salva e liberta, perdoando os pecados, pois que não quer o sacrifício e sim a misericórdia; que precisamente eles seriam os “alvos” das misericórdias divinas, pois que Jesus, o enviado de Deus, não viera para os sãos, mas para os enfermos; não para os justos, mas para os pecadores (cf. Mc 2,15-22; Lc 5,29-39).

Jesus, ao apresentar esta nova concepção de Deus e do modo de Deus agir, vem de encontro com uma mentalidade semita em que Deus é a causalidade de todas as coisas, do bem e do mal, da vida e da morte, da guerra e da paz. “De acordo com a mentalidade semita, Deus está na origem da saúde e da enfermidade. É Senhor da vida e da morte. Por isso entendem que uma vida forte e vigorosa é uma vida abençoada por Deus; uma vida enferma é uma maldição” 285. O que podemos também concluir a partir dessa mentalidade vigente no

tempo de Jesus, é que ao realizar prodígios extraordinários, ele deixa claro que está mais que declarada a luta final, ou pelo menos o início dela, contra as forças do mal que escravizam os homens; “curar” é, portanto, também “libertar”: “Os milagres, como todas as atividades e práxis de Jesus, não devem ser compreendidos apenas a partir do Reino, mas também, dialeticamente, a partir do anti-reino” 286.

O lugar privilegiado que Deus Pai reserva em seu coração por estes “pequenos” de Israel através de Jesus, é um dado histórico inegável e foi, para aqueles tempos, um conflito

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PIXLEY, J. Jesus de Nazaré foi também profeta. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, Petrópolis, v.-, n.47, pp.71-79 (aqui p.76), 2004.

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PAGOLA, J. A. Jesus..., p.194.

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armado entre a exclusão dos “homens de Deus” e a inclusão do “Deus dos homens”. Esta é a Boa Notícia que nossos pobres precisam ouvir, ou seja, que há um lugar que lhes é devido no coração e no projeto salvífico de Deus. “A Boa Notícia de Deus tem, no entanto, destinatário certo, exclusivo: os pobres. Por isso, é somente a eles que se anuncia a boa notícia. Não porque seja escondida para os demais: é que para os demais, não é boa” 287.

As técnicas medicinais na época de Jesus eram extremamente rudimentares, e de acessibilidade restrita a poucos. Além do mais, ainda havia grande relutância em se recorrer a tais técnicas devido à sua origem grega, apesar de que alguns sábios aconselhavam recorrer-se a elas em determinados casos, pois o Deus da saúde poderia servir-se deles (cf. Eclo 38,1-15). Onde queremos chegar com essas observações, é no fato de ser perfeitamente natural, mediante essas circunstâncias, que a busca por “curadores” populares se tornasse frequente em Israel. É daí que se justifica a fama que Jesus atraiu para si, ao ponto de lhe apresentarem inúmeros doentes para serem curados, por onde ele andasse (cf. Mt 4,23-24).

Jesus passou a ser considerado como um taumaturgo de grande prestígio em toda a região. Mas cabe-nos a pergunta: Se no tempo de Jesus tais figuras não eram raras, em que Jesus se diferenciava dos outros tantos taumaturgos de sua época? E a resposta é que Jesus olha para além do mal físico. Perscruta a realidade daqueles enfermos, realidade de impotência e humilhação causadas pela enfermidade, indo muito além da dor física. Ele pôde dar àqueles enfermos, algo que médico nenhum pôde, algo que remédio algum proporciona: um caminho, uma possibilidade de vida, de relacionamento com Deus a ponto de até poderem chamá-lo de Abba. Outro diferencial que será próprio de Jesus é a sua compaixão pelos que sofrem. O amor e a compaixão são os instrumentos de cura usados pelo taumaturgo Jesus. Jesus não cura para se auto promover. Jesus cura, para promover o Reino de Deus.

Por isso, sua atuação não é a de um mago da época. Ele nunca intervém para causar dano, causar enfermidades, produzir insônia, impedir amores ou desfazer-se de inimigos, mas para curar o sofrimento e a enfermidade. Não age nunca por interesses econômicos, mas movido por seu amor compassivo e por sua decisão de anunciar o Reino de Deus 288.

As curas, milagres, os tantos prodígios realizados por Jesus por ocasião de seu ministério dentre os homens, fazem parte do anúncio do Reino de Deus que está próximo. Em

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SEGUNDO, J. L. A história perdida..., p.152.

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verdade, esta é a característica que mais o distingue dos demais “profissionais” da cura. Jesus não age por si, por sua vontade, mas para fazer a vontade do Pai que está no céu. Não obedece a impulsos naturais, mas à moção do Espírito de Deus. Como já apresentado, Jesus de Nazaré possui uma vontade humana completa. Não dizemos que no que diz respeito à sua vontade humana Jesus não queria curar e libertar aquela gente; o que dizemos é que a vontade humana e a divina estavam plenamente associadas, em perfeita sinergia, e essa era a fonte do poder de Jesus de Nazaré.

O poder de Jesus de curar enfermos, sob uma perspectiva cristã, foi interpretado por seus discípulos como um sinal próprio da missão escatológica de Jesus. Ele é o “taumaturgo escatológico”. “O Evangelho”, não se pode esquecer, “apresentou Jesus em primeiro lugar como profeta escatológico. Por isso os milagres são sinais desta missão, e nunca o centro de sua atividade messiânica” 289. A missão fundamental de Jesus não é fazer milagres, mas

anunciar o poder transformador de Deus sobre a história, a nova vida em abundância. Neste contexto, e só neste, se pode entender seus milagres; eles avalizam a chegada do Reino de Deus entre os homens:

Os milagres do Evangelho não só são maravilhas, mas sobretudo são signos escatológicos que requerem a fé. O Reino de Deus é a “força de Deus para a salvação” (Rm 1,16). A revelação dessa força vem através de dois canais: a palavra de Deus e os sinais visíveis. Por conseguinte os milagres têm uma função por assim dizer “sacramental”. São signos visíveis da salvação espiritual que acompanham a chegada dos tempos escatológicos 290.

A conclusão a que chegamos a respeito da práxis curadora de Jesus, é que tais ações querigmáticas se constituem em verdadeiros arautos que falam em auto e bom tom sobre a “salvação” que há no Reino, atraindo a atenção de todos os que tiverem olhos para ver, ouvidos para ouvir, humilde inteligência para compreender. No que diz respeito à expulsão dos demônios, a lógica do raciocínio é a mesma à aplicada aos outros prodígios operados por Jesus. Os exorcismos são os signos de que o Reino de Deus chegou e que Satanás foi vencido (cf. Mt 12,28). No mundo antigo e no A.T, existia uma convicção de que o mundo vivia sob a influência de forças do mal de todos os tipos, atuando sobre a vida dos seres humanos. Os contemporâneos de Jesus eram herdeiros desta mentalidade.

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PIKAZA, X. A figura de Jesus, p.84.

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A forma pela qual tais forças atuavam nos homens era pelas enfermidades, sobretudo as de ordem psíquico-neurológicas. Os que se viam em tais situações eram “escravos”, e necessitavam ser libertados. Jesus reúne todas essas forças demoníacas sob um único nome: Satanás. Tal poder do mal atingiria seu ponto máximo no “fim dos tempos”, onde se daria a grande batalha entre o Reino de Deus e o anti-Reino. Mas o anúncio de Jesus comporta a firme certeza de que nenhuma força e nenhum poder, ainda que superiores aos dos homens, jamais sobrepujariam o poder e a força de Deus, infinitamente superiores. A conclusão disso é que: A libertação tão esperada é possível e já está no meio de nós.

Os adversários de Jesus já possuíam outra visão. Não estavam em posição de acreditar ou enxergar nas curas e exorcismos de Jesus uma ação libertadora, pois que os que veem são os que necessitam de tal libertação. Apontavam-no como “parceiro” ou “servo” do próprio Belzebu. Não era, portanto, o poder de Deus agindo no Messias de Deus, mas o poder de Satanás (cf. Mc 3,22; Mt 9,34; Jo 8,48; 10,20). Na verdade, estavam seguindo a lógica da mentalidade da época; o que não se podia explicar com a razão humana, e o que não estava de acordo com os parâmetros religiosos por eles mesmos estipulados, atribuíam-se ao demônio.

Para os inimigos de Jesus, os “milagres” não eram problema; mas ser confrontados com os “milagres de Jesus”, o filho de um carpinteiro, oriundo de uma terra de pagãos, sem formação alguma com nenhum de seus conceituados mestres, isso sim foi um desafio concreto 291. Em Jesus acontece algo de excepcional, isso nem eles podiam negar. Portanto, a

solução é atribuir tais atos a “origens demoníacas”. Seus seguidores, em contrapartida, as atribuíram a uma infindável proximidade com Deus.

[...] a realidade histórica de Jesus, que realmente pelos seus atos excepcionais pôde suscitar estas duas interpretações extremamente opostas: “de Deus”, ou “do demônio”. Pois avaliações tão extremadas não são feitas a respeito de um “homem comum” qualquer. Isso supõe um fenômeno excepcional, observado e reconhecido como tal por todos os partidos 292.

O que os atos prodigiosos de Jesus têm a dizer aos homens de hoje? A homens altamente tecnicizados? Como a nossa geração pode olhar para a práxis de Jesus de Nazaré

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“São Mateus responde assim à admiração (Mt 4,15s) que o redentor não venha de Jerusalém nem da Judéia, mas sim de uma faixa de terra que era vista como meio pagã: justamente isto que aos olhos de muitos fala contra a missão messiânica de Jesus – a sua origem de Nazaré, da Galiléia – é, na realidade, a prova da sua missão divina” (RATZINGER, J. Jesus de Nazaré, 2007 p.71).

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sem que se sinta totalmente alheia a tudo isso? Estas são questões pungentes. Para que tal abordagem se torne relevante na atualidade, é necessário que seja imbuída de significado. Isso só se dará se compreendida dentro do anúncio e mensagem de Jesus sobre o Reino de Deus. A linguagem da qual nos servimos hoje para expressar o que auferimos de nossas experiências com Deus e com os outros, pode não ter nada a dizer daqui a cem anos. As palavras passam, mas o sentido permanece sempre, pois que partiu de uma experiência, emergiu da vida de seres humanos concretos.

Do mesmo modo se deu com Jesus de Nazaré e com todos os seres humanos, paralíticos, cegos, mudos, surdos, endemoninhados com os quais falou, tocou, se relacionou. Relacionamento iniciado com uma posição dialógica de Jesus perante estes, precedido por uma atitude de fé. Diálogo e fé estão presentes em todo processo curador e libertador. O sentido maior que emerge de cada cura, cada milagre, é a gratuidade absoluta de Jesus perante Deus e perante os homens. Não há manipulações ou jogos de interesses, apenas gratuidade; não há egoísmo, individualismo, apenas compaixão e partilha; Não há desespero e falta de perspectiva, de planos, de sonhos, apenas esperança.

Tais palavras permanecem ricamente providas de sentido, sobretudo nos tempos em que vivemos. Finalmente, a imutabilidade de Deus permite, também a nós, dizermos: A libertação pode acontecer. Deus nos liberta a fim de que tenhamos as rédeas de nossas vidas em nossas mãos, assumindo a responsabilidade disso. Liberta-nos para sermos instrumentos de libertação assumindo a responsabilidade sobre a vida do outro, do próximo de nós. Deus nos liberta porque é amor, e no amor não há nenhum tipo de escravidão, apenas liberdade; e ser verdadeiramente livre não é fazer o que se quer, mas o que é certo; é unirmos a nossa vontade à de Deus.