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4. TRAKYA KALKINMA AJANSI ÖRNEĞİ

4.1. Trakya Kalkınma Ajansı

4.1.1. Genel Bilgiler

A fé cristã nos confere o privilégio de saber que nem a morte e nem o pecado, têm a palavra final. O pecado, porque Jesus já nos libertou; a morte, porque Cristo ressuscitou. Em conseqüência disso, o que podemos dizer é que o significado da morte de Jesus vem iluminado pela fé na ressurreição. Se não tivesse acontecido a ressurreição, se não existisse a fé em Jesus após a ressurreição, seu fim teria sido registrado na história como o de tantos outros. “Ressurreição sem cruz é presunção, é triunfalismo, é prepotência. Cruz sem ressurreição é fracasso sem esperança, é dor sem bálsamo, é tristeza, é pranto sem promessa de restauração, é juízo sem um novo céu e uma nova terra” 347. Schillebeeckx 348 escreve sobre

as três diferentes interpretações que foram dadas pela comunidade cristã primitiva, a fim de encontrar um sentido para a morte de cruz do Filho de Deus:

O profeta-mártir escatológico: Deus toma a causa, a defesa do profeta rejeitado. Aqui não se atribui um significado salvífico. Deus toma partido do profeta rejeitado. É, portanto, a tradição sobre o martírio do profeta enviado por Deus e sobre a rejeição de sua mensagem.

O plano salvífico de Deus: Esquema soteriológico. O que se deu com Jesus fazia parte do plano salvífico de Deus. Sobretudo em Marcos, temos a afirmação convicta de que “tinha que ter sido assim”. Essa tradição vem para explicar o texto desconcertante de Deuteronômio (cf. Dt 21,23), ou seja, ser crucificado era uma maldição divina. A crucificação nessa tradição é um fato que o próprio Deus pôs em movimento com um único objetivo: salvar.

346

RUBIO, A. G. Um encontro..., p.94.

347

PROENÇA, W. L. Cruz e Ressurreição: a identidade de Jesus para os nossos dias. Londrina: Descoberta, 2002, p.83.

348

Morte redentora-expiatória: Também aqui obedece a um esquema soteriológico. Jesus morre para a realização de um sacrifício vicário, ou seja, “em nosso lugar”; Se oferece como Cordeiro único de Deus, para um único e definitivo sacrifício, a fim de expiar os pecados de todo gênero humano.

Glaab 349 nos traz, todavia, outras formas de interpretação da morte de Jesus, pela

comunidade que aparecem, sobretudo, nos escritos paulinos. Em alguns textos, como por exemplo, Rm 6,1-11, 7,4 e Gl 2,19; 5,24 dentre outros, temos a morte de Jesus como morte da qual participam os humanos. Aqui o cristão participa da morte de Jesus para ressuscitar com ele e viver vida nova, como uma nova criatura. Não é só a morte, portanto, que salva, mas a morte e ressurreição. Em Rm 5,8; 8,31-39; Gl 2,20; 2Cor 5,14ss; Ef 2,5-6, e também nos escritos joaninos (1Jo 4,9-10; Jo 3,16), a morte de Jesus aparece como revelação do amor de Deus; Jesus morreu para revelar o amor de Deus pelos humanos. Por fim, temos a morte de Jesus como modelo, ou seja, os cristãos devem aceitar os sofrimentos, pois Jesus sofreu. Tal visão é fruto de um período de grande perseguição e, portanto, visava preparar os cristãos para enfrentar as dores e até a morte pelo nome de Jesus (cf. 1Pd 3,17-18; Ef 5,2.25; Mc 10,45; Lc 22,21.35...).

Desta forma, com estas possibilidades interpretativas, a comunidade pode lidar com a morte de cruz de Jesus. Israel finalmente aprende que o justo pode sofrer e o vencido pode ter mais razão que o vencedor. Além disso, no que diz respeito à morte de Jesus como sacrifício, puderam perceber que não se deu com Jesus o que se dava com os rituais sacrificais de sua cultura. Paulo, na Carta aos Romanos (cf. Rm 5,6-11), expõe essa nova ideia de sacrifício em que a salvação se dá não pelo ato de “aplacar” a ira de Deus, mas pela superação da hostilidade humana.

Neste novo sacrifício, não é o homem que procura influenciar Deus para que desista de sua ira; antes, Deus age para que o homem abandone sua hostilidade contra Deus e seu próximo. Não é Deus, mas o homem, que deve ser transformado por esse sacrifício 350.

Precisamos fazer uma observação importante antes de concluirmos este ponto a respeito do valor salvífico da cruz na fé cristã. É vital pontuar que o sofrimento em si ou a

349

GLAAB, B. G. A compreensão da morte de Jesus na Igreja primitiva. Cadernos da ESTEF, v.-, n.30, pp.64- 76 (aqui p. 70-71), 2003.

350

cruz isoladamente, não constituem matéria salvífica. Se assim fosse, qualquer um dos tantos crucificados pelo império no século I da era cristã poderia ser o salvador. A cruz pela cruz é maldição, como já nos relata o Deuteronômio. Como bem coloca Blank, “só a Ressurreição pode superar a negatividade da cruz” 351.

A salvação entendida como superação do pecado e como saída da situação de não salvação, consiste no contrário, isto é, na abertura ao dom de Deus, no diálogo entre os seres humanos, na responsabilidade assumida em relação ao mundo da natureza e a sinceridade no encontro com a própria verdade interior. Assim foi a vida de Jesus de Nazaré, uma vida radicalmente contrária ao pecado 352.

A cruz não foi algo “natural” na história de Jesus. Desta forma, não devemos como cristãos, olhar para ela como se tivesse sido. Para todo israelita anterior ou até mesmo posterior a Jesus, a cruz era um escândalo social, uma maldição. São Paulo vai dizer aos coríntios (cf. 1Cor 1,18) que a cruz, para aqueles que se perdem, é loucura; no entanto, para os que se salvam, é poder de Deus. É sabedoria de Deus para os que creem. No entanto, da Sabedoria de Deus não faz parte um olhar para a cruz ausente de questionamentos ou constrangimentos. Afinal de contas, hoje nós, que fomos salvos por ela, sabemos que poderia não ter sido assim. Foi assim porque Jesus viveu “assim”, de um jeito que desagradou aos poderosos. A cruz, portanto, não pode ser separada da vida de Jesus.

Quando se realiza essa separação entre a cruz e a vida de Jesus, a relação do crente com a cruz pode levar facilmente à vivência de uma religião que valoriza o sofrimento pelo sofrimento, esquecendo que cada cristão, e as comunidades, é chamado a viver o seguimento de Jesus 353.

3.4.3.1 O significado da morte de Jesus hoje

Falar de dor, paixão e sofrimento de Cristo hoje, em plena modernidade, equivaleria ao absurdo de alguém que pudesse voltar ao tempo de Jesus, falar de processos de clonagem de células humanas para prolongamento da longevidade humana. O que isso significa? Significa que na cultura moderna, definitivamente não há lugar para o sofrimento e a dor. Estes nunca serão naturais aos olhos dessa sociedade que quer banir de sua existência toda espécie de dor e sofrimento. Se ao menos todo esse esforço fosse empenhado na luta contra as dores e os sofrimentos antinaturais, causados pela injustiça, o egoísmo e a sede de poder, seria

351

BLANK, R. Recuperar o imaginário da Ressurreição. Revista de Cultura Teológica, São Paulo, v.11, n.42, pp.9-18 (aqui, p.13), 2003.

352

RUBIO, A. G. Um encontro..., p.96.

353

mais que louvável. No entanto, a aversão é contra todo e qualquer tipo de sofrimento, até mesmo os da condição natural do ser humano. Todos os esforços técnico-científicos e até místicos, estão a serviço desse intento.

Moltmann diz algo a respeito disso, que cabe muito bem aqui: “Vida sem disposição para o sofrimento, torna-se superficial” 354. Podemos entender esta frase de Moltmann quando

nos damos conta das implicações desta postura, ou seja, uma vida vivida no medo e na covardia; uma vida “entocada”, refém de nossas próprias prisões; uma vida que nunca será vivida com toda intensidade. Significa, também, omissão diante de tudo aquilo que pode levar à perda de um bem-estar ilusório, de uma situação confortável egoísta e individualista, e de tudo o que implicar em “perdas”, pois estamos neste mundo para sermos “vencedores”, para “ganharmos” sempre, não importando as condições. A conclusão é que para este mundo “sem dores”, o seguimento de Jesus, que pressupõe perseguição e cruz (cf. Mt 16,24-25; Mc 8,34; 9,1; Lc 9,23-27; Jo 12,25), se torna improvável, questionável e totalmente inviável.

A intenção de apresentar Jesus ao nosso mundo moderno sem banir a cruz de sua história, só será efetiva se aprendermos, com seus discípulos, a buscar o “positivo” da cruz, assim como o “positivo” de todas as dores da humanidade hoje. Seria isso possível? Não seria loucura? Lembremos novamente as palavras de Paulo aos coríntios; só é loucura para os que se perdem, os que não creem. Nisso está a nossa missão como Igreja, de ajudar os que não creem a adquirirem essa esperança. O grande desafio para a nossa fé é o de olharmos para todas as catástrofes e tribulações, para todo o “caos” social e ecológico de nossos dias, com positividade. Precisamos, como aconselha Moltmann, olhar para tudo isso como “dores de parto do novo mundo” 355. Trata-se de um olhar apocalíptico, sim, porém permeado de uma

esperança consciente do lugar que ocupamos em meio a todo esse processo. Lugar que, com certeza, não é o de uma plateia de meros espectadores.

Jesus experimentou isso tudo em toda sua intensidade no Horto das Oliveiras. Quanto àquela hora cruel, até pediu que, se possível, o Pai o livrasse dela (cf. Mt 16,24-25; Mc 8,34; Lc 9,23-27; Jo 12,25). Na manhã da ressurreição, no entanto, gozou da plena alegria de ver nascer uma nova esperança de uma nova vida. A morte e ressurreição de Jesus são interpretados, apocalipticamente, como antecipação de todos os sofrimentos nos quais o

354

MOLTMANN, J. O caminho..., p.209.

355

“velho mundo” perece, para dar lugar ao “novo” que nasce. “Ele experimentou os sofrimentos apocalípticos não apenas como Messias de Israel e não apenas como Filho do Homem dos povos, mas também como Cabeça e Sabedoria de toda Criação e morreu pela nova criação de todas as coisas” 356.

O sentido maior da morte de Cristo para nós hoje, é que ele suportou até o fim o conflito fundamental da existência humana: vencer o mal com o bem, com a doação total da vida a Deus e ao próximo. “O mal para Jesus não está aí para ser compreendido, mas para ser assumido e vencido pelo amor” 357. Esta opção fundamental de Jesus mesmo diante do

absurdo abriu uma nova possibilidade à humanidade. Não precisamos nos conformar com o mal, não devemos negá-lo imprudentemente e nem tampouco justificá-lo; podemos, isso sim, assumi-lo como realidade que pode ser vencida, pois Alguém já o fez. O que precisamos somente é empunhar a “arma” certa, a mesma que Jesus usou na cruz: o amor incondicional e gratuito ao Pai e aos irmãos.

Quando permitirmos que esse amor e essa esperança suplante toda dor, estaremos crendo como Jesus creu, confiando como Jesus confiou, seguindo-o com nossas limitações e fraquezas inerentes, porém, certos da vitória. Isso dará um novo sentido às nossas vidas. “A ressurreição revelará em toda a sua profundidade que crer e perseverar no absurdo e no sem- sentido, não é sem-sentido” 358.