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Köprüören Tren İstasyonu Sahası

Belgede Kütahya'daki tren istasyonları (sayfa 114-125)

As narrativas das filhas de Ló e a de Judá e Tamar atestam que antes dos registros legislativos israelitas atribuídos a Moisés (Dt 25), já havia alguma forma da tradição de casamentos por levirato praticada por povos canaanitas205, e semitas da mesma origem de Judá.

Gottwald usa a expressão “associação protetora da extensão

familiar” em sua definição do que seja o relacionamento dentro do mispaha (Clã), “porque sua função era primariamente protetora e restauradora para os membros

da família”. 206

No relacionamento de levirato as atenções do clã se voltam para a figura do “goel”, que é quem tem a responsabilidade de “resgatador”, aquele que detém autoridade máxima dentro da família, clã ou tribo, geralmente representado pelo homem mais velho do grupo.

Segundo de Vaux207, o casamento por levirato é uma tradição que visa à proteção e garantia dos direitos de posse e herança de terra, e a continuidade da família dentro do clã quando o bet-ab fica impossibilitado de solucionar essas questões.

Entre outras, o goel tinha a responsabilidade de vingar seu antecessor em crimes de sangue, gerar um herdeiro em nome do parente homem falecido sem deixar filhos para preservar-lhe o nome e o patrimônio, resgatar terras vendidas ou transferidas por dívidas pelo parente falecido, resgatar também o parente alienado em caso de dívida, como escravo a um estrangeiro.

205 Se tomar por base a tradição de que Tamar era canaanita, o que é atestado por algumas evidências

comentadas anteriormente nesta dissertação. Seu nome, por exemplo, que é uma alusão à palmeira, por sua forma fálica é atribuído a um tipo de culto de adoração a um deus da fertilidade o que também atesta seu papel na narrativa. Sobre a origem de Tamar ver SPEISER, op. cit., págs. 297-300.

206 GOTTWALD, N., 1979: 257ff, in ABD, vol. 2, pág. 763. 207 de VAUX, op. cit., pág. 60.

O levirato208 então pode ser definido como uma forma de casamento com vistas a assegurar descendência a um homem falecido sem deixar filhos, garantindo a transmissão de herança para o mesmo por meio da intervenção de um parente próximo do falecido para gerar filhos em seu nome.

É uma obrigação do homem, parente do falecido que esteja mais próximo em linha de nascimento, para com a viúva, como se pode ver no relato de Tamar e Judá, quando Onan é morto por descumprir seu dever para com a esposa de Er, ou para com Er, talvez. 209

Isto denuncia que a pressa de Judá em destruir Tamar pode significar que ele vira aí uma boa oportunidade de livrar-se de suas responsabilidades, utilizando-se de leis que incluíssem a pena de morte.

A tentativa de Judá em procurar livrar-se de sua nora e descumprir seu dever de goel para com Tamar, providenciando para ela um casamento por levirato com seu filho caçula se explica pelo fato de haver perdido os dois primeiros filhos para esta mesma mulher, o que talvez parecesse ser, aos olhos de Judá, uma espécie de maldição210, do que ele tinha razões para suspeitar.

Se Judá sabia favorecer-se de dispositivos legais disponíveis no lugar onde ele vivia com a intenção de livrar-se de sua nora, Tamar o sabia mais ainda. Ela o revela, exigindo objetos de Judá que mesmo não tendo valor comercial aparente, poderiam identificá-lo como autor do ato211. O uso de três artigos para mostrar a identificação de uma pessoa é confirmado por fontes ugaríticas e mesopotâmicas. 212

208 GOTTWALD, N., “Introdução Sócio-literária à Bíblia Hebraica”, 1988: 516.

209 Pensou-se no levirato como forma de proteger a mulher viúva sem filhos. Pode-se considerar, no

entanto, que o levirato seja uma solução para o problema de herança deixada pelo falecido e sua família, e não para proteger a viúva. A instituição visaria proteger somente o direito do homem de ter um herdeiro para quem deixar seus bens. Seria um dever do goel, providenciar alguém do clã para casar-se com a viúva e esta por sua vez estaria obrigada a aguardar por este casamento sem que pudesse buscar outra alternativa. Sua capacidade de gerar seria tratada então como um patrimônio da família do falecido marido. Por outro lado, através de seu filho, uma mulher poderia ser transformada em uma mulher nobre em Israel caso esse filho ascendesse ao poder, o que seria um privilegio da mulher.

210 Carmichael menciona que a perda dos filhos de Judá é uma representação da lei das recompensas,

segundo a qual Judá estaria pagando com a morte de seus filhos por haver enganado seu pai fazendo-o pensar que José tivesse sido morto por uma besta do deserto quando na verdade para se livrar dele, seus irmãos, sob o consentimento de Judá, o vendem como escravo para o Egito. CARMICHAEL, C., The Spirti of Biblical Law, 1996: 142.

211 Judá também não se incomoda de ser identificado por estes objetos, reforçando a teoria de que ele

estaria bem adaptado ao estilo de vida e práticas religiosas canaanitas, mostrando que mesmo os israelitas daquele tempo não eram avessos a algum sincretismo, como visto neste mesmo capítulo.

212 A tradição segundo a qual se exigia três objetos pessoais em garantia de algum acordo é atestada

Nas leis hititas há exemplos de que havia base legal para exigir-se que o sogro cumprisse as obrigações do levirato, casando-se ele mesmo com a nora viúva o que foi proibido pela lei de Moisés213. Talvez se possa afirmar que as filhas de Ló tenham seguido alguma tradição que permitiria que o pai cumprisse o dever na ausência de outro resgatador.

Essa possível versão da tradição do levirato encontrada no relato de Tamar e Judá, também faz notar as diferentes variações encontradas em uma mesma instituição observada de duas óticas distintas.

Tem-se a de Judá, homem, representando a tradição de levirato na ótica semítica, cuja grande preocupação, segundo se lê em Dt 25, aparenta ser não a preservação do direito da mulher, mas a garantia da progenitura de um israelita (homem) falecido sem deixar herdeiros.

A segundo percepção é a de Tamar, uma canaanita, mulher, que reflete tradições presentes também entre os hititas, fenícios, ou canaanitas, que são mais tolerantes à presença de mulheres mesmo que envolvidas com cultos orgíacos.

Essa distinção pode ser notada no fato de Tamar ter usado véu para esconder sua identidade. Sua ação é legal do seu ponto de vista, se considerar-se que haveria uma forma de levirato que circulava em Canaã, em que o goel, parceiro da relação, poderia ser o próprio sogro214, além de um irmão, primo ou tio do marido falecido sem deixar filhos.

Mas para Judá, um semita, um israelita, futuro patriarca da nação, a proibição do coito com a nora o faria evadir-se do ato se percebesse tratar-se da viúva de seu filho primogênito. 215

Tamar se mostra capaz de lidar com essas questões legais e de utilizá-las a seu favor demonstrando conhecimento das diferenças entre os costumes e tomando precauções para contornar os obstáculos.

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