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Osmanlı Dönemi’nde Demiryollarının Tarihsel Gelişimi

A população brasileira cresce em um ritmo menos acelerado do que crescia em meados do século XX. Contudo, ela está vivendo mais e envelhecendo. Em 1930, vivia-se em média 42 anos e em 2050 espera-se que o brasileiro viverá mais de 81 anos. Com essa mudança nas características da população, haverá alteração na pirâmide etária. Em 1980, o Brasil contava com 16,38 milhões de crianças até quatro anos de idade e 7,20 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 2050, as crianças com a mesma faixa de idade devem passar para 15,18 milhões e os adultos com mais de 60 anos de idade devem ultrapassar a marca dos 64 milhões. Essas mudanças sociais, aliadas a uma má distribuição de renda e uma desigualdade na educação do brasileiro, suscitam uma reflexão: como se preparar para a aposentadoria? Teorias como a Hipótese do Ciclo de Vida do ser humano indicam que as pessoas devem acumular recursos ao longo da vida para utilizá-los aos se aposentar. Existem várias formas de poupar, como adquirir bens ou aplicar no mercado financeiro, mas o ideal seria proporcionar educação e cultura financeira para o brasileiro. A Previdência Social é uma poupança compulsória para o trabalhador que possui registro em carteira profissional. Contudo, a previdência pública, tanto no Brasil como em outros países, tem passado dificuldades em função do envelhecimento da população. Na década de 60, para cada aposentado, a previdência brasileira contava com oito pessoas trabalhando. Em 2008, a relação baixou para menos de dois contribuintes por beneficiário.

Mesmo no período que a previdência social contava com um número maior de contribuintes por aposentado, o sistema já tinha problemas. Os cálculos atuariais não levavam em consideração a inflação; o governo não disponibilizou recursos quando as contribuições eram tripartites, havia sonegação e os recursos eram aplicados em investimentos pouco rentáveis. Ou seja, se não ocorrerem mudanças significativas na previdência social, há pouco o que se esperar dela.

O brasileiro pode acumular recursos de outras formas. Apesar de a previdência privada ser uma opção, uma série de problemas tem ocorrido no país e no mundo em termos de déficits, contratos não cumpridos e mesmo falências. Como uma parte dos recursos financeiros de uma pessoa que se aposenta é utilizada para moradia e alimentação, uma opção é investir em organizações que ofereçam esses serviços para uso futuro.

169 Nesta tese, essas organizações foram tratadas como Ambientes Residenciais Especiais. Esse tipo de investimento também traz algumas incertezas, como a necessidade ou o desejo de utilização em um segundo momento, quanto à perpetuidade da organização, em relação à qualidade de atendimento futuro, entre outras.

Em relação à dúvida de futuramente utilizar ou não a organização, pode-se identificar dois fatores. O primeiro deles é adquirir grau de dependência em uma fase da vida. Nesse caso, alguns aspectos motivadores podem ser identificados, tais como não preocupar os familiares, ou os familiares não serem aptos para oferecer cuidados ou não possuir familiares próximos. Outro fator que pode levar uma pessoa a investir em um Ambiente Residencial Especial é garantir qualidade de vida a um familiar, portador ou não de necessidades especiais.

Para focar melhor o tema foram pesquisadas instituições nacionais e internacionais diferenciadas. Em algumas instituições públicas brasileiras oferecia-se moradia em condomínios com ou sem serviços complementares. Nos modelos privados havia preocupação com a autossustentação financeira, algumas com o objetivo de oferecer cuidados à comunidade carente. Nos modelos internacionais predominou a instituição privada com garantias de qualidade de vida, mas também foram encontradas organizações que se destinavam a investimento com retornos acima da média do país sede.

Do ponto de vista jurídico, há vários modelos sujeitos à reflexão ao se analisar uma organização que atenda pessoas e tenha um forte apelo social. Associação, condomínio, cooperativa, fundação, OSCIP, utilidade pública e sociedade de propósito específico foram os modelos analisados nesta tese. Contudo, nenhum deles atendeu conceitualmente as necessidades de uma instituição de longa permanência sujeita a investimento para uso futuro. Coube um modelo de Pessoa Jurídica de Direito Privado, em forma de Sociedade Civil sem Fins Lucrativos, enquadrada como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e de Utilidade Pública nas esferas federal, estadual e municipal, com uma estrutura de governança corporativa onde investidores usufrutuários pudessem acompanhar como conselheiros ou administradores, garantindo a qualidade de vida dos residentes e a perpetuidade da organização.

O objetivo da tese é identificar uma opção de investimento nessas instituições. Para que os objetivos fossem alcançados algumas hipóteses deveriam ser corroboradas. A primeira delas é que o investidor usufrutuário não acredita que os rendimentos da previdência social sejam

170 suficientes para garantir um futuro com qualidade de vida. Essa hipótese foi corroborada através de pesquisa realizada com 1501 pessoas. Desse total, 1128 foram entrevistados pessoalmente e 373 pela internet, sendo que 78,72% e 96,25%, respectivamente, afirmaram que não acreditam em tais rendimentos.

Como um dos objetivos desta tese é apresentar uma opção de investimento em organizações que ofereçam moradia e alimentação para uso futuro, uma segunda hipótese é de que o investidor usufrutuário entende que as instituições atuais não trazem segurança. Dos entrevistados pessoalmente e pela internet, quando questionados se confiavam nos cuidados oferecidos por organizações que tratam de pessoas que requerem cuidados especiais, 48,40% e 52,28% não concordaram nem discordaram; 17,02% e 9,12%, respectivamente, afirmaram confiar; e 34,57% e 38,61% não confiavam nas instituições. Ou seja, dos 51,60% e 47,72% que têm opinião formada sobre essas instituições, 32,98% dos entrevistados pessoalmente e 19,11% dos entrevistados pela internet confiavam nessas organizações, enquanto que 67,02% e 80,89% não confiavam. Assim, esta segunda hipótese também foi corroborada.

A terceira hipótese desta tese é que ambientes residenciais especiais que adotam práticas de governança corporativa, estrutura física, organizacional e formato jurídico-institucional adequados são opções de investimentos que proporcionam segurança ao investidor e aos futuros usufrutuários. Nas pesquisas, quando as pessoas foram questionadas se investiriam em organizações que tratam de pessoas que requerem cuidados especiais, desde que as mesmas ofereçam garantias de qualidade de vida, 12,94% dos entrevistados pessoalmente e 22,52% dos entrevistados pela internet não concordaram nem discordaram. Contudo, do total, 73,23% e 70,78%, respectivamente, afirmaram que investiriam. Assim, tanto para a segunda quanto para a terceira hipótese, pode-se afirmar que as mesmas foram corroboradas.

Em relação aos entrevistados em campo, nas cidades pesquisadas, foi possível definir um perfil dos investidores potenciais: mulheres, cujo chefe de família tem no mínimo ensino fundamental completo, que moram em Mauá, Santos e São Bernardo do Campo, dispostas a complementar sua renda ao se aposentar com poupança ou previdência privada e conhecedoras das instituições.

Em relação ao perfil dos pesquisados pela internet acredita-se que possa ter havido fatores homogeneizadores, como acesso à informação, à internet, ensino superior completo ou ainda outros fatores, o que inviabilizou a definição de um perfil para esse grupo

171 O capítulo 5 (p. 63) tratou da sustentabilidade econômico-financeira. No modelo apresentado, uma pessoa adquire quotas que lhe dão direito a utilização de uma habitação para duas pessoas. Com o falecimento dos residentes, a habitação é doada à organização, que pode voltar a vendê-la. Enquanto o proprietário não utiliza a habitação, a mesma pode ser locada para dois residentes não proprietários. Na mensalidade, que cobre custos e despesas, soma-se um valor que é creditado ao proprietário em função do número de quotas adquiridas. Dependendo do tempo que a habitação fica locada e do número de quotas, os créditos podem cobrir vários meses ou anos de mensalidade para o proprietário. Por se tratar de uma organização sem fins lucrativos, os créditos não podem ser retirados em forma de lucro. No Capítulo 5 também foram apresentados modelos com variação de tamanho, tipo de habitação, variação de áreas comuns e nível de utilização da capacidade instalada. Para estas variáveis foram desenvolvidas simulações com ênfase no investimento, nas mensalidades e nos créditos gerados aos proprietários.

No Apêndice 1 (p. 203) foi apresentado um Plano de Negócio que prioriza a perpetuidade da organização com flexibilidade em relação a tempo de carência, quantidades, valor do investimento e de contribuições. Contudo, o assunto não está esgotado. Há uma série de formatos que poderiam ser utilizados para minimizar os riscos de uma organização com as características apresentadas nesta tese.

Esta tese pode gerar vários desdobramentos. Um deles são estudos que evidenciem a necessidade de educação e cultura financeira para o brasileiro com o objetivo de proporcionar uma aposentadoria mais segura. Como a amostra da pesquisa indica insegurança em relação à previdência social e pré-disposição de investir em outros modelos, podem-se buscar outras alternativas que atendam ao anseio da população. Como há uma diferença entre o número de brasileiros com 60 anos ou mais em função do sexo, um estudo pode analisar a necessidade de investimento diferenciado. Do ponto de vista jurídico, novos estudos podem propor formatos mais adequados às necessidades do modelo apresentado, como benefícios fiscais, atuação do Ministério Público em entidades privadas, entre outras possibilidades. Em relação aos aspectos econômico-financeiros, uma vertente que pode ser avaliada em estudos futuros é a não doação da habitação à organização com o falecimento dos residentes.

Um estudo pode comparar o número de organizações brasileiras com a de outros países que atendem pessoas com 60 anos ou mais de idade. Outro desdobramento possível é replicar

172 modelos internacionais. Novos estudos podem explorar a estrutura física e operacional, estrutura organizacional e aspectos relacionados à governança corporativa.

Quanto à pesquisa, outras cidades podem ser abordadas. Em função dos resultados obtidos nesta tese, outras perguntas podem ser formuladas buscando o refinamento das informações. A pesquisa pela internet pode ser reavaliada quanto a um possível comportamento homogenizador. Partindo do princípio de que uma parcela representativa da população estaria disposta a investir em modelos diferenciados, uma pesquisa poderia avaliar quanto se espera pagar por esses serviços. Também em função dos resultados obtidos, a pesquisa poderia ser direcionada para definir, de forma mais precisa, o perfil do possível investidor.

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