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Isıl işlem sonrasında akımsız Ni-B kaplanmış numunelerin

5.5. Akımsız Ni-B Kaplanmış Numunelerin Aşınma ve Sürtünme

5.5.2. Isıl işlem sonrasında akımsız Ni-B kaplanmış numunelerin

O levantamento biográfico aponta para uma diversidade muito grande entre os dramaturgos-jornalistas. O conjunto é formado por autores de diferentes períodos, desde alguns bem representativos do teatro brasileiro dos anos 1930, como Oduvaldo Vianna e Joracy Camargo, até dramaturgos das décadas de 1950 e 1960, como Oduvaldo Vianna Filho, Millôr Fernandes, Plínio Marcos. Há, entre eles, autores bastante diversos quanto às características da produção dramatúrgica, por exemplo, Nelson Rodrigues e Oduvaldo Vianna Filho.

Foi realizado um levantamento das peças de cada um desses autores no Arquivo Miroel Silveira. Durante o processo de pesquisa e leitura dos textos teatrais desses autores, foi possível identificar que, em algumas obras dramatúrgicas, havia referências a acontecimentos noticiados anteriormente nos jornais – como é o caso de O poço, de Helena Silveira, estudado por Cristina Costa141.

Como este procedimento de elaborar um texto teatral a partir de uma reportagem denota uma aproximação da dramaturgia com o jornalismo, optamos por este recorte, selecionando textos com esta característica na produção dos jornalistas-dramaturgos aqui identificados.

De acordo com este critério, selecionamos os seguintes textos, apresentados pela ordem cronológica de nascimento dos autores:

a) O poço, de Helena Silveira;

b) O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues; c) Vereda da salvação, de Jorge Andrade;

d) Liberdade, liberdade, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel; e) Barrela, de Plínio Marcos.

Todos estes textos foram escritos num espaço de aproximadamente quinze anos, correspondendo ao período entre o segundo governo de Vargas e os primeiros anos do regime militar no Brasil.

Embora todos os autores sejam dramaturgos-jornalistas, com textos nos prontuários de censura do Arquivo Miroel Silveira, nem todas as peças selecionadas se encontram no arquivo. Os textos de Barrela, de Plínio Marcos, e O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues,

141 COSTA, Maria Cristina Castilho. A censura de O poço: mediação entre a realidade e o simbólico. Intercom –

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foram localizados através da pesquisa bibliográfica em fontes externas ao arquivo. Embora não tenhamos os documentos de censura das peças, optamos por estudá-las, por serem textos inspirados em relatos jornalísticos específicos, o que torna possível comparar as narrativas nas duas linguagens a fim de identificar se houve ou não influências do jornalismo na dramaturgia. Além disto, são peças que foram encenadas no estado de São Paulo, no mesmo período coberto pelos prontuários do Arquivo Miroel Silveira.

Para estudar as aproximações entre jornalismo e dramaturgia nesses textos, foi necessário elaborar uma metodologia interdisciplinar, unindo categorias do jornalismo e da dramaturgia. Procedemos à leitura e análise do conteúdo das peças, a partir dos seus elementos jornalísticos e ficcionais:

a) Fontes jornalísticas dos textos dramatúrgicos – Identificaremos textos jornalísticos que possam ter servido de fonte para a dramaturgia, tais como notícias, artigos e entrevistas. Estes textos podem ser encontrados em acervos de jornais como o Banco de Dados da Folha de S.Paulo, o Acervo do Estado de S.Paulo, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

b) Linguagem – Procuramos identificar, nos textos teatrais, aproximações com o padrão jornalístico de linguagem. Como vimos anteriormente, o jornalismo, no período que nós estudamos, trabalha na maioria das vezes com uma linguagem objetiva, ao passo que a ficção permite uma linguagem mais metafórica, na qual transparece a subjetividade do narrador.

c) Diálogos – Analisamos as falas das personagens, prestando atenção a elementos da linguagem jornalística ou referências ao jornalismo. Se houver um narrador na peça, estudaremos como ele aparece na narrativa e se, de alguma forma, isto aproxima a peça da linguagem jornalística, na qual a presença do narrador é mais frequente que no teatro142.

d) Personagens – Estudamos as personagens quanto a suas características, observando em que se aproximam ou se afastam do modelo que as inspirou no relato jornalístico. Identificamos se há personagens na narrativa que preenchem as

142 No teatro ocidental moderno, ao contrário do que acontece no jornalismo, o mais frequente é o uso de um

narrador oculto, ao passo que a colocação em cena de um narrador (que ocorre em outras tradições teatrais, como a da Grécia Antiga), no teatro moderno, está ligada a determinadas correntes estéticas, como algumas daquelas influenciadas pelo ideário socialista (por exemplo, as dramaturgias de Brecht e, por vezes, Augusto Boal). Conferir BALME, Christopher B. The Cambridge introduction to Theatre Studies. Cambridge: Cambridge University Press, 2008 e ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às grandes teorias do teatro. Tradução André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. Sobre a teoria do teatro de Augusto Boal, que propõe o uso de recursos como coros e narradores na encenação, consultar BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

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funções de herói e de antagonista e também se as personagens se aproximam mais ou menos do referente real, numa gradação como a sugerida por Antônio Cândido143. Também observamos se as funções narrativas das personagens são modificadas na passagem da narrativa jornalística para a teatral. Comparamos o acontecimento tal como relatado na imprensa e na ficção e verificamos se há personagens novos, acrescentados pelo dramaturgo no processo de criação, mesmo sem um referente real, de modo a promover maior coerência narrativa na peça teatral.

e) Anexação de novos fatos aos acontecimentos - Analisamos como é construída a sequência dos acontecimentos na obra teatral, ou seja, o enredo, e confrontamos a sequência narrativa da peça teatral com a usada nos jornais, observando quais foram as alterações feitas pelo dramaturgo, tais como acréscimo de novos fatos aos acontecimentos, bem como a seleção dos acontecimentos que recebem mais destaque na peça. No processo de ficcionalização, é possível que o autor teatral dê destaque em sua peça a determinados pormenores que não foram tão explorados pelo jornalismo, dando-lhes outra dimensão. Por isso, demos especial atenção a detalhes, que podem ser bastante reveladores a respeito das razões que levaram um dramaturgo a fazer esta ou aquela escolha ao usar material jornalístico como base para um enredo ficcional.

f) Justificação dos fatos narrados - Procuramos identificar se a peça apresenta em seu desenvolvimento ou desfecho algo que apareça como uma explicação ou referência ao acontecimento jornalístico retratado, ou mesmo uma “moral da história”.

Como nosso foco é estudar as influências do jornalismo na dramaturgia, não fizemos um estudo aprofundado dos textos jornalísticos de cada autor, porém, detalharemos mais o levantamento biográfico dos autores selecionados, para identificar, de cada um desses dramaturgos, em que jornais trabalharam e por quanto tempo, que tipo de textos jornalísticos produziram (levando em consideração a classificação de gêneros jornalísticos levantada no capítulo anterior) e quais os assuntos de que tratavam nos jornais. Desta forma, teremos mais indícios a respeito de influências do jornalismo na dramaturgia. Também procuramos entrevistas, textos jornalísticos ou autobiográficos, a fim de identificar se estes autores relatam haver algum tipo de influência da atividade jornalística sobre a teatral ou, no sentido inverso, do teatro para o jornalismo.

143 CÂNDIDO, Antonio; ROSENFELD, Anatol. PRADO, Décio de Almeida et al. A personagem de ficção. São

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Nas seções seguintes, procedemos ao estudo de caso das obras, passando primeiro pela biografia detalhada das atividades de cada autor no teatro, no jornalismo e eem outras atividades, para depois proceder ao estudo do texto jornalístico, e, em seguida, a comparação com o fato jornalístico que inspirou a peça. Por último, quando houver, analisamos o prontuário de censura do Arquivo Miroel Silveira.

José Ismar Petrola ●Jornalistas e Dramaturgos 4 O POÇO, DE HELENA SILVEIRA