2.6. Akımsız Nikel Kaplama Banyosu Bileşenleri
2.6.2. İndirgeyiciler
O jornalismo tem, entre outras, uma origem panfletária que conclama à ação política, que congrega em torno de ideais e mobiliza em direção a lutas. (...) tal posição implica a presença de uma verdade central, de preferência para além de época e circunstância, que se reparta em outras tantas de forma a manter coerência e harmonia.
Uma verdade primeira, a alethéia ambicionada, é tão cara ao Jornalismo porque é só a partir dela que se pode falar da justa medida para nossos costumes e instituições. É por isso, por uma vontade de verdade, que o jornalismo se faz crítico, e é por uma carência que ele se faz um discurso fundado na referencialidade: sempre testemunhando sua palavra, sempre apresentando provas, ou ao menos simulando apresentá-las76.
73 BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 42. 74 Idem, p. 80.
75 CHAPARRO, Manuel Carlos. Pragmática do jornalismo: buscas práticas para uma teoria da ação jornalística.
São Paulo: Summus, 2007, p. 33.
76 GOMES, Mayra Rodrigues. Poder no jornalismo: Discorrer, Disciplinar, Controlar. São Paulo: Hacker
José Ismar Petrola ●Jornalistas e Dramaturgos
Nesta citação, Mayra Rodrigues Gomes observa que o jornalismo está, desde sua origem, ligado à participação ativa num espaço de debate público através da informação referente a acontecimentos de relevância para determinado grupo. Foi a imprensa uma das instituições responsáveis pela criação deste próprio espaço, que é a esfera pública, como demonstra Jürgen Habermas em Mudança estrutural da esfera pública.
No final da Idade Média, com a ampliação da economia de mercado, aumenta a importância do intercâmbio de informações. As três instituições que surgem nesse período – as bolsas de valores, os correios e a imprensa – se desenvolvem simultaneamente e institucionalizam contatos permanentes de comunicação. Com a maior troca de mercadorias, desenvolve-se também a troca de informações77.
Desaparece a representatividade pública da Idade Média, mediatizada pelas autoridades estamentais através dos senhores feudais, e surge a esfera pública burguesa, ligados à atividade econômica. Esfera que desde o início vive numa relação conflituosa com uma atividade estatal que procura novos meios de controlar a troca de informações.
Marques de Melo registra que, no início da Idade Moderna, havia uma imprensa oficial, produzida pelos governos dos Estados, que divulgava os boletins e versões oficiais78. Enquanto censurava a imprensa independente, o Estado nacional moderno também utilizava a imprensa para divulgação das informações oficiais. Se, antes, a autoridade só se dirigia, quando muito, às camadas cultas, com o moderno aparelho de Estado surgem novas camadas burguesas que assumem papel central no “público”, que passa a ser o público que lê.
Ao mesmo tempo, lutando contra a censura, formava-se um jornalismo independente dos governos, preocupado em denunciar os desmandos das autoridades. Tratava-se de folhas impressas ou mesmo manuscritas que circulavam clandestinamente de mão em mão.
Forma-se, portanto, um âmbito de conflitos, oposições, discussões e debates através do jornalismo. Daí Habermas afirmar que é a imprensa que torna a sociedade uma coisa pública em sentido estrito79.
Segundo Marques de Melo, as primeiras manifestações do jornalismo são as relações, avisos e gazetas, que circulam a partir do século XV e se ampliam no século XVI, fornecendo informações a cidadãos e mercadores, súditos e governantes. No entanto, estas publicações encontravam-se rigidamente controladas por uma censura prévia oficial. Como exemplo, Melo cita o historiador inglês Kenneth Olson, segundo quem os primeiros jornais britânicos
77 HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da Esfera Pública: investigações quanto a uma categoria da
sociedade burguesa. Tradução de Flávio R. Kothe. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984, p. 29-30.
78 MELO, José Marques de. A opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1985, p. 13. 79 HABERMAS, op. cit., p. 38.
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limitavam-se a descrever crimes, catástrofes e mortes importantes, evitando notícias políticas, para escapar da censura oficial80.
Eduardo Luiz Correia aponta que, embora panfletos com notícias fossem vendidos desde o século XVI, o comércio de informação jornalística propriamente dita surgiu nas primeiras décadas do século XVII, com as “folhas volantes” que, já naquela época, dedicavam grande parte de seu espaço a narrativas de crimes81.
No entanto, o jornalismo em sentido estrito – a divulgação de fatos da atualidade e opiniões sobre a conjuntura, de forma regular, em veículos periódicos – demora a surgir, segundo Melo, não por limitações técnicas, mas por causa da censura prévia que era exercida pelos Estados e pela igreja na Europa dos séculos XV e XVI.
Assim, o jornalismo, desde o início caracterizado como atividade eminentemente política, só se consolida a partir das revoluções burguesas que eliminam a censura prévia imposta pelo absolutismo. Na França, a liberdade de imprensa foi estabelecida parcialmente em 1788, e de forma plena após a revolução, com o artigo 11 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão:
A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei82.
Marques de Melo registra que “o fim da censura prévia constituiu um fator preponderante para que o jornalismo assumisse fisionomia peculiar – a de uma atividade comprometida com o exercício do poder político, difundindo ideias, combatendo princípios e defendendo pontos de vista”83.
Neste contexto é que surge o jornalismo propriamente dito, com “jornais políticos”, primeiro semanais e depois diários, inicialmente ligados ao comércio e que passam a se ocupar mais dos assuntos da corte. No final do século XVII, surgem as revistas, com instruções pedagógicas, críticas e resenhas. A imprensa diária, que se torna por excelência a instância onde os opositores passam a criticar as autoridades. Também é em reação a este poder da imprensa que os governos começam a investir em diários e boletins oficiais, bem
80 MELO, José Marques de. A opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1985, p. 12.
81 CORREIA, Eduardo Luiz. O enigma como categoria estruturante do jornalismo investigativo. In: ASSIS,
Francisco de; LAURINDO, Roseméri; MELO, José Marques de (orgs.). Gêneros jornalísticos: teoria e práxis. Blumenau: Edifurb, 2012, p. 117.
82 DECLARAÇÃO dos direitos do homem e do cidadão de 1789, art. 11. 83 MELO, op. cit., p. 14.
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como em mecanismos de censura à imprensa, que se tornam mais institucionalizados e burocráticos do que a inquisição medieval. É nesta época que surgem as noções de público e
opinião pública.
Com a esfera pública, inverte-se o princípio da soberania absoluta. O público se volta contra a política de segredo do Estado e passa a pretender que a lei seja baseada numa racionalidade em que o correto converge com o justo.
O ideal iluminista pressupõe um elo direto entre esfera pública, verdade e razão. Aí se encontra a semente do ideal (utópico) da objetividade jornalística. Milton Meira do Nascimento resgata essa ligação feita pelo ideal iluminista entre opinião pública e verdade: para Mirabeau, a verdade já estaria dada e ao debate público caberia sua revelação: “Deixemos que se batam [as doutrinas contrárias] e veremos de que lado estará a vitória. Por acaso a verdade alguma vez foi derrotada quando atacada abertamente e quando teve a liberdade para defender-se?”84. Em outra linha, Malesherbes sustenta a hipótese de que a
verdade não é previamente dada, sendo na verdade fabricada no calor dos debates: ”a discussão pública das opiniões é um meio seguro para se fazer brotar a verdade, e talvez seja o único”85.
Segundo Nascimento, os jacobinos da França revolucionária entendiam o papel do intelectual no processo da revolução como um compromisso com a verdade e a necessidade de se ver reconhecido por um público. Assim, o “homem de letras” assume o papel pedagógico de esclarecer o público através da verdade, de modo que o povo esclarecido por essa verdade se volte contra a tirania e se torne o único poder soberano. Surgem daí diversas partes de um ideário que está ligado ao jornalismo desde a época da revolução francesa: termos como vigilância pública, quarto poder, censura pública, identificados com o conceito de opinião pública86.
Difunde-se a ideia de que a liberdade de imprensa é que tornaria possível o desvelamento da verdade libertadora. A liberdade de imprensa tornaria transparente a administração pública – e, aos “homens de letras”, caberia a difusão da verdade. Os revolucionários franceses identificavam defesa da liberdade de imprensa e defesa da soberania
84 NASCIMENTO, Milton Meira do. Opinião pública e revolução: aspectos do discurso político na França
revolucionária. São Paulo: Nova Stella: Editora da Universidade de São Paulo, 1989, p. 61.
85 Idem, ibidem.
86 Idem, p. 25. Apesar de ter posição crucial no ideal iluminista, burguês e liberal no qual se forjaram e
democracia e o jornalismo tal como o entendemos, o conceito de opinião pública é, entre os iluministas, algo ainda vago.
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popular87. A formação da opinião seria a criação de uma força racional que pudesse vigiar e pressionar o sistema de poder, ou seja, a opinião pública como um tribunal, defendendo o esclarecimento contra a opressão. Neste espírito é que os iluministas lutam pela liberdade de imprensa e a colocam como um dos direitos fundamentais do homem e do cidadão.
Agindo de acordo com este ideal de esclarecimento da opinião pública, o jornalismo dos primeiros tempos era predominantemente opinativo – um jornalismo político e mesmo panfletário. As autoridades reagiam a esta atuação virulenta da imprensa através de diversas formas de censura mais ou menos diretas, tais como instituição de taxas, impostos e controles fiscais, procurando dificultar a sobrevivência econômica dos jornais.
Segundo José Marques de Melo, estas restrições estimulam o jornalismo de informação, em detrimento do jornalismo de opinião88. Um exemplo de como as restrições à imprensa favoreceram o jornalismo informativo em detrimento do opinativo é o do jornalista inglês Samuel Buckley, que compra um jornal em dificuldades financeiras, o Daily Courant, e introduz um novo padrão de cobertura, separando as notícias dos comentários para evitar polêmicas. A censura financeira, ao sufocar os jornais pequenos, também contribuiu para que a imprensa se concentrasse nas mãos de grandes empresários, como observa Julian Petley com relação ao jornalismo inglês89.
2.3 MUDANÇA ESTRUTURAL NO JORNALISMO: A SEPARAÇÃO ENTRE OS