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4. İZARİTMİK HARİTA

4.3 İzaritmik ve Üç Boyutlu Haritalamanın Doğası

O produto coffee table book é o retrato editorial do seu tempo, quando “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens” (DEBORD, 2009, p. 14) e quando “o espetáculo é a principal produção da sociedade atual” (DEBORD, 2009, p.17). É neste momento histórico e neste espaço social que esses livros encontram solo para “atuarem” de forma exacerbada. Livros bem-acabados, luxuosos, belos, exuberantes existem desde os seus primórdios, como relatamos, e os primeiros exemplares já nasceram primando pela estética, fosse qual fosse o material em que eram desenhados, esculpidos ou impressos, ou a tecnologia empregada. Eram até mais chamativos do que as obras de hoje em dia que denominamos de livro de mesa. Ser espetacular, no sentido de apresentação, portanto, não é um acontecimento recente nem uma prerrogativa dos coffee table books, ponderando que cada época opera com os recursos condizentes e com os seus limites de produção, de criação e de matéria-prima. No passado longínquo, porém, tratava-se de títulos únicos, guardados, escondidos ou, se mostrados, vistos por um público restrito. “O livro na Idade Média tinha (...) qualidade quase mágica, espiritual, misteriosa aos que liam ou não o liam, só os viam (grifo nosso). O monges faziam questão de manter suas coleções, relíquias religiosas, obras de referência, sem pensar em valor de mercado” (PAIVA, 2010, p. 30-31). Um acontecimento visual para poucos e bons eleitos.

O que torna os coffee table books um fenômeno da contemporaneidade é menos a característica do produto e muito mais como ele se apresenta. É um procedimento potencializado e, pode-se dizer, um comportamento amplificado nas sociedades ocidentais, ao menos, presente nos mais diversos espaços públicos e privados, independentemente de gosto, estilo, extrato social e financeiro. O coffee table book é o espetáculo impresso e apresentado em escala global – fato só possível em um cenário em que há hiperconcentração de capital, a ponto da sua própria imagem (do capital) também se hipertrofiar. O coffee table book representa editorialmente a sua era, tanto na concepção e apresentação, quanto nas ações para divulgá-lo, quando lançam-se mão de poderosas ferramentas de promoção e marketing a fim de posicioná-lo no varejo e, a reboque, dar visibilidade às marcas (selos editoriais, assuntos, autores) nele expostas, como demonstramos com a TASCHEN.

Curiosa e reveladoramente, os livros com características que, as olhos de hoje, se credenciariam a ser coffee table books, por serem grandes e vistosos, foram os que mais resistiram ao tempo. Da herança editorial mais longínqua, sobram poucos títulos para contar a

história da sua época. Barbier (2008) assegura que, na Antiguidade Clássica, mesmo havendo bibliotecas e as coleções de livros sendo numerosas, apenas alguns manuscritos antigos sobreviveram em condições razoáveis. Quando não resistiram à falta de conservação ou à ação do tempo, os livros em rolos foram substituídos pelos encadernados. Mesmo avançando no tempo, constata-se que muitas obras ficaram esquecidas pelo caminho. O fenômeno do desperdício é o feito colateral de cada mutação técnica, quando o suporte majoritário é abandonado em favor de um novo. “(...) Isso ocorre com a invenção da tipografia em caracteres móveis (um certo número de textos manuscritos não serão impressos) ou com procedimentos de reprodução do som. Ocorre, provavelmente do mesmo modo, hoje com a irrupção das mídias.” (BARBIER, 2008, p. 55)

À medida que as obras foram ficando portentosas e valiosas em termos de mercadoria, precisamente com o advento do impresso, passaram a ser tratadas com mais cuidado, protegidas. Longe dos olhos e das mãos dos curiosos, sua preservação e integridade física foram mantidas, inclusive evitando serem alvos de roubos. Títulos com esse perfil estariam hoje “aptos” a habitar salas de estar e recepções. Levando em conta esse episódio histórico, os coffee table books, os livros de mesa, as “Collector’s Editions”, as edições de colecionadores, ou seja como forem nomeados os títulos que trazem no corpo um atrativo que antecede o seu conteúdo, que se valem de imagens sedutoras e artísticas, de acabamento suntuoso e tamanhos grandiosos, podem resistir às oscilações do mercado e às intervenções do tempo. Se não “apenas” pelas suas qualidades editoriais, também porque são detentoras de especificações ligadas ao seu físico que não são hoje transferíveis para outras plataformas, porque inerentes à sua condição de ser, ao mesmo tempo em que são detentoras de simbolismos que envolvem mais do que o livro em si. Envolve a relação com o leitor e/ou seu dono, desencadeando processos de subjetivação únicos, duradouros, incomparáveis, inexplicáveis e inquestionáveis.

Podemos ir ainda adiante. Uma parcela de analistas culturais, que, como vimos, chamaríamos de realistas demais ou até pessimistas, dá como certo o fim do livro no formato em que se popularizou nos últimos 500 anos, ou seja, do livro em papel. Seria uma questão de tempo. Apenas como exercício de reflexão, tomando essa hipótese como possível ou até provável, propomos caminhar para o encerramento de trabalho com uma pergunta que, evidentemente, só o tempo poderá nos responder com precisão: em um futuro incerto, o coffee table book, mas não o coffee table book que funciona como peça publicitária, fadado a ter vida curta e ser esquecido, porque datado, e sim aquele a que nos referimos como obra autoral, que brota como livre expressão do pensamento e da circulação das ideias para disputar espaço público, em suma, o COFFEE TABLE BOOK que poderíamos denominar

com letra maiúscula teria condições de representar uma categoria remanescente de livros, a impressa, que se vale do códice em seu corpo para sobreviver à era digital? Afinal, o coffee table book, como ressaltamos, só existe nesse corpo; o corpo que lhe dá vida. Fora dali, ele deixa de “ser”, ao contrário dos seus pares, que, dotados “somente” ou principalmente conteúdo, ressurgem em outras plataformas.

Se assim for, o coffee table book passaria a ser visto como um produto de resistência, responsável por reacender o interesse pelas obras de papel, em um processo semelhante ao de seus pares históricos, os livros grandes, belos e luxuosos, que resistiram ao tempo e suas adversidades. Dawkins (2007) propôs a existência de uma informação cultural, nomeada de meme, que pode ser reproduzida tanto no cérebro como em produtos, como os livros.

Exemplos de memes são melodias, ideias, “slogans”, modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam no “fundo” pulando de corpo para corpo através dos espermatozoides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no “fundo” de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação. Se um cientista ouve ou lê uma ideia boa ele a transmite a seus colegas e alunos. Ele a menciona em seus artigos e conferências. Se a ideia é pegar, pode-se dizer que ela se propaga a si própria, espalhando-se de cérebro a cérebro (DAWKINS, 2007, p. 330).

Por esse raciocínio, o coffee table book carregaria o meme do livro impresso, meme que herdou dos equivalentes históricos “livros de mesa” desde a Antiguidade, passando pela Idade Média, pela Idade Clássica, pela Idade Moderna, até chegar aos dias de hoje, de onde continuaria a se reproduzir ao lado dos e-books. Se assim for comprovado, o coffee table book ganharia outro status no mercado, subvertendo a lógica em vigor.

A bem da verdade, esta é uma discussão relegada ao segundo plano. Afinal, o mais importante é que, “impressos em papel, ou armazenados em servidores, eles (os livros) corporificam o saber, e a sua autoridade deriva de algo que excede a mera tecnologia que os tornou possíveis” (DARNTON, 2010, p. 16).

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