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4. İZARİTMİK HARİTA

4.1 İzaritmik Kategoriler ve Terminoloji

A prática, entre seus detratores, é fazer uma associação entre coffee table book e obras sem qualidade editorial ou inferiores, numa relação direta como se uma coisa implicasse e explicasse a outra. Assim como em outras categorias de livros, há bons e maus exemplos de coffee table book, uns feitos a partir de rígidos, complexos e criativos critérios editoriais, e outros são títulos mal executados, superficiais, merecedores de serem tachados como tais. A espécie de “vilanização” do produto não é um fenômeno apenas brasileiro, podendo ocorrer em outros países também, em especial por se tratar de um termo em inglês; mas não se trata do único comportamento possível, como esclareceremos logo abaixo. Para o bem ou para o mal, a denominação coffee table book é globalizada, fazendo parte do glossário do mercado editorial mundial.

Por questões ideológicas, seja pelo anglicismo, seja pelo significado destorcido ou até presunçoso, coffee table book é associado criticamente por uma parte da sociedade a “um corpo de ideias característico de um determinado grupo ou classe social” (EAGLETON, 1997, p. 15) ou algo – no caso, um perfil longe de ser admirado: de um objeto decorativo e não como fonte de informação. Não por outro motivo, para anunciá-los, os editores brasileiros, apesar de orgulhosos de terem suas criações em destaque “sobre a mesa”, se refugiam em nomenclaturas tidas como mais nobres, como livros de arte, ilustrado, de referência, de consulta ou patrocinado, institucional, de luxo, e assim por diante. Ou, então, preferem classificá-los pelos assuntos que abordam, como gastronomia, fotografia, arquitetura, arte, referência, memória empresarial, biografia – em outras palavras, atendo-se mais ao conteúdo do que à forma, ainda que a apresentação visual diferencie essas obras das de outros segmentos.

Sem pretender defender ou atacar a expressão coffee table book, é preciso considerar que ela é mais esclarecedora, no sentido de deixar evidente sua apresentação física e sua aplicação, do que as formas utilizadas por uma parcela dos profissionais do mercado para definir esses tipos de livros. Afinal, pelas denominações usadas como sinônimo de coffee table book, todas são passíveis de discussões a respeito da precisão dos seus termos. A saber: “livro de luxo” pode ser qualquer obra concebida com acabamento suntuoso, inclusive trazendo apenas textos, o que não seria de nada apropriado para entreter eventuais leitores casuais, audiência primeira dos livros de mesa; “livro de arte” está menos associado ao acabamento do livro e mais ao assunto que a obra aborda; “livro institucional” é apenas um dos gêneros, sem contar que ele pode ser permeado de informações, e não de consulta rápida, tampouco tem a obrigação de ser ilustrado; “livro ilustrado”, por sua vez, pode ser qualquer

obra que traga imagens como apoio, inclusive as de literatura, e nem por isso ser convidativo a uma consulta circunstancial; “livro de referência” não está ligado a uma apresentação convidativa; “livro de consulta” pode se aplicar a uma gama de títulos, até dicionários; e “livro patrocinado” está relacionado à forma como ele foi viabilizado, e não à sua apresentação

A rejeição à sua denominação, que desemboca na rejeição ao produto, está ligada a um fenômeno localizado em países anglófobos. No exterior, coffee table book é um termo aceito, reconhecido e há quem se sinta privilegiado quando seus produtos são identificados como tal. É o caso da referida editora TASCHEN. Wiedemann é categórico: “Sabemos que nossos livros são objetos para serem apreciados e nos reconhecemos na expressão coffee table book”

Na mesma linha, publicações comerciais com credibilidade, como o New York Times31, se valem dessa denominação para classificar os livros em suas páginas. Em um Guia de Presentes para fim de ano, ao lado dos melhores títulos, dos mais premiados e do destaque do ano, repousa a expressão “coffee table book”, em um link para diversas sugestões de compras. O “coffee table book” também é reconhecido como parte do segmento editorial de mercado, de acordo com a reportagem “Haute Books- Both coffee table and limited editions books are gaining in popularity” (2013), publicada na plataforma digital indiana Business Today32. São exemplos que dão conta da globalização da expressão “coffee table book”.

Não é uma definição simples nem para quem teoriza sobre o objeto, nem para quem o produz. María Mariam, partindo do pressuposto de que um coffe table book se define como livro de dimensões grandes e imagens bonitas, afirma dispor em seu catálogo de cerca de 20% de títulos que se encaixam automaticamente nessa definição, entre eles a coleção completa dos já referidos Klimt e Caravaggio. O fato de buscar a excelência visual, porém, não significa que o texto seja relegado a segundo plano. Os livros de arte renascentista, barroca, por exemplo, são escritos por profissionais que a TASCHEN considera como os melhores especialistas, e pretendem ser as obras mais completas sobre esses artistas, trazendo os últimos estudos e grande quantidade de fotos e artigos. Alguns títulos demoram até três anos para serem concluídos. Como consequência, essas obras são colocadas ‘sobre a mesa’, como um coffee table book. Mas, quando se abre o livro, se verá que é um livro sobre um artista.

                                                                                                               

31

Disponível em <http://www.nytimes.com/2010/11/26/books/26coffeebooks.html?pagewanted=all&_r=0>. Acesso em: 30 fev. 2013.

32

Disponível em http://businesstoday.intoday.in/story/coffee-table-limited-editions-books-gaining- popularity/1/197654.html. Acesso em 1/09/2013.