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İstinabe Olunan Mahkemece Yapılacak İşlemler

Belgede FLAS HUKUKU) YÜKSEK L (sayfa 158-163)

Segundo GOMES (2008), um dos fenómenos que mais tem marcado as sociedades é o agravamento das desigualdades sociais e, consequentemente da exclusão social. Existem vários factores que levam à marginalização dos indivíduos e que se relacionam com as suas condições de vida e com a disfuncionalidade das famílias. A marginalização é marcada por estigmas construídos de criminalidade, sendo o individuo alvo de uma rotulação negativa, que é alterada na prisão, onde é substituída por outra. Contudo, esta marginalização e as desigualdades sociais não estão só relacionadas com as condições económicas dos indivíduos, mas afectam também negativamente as oportunidades profissionais e educativas. Para além disso, segundo MERTON (1968), o facto de o individuo ambicionar ter um estatuto social diferente, pode ser um estímulo à delinquência que pode levar à criminalidade.

Como já foi referido, a vida social é composta por normas e regras, assim como códigos de conduta, sendo os indivíduos obrigados a respeitá-las mas incapazes de cumprir todas à risca. O não cumprimento dos princípios pré-estabelecidos na sociedade pode ser considerado como um desvio social. Relativamente à perspectiva de MERTON (1968), este apoia-se num conceito de anomia para elaborar a teoria do desvio, explicando a pressão cultural que é imposta ao comportamento dos indivíduos no momento em que se verifica um conflito entre normas e a realidade social. Para o autor o desvio resulta das desigualdades económicas na sociedade. Segundo XIBERRAS (1996), a noção de norma está associada a todas as situações ou comportamentos esperados por um determinado grupo social e aqueles que transgridem as normas e regras estipuladas são designados de “outsiders”, que podem ser efectivamente indivíduos que se tornam estranhos face a um grupo, mas podem ser também indivíduos que são estranhos ao grupo dos desviantes (BECKER 1985). Este autor refuta assim as perspectivas inerentes às ciências sociais, que tendiam a explicar a passagem ao acto desviante como algo relacionado com as características próprias do individuo que o

cometeu, nomeadamente a sua personalidade, história familiar, meio de origem, entre outras, e propõe uma concepção sociológica do desvio. Neste sentido, refere-se a este último como sendo a transgressão das normas de um grupo, referindo ao mesmo tempo que as sociedades modernas complexas são compostas por inúmeros grupos, podendo um individuo pertencer a vários. Para Becker é pouco provável que exista um conjunto de normas que sejam reconhecidas por todos, ou seja, universais.

Segundo SILVA (2005), se as desigualdades sociais pressupõem que exista um desigual poder de disposições e um controlo de bens e recursos, então a exclusão social remete-nos para a mesma ideia mas na face negativa, de privação e afastamento desses bens e recursos. Desta forma, a exclusão social entende-se como sendo uma situação de não inclusão, e de não integração de indivíduos ou grupos no acesso a todo o tipo de direitos. A desigualdade e a exclusão social podem representar assim, dois níveis diferenciados que embora se reforcem mutuamente, pressupõem que a desigualdade detém prioridade analítica sobre a exclusão social, embora esta última recrie e reforce determinadas formas de desigualdade, sendo ela própria, um produto do sistema de desigualdades sociais.

Para DURKHEIM (1977), a anomia surge no momento em que a ausência ou ao enfraquecimento das regras provoca desregulações sociais propícias à desestruturação dos indivíduos, logo, à exclusão social. Desta forma, este último conceito afecta apenas um conjunto de indivíduos que tem que restaurar laços sociais através do apoio familiar e institucional. Neste contexto podemos ainda referir a contribuição de SIMMEL (1987), que nos mostra que na análise da coesão e da exclusão social, as relações entre indivíduos são indicadores de formação de laços sociais. Já na perspectiva de GOFFMAN (1981), este contrapõe as teorias estrutural-funcionalistas sobre o crime e a delinquência, e refere que os estereótipos e estigmas se centram em torno dos comportamentos ditos desviantes. O desvio não é percepcionado como uma qualidade do individuo desviante mas como consequência da interacção dos indivíduos que transgrediram a regra e dos ditos indivíduos considerados como normais que reagem negativamente à transgressão. A sociedade, segundo GOFFMAN (1981), categoriza indivíduos e estabelece atributos considerados como comuns, o que significa que os ambientes sociais estabelecem categorias de pessoas que podem ser inseridas neles. Quando surgem evidências de que um individuo tem um atributo que o torna diferente dos outros é considerado como um “estranho” e é inserido numa categoria á parte. Neste sentido, deixa de ser um individuo comum e reduz-se a uma pessoa estranha e

diminuída. Essas características que lhes são apontadas resumem-se a um estigma, especialmente quando o efeito nos indivíduos é negativo e constitui uma discrepância entre a identidade social virtual e a identidade socia real. O estigma é então considerado como uma referência a um atributo depreciativo que estigmatiza alguém podendo confirmar a normalidade de outrem, sendo que por definição acredita-se que alguém com um estigma associado não é considerado humano, e faz-se vários tipos de discriminações que efectivamente reduzem as chances de desenvolvimento de vida dos indivíduos. O individuo estigmatizado tem as mesmas crenças sobre identidade que nós temos, em que os seus sentimentos sobre o que ele é podem influenciar a sua sensação de ser uma pessoa normal, um ser humano semelhante a outros.

Para CASTEL (2006), os excluídos não constituem um grupo homogéneo, sendo considerados como conjuntos de indivíduos separados por atributos colectivos, e que acumulam desvantagens sociais, nomeadamente pobreza, falta de trabalho, condições precárias de habitação, sociabilidade restrita, entre outros. A questão das desigualdades sociais implica disparidades a vários níveis, e o grande desafio é saber em que medida é que grupos sociais tão diversos podem continuar a “fazer sociedade” e a agir com o minino de coesão social no seio de um mesmo conjunto, tendo em conta tantas disparidades.

A situação de exclusão deixa alguns grupos numa situação de isolamento social. Referentemente ao emprego, o individuo que se encontra numa situação de desemprego mais inveterada pode passar para uma situação de exclusão social, impossibilitando-o de usufruir de inúmeros bens. Quanto a contactos sociais, uma pessoa excluída tem muitas vezes contactos sociais reduzidos, devido à falta de dinheiro, ao estigma associado, e isto pode levar ao sentimento de isolamento reforçado. Neste sentido a participação social que se associa ao envolvimento na sociedade e na interacção com os outros muitas vezes é inexistente, e pode estar associada à exclusão voluntária ou involuntária. A reclusão pode então ser considerada como forma de exclusão social.

Segundo DIAS (2002), a sociedade propõe aos indivíduos determinadas funções mas o campo de manobra no desenvolvimento das suas capacidades e tendências é reduzido devido à rigidez das divisões sociais. A sociedade desenvolve assim no individuo um conjunto de aptidões mas depois não lhes dá oportunidade de as realizar, resultando isto em processos anómicos. Quando o padrão normativo é rompido por algum tipo de comportamento desviante, isso acaba por provocar sentimentos negativos nos membros do sistema social, que acciona o sistema de sanções, cuja função é punir a

infracção e evitar futuros desvios. Isto é designado por controlo social. Os problemas sociais comprometem a própria sociedade no seu equilíbrio e estão relacionados com o grau de desorganização social. A criminalidade é considerada um problema social e consequentemente um sintoma de desorganização social. Neste contexto, Lakatos19 (DIAS, 2002), refere que o comportamento desviante é uma infracção de uma norma em que o desvio é disfuncional em relação ao grupo em que ocorre, já para Merton20 determinados aspectos do mesmo podem ser disfuncionais para uns indivíduos mas funcionais para outros. É por isso que assim que o desvio se faz sentir, os grupos ou as sociedades actuam sobre o individuo desviante.

No contexto da estrutura social em que o status dos indivíduos depende da sua agregação numa rede densa de interdependências, “(…) le vagabound fait tache.” (CASTEL, 1995, pag 90). Os três critérios, segundo o autor, que caracterizam a categoria dos vagabundos são: a falta de trabalho, a falta de recursos, e a falta de sentido comunitário. O vagabundo é um “inútil ao mundo” e vive como um parasita do trabalho do outro, é excluído em todos os lugares e condenado a pertencer a uma sociedade onde a qualidade de um individuo depende do seu estatuto. Segundo CASTEL (1997), as situações marginais aparecem com um duplo processo de desligamento da sociedade relacionado com o trabalho e com a inserção relacional. Desta forma, o autor distingue 3 gradações de cada um dos eixos. Relacionado com o eixo do trabalho indicou: trabalho estável, trabalho precário e não trabalho; já quanto ao eixo relacional indicou: inserção relacional forte, fragilidade relacional, isolamento social. Cruzando estas gradações obtemos três zonas que nos indicam 3 tipos de situações que podem existir: zona de integração, relacionada com o trabalho estável e forte inserção relacional; a zona de vulnerabilidade, relacionada com o trabalho precário e fragilidade dos apoios relacionais; e a zona de desfiliação que marca o processo de desligamento e se relaciona com ausência de trabalho e isolamento social. É nesta ultima zona que entra o designado vagabundo, que não trabalha apesar de estar apto para o fazer, não tem apoio relacional, não é reconhecido por ninguém e encontra-se rejeitado em toda a parte. A marginalidade é o resultado deste desligamento, em relação não só ao trabalho mas em relação à inserção relacional. Contudo, existem ainda os indigentes inválidos, que por algum motivo não podem trabalhar, mas que tem uma residência conhecida e pertencessem a um bairro, e que por isso tem suporte social. A partir deste surge uma

19Referencia a Lakatos et al., “Fundamentos da metodologia cientifica” (1992) 20 Referencia a Robert Merton, “Sociologia: Teoria e Estrutura” (1970)

quarta zona, a zona de assistência. Temos então dois grupos de indivíduos, os vagabundos que estao aptos a trabalhar mas que foram expulsos de redes familiares que lhe davam a sustentação social e que é rejeitado e estigmatizado e os indigentes incapazes de trabalhar mas inscritos em comunidade e que tem que ser assistidos. A zona de vulnerabilidade é a zona mais critica no sentido em que nela estão os indivíduos em situação precária na relação com o trabalho e que são frágeis na sua inserção relacional. É a vulnerabilidade que alimenta a marginalidade ou a desfiliação. Segundo o autor os grandes marginais são aqueles que fogem à institucionalização e se entregam à incerteza, assim como aqueles que se encontram institucionalizados em espaços de reclusão. Ainda para CASTEL (1995), o conceito de exclusão social aplicado aos indivíduos que estão em situação de marginalização pela sociedade é um conceito simplista no sentido em que ninguém se encontra verdadeiramente fora da sociedade. Neste sentido, pretende substituir os termos “inclusão e exclusão” por “afiliação e desfiliação”, que para ele é o produto da relação entre o eixo relacional e o económico, concluindo que uma situação extrema de desfiliação significa que há uma desunião entre esses 2 eixos na sociedade. A desfiliação é a inexistência de trabalho e a quebra da sociabilidade primária que resultam da precarização do trabalho e da insuficiência da ligação familiar e social para reproduzir a existência e proteger os indivíduos. A desfiliação pode acontecer, então, quando há uma negação de normas que estabelecem o estatuto dos indivíduos e que lhes serve para participar nas trocas sociais.

A questão das normas é central na sociedade, mas devemos preocupar-nos mais com os desvios habituais que se afastam do considerado comum. Os excluídos são pessoas consideradas ajustadas numa espécie de negação colectiva da ordem social, sendo incapazes de usar oportunidades no progresso dos caminhos aprovados pela sociedade.

Belgede FLAS HUKUKU) YÜKSEK L (sayfa 158-163)