B. İstinabe Yolu ile Haciz Yapılması
III. Üzerinde İstihkak İddiası Bulunan Malların İstinabe Yolu İle Haczi
Para melhor compreender o universo de estudo será necessário contextualizar o mesmo, historicamente, como tal seguir-se-á uma breve história dos países de origem destes reclusos, que no caso do grupo representativo dos reclusos dos países emergentes de ex União Soviética, como o próprio nome indica são países independentes como é o caso de: Ucrânia, Rússia, Letónia, Geórgia e M oldávia que perfazem as origens do meu objeto de estudo. O que eles têm em comum é terem pertencido à União Soviética, como tal e correndo o risco de categorizar os mesmos, a Opção quant o á descrição histórica recaiu sobre a história do império Russo e da União Soviética. Esta escolha não foi aleatória já que estes reclusos sempre viveram sobre a alçada do império Soviético independente da sua origem étnica e/ ou nacional.
8.1. U.R.S.S.: Breve história
A U.R.S.S. é considerada como sucessora do antigo império Russo. Estado federativo composto por 15 repúblicas socialistas soviéticas: Rússia (R.S.F.S.R.), Ucrânia, Bielorrússia (Rússia branca), Arménia, Azerbaijão, Geórgia, Turquemenistão, Cazaquistão, Quirguistão, Estónia, Lituânia, Letónia, M oldávia; 22.400.000 km2; 260 662 000hab; Cap: M oscou; Língua oficial: Russo.
João Fábio Bertonha, no seu livro “ Rússia: ascensão e queda de um império” (2009) apresenta um relat o estruturado sobre a história da Rússia e sua trajetória.
A Rússia em virtude do seu imenso território euro-asiático e sua história de super potência comunista, pode intitular-se, sem dúvida, como império. A sua história ficaria imperceptível se à ideia de império for dissociada de “ ideia russa” . Desde a defesa dos seus territórios, à tolerância com invasores tártaro mongóis, numa combinação entre força militar e diplomacia, as suas terras voltam a unificar-se e formam o Estado de M oscou que antecede o império russo. Este estado teve lugar no século XVI e expandiu-se para Oeste, Sul e Sudeste. A sua sobrevivência reafirmava a unidade nacional contra a expansão livônia e polaca. A sua luta tinha duas frentes: a dissimilação da religião ortodoxa do sudeste, contra investidas contra os otomanos no sul. A Rússia tem um carácter singular que perpassa a “ ideia russa” , considerada herdeira de Roma imperial, segundo a carta do czar Ivã III “ … as duas romãs caíram, a terceira está de pé e a quarta não haverá… “ .
O reinado do czar Alexei M ikhailovich marca a Rússia de um maior poder através do controle da segurança interna dos territórios e da diplomacia com o exterior. O novo imperialismo do séc. XIX, com Pedro I e Catarina II, sucede entre a guerra com o Japão (1904-1905) e a Grande Guerra. João Fábio Bertonha diz que “ a Rússia foi formada devido á expansão e aos descobrimentos terrestres e marítimos de uma forma natural” (Bertonha 2009-11). A nova era imperialista não tem o mesmo perfil e baseia-se no fortalecimento da segurança, os interesses económicos e a consolidação do território juntamente com o desenvolvimento da Rússia e a construção ferroviária. Havia diferenças entre o império russo e o regime da U.R.S.S., o comunismo misturou-se com a ideia russa durante a época de Stalin e as relações com o exterior deterioraram-se, como foi o caso da China. Hoje em dia, têm-se realizado grandes debates à volta das igualdades e diferenças entre império e federação como o caso da Rússia e U.R.S.S., e saem conclusões como: a nova Rússia assemelha-se com o império russo, mas a União Soviética, que no início também tinha semelhanças, rapidamente as perdeu.
O imperialismo Soviético pode ser interpretado como um caso de expansionismo básico com a ocupação da Europa oriental no pós guerra e a forma de garant ir a segurança do território com as suas força militares em países como: polónia, RDA, Checoslováquia e Hungria, no entanto, teria apenas um objetivo, o desafio ao ocidente na Guerra-fria. As intervenções na Hungria (1956) e na Checoslováquia (1968) e depois no Afeganistão (1979) serão fatais para a União Soviética. Isto porque o federalismo possui estruturas jurídicas, políticas, económicas, sociais e culturais distintas em cada Estado membro, que precisam de sintonia e interesses comuns. A dissolução da União Soviética tornou-se para o imaginário dos russos um “ tragédia” , forma utilizada por políticos em campanhas com um saudosismo dos velhos tempos. Qualquer auto determinismo étnico é banido e proibido pela constituição russa, isto porque o fantasma da derrocada soviética paira sobre os russos. Exemplo disto são as guerras com a Tchechenia, cujo argumento é a manutenção do território e defesa da soberania, não é mais do que esse fantasma.
É enfim, a essência russa que na sequência das guerras perde dezenas de milhões de pessoas. João Bertonha, afirma ainda, - “ se a história do império russo está consolidada, a soviética sobretudo militar é uma difícil e ingrat a tarefa, porque a mesma ainda está em formação” (Bertonha 2009-12). Recordemos as palavras de Bis-M arck, “ a Rússia nunca é tão forte ou tão fraca quanto parece” . O autor afirma, ainda, que “ é na cultura, na crença
milenar, na experiência que se une os povos da Rússia e o povo russo e que se resume em três palavras: resistência, paciência e fé (Bertonha 2009).
8.2. Cabo Verde: Breve história
Estado situado no arquipélago do mesmo nome: 4.033 km2, 290.000 habitantes; Capital: Cidade da praia. Língua oficial: port uguês: língua praticada: crioulo. Cabo Verde tem sua população quase totalmente concentrada nas três ilhas principais: Santiago, São Vicent e e Santo Antão. É caraterizado pelo elevado índice migratório consequente principalmente da escassa fertilidade dos solos e dos grandes períodos de seca. Produz bananas e cana-de- açúcar, estando atualmente em execução projetos vários de captação de águas e irrigação. Antiga colónia portuguesa, descoberta em 1456, tornou-se independente em Julho de 1975, tendo sido eleit o seu presidente Aristides Pereira, secretário-geral do P.A.I.G.C.
De seguida apresento um retrato de Cabo Verde realizado por Luís M anuel de Sousa Peixeira, no seu livro que se intitula: “ Da mestiçagem à caboverdianidade” (2003) - Registos de uma sociocultura. Esta obra enaltece a identidade cabo verdiana, e confesso que foi após a leitura deste trabalho que, em parte opt ei pelo próximo capítulo. Conhecendo, anteriormente trabalhos de Boa Ventura Sousa Santos sobre identidade, entre os quais: “ M odernidade, identidade e a cultura de fronteira.” (1994), que aborda, tal como o nome indica, identidades e cultura de fronteira, ao qual se refere que Portugal sofre dessa patologia, pois é um país que está na fronteira entre África e a Europa, devido à sua ligação histórica a África e ás ex colónias. No trabalho de Sousa Peixeira, é notável essa “ Identidade de Fronteira” , aí os caboverdianos são retratados como um povo descendente de africanos e europeus, que conseguiu afirmar-se com uma identidade própria, a caboverdianidade, o que me leva a pensar que isto não será mais do que uma estratégia aculturativa devido à sua indecisibilidade sobre a fronteira entre Europa e África.
Segundo Luís M anuel de Sousa Peixeira, os caboverdianos, descendentes de europeus e escravos africanos, definem-se hoje como um povo predominantemente mestiço. É uma população que aumenta e diminui ao sabor das regressões económicas, condicionadas pelos ciclos de seca e de fome. O êxodo do povo como fuga à degradação dos recursos das ilhas torna-se o fenómeno marcante da sociedade caboverdiana, assumindo-se como uma verdadeira diáspora. Dela, alguns traços: Em Portugal do período colonial, o caboverdiano é utilizado nas roças de Angola e S. Tomé – os contratados. Com essa emigração forçada, o
governo procurava conciliar dois males: falta de trabalho em cabo Verde e ausência de mão- de-obra nessas plantações. Uma odisseia em tudo lembrando a escravatura: o caboverdiano arrancado ao seu habitat, viajando em condições desumanas, pagaria, tantas vezes, com a vida os magro dinheiros pelos quais se contratara. No Continente, principalmente entre os anos 60 e 70, é o caboverdiano “ indiferenciado” largamente aproveitado na construção civil. Em terras africanas, na Argentina, no Brasil, nos EUA, em países europeus, com realce para Portugal, constituem comunidades que, no seu conjunto, duplicam a população do arquipélago.
Segundo dados estatísticos recentes (1990), a população residente nas ilhas é de 341.607 habitantes.
A originária diferenciação étnica, como veremos, não conduziria a uma diferenciação cultural no seio do povo; bem ao invés, levaria à formação de uma consciência coletiva que eclodiria na primeira metade do séc. XX. Referimo-nos ao despertar e à consolidação de um sentimento nacional marcante, reflet indo na afirmação de uma literatura própria e, também, na emancipação cultural, resultado da simbiose de cinco séculos de permuta entre influências europeias e africanas.
Conclui que o profundo processo de miscigenação por que passaria o Arquipélago terá conduzido à emancipação nacional do povo das ilhas bem antes da sua emancipação política.
Ao longo deste trabalho o autor apresenta os “ registos do percurso” do povo caboverdiano. Povo que, ao ser ele próprio fruto de um processo de mistura de culturas realizado “ (…) em terras de ninguém, ao sabor de ventos, marés, contradições e simbioses (…)” , é, também, um produto da interculturalidade. Procurando ir da sua génese até à atualidade, esta obra traça, ao longo dos vários capítulos e através de sínteses corretamente elaboradas, um percurso desde os antecedentes e condicionalismos do povoamento das ilhas do Arquipélago de Cabo Verde até à formação de uma nova identidade cultural – a Caboverdianidade.
9. IDENTIDADE DE FRONTEIRA: PORTUGAL, RÚSSIA E CABO VERDE: PROCESSOS