5. İSTANBUL İÇİN KENTSEL TASARIM GİRİŞİMLERİ
5.1 İstanbul’da Kentsel Tasarım Deneyimlerine İlişkin Girişimler:
Estes aspectos reúnem categorias apreendidas já desde o momento em que as organizações estão na etapa de articulação, estendendo-se pelas demais fases, e dizem respeito às diferenças culturais entre as organizações, política operacional, agilidade e flexibilidade operacional. Iniciar uma parceria entre duas instituições diferentes representa situar frente a frente históricos de atuação, o que promove a cada uma, separadamente, o momento de redescobrir suas forças e fraquezas para o que se propõem. No momento de implementação e operacionalização da parceria, baseando-se nos objetivos comuns traçados, é possível que o processo precise, de forma intensiva, promover correções de rumo, em um movimento auto- adaptativo, de entendimentos mútuos, da própria parceria. Foi o que se pôde depreender dos discursos, tanto da parte da Oscip, quanto da instituição governamental, quando indagados sobre como percebiam a existência das diferenças culturais.
Representante Oscip: Quando você absorve um grupo já montado ou melhor uma instituição, você absorve também a história daquela instituição, você já absorve a política com que aquela instituição é gerida, governança, enfim, então é a questão da cultura, você tem a sua
107 cultura que você precisa estar implementando naquele pessoal que possui uma cultura, é um dos momentos que precisa ser trabalhado, precisa ser pensado, quais são as ações que devem fazer para que esse choque de cultura não seja tão forte.
Representante estatal: Serve como aprendizado, a gente tinha costume de trabalhar com um parceiro, a aí começa a trabalhar com outro parceiro, tem que mudar os paradigmas, a gente tem um plano de expansão com outros parceiros, serve como um aprendizado.
A formalização de parceria entre instituições distintas, do tipo integrativo (AUSTIN, 2001), como se percebe a relação de cooperação (SPINK, 2002) entre o Crediamigo e Viva Cred, para trabalharem juntos em prol de um objetivo comum, faz com que alguns valores organizacionais possam passar por algum tipo de transformação. Segundo Fleury ( 2002), este processo se torna mais facilitado se estiver “em consonância com mudanças estratégicas em situações ligadas tanto ao ambiente externo a exemplo da expansão da organização, como situações ligadas ao ambiente interno, como introdução de novas políticas operacionais” (p.26).
Representante Oscip: Com adaptação, cada um cede um pouco e faz a sua parte. Nós temos que trabalhar com a questão da cultura do Crediamigo, entendendo que o Rio de Janeiro é uma metrópole diferente do Nordeste. Então nos dois lados, tanto o Crediamigo cedeu de alguma forma a algumas situações, como o Viva Cred também precisava estar cedendo e entendendo que a coisa funciona de forma adequada se fizer bem feito como o Crediamigo faz. Cada um cedeu um pouco, eu diria que essa adaptação ainda está acontecendo, ainda não está 100%, mas já está bem próxima dessa direção.
Representante Oscip: Teve uma discussão ainda naquela época, idos do ano passado (2008), sobre o que era diferente, o que precisava mudar e muitos falaram em metodologia. Na verdade, se você analisar a metodologia do Viva Cred e do Crediamigo, elas não são muito diferentes, salvo o grupo solidário. A grande questão era a política de crédito. Porque uma coisa é a metodologia, a outra é a política de crédito: como eu quero conceder o meu crédito, de que forma, quais os cuidados que vou ter, quais os parâmetros. Na verdade, se for analisar a metodologia, não tem muita diferença, o que tem diferença é a política.
Representante Estatal: Olha, no primeiro momento, a gente entrou muito forte com o produto de crédito, nós tivemos que priorizar algumas coisas, certo, não dava pra fazer tudo de uma vez, você trabalhar a conversão de política de crédito, trabalhar a orientação empresarial, trabalhar os outros produtos de microcrédito e tudo de uma vez só e exigir que isso funcionasse bem. Fomos por partes. Dentro daquela estória do respeito, você precisa entender que não dá pra fazer tudo de uma vez.
Dolowitz e Marsh (2000) ressaltam que, quando da implementação de uma parceria, há de se observar possíveis diferenças a serem ajustadas nas características do Programa, sobretudo
108 quando envolve transferência tecnológica. Para esses mesmos autores, pode haver graus diferentes de implementação, podendo ser uma reprodução fiel (cópia), uma experiência adaptada à realidade local ou mesmo uma inspiração sob a qual se desenvolveria uma atuação diferenciada.
Representante estatal: A fase de implantação trouxe muitos desafios, eu diria que 90% deles estão equacionados, em termos de adaptação de metodologia, de mudança de paradigma, a parte de política de crédito, são coisas que já estão hoje redondas, todo mundo sabe o que tem que fazer, de que forma, em que quantidade, eu acho que tivemos avanços fantásticos aí. Representante Oscip: O banco também abriu para adaptar a metodologia à realidade, e está sendo até hoje. Aqui, concede crédito individual a qualquer pessoa que vem aqui. Lá o pessoal começa pelo (grupo) solidário. Agora que estão fazendo uma experiência lá no Nordeste. Várias coisas foram feitas de adaptação do Banco para as nossas características. Foi uma coisa que a gente teve que discutir. Vários coisas tivemos que mudar e várias coisas, o Banco se adaptou.
Para Alvim (2007, p.39), “o entendimento de mudança como produto decorrente do relacionamento entre atores em sociedade, poderão fazer com que ofereçam, no processo de divergência e convergência, um conjunto rico em soluções”.
Representante Estatal: Fizemos concessões e ainda estamos fazendo. No produto, é permitido o cliente começar o relacionamento pelo crédito individual, ou seja, independentemente dele ter experiência ou não com o programa, que é uma coisa que a gente não faz com muita frequência nas outras localidades onde existe o Programa. O banco têve que construir uma solução tecnológica de desembolso, específica para o Rio de Janeiro. Eu desembolso o recurso em qualquer lugar que o cliente tenha conta. Isto só existe no Rio de Janeiro.
O que foi dito pelos representantes institucionais reforça um sentimento positivo de ganhos potenciais com a evolução da parceria, conforme demonstrado no esquema de Austin (2001) denominado Continuum da Colaboração, que propõe três estádios de relacionamento, com características distintas: filantrópico (doador e donatário), transacional (trocas de recursos por meio de atividades específicas) e integrativo, onde se observa uma integração organizacional, principalmente intercultural, sendo necessários processos e procedimentos para gerir a crescente complexidade do relacionamento, neste tipo de parceria mais institucionalizado, como é o caso da parceria Viva Cred/Crediamigo.
109 Desta forma, percebeu-se pela observação do fenômeno que a evolução da parceria relaciona- se também com um conjunto de temas recorrentes agrupados no que foi denominado aspectos construturais da parceria.