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İstanbul Üniversitesi Tıp Fakültesi Öğretim Üyesi

Se no secundário é consensual, entre alunos e encarregados de educação, a escolha por motivo de prosseguimento de estudos, já no básico, os critérios alteram-se consoante as escolas e os atores intervenientes neste processo. Indicam-se, a seguir, os critérios mais referidos: (i) Razões financeiras: sem dúvida que este critério é o mais ouvido na escola de música particular, visto que o regime articulado é gratuito nesta escola; quer os professores, quer os funcionários administrativos, os auxiliares, e o diretor, (A2;A1;A7;A8;A10;A9) apontam o financiamento como causa primeira para a escolha deste regime. Contudo, na escola pública, como os alunos não pagam mensalidade, qualquer que seja o seu regime de matrícula, os critérios já se prendem com outras questões, como por exemplo, (ii) a carga horária, ou seja, como os alunos não frequentam algumas disciplinas no ensino regular para poder frequentar as disciplinas da componente vocacional, torna-se mais fácil a frequência dos dois cursos (B1). (iii) A questão dos horários e turmas dedicadas, sendo comum às duas escolas de música, é apontada como causa principal pela escola pública, e logo a seguir à questão do financiamento, pela escola particular (B8;A8;B9;A10;B4;A9;B3). Este motivo de escolha pelas turmas e horários é também apontado pelas técnicas da tutela (C1;C2), como uma mais valia para os alunos e encarregados de educação.

1.2 Processo de Ensino

No que se refere ao processo de ensino, é importante conhecer as perceções dos diversos atores sobre o regime articulado. Existem fatores positivos que foram percecionados por todos os atores, enquanto os fatores negativos, ou capazes de gerar alguns constrangimentos, foram apontados em menor escala. Observe-se o quadro seguinte:

Quadro 13. Vantagens e desvantagens da frequência do regime articulado.

VANTAGENS DESVANTAGENS

. Prosseguimento de estudos/Vocação . Notas interferem nas 2 escolas

. Mesma turma nas duas escolas . Reprovação de ano

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. Dispensa de disciplinas . Carga horária a repensar

. Menor carga horária no ensino regular . Falta de perceção da escola regular das horas de

estudo da música

. Maior rigor na música . Só para alunos em escolas com protocolo

. Melhor organização . Currículo muito específico

. Turma dedicada . Turmas dedicadas com más notas

. Articulação entre escolas . Não há diferença curricular do supletivo

. Horários articulados . Grande pressão para o articulado

. Bom ambiente na escola de música .Vocaciona muito cedo tendências dos alunos . Interdisciplinaridade

. Atividades extra curriculares . Alunos mais motivados . Maior acesso ao ensino da música

. Hábitos de estudo regular . Planos de estudo definidos . Escolas particulares como escolas modelo

O processo de ensino do regime articulado, para além de envolver a totalidade dos atores em análise neste estudo é, simultâneamente, muito exigente no que respeita à sua organização e dimensão pedagógica porque

“(…) as crianças que estudam música(…) têm uma carga de trabalho muito superior à das crianças que não estudam (…) é muito importante que a escola reconheça essa carga de trabalho das crianças e que (…) elas podem ser dispensadas de algumas áreas disciplinares complementares (…)

podem substituir na parte flexível do currículo (…) é o reconhecimento da carga de trabalho que essas crianças têm e a exigência, no fundo, que a escola se organize para estimular, manter a motivação, criar boas condições para que as crianças possam estudar. Nós precisamos muito de muitas crianças a aprender música.” (D1:8)

Por outro lado, o grau de exigência do ensino da música é sentido pelos alunos de forma muito intensa,

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“(…) na outra escola muitas vezes marcam-nos testes (…) nos mesmos dias que temos aqui provas

de piano e teste de formação musica l e (…) não se importam se temos, ou não, testes nesta escola. Em comparação com a outra escola, esta tem muito mais rigor, mais disciplina, somos obrigados desde pequenos a cumprir coisas, a ter responsabilidade. É um curso que temos de gostar muito, não podemos estar aqui por estar (…) não se pode copiar no exame, copiar num teste (…)

impossível na música copiar.” (A6:2,3,4)

Porém, também os encarregados de educação percecionam estas condições,

“Na música continua a haver exigência, (...) em termos de disciplina de trabalho, em termos de progressão do aluno a música é muitíssimo mais importante do que o resto;” (A5:2)

“(...) os professores do ensino normal às vezes não percebem a necessidade que eles têm de (…) o

estado de cansaço (...) nã o têm tempo de fazer trabalhos e depois chegam a casa às vezes e ainda

têm de estudar, (...) tempo para fazer trabalhos e estudar o instrumento, é muito puxado.” (B7:3) Igual sentimento é partilhado pelo Diretor Pedagógico da escola particular,

“(…) há um problema que tem a ver com a carga horária, com o peso que o ensino regular e o

ensino artístico têm na vida dos nossos alunos, que vai aumentando do 2º ciclo até ao secundário, esse peso não tem tomado em consideração um aspeto que para nós é fundamental, que é, o tempo de estudo do instrumento (...) há aqui um tempo diário de estudo dos nossos alunos que não tem sido, penso eu, muito equilibrado e pensado até agora” (A7:3)

e também, pelas técnicas da tutela,

“(...) porque é que a música os pode ajudar? Pode ajudá-los no sentido em que os abriga a estarem

concentrados de forma diferente; (...) ter hábitos de estudo regular” (C1:3)

“(...) tenho um plano de estudos na 225 que é para ser dado como um todo, mas não há um

casamento afável e harmonioso entre as disciplinas do ensino artístico e as disciplinas do ensino regular (...) foram ali postas, para que o aluno possa cumprir aquilo que são as competências à saída do básico.” “(...) eu tenho muita pena que não haja mais escolas de música, e mais escolas de dança, públicas, mas também sei, que as escolas do ensino privado, portanto do 553, do particular e cooperativo, são escolas, eu não quero parecer exagerada a dizer isto mas são escolas modelo (...) eles preocupam-se com o percurso dos alunos; eles preocupam-se com o cumprimento do plano de estudos; eles preocupam-se em fazer desses alunos, alunos de mérito; eles colocam esses alunos nas orquestras estrangeiras; nunca querem colher os louros, (...) os professores, a s direções das escolas e não me vou esquecer, como é óbvio, a parte administrativa das escolas, que conhece os alunos, (...) todos pelo nome.” (C2:6;11).

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Prosseguindo nos fatores percecionados, também o Ministério da Educação encontra vantagens quer na articulação de horários, quer na articulação entre as escolas (D1:9), bem como na possibilidade de alargar a oferta deste regime dando assim oportunidade a todas as crianças em idade escolar,

“(…) as crianças têm de ter oportunidade de uma forma bem massiva, ter um contacto com a

música, com o ensino artístico, depois gradualmente se vai selecionando, se vão estabelecendo os próprios filtros, até associados à dificuldade, à motivação das crianças (...) o ensino tem que ser responsabilizante, tem que ter condições que motivem e que estimulem o prosseguimento de estudos e não a desistência imediata. Quando predomina o ensino supletivo, o que tem é que o vínculo é tão fraco, que à menor dificuldade, obstáculo etc. se pode desistir (…) a ideia era que o supletivo fosse a exceção, e não a regra, num ensino suportado pelo Estado e enquadrado num sistema público de ensino e de educação” (D1:6)

por outro lado, refere que não tendo havido tempo para se efetuar uma avaliação, no que respeita aos fatores negativos, é entendimento do Ministério que

“Há seguramente aspetos que precisam de ser melhorados, (…) devemos buscar inspiração nas práticas dos outros países, (…) Aprender com o que se faz nos outros países mais desenvolvidos,

com os quais nos comparamos, com aqueles países que procuramos seguir o modelo de desenvolvimento e, de facto, escolas de regime integrado existem em todos os países da Europa e são escolas de referência. Normalmente tendem a ser escolas de referência; não é normal no nosso país, no ano de 2005, 2006, existisse apenas uma escola de música em Braga, a fazer o regime

integrado; isso não é normal. (…) o regime articulado que é mais difícil de concretizar, porque

exige uma relação de confiança entre várias instituições, certamente tem aspetos que precisam ser melhorados. Eu não estive o tempo suficiente a acompanhar a reforma, para poder fazer essa avaliação mas, ela merece ser avaliada e devemos, sem nenhum preconceito, revisitar os dossiers e alterar aquilo que for preciso para alcançar os objetivos.” (D1:9;10).