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I. BÖLÜM

1.8. İslâmi İnanç Sistemine Göre Çalışma Ahlakı

A música, como já foi dito, é o fio condutor para tudo o que ocorre nesse teatro/dança brincante. Cada cena é por ela delimitada, ampliada, conduzida. O Boi Paz no Mundo é acompanhado por um trio ou quarteto musical formado por um cordofone (sanfona – acordeón), um membranofone percutido (zabumba), e um ou dois idiofones percutidos (triângulo e/ou pandeiro), sob a coordenação de Rosinha do Acordeón, uma sanfoneira bastante conhecida na região e que é parte integrante do Boi.

Fig. 59. Zabumbeiro e Sanfoneira, Sobral/CE Fig.60. Rosinha do Acordeon Fig.61. Conjunto, Sobral/CE O Sr. Dominguinhos, sanfoneiro autodidata e que sempre fez parte do Boi Paz no Mundo disse: “sempre toquei no reisado, mas agora estou sem sanfona, aí

Rosinha, que aprendeu comigo, é quem toca, mas tô sempre aqui, com eles”(informação verbal)65.

A forma musical é a toada que, para Almeida (1942, p. 105), Alvarenga (1950, p. 275) e Cascudo ( 1972, p. 871 -872), se constitui como forma híbrida que, no espaço brasileiro, pode ser qualquer coisa, como cantigas, cantilenas ou canções em formas amorosas, tendo predominância de quadras, utilizando estrofe e refrão. Na música brasileira, ela não tem um formato definido e por isso é importante que a cada momento que, a cada momento que a encontramos, façamos uma descrição mais detalhada, de que tipo de toada se fala.

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Dialogando durante ajustes para entrega dos documentos ao Prêmio Culturas Populares do MINC- Edital Mazaroppi em que a autora inscreveu o grupo e este foi contemplado. Tarde do dia 20 de outubro de 2013, na casa do Sr. Luciano, no bairro do Junco, em Sobral.

Diante do exposto, afirmamos que a toada do Boi Paz do Mundo se aproxima de uma “atividade musical de caráter lúdico sendo formada por melodias simples apresentadas em forma de estrofe e refrão, geralmente em quadras. Não possui forma fixa e está mais associada à linha melódica do que à peça em si.”66

Ela não é uma peça única e inteira. A cada momento se insere uma parte que, musicalmente falando, tem começo, meio e fim, podendo inclusive ser utilizada de forma independente.

A música do Boi Paz no Mundo, em forma de toadas, pode ser do tipo estrofe refrão67, solo e coro68 ou instrumental, tendo o Bascarrasco puxando os solos e Galantes e Índios segurando a parte coletiva. Os cantos são diversificados, podendo ser tradicionais/ancestrais ou criados para aquele ano específico, sendo preparados por todos nos ensaios ou ainda improvisados. Há também várias paródias de clássicos nordestinos como Mulher Rendeira, Asa Branca, Carolina, Boiadeiro, dentre outros, ou de canções de sucesso do momento, não apenas no Boi Paz no Mundo, mas em vários bois sobralenses como demonstramos abaixo69.

Paródia de Boiadeiro (Luiz Gonzaga) Vem meu cavalo que a noite já vem

É Paz no Mundo e todo povo lhe quer bem E vem chegando, vem chegando o meu cavalo O meu cavalo que vem lá das aliança

O meu cavalo vai aqui se apresentar E encantar o mundo todo das crianças Vem meu cavalo que a noite já vem

É Paz no Mundo e todo povo lhe quer bem

Exemplo solo e coro:

Cadê aquele laço, laço de laçar meu boi

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Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira.

In: http://www.cnfcp.gov.br/tesauro/00002164.html. Acesso em 3 de outubro 2013.

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Quando tem um refrão e estrofes que vão se alternando, entre uma e outra, o refrão é repetido.

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Pode ser feito tanto na estrofe quanto no refrão. Sempre o que se canta primeiro é cantado por uma pessoa apenas e depois repetido por vários outros, em coro.

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Cadê aquele laço que eu não sei pra onde foi Bascarrasco: Boiadeiro, oh menino

Coro: quem vem lá Bascarrasco: O boiadeiro sou eu, Coro: quem vem lá

Bascarrasco: Mas é que sou boiadeiro, oh menino Coro: quem vem lá

Bascarrasco: Boi Paz no Mundo se apresentar Coro: quem vem lá

Utilizam muitos solos instrumentais, alguns genuínos forrós de grandes sanfoneiros, outros são improvisos do músico que os acompanha. Essas partes instrumentais são utilizadas para cenas hilárias entre Cazuza, Donona, Mateu e Liseu, ou ainda para solos de partes dançadas no que eles chamam de pisa ou

pisadinho, que são sapateados improvisados pelos personagens centrais e por

quem se aventurar a acompanhar.

Usam também trechos musicais de forrós conhecidos e que fazem sucesso, de forma que Donona e Cazuza possam brincar, no início, com as pessoas da roda. Dançam xote, marcha e baião, acrescentando o valseado, sendo esses os ritmos básicos utilizados durante toda a ação desse teatro/dança brincante.

Fazem partes ad libitum soladas e repetidas pelo coro, estilo responsorial entremeado por trecho instrumental como ocorre na parte em que apresentam os Índios, por exemplo.

Bascarrasco: Boa noite, meu pessoal/ boa noite com muito amor (ad libitum) Índios: Boa noite, meu pessoal/ boa noite com muito amor (ad libitum) Bascarrasco: Dá-me um pouco de atenção/ que minha tribo chegou (ad libitum) Índios: Dá-me um pouco de atenção/ que minha tribo chegou (ad libitum) Solo Instrumental (forró)

Bascarrasco: A cultura de Sobral é um espaço popular Índios: A cultura de Sobral é um espaço popular Bascarrasco: Vou pedir a Deus do céu para nunca se acabar Índios: Vou pedir a Deus do céu para nunca se acabar) Solo Instrumental (forró)

É muito comum nas DD a presença de canto com desencontro tonal entre os tocadores e o cantante. Percebemos que quem canta entra sempre antes do toque do instrumento, obrigando os músicos a correrem atrás do tom aleatório escolhido.

Nem sempre o instrumentista consegue fazê-lo, deixando, assim, o acompanhamento em um tom e o cantante em outro. Isso também ocorreu com o Boi Paz no Mundo em 2013 e advém das ausências dos músicos nos encontros que antecedem a apresentação do Boi. Como o Bascarrasco canta costumeiramente sem acompanhamento, no dia da festa acaba ocorrendo o desencontro e, portanto, são necessários cuidados especiais e uma devida atenção de quem pesquisa para realmente localizar a melodia do que é cantado.

É importante procurar se envolver com o conjunto do que ocorre, considerando que a música não é apenas o som produzido, ouvido; ela é toda a relação com a espetacularidade que está ali, é teatro e dança, é o elemento de repouso e de movimento, é o rio onde se desencadeia e navega tudo a ser dito e feito no que é encenado/vivido. A divisão feita é somente a busca de favorecer uma compreensão das partes para propiciar o encontro com o todo daquilo que falamos.