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İnternet Bağımlılığı ve Cinsiyet

Belgede Bilge TOPALOĞLU (sayfa 42-0)

2. Kuramsal Çerçeve

2.12. İnternet Bağımlılığı ve Cinsiyet

Na Antiguidade, sabemos que o voto era feito em público, diante testemunhas, e o seu cumprimento era reconhecido publicamente, em plena luz do dia, no meio de muitos outros, aproveitando do investimento os artesãos, os pequenos comerciantes e todos aqueles que participavam aos banquetes acompanhando os sacrifícios633.

O que é implicado na decisão de um pedido, em cada ocasião, é um acto de fé,

pistis (especialmente verdade no caso da doença), conceito particularmente atestado em contexto isíaco634.

Para ser ouvido pela divindade, o fiel tinha de se apresentar numa disposição de espírito e de alma feita de integridade, de humildade, de abandono à sua vontade, por outras palavras, a pietas e a fides eram as duas virtudes requeridas pelos deuses aos fiéis635.

Não é raro também que as inscrições votivas indiquem que a decisão ela mesma é devido por sua vez a uma intervenção sobrenatural, a um sonho, a uma visão, a uma ordem divina636.

Por fim, sabemos igualmente que nos santuários de Serápis e de Ísis, era muito comum dedicar estátuas de outros deuses ou de lhes dirigir votos637.

Para o nosso caso específico, podemos observar que todas as lucernas votivas de Santa Bárbara de Padrões, bem como as de Peroguarda, foram utilizadas antes de terem sido depositadas na favissa638, indiciando muito provavelmente a sua alumiação aquando da sua oferta à divindade, permanecendo no sítio até que a luz se apagasse por si mesma639. Podemos até colocar a hipótese que era no momento em que se fechava as

633 Burkert, 2003, p. 17. 634 Burkert, 2003, p. 17. 635 Le Glay, 1995, pp. 43-45. 636 Burkert, 2003, p. 17. 637

Era perfeitamente corrente também para uma mesma pessoa de acumular diferentes sacerdócios: encontramos particularmente associações de Cíbele com os deuses egípcios (Burkert, 2003, pp. 54-55).

638

Maia e Maia, 1997, p. 23; Viana e Ribeiro, 1957, pp. 19-20 e Ribeiro, 1960, p. 4.

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Segundo H.-R. d’Allemagne, fora do contexto das lâmpadas que queimavam diante dos seus altares particulares, os Romanos consideravam como um ponto de religião de não apagar uma luz servindo a um uso doméstico e de a deixar morrer por si mesma, por causa, diziam eles, do respeito que se devia ao fogo (Allemagne, 1891, pp. 2-3).

portas da cella e do santuário, que as lucernas dos devotos eram alumiadas junto do

naos e eventualmente de outras capelas, provavelmente por um sacerdote que tinha este encargo específico, protegendo assim a(s) divindade(s) contra as trevas setianas, permanecendo acesas durante a noite. No dia seguinte, extinguida a chama, as candeias eram então transportadas até ao depósito votivo.

Segundo M. G. P. Maia e M. Maia640, alcofas de esparto ou outro material perecível foram utilizadas para o acondicionamento das lucernas, aquando do transporte e do armazenamento na vala.

Em relação às lucernas fragmentadas de antigo e pertencentes ao século III (4ª camada), os arqueólogos de Santa Bárbara pensam terem sido quebradas propositadamente, talvez ritualmente, antes de serem enterradas, apresentando as lucernas mais tardias de Peroguarda as mesmas características641. Ora, reencontramos este ritual em quebrar objectos relacionados com o sagrado nos Celtas. De facto, autores antigos como Diodoro, Lucano ou Tito Lívio, evocaram nos seus escritos sobre certos costumes dos Celtas (mais exactamente dos povos alpinos), a consagração de objectos aos deuses quebrando-os nas paredes dos templos642. Para citar alguns exemplos em França, encontramos provas deste acto ritual em Acapte (Hyères)643, onde loiça cerâmica foi quebrada contra um rochedo sagrado; no já conhecido santuário de Chastellard de Lardiers644, em que argolas de grande formato foram partidas intencionalmente como objectos votivos; ou nas áreas cultuais de grandes refeições de comunhão em Bliesbruck (Moselle)645, apresentando numerosos depósitos com cerâmica fragmentada de antigo e propositadamente646.

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Pode-se observar em Santa Bárbara deposições de planta grosseiramente circular, contendo cerca de 80 a 100 candeias, mais ou menos intactas, parecendo coincidir, segundo M. G. P. Maia e M. Maia, com as deposições de Peroguarda, onde as lucernas inteiras foram achadas “às bolsadas” ( Maia e Maia, 1997, p. 21 e Viana e Ribeiro, 1957, p. 19).

641

Maia e Maia, 1997, p. 21 e Viana e Ribeiro, 1957, pp. 18-19, 30.

642 Tournie, 2001, p. 183. 643 Arcelin et al., 2003, p. 180. 644 Rolland, 1962, pp. 655-656. 645 Lévêque, 1989, pp. 515, 519. 646

Interessante é também o mobiliário que apresentou o túmulo de um príncipe orientalizante ibérico de Pozo Moro (Espanha), datado de 500 a. C., e constituído por vasos de beber, vasos de libações e vasos de perfume que foram queimados e destruídos por ocasião do enterro. Para R. Olmos, o facto de destruir bens de luxo era um sinal de superabundância e um privilégio daqueles que detinham o poder (Olmos,

Ou seja, num dado momento do século III d. C., os Aranditani, de etnia celta, voltaram a praticar um ritual dos seus antepassados no santuário de culto egípcio de Santa Bárbara. Este comportamento pode ser explicado pelo período de crise e instabilidade que caracterizou este século647. De facto, sabemos que nos períodos de instabilidade, de mutações socioeconómicas, os indivíduos têm tendência em desenvolver a “religião do pai”, caracterizada por um grande respeito e um temor reverencial648. Este regresso às origens foi marcado em Santa Bárbara de Padrões pelo acto ritual de quebrar objectos votivos.

Por sua vez, no depósito votivo de Lachau, podemos notar que os exemplares intactos ou as formas completas de lucernas são raros, apresentando as várias escavações arqueológicas, até 1976, uma quantidade de 50 kg de fragmentos de lucernas contra somente uma quinzena de lucernas intactas649, diferindo em muito do caso de Santa Bárbara. Apesar dos autores da revista Gallia não terem especificado a estratigrafia das várias campanhas de escavação e em que camada exactamente foram encontradas as raras lucernas intactas, tudo indica uma forte sobrevivência celta no ritual de quebrar objectos votivos durante toda a vigência do Império Romano em Lachau, ao contrário dos Celtici de Arannis que só voltaram a praticá-lo durante o período de instabilidade e decadência.

Além de lucernas votivas (inteiras ou quebradas), foram também encontrados, na 5ª camada pertencente ao período de meados do século I a finais do século II d. C., alguns fragmentos de vidro, quase todos de pequenos unguentários, e algumas moedas da dinastia Antonina. Sendo esses objectos lançados no depósito votivo, juntamente com as candeias, eles representam portanto excepções no acto votivo habitual praticado neste santuário. Enquanto as moedas representam um ex-voto muito comum entre os

2002, pp. 39-40). No entanto não encontramos aqui o acto do quebrar, mas, tal como para os sacrifícios sangrentos, o fogo parece transmitir, neste caso para o defunto, esses objectos que lhe foram consagrados.

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Sabemos que nos anos 60 do século III d. C., a Gália e boa parte da Hispânia foram assoladas por Francos e Alamanos que cruzaram o Reno. O território actualmente português, segundo J. Alarcão, não sofreu certamente os efeitos desta invasão, embora deva ter sofrido da inflação, da recessão económica e da agitação social que nesses meados do século III se verificaram em todo o Império (Alarcão, 1988, p. 75).

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Carré, 1978, nota 97 p. 132.

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Romanos, os pequenos unguentários, estando em contexto egípcio, podem representar, tal como as candeias, uma oferta que pode ser utilizada pela divindade, mais exactamente na parte final do asseio feito ao seu suporte terrestre, isto é, a estátua de culto. De facto, o ritual do asseio no antigo Egipto concluía-se quando o oficiante ungia a estátua com o cosmético medjet: o sacerdote segurava na mão esquerda um pequeno pote de unguento, introduzia nele um dedo da mão direita e tocava depois a frente da estátua enquanto se pronunciava a fórmula da unção650.

Numa outra camada pertencente desta vez ao século III, outros fragmentos de vidro e até agulhas de osso foram também exumados.

Para além dos objectos votivos, a própria constituição da 5ª camada que envolvia os ex-votos denuncia outro ritual, que também resultou na deposição do que remanesceu de um acto sagrado. A camada era de facto constituída por terra negra, com muitos carvões, cinzas e esquírolas ósseas que, segundo M. Maia651, pertenceriam a aves ou ruminantes como carneiros, relacionando-se talvez com rituais de sacrifícios. Ora, reencontramos essas mesmas características em poços e covas rituais de Bliesbruck652 (Moselle, França), fazendo parte de áreas cultuais onde se desenrolavam regularmente cerimónias célticas cujo ritual compreendia uma refeição (refeições de comunhão associando todos os membros de uma comunidade rural nos banquetes), oferendas e sacrifícios. Para esta ocasião, e segundo a análise feita por P. Lévêque653, depósitos resultando deste ritual eram efectuados em covas ou poços; aí lançavam-se também resíduos e cerâmica quebrada voluntariamente, misturados quase sempre com terra preta, acinzada e engordurada levantada provavelmente no local de refeição. Pode-se observar portanto que os restos dos banquetes, conservando sem dúvida um pouco do sagrado da cerimónia, eram amontoados numa cavidade escavada para este efeito e compreendendo também um depósito de objectos mais preciosos que foram lá

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López, 1993, p. 137.

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Opinião dada por M. Maia durante as nossas conversas no Museu da Lucerna em Castro Verde.

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Bliesbruck era um pequeno burgo galo-romano da cidade dos “Médiomatriques” onde foi exumado todo um bairro construído em terra e em madeira (50-100 d. C.), depois em material duro (segundo século, com apogeu na primeira metade do terceiro século); e, entre este sector e a ribeira Blies, uma zona continha várias centenas de covas e 250 poços murados, as covas sendo contemporâneas do primeiro habitat, os poços do habitat em material duro (Lévêque, 1989, p. 515).

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consagrados. Ou seja, teríamos em Santa Bárbara de Padrões sobrevivências de antigos rituais celtas que perduraram num santuário de culto egípcio durante a época romana. As ditas refeições neste caso deviam ter sido provavelmente os banquetes rituais que se realizavam após a apresentação de um novo iniciado, nos cultos de Mistérios, como por exemplo a “kliné do senhor Serápis”.

Esta tradição pagã de quebrar objectos ligados a um acto sagrado, e de os enterrar em seguida numa cova específica, junto a outros objectos, bem como o enterramento de lucernas, perdurou ainda com os primeiros cristãos, mais exactamente em ritos funerários. De facto, em Argos (Grécia), perto de várias dezenas de túmulos paleocristãos, foram descobertas algumas covas que continham lucernas, moedas, alguns vasos em terracota completos (exemplo de um caldeirão e de oinochoés) e numerosos cacos de loiça comum, bem como fragmentos de pequenos vasos em vidro. Segundo a interpretação de A. Oikonomou, loiça comum, relacionada com as refeições fúnebres tomadas nos cemitérios por ocasião das cerimónias comemorativas, era portanto quebrada voluntariamente sobre os túmulos, talvez para honrar os defuntos, apanhando-se em seguida os fragmentos para serem lançados em covas específicas; os utensílios para transportar a comida preparada pelos familiares do defunto, bem como a água, o azeite ou o vinho, eram também colocados nas ditas covas, mas com a diferença de estarem inteiros e não partidos, como no caso do caldeirão e dos oinochoés. As lucernas dos túmulos eram igualmente recolhidas após as cerimónias, armazenadas também em cavidades abertas logo nas proximidades das sepulturas654.

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CONCLUSÃO

Tudo indica portanto que a cidade de Arandis, adquirindo no período romano um lugar central de entre os locais de culto da região, acabou por acolher no século I d. C. um importante santuário dedicado aos deuses alexandrinos, cuja devoção se exprimia sobretudo pela oferta de uma luz votiva por parte dos devotos. Este contexto egipcizante não resultou, no entanto, no completo abandono pelos Aranditani de certas práticas rituais tipicamente celtas, como a deposição na favissa, junto das lucernas votivas, dos restos de banquetes rituais, ou o acto de quebrar objectos votivos, já numa época tardia.

De acordo com os aspectos funcionais, arquitectónicos e decorativos característicos de um santuário de culto egípcio no período romano, várias possibilidades se apresentam para o local de culto de Santa Bárbara de Padrões. O santuário seria composto provavelmente por um templo de estilo romano com um

pronaos desenvolvido sobre um pódio elevado, eventualmente com um tanque de ablução à direita da cella, precedido de uma área descoberta com altar e tanques nilóticos alinhados ao aedis, e talvez com a presença ainda de um focus, o conjunto integrado num pátio porticado. Outros elementos podiam acrescentar-se para relembrar o contexto egípcio do culto aí praticado: um par de esfinges ladeando a escada de acesso ao pódio; uns telamones inspirados dos colossos osiríacos; uma cisterna subterrânea relembrando um nilómetro (para conter a água lustral); e o desenvolvimento de toda uma iconografia nilótica, com cenas rituais e paisagens relacionadas com o antigo Egipto, em frescos, mosaicos e estatuária. Outras capelas ladeando o edifício de culto principal podiam abrigar outras divindades, especialmente para uma tríade divina (com a presença de um Harpócrates ou de um Anúbis).

Em termos dos materiais construtivos, sabemos da presença no nosso santuário do mármore da área de S. Trigaches ou S. Brissos e de tijolos cozidos para colunas em

opus testaceum. Para além disso, podemos acrescentar igualmente a hipótese da utilização, segundo as observações de T. Hauschild655 e de J. Alarcão656, da pedra granítica (revestida em seguida de estuque), para certas partes estruturantes do templo, e do mármore da região de Estremoz e Vila Viçosa, para as estátuas de culto (representando os deuses nilóticos sob uma fisionomia romanizada) e até para as

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Hauschild, 2002, pp. 215-217.

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estátuas simplesmente decorativas.

O temenos propriamente dito, por sua vez, seria provavelmente amplo, podendo integrar, para além do templo principal, outras construções. De facto, segundo os estudos de R. Ginouvès sobre os complexos religiosos de período greco-romano (com cultos de mistérios)657, e segundo exemplos de outros santuários de culto egípcio, incluindo o santuário de Chastellard de Lardiers, várias possibilidades se apresentam: sala de mistérios para cerimónias de iniciação (telesterion); edifício abrigando um

bothros e reservado a cultos de mistérios (megaron); cripta subterrânea; sala de banquete (symposion) e cozinhas; sala de reunião para os iniciados (ecclesiasterion); residências de sacerdotes e hóspedes (pastophoria); pórtico onde os fiéis passavam a noite com o fim de ser “visitado” pela divindade (abaton); dormitórios para devotos que queriam viver mais perto da divindade (hospedarias e casas “alugadas” por Serápis); via sagrada ladeada de nichos ou edículas (oferendas de colectividades ou de ricos devotos), pequenos “oratórios”, “esplanada” para a reunião de procissões (spatium apertum) ou

area para a celebração dos dramas sagrados.

A entrada (ou uma delas) no recinto sagrado far-se-ia provavelmente, segundo o exemplo de Chastellard de Lardiers, do lado Sul, ao pé do depósito votivo, situando-se o edifício de culto principal na parte Norte do cemitério actual e distanciando-se da

favissa cerca de 90 metros. Colocamos de facto a hipótese do templo se situar, não debaixo da actual igreja, mas alinhado aos tanques, de frente (abrindo assim para Norte), com a presença de um altar entre os dois.

Por fim, além da vertente religiosa, e estando localizado numa estação viária de passagem obrigatória entre Pax Iulia e Ossonoba, o santuário podia igualmente ter exercido, tal como no Serapeu ostiense, actividades comerciais e de exploração imobiliária (albergar por exemplo os viajantes).

Desta lista apresentada sobre o complexo religioso de Santa Bárbara de Padrões, ficamos um tanto surpreendido pelo pouco que ficou dos vestígios deste antigo santuário de culto egípcio: um depósito votivo e um conjunto de três tanques. As vicissitudes do tempo, como as destruições, reutilizações de materiais para construção

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ou outros usos658, lavoiras agrícolas, edificação da actual igreja gótica com um cemitério anexo (indiciando uma ocupação deste terreno na Idade Média com as respectivas consequências), e obras públicas recentes (estrada e praceta alcatroadas frente à igreja), podem em parte explicar os raros vestígios arqueológicos actualmente conhecidos.

A zona mais importante do santuário situar-se-ia na área da igreja e do cemitério, impossibilitando futuras escavações que teriam sido cruciais para um melhor conhecimento deste local de culto. Só a zona a Norte do cemitério, onde se situam os tanques e a basílica paleocristã, podem ainda revelar quiçá informações valiosas.

Em futuras investigações sobre este santuário e a luz votiva, dois aspectos da pesquisa revelam-se cruciais. Em primeiro lugar, a análise dos depósitos de lucernas votivas de Israel e do monte Ida em Creta, com o principal objectivo de descobrir quais eram as divindades consagradas nos respectivos santuários. Isto permitiria elucidar ainda mais sobre a problemática da lucerna votiva. Em segundo lugar, um estudo aprofundado sobre todos os lugares consagrados a mártir de Nicomedia com possíveis ligações a antigos santuários da Antiguidade (em Portugal continental temos, por exemplo, uma Santa Bárbara de Nexe no concelho de Faro). Os resultados podem confirmar a hipótese de que no momento da cristianização de antigos locais de culto egípcio dedicados aos deuses alexandrinos, a santa Bárbara veio efectivamente substituir e assimilar os atributos do casal divino Ísis e Serápis.

Para além dos indícios apresentados neste presente trabalho, é preciso notar também que na própria religião cristã podemos encontrar antigas práticas e até representações que remontam na sua origem aos cultos egípcios, assimiladas pelos Cristãos aquando da sua luta contra tradições pagãs demasiadas enraizadas no povo. Segundo P. Brázia659, temos o caso das “Virgens espanholas” inspiradas de uma Isis

puellarum adorada em Acci (Guadix) e que era enfeitada com jóias, para uma procissão; ou o caso da tradicional representação de Isis kourotrophos amamentando o seu filho Hórus, a qual seria transformada, por via copta, na representação da Virgem Maria com

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No caso de Chastellard de Lardiers, o desaparecimento de elementos de elevação em mármore ou em calcário é explicado pela acção destruidora de recuperadores; um forno de cal foi efectivamente encontrado no pátio Oeste do templo, instalado seguramente logo após o abandono ou a destruição do santuário (Salviat, 1967, p. 389).

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Jesus sobre os joelhos. Relativamente às procissões propriamente ditas dos Cristãos, mais precisamente dos Católicos, essas cerimónias relembram em muito os dias de festa celebrados no antigo Egipto, em que a divindade, isto é, a estátua de culto, saía do seu templo num cortejo solene660.

Em termos da luz votiva, esta tradição está igualmente bem viva entre os Cristãos, bem visível nas nossas igrejas onde «as velas e lamparinas são colocadas em altares com intenção religiosa e sem qualquer propósito de iluminação»661. O devoto acende uma vela para pedir algo (a Jesus, a Virgem Maria ou aos santos) e até, para o caso de Portugal, promete à Nossa Senhora de Fátima uma certa quantidade de velas por ocasião da sua ida ao santuário. O acto de acender uma vela ou lamparina é considerado como um acto benéfico e, tal como as lucernas votivas, a luz é dada com o intuito de receber algo em troca, ou de agradecer um pedido que já foi concretizado (uma cura, uma protecção, um auxílio, entre outros). A grande pergunta que se nos coloca é de saber se, de facto, o acto de oferecer uma luz votiva provem efectivamente do antigo Egipto, mais precisamente, remontando a sua origem primeira à hipótese de um eventual ritual mágico praticado nos templos egípcios de época faraónica, em que a luz protegia do seu poder apotropaico a divindade abrigada na sua cella de granito.

Eis outro caminho de investigação que, somando-se aos outros, nos podem levar mais perto da verdade relativamente ao santuário de Santa Bárbara de Padrões e das suas lucernas votivas.

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Dessas procissões, as mais célebres ficaram conhecidas como a da “Festa da Boa Reunião”, quando Hátor viajava desde Dendera até Edfu para reunir-se com o seu esposo, Hórus – carregava-se a estátua da deusa numa barca que remontava o rio até Edfu, rodeada por outras embarcações em que tinham assento o clero e numerosos peregrinos; ou a procissão da grande festa de Opet, quando Ámon de Karnak visitava com grande pompa o templo de Luxor considerado como seu harém (Opet ou Ipet) – as andas tinham a

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