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İlkokul Öğrencilerinde İnternet Bağımlılığını Önlemeye Yönelik Yapılan Çalış-

Belgede Bilge TOPALOĞLU (sayfa 105-121)

4. Bulgular

5.5 İlkokul Öğrencilerinde İnternet Bağımlılığını Önlemeye Yönelik Yapılan Çalış-

Preciado defende uma análise da sexualidade em que não se trata de discutir o desejo, nem os discursos, nem os sujeitos sexuais e suas relações a si, nem ainda os prazeres (MCS, 22), porque estes são o produto de algo mais fundamental, uma certa tecnologia sexual que identifica os órgãos reprodutivos como principais órgãos sexuais em detrimento da sexualização de todo o corpo; esta tecnologia é constituída por próteses e técnicas sexuais, ou seja, as práticas sexuais enquanto tecnologias encorporadas (MCS, 115). A encorporação das tecnologias não é importante apenas como deslocamento e complicação do interface entre corpo e máquina, como salientou Haraway, mas também enquanto interiorização de determinadas lógicas de dominação através de determinadas práticas, como salientou Foucault. É nesse sentido que Preciado refere que se vai centrar numa anatomo-política (como referiu Foucault), na análise do corpo como máquina (e com as máquinas), em particular do corpo surgido das tecnologias disciplinares do século XVII. Esta anatomo-política será da construção do próprio corpo, e não só dos seus comportamentos (como sugeriu Foucault), uma arquitectura política corporal (MCS, 28). Essa construção visa também um tipo de docilização e optimização dos recursos corporais (como visava a anatomo-política a partir do século XVII), a heterosexualidade, e um benefício económico, a sujeição da força reprodutiva e de trabalho das mulheres. Nesse sentido é também uma biopolítica, uma dominação exercida em nome do interesse reprodutivo das populações e da espécie. O dispositivo da sexualidade mantém portanto o seu papel como dispositivo central na ligação destes dois tipos de poder, como identificou Foucault, mas sendo mais frisada a função económica da reprodução biológica num

sistema de transmissão patrimonial assente no sistema de filiação, e filiação patriarcal, conforme referido no princípio terceiro da contra-sexualidade (33).

Ao longo de todo o livro Preciado usará simultaneamente o termo “técnicas” e o termo “tecnologias”, precisamente porque as técnicas são vistas como tecnologias, ou seja, práticas de dominação interiorizadas pelos próprios dominados, e as tecnologias que decide analisar são precisamente, e só, as técnicas.

Ao posicionar-se desta forma na filosofia política sexual Preciado recusa as abordagens de influência hegeliana (Butler, 1987), que através da sua leitura por Lacan tendem a centrar-se numa análise do desejo, e do desejo como falta, como por exemplo as análises da materialidade corporal humana em Butler que consideram necessária à formação das fronteiras morfológicas dum corpo a exclusão de algo que continua a trabalhar essas fronteiras, sendo esse algo perspectivado como uma dor, um trauma (alguma negatividade portanto). No entanto, apesar de não tematizar o sofrimento a não ser como produção limitada de corporalidades, é sempre como resistência a sofrimentos que Preciado apresenta as suas propostas de resistência, daí falarmos em trauma.

Esta opção de inquérito enquadra-se então muito mais em filosofias de influência nietzscheana, de afirmação do corpo e da vida, tais como a filosofia de Foucault, na sua valorização do corpo enquanto local de investimento directo do biopoder (1994b, 153-4) e de Deleuze-Guattari, na sua afirmação da vida como produtividade maquínica sempre em fuga (1995, 400). Em Preciado estamos perante um tecnocorpo de fluxos virais, em comunicação e deslocação significantes contínuas, biopoliticamente investido dos interesses de apenas alguns dos corpos.

O inquérito consistirá então na análise dum conjunto de práticas sexuais e suas técnicas, procurando técnicas de resistência, que produzirão outras inscrições, outras corporalidades. A sua forma de criticar, de resistir, é contra-produtiva (MCS, 21) e não anti-repressiva, conforme diz ter aprendido com Foucault. Da mesma forma que Foucault referia ter existido uma proliferação dos discursos sobre o sexo apoiados por determinadas tecnologias e não um silenciamento do sexo, Preciado vai fazer proliferar os modos de inscrição das técnicas sobre os corpos para assim modificar os sistemas de dominação sócio-política, dando prioridade às técnicas sobre a política, ou sobre os discursos. Toda a sexualidade é técnica susceptível de sofrer cortes e deslocações, derridianas mas materiais.

Quando afirma que aprendeu com Haraway que a sexualidade humana, como todas as actividades humanas, não faz parte duma história natural mas sim duma história das tecnologias (22), ou seja, das negociações das fronteiras entre humano e animal, entre corpo e máquina, Preciado não o lê da forma materio-semiótica e de companheirismo entre espécies que lê Haraway; companheirismo porque apesar da assimetria de poder que faz dos humanos agentes de matança, são também agentes de cuidado e responsabilidade (Haraway 2008), nem no que isso significa de

novas comunidades políticas entre humanos, inhumanos e máquinas, mas sim duma forma mais estritamente material. Além disso, Preciado não questiona nunca a forma como os animais se inscrevem nos corpos humanos, e como os corpos humanos dependem de trabalho biotecnológico animal, macro e micro.

Enquanto técnica a sexualidade não é natureza, nem ordem simbólica, nem universo transcultural; ela é prática contingente, acontecimento, localização, conforme terá aprendido com Haraway (2004, 67). Neste sentido não lhe pertencem nem passados míticos (históricos ou interpsíquicos) nem utopias de futuro, a (contra)sexualidade ou é, ou não é (MCS, 22), afirma Preciado num materialismo tristemente apolítico e contraditório com os seus objectivos de emancipação, mesmo que só corporal (e esquecendo que a localização das práticas em Haraway aponta para uma localização das estratégias de aliança política geradora de novos comuns).

Preciado considera que com John Money há uma mudança no sistema sexo/género heterossexual. Passa-se do modelo do capitalismo industrial, em que a divisão sexual está fundada na divisão do trabalho sexual e reprodutivo, sexo=reprodução sexual=útero, para o modelo do capitalismo pós-industrial, em que se fixa o pénis como significante sexual, mas também há pluralidade de performances de género e de identidades sexuais a coexistir com este imperialismo, sexo=performance sexual=pénis (103). Curiosamente Preciado não propõe a contra-sexualidade como novo modelo, sexo=suplemento=dildo, quando todo o livro vai nesse sentido. De certa forma é como que não visse neste novo modelo sexual uma relação com um novo modelo económico, em que o valor não seja já [cifrão]pénis (104), ou seja, erecção/visibilidade, mas sim apropriação corporal imperceptível. Trata-se de abrir a possibilidade doutro regime de (in)visibilidade, para os corpos e para os prazeres, aspecto que o seu materialismo estrito impede de considerar. Considerando a força das duas epistemologias até aqui usadas para construir os corpos, ou seja, análise cromossómica e julgamento estético (96), e considerando o avançar das biotecnologias, todo um campo de resistência biotecnológica e visual se abre à proliferação e à subversão da ordem perceptiva, da verdade do olhar (99); apesar disso não parece considerar uma subversão da própria verdade do olhar.

O inquérito em curso cumprirá portanto duas funções: uma, de desnaturalização das práticas sexuais e sistema de género, e outra de afirmação da equivalência de todos os corps-sujets-parlants (21), mas também de todos os órgãos e efeitos enquanto sexuais (22), recusando a exclusividade sexual dos órgãos reprodutivos e seus efeitos como o desejo, a excitação sexual e o orgasmo. A pansexualização de todo o corpo provocada pelo deslocamento dos significantes corresponde afinal a uma des(hetero)sexualização ou, o que é o mesmo, a uma des-naturalização de todo o corpo (uma vez que foi o sistema (hetero)sexual que o produziu como natureza). Mas corresponde também à impossibilidade de conter os fluxos em deslocação, colocando mesmo em questão o facto de ser o

corpo, diríamos o tecnocorpo material e anatómico, o contexto próprio da sexualidade, que não seria delimitável (71), conforme afirma textualmente Preciado. Preciado tem aqui a possibilidade de perceber que o corpo é social, relacional e sempre fantasmático, como frisa sistematicamente Butler (1993, 65-66), mas não o faz.

A hesitação face ao papel constitutivo/performativo da linguagem nota-se também, por exemplo, no segundo princípio da contra-sexualidade (MCS, 33) quando defende que aos recém- nascidos sejam dados nomes não binários, e aos outros corpos seja permitido escolher nomes doutro sexo ou a utilização alternada de dois nomes que sejam a versão masculina e feminina dum nome, reconhecendo que a atribuição do nome é uma tecnologia de inscrição da diferença sexual, e que fica assim subvertida. Nota-se igualmente na caracterização do sujeito como corpo/sujeito falante, apesar das práticas de resistência serem mudas em tudo menos no desviar performativo dos sons orgásticos.

Belgede Bilge TOPALOĞLU (sayfa 105-121)