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İnternet Bağımlılığının Altında Yatan Nedenler

Belgede Bilge TOPALOĞLU (sayfa 32-0)

2. Kuramsal Çerçeve

2.7. İnternet Bağımlılığının Altında Yatan Nedenler

O complexo, construído entre 123 e 128 d. C., representava na origem um “Egipto jardim” com um cenário original, mas em suma convencional, não fazendo senão perpetuar a tradição romana da ars topiaria (jardins romanos). Era composto sobretudo de um Canopus, longo tanque evocando o canal canópico do Nilo, terminado por uma gruta-triclinium (consagrada primeiro a espectáculos ou mesmo a festividades tais como se praticavam nas margens do Canopus) formando um ninfeu de dimensões colossais, com uma sala de banquete traçada em hemiciclo e coberta por uma semi- cúpula (ver figs. 51 e 61). Por sua vez, a ornamentação do parque foi concebida na origem para abrigar algum superficial reflexo dos prazeres exóticos de Cânopo. Posteriormente, todo o conjunto foi transformado num templo de carácter serapeico por Adriano, onde se devia comemorar a ressurreição ritual de Antínoo, favorito do imperador que morreu afogado nas águas do Nilo. Esta transformação foi certamente concluída para o regresso a Roma do imperador em 134 d. C. (foi na sua viagem ao Egipto em 130/131 que se deu a morte do seu favorito), uma transformação que abrangeu, senão a estrutura do edifício, seguramente sua decoração560.

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Para R. Mar e J. Ruiz de Arbulo, «los santuários de cultos egípcios sin llegar a relaciones de dependência orgânica, se hallaban interrelacionados no solo por motivos de devoción común, sino también por evidentes intereses económicos. En esse contexto las conexiones, en términos de patronazgo, establecidas a través de la comunidade de culto, aportan un trasfondo social que explica perfectamente la presencia de un horreum de estas dimensiones» (Mar, 2001, p. 327).

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J.-Cl. Grenier561, após uma análise completa da sua decoração estatuária (segunda decoração do “Serapeu de Cânopo” aquando da sua transformação, muito provavelmente realizada com o auxílio de um sacerdote egípcio erudito, como era comum na época, para a concepção geral bem como em todos os detalhes562), acrescenta a hipótese de o antigo “Egipto de jardim” ter sido substituído na realidade por um “Egipto de viagem”, ilustrando o essencial do que tinha marcado Adriano durante a sua estadia no país do Nilo em 130/131, bem como as evocações sucessivas, no dito

Canopus, da odisseia de Ulisses e do imperador percorrendo o Império. A estrutura arquitectural do Serapeu, segundo uma lógica “geográfica”, representaria portanto, não uma réplica do Serapeum da cidade de Canopus – ao que parece, este santuário egípcio era um templo clássico de ordem dórica, e não uma construção em hemiciclo –, mas uma carta monumental do Egipto563 evocando com realismo o país inundado sob a enchente do Nilo, sendo o grande tanque, não uma evocação do canal canópico, mas o

mare nostrum, isto é, um troço do Mediterrâneo.

A estrutura arquitectural do monumento, com uma orientação Sul-Norte, apresentava portanto em primeiro lugar uma vasta exedra coberta de uma semi-cúpula (a abóbada era na origem recoberta de mosaicos de pasta de vidro564) e decorado de quatro Antínoo Osíris de pedra vermelha (cor do Baixo Egipto), colocados em nichos abobadados, em alternância com nichos-fontes (rectangulares com decoração de embrechados565). Esta construção em hemiciclo reproduzia na realidade o aspecto do Delta, percorrida por dois canais semi-circulares, cujas quatro extremidades representavam as quatro grandes bocas do Nilo (Canópica, Bolbítica, Sebenítica e Pelusíaca), encerrando um pequeno tanque central que evocava as vastas zonas litorais pantanosas do Delta e talvez até, mais precisamente, a do lago Borollos; estreitas

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Grenier, 1989, pp. 925-1019.

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O aspecto invulgar e profundamente “indìgena” deste Serápis regressando à categoria de Osìris-Ápis, a cerimónia do seu despertar solar e do rito que o acompanhavam, a assembleia das divindades reunidas em redor do deus, são outros tantos elementos plenamente estrangeiros às formas isíacas ou alexandrinas dos cultos egípcios praticados fora do Egipto (Grenier, 1989, p. 978).

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Este “Egipto” encontra-se em plena concordância com a passagem bem conhecida da «Vida de Adriano» na História Augusta, indicando províncias e sítios famosos que tinham dado seu nome a monumentos da Villa (Grenier, 1989, pp. 927, 975).

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Lavagne, 2002, p. 82.

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banquetas emergidas (leitos de triclinium566) separavam esses canais e tanque semi- circulares entre si.

A exedra era em seguida prolongada no seu eixo por um longo e estreito corredor a céu aberto, evocando por sua vez o longo e estreito vale do Nilo, que possuía uma “ponte” inteiramente coberta por uma abóbada que lhe era particular. O tabuleiro da “ponte” apresentava uma “encenação” de uma cerimónia ritual representando o despertar pelos oficiantes (sacerdotisa stolistes, sacerdotisa “música” e “portador de oferendas”) do deus-sol Osíris-Ápis (bifrons humano e taurino emergindo de sua flor de

lotus567), despertar testemunhado por outros deuses colocados por sua vez em nichos acomodados de cada lado do corredor. Esses últimos estavam representados por duas estátuas de Osirantínoo nos nichos centrais, estando nas extremidades as efígies de Ptah e Nefertoum de Mênfis dum lado (par divino ligado a Ápis e formando assim uma tríade menfita), Ísis e Hórus de Cânopo do outro (par divino ligado a Osíris e formando assim uma tríade canópica), explicitando assim a dupla natureza e origem de Serápis. Acima e a jusante da “ponte”, situavam-se outros nichos decorados de quatro Antínoo Osíris de pedra branca (cor do Alto Egipto), terminando-se o corredor com uma parede que o separava de uma cisterna. Aqui encontrava-se um nicho-fonte revestido de embrechados (pietra pomice), decorado de um busto colossal de Ísis-Sothis-Deméter, e evocando a gruta-nascente da primeira Catarata do Egipto donde saía a enchente do Nilo568 (uma verdadeira cascata de forte caudal e alta de mais de quatro metros devia verter-se no corredor569).

Este conjunto exedra-corredor abria para um pórtico a quatro colunas flanqueado de dois pavilhões avançados e simétricos, enquadrando na perfeição o corpo central do

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Lavagne, 2002, p. 82.

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Tema iconográfico do “deus sobre a flor” muitas vezes atestado na religião egìpcia para evocar o nascimento, o despertar do Sol no Loto primordial. A religião alexandrina retomou-o mostrando o busto de Serápis (entre outros) emergindo de um cálice de acanto. Esta iconografia solar ilustrava o poder do renascimento do deus na qualidade de detentor da energia cíclica que tinha recebido tanto de Osíris como de Ápis. O regresso quotidiano do astro do dia é o garante da vida e o símbolo da permanência da ordem cósmica. Ele ilustra a vitória sobre a noite, a morte e o caos (Grenier, 1989, pp. 940-941, 977).

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Para os antigos Egìpcios, era do Noun, oceano primordial e imenso reservatório das “águas de baixo” (mares, rios, inundações, poços) e das “águas de cima” (chuva), que provinham as águas sagradas do Nilo (Bohrmann, 1992, pp. 176-179).

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A cisterna que devia alimentar o grande nicho-fonte foi deixada inacabada e nunca recebeu água. A morte de Adriano, em 138 d. C., interrompeu as obras e o “Egipto” nunca teve oportunidade de ter sido inundado sob a enchente do Nilo. À sua morte, colocou-se no sítio o busto de Ísis-Sothis-Deméter no nicho que foi encerrado por um simples tabique (Grenier, 1989, pp. 976-977).

edifício e decorados muito provavelmente nos seus ângulos interiores por dois Osirantínoo telamones colossais em granito vermelho (servindo também de suporte ao telhado). De um lado e do outro do edifício estavam ainda dispostas diversas peças cegas, abrindo unicamente no espaço transversal separando o pórtico da exedra. Relativamente aos pavilhões, cada um comportava um grande nicho semi-circular acomodado segundo um eixo transversal (perpendicular ao eixo geral do Serapeu) e dedicados respectivamente a Ísis (o da direita) e a Harpócrates (o da esquerda), constituindo assim a tríade alexandrina com Serápis cuja parte do santuário lhe foi consagrada (outras “Ísis” mais pequenas, tal como uma Cleópatra-Ísis suicidando-se, bem como estátuas de “Osíris de Cânopo”, podiam também decorar o pavilhão da direita). Mas também, segundo a lógica “geográfica” e estando de um lado e do outro da exedra (o Delta), os pavilhões evocavam igualmente a cidade de Pelúsio (o da esquerda; a Oriente do Delta) e a cidade de Alexandria (o da direita; a Ocidente do Delta), conotando-se com as divindades que eram aí consagradas.

Existiam igualmente no “Serapeu de Cânopo” de Adriano outras estátuas egipcizantes que seriam entre uma vintena, muitas com função puramente decorativa, como babuínos, crocodilos, ou até esfinges que enquadravam talvez portas colocadas aos pares ou em formando dromo.

Por fim, frente ao pórtico, situava-se um tanque rectangular, seguido de outro de grandes dimensões, ocupando todo o valezinho do “Canopus” (no eixo do Serapeu) e representando o mare nostrum. Tínhamos na sua decoração estatuária a evocação de Atenas na “margem ocidental” (com as cariátides do Erecteu), de Éfeso na “riba oriental” (com as duas Amazonas de Policleto e de Fídias que decoravam o templo de Ártemis), bem como a presença da monstruosa Cila devorando os marinheiros de Ulisses (representada duas vezes sobre “ilhas”).

O acomodamento hidráulico deste Serapeu tinha portanto como objectivo substituir-se ao Nilo. Todavia, a evocação do grande rio sagrado não está aqui limitada a um elemento que ficava noutros sítios arquitecturalmente anexo. A água ocupava aqui toda a arquitectura e é unicamente em função dela que o edifício inteiro foi concebido, como se este Serapeu fosse o próprio “Nilo”, mais exactamente um “Nilo” em enchente se se considera a vontade deliberada de inundar sob as águas toda a parte significativa do edifício, da mesma maneira que o rio inundava toda a parte viva e fértil do Egipto.

Relativamente agora à forma peculiar do Serapeu de Adriano, temos de notar que o Serapeum de Mênfis570, cidade igualmente visitada pelo imperador aquando da sua viagem no Egipto571, tinha igualmente uma construção em hemiciclo.

Santuário mais antigo que o de Alexandria, o Serapeu de Mênfis possuía uma exedra (dionisíaca) povoada de onze grandes estátuas-retratos, cinco poetas e cinco filósofos (escolhidos por Ptolemeu I) em volta de um belo Homero em glória572, à entrada mesma do Serapeu573.

De igual composição era também a base curva do Stibadeion de Tasos, que data aproximadamente de um mesmo período – princípios do século III a. C. O monumento apresentava de facto, no fundo do naos, um soco curvo onde tinham assento uma figura de Dioniso rodeado por personificações de uma série de géneros literários.

Além da construção em hemiciclo, o Serapeu menfita possuía igualmente dois pequenos templos situados nas margens de uma ala de esfinges (conduzindo do santuário de Nectanebo para a entrada da necrópole propriamente dita do Serapeu), dedicados respectivamente a Ápis e a Dioniso.

Adequando-se perfeitamente ao raciocínio de J.-C. Grenier sobre a origem de Serápis (entidade resultante da fusão de Osíris de Cânopo com o Ápis de Mênfis), podemo-nos perguntar se de facto a construção em hemiciclo no “Egipto” da Villa de Adriano não seria na realidade uma réplica da exedra do Serapeu de Mênfis, berço do deus Ápis, observado in situ por Adriano durante a sua viagem ou, eventualmente, já referido por um desses sacerdotes egípcios eruditos chamados pelos imperadores em intervir sobre obras egipcizantes574. O acomodamento hidráulico representando o Nilo em enchente relacionar-se-ia por sua vez com o Osíris de Cânopo.

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Picard, 1951, pp. 71-81.

571

Para mais detalhes sobre a viagem de Adriano no Egipto, ver Golvin, 2002, pp. 40-45.

572

A existência da assembleia dos poetas e filósofos, desejado por Ptolemeu I, teve como origem um largo movimento de curiosidade literária e de veneração do pensamento grego, ao qual se ligou depois a actividade da Biblioteca de Alexandria, “Viveiro das Musas” (Picard, 1951, p. 77).

573

Desde o tempo da Academia, a meditação filosófica tinha-se instalado de bom grado perto das necrópoles, o que explica o lugar do hemiciclo de Mênfis na entrada do Serapeu (Picard, 1951, p. 77).

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III) 4) b) iv) O Iseu de Baelo Claudia (Bolonia,

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