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4. BEYOĞLU’NUN GÜNCEL KAMUSAL MEKÂN VE KAMUSALLAŞTIRMA KAVRAMLARI ÇERÇEVESİNDE DEĞERLENDİRİLMESİ

4.5 Çalışmanın Değerlendirilmes

4.5.2 İnformel kamusal mekânlar

Analisou-se um pouco da situação política de Judá. A partir daqui, será analisada a economia, principalmente o problema da terra no século V a.C., visto que as situações descritas por Jó, no cap.24,1-12, ocorrem no campo. Para tanto, é necessário que se conheça o modo de produção vigente, e as mudanças que estavam acontecendo na agricultura e no comércio.

Os persas criaram uma estrutura própria para manter a unidade do império, com um complexo rodoviário bem desenvolvido, que permitia o escoamento das tropas imperiais, o trânsito de mensageiros, bem como os inspetores do imperador, facilitando o sistema de comunicação. A estrada real que ligava Sardes e Susa, atravessava a região da Frígia, passava por Hális, perto de Ptéria, seguindo em direção ao sul até Samósata no Eufrates, passando pelo Tigre e seguia paralela ao rio até Susiana; possuía 2.400 quilômetros esta estrada real.

O exército era formado pela guarda real composta por dois mil infantes e dois mil cavaleiros, todos nobres, e pelos dez mil “imortais”, que iam para as batalhas. Mas, o grosso do exército era fornecido pelas Satrapias. Os altos cargos oficiais eram reservados aos persas.

Até mesmo a imagem de “tolerância” com os povos dominados, foi uma ótima estratégia. Ciro restaurou o culto ao deus sol, que havia sido substituído nos últimos tempos desse reino pelo culto à lua. Cambises foi aclamado como libertador por sacerdotes ao invadir o Egito, por restaurar o culto a antigas divindades que haviam sido substituídas por outras pelos governantes anteriores. É nesse contexto que se deve entender o edito de Ciro que ordenou a reconstrução do Templo de Jerusalém (Esd 6,3-5).

46 KIPPENBERG, Hans G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo, Edições Paulinas, 1988, p.42.

Mas ,por trás dessa aparente bondade, respeito e até incentivo à restauração e manutenção dos cultos locais, está uma eficiente política de dominação. Através da ocupação das zonas rurais, do desenvolvimento comercial, da militarização, da codificação das leis nativas e da manutenção dos cultos dos povos subjugados, exerciam o poder com austeridade. Donner os define como “déspotas diante dos quais todo o mundo - desde o sátrapa até o carregador mais simples - era tido como escravo47.

No quinto século, o modo de produção é tributarista. O império persa explorava os povos dominados mediante a aplicação do tributo. É a partir dele que será estruturada toda a economia, principalmente porque o pagamento do imposto deveria ser efetuado em moeda. Dario I introduz a cunhagem de três tipos de moedas de prata, para se distinguirem das outras moedas. Foi uma estratégica econômica, que facilitou o desenvolvimento do comércio e o recebimento de tributos, mas com o passar do tempo a moeda se torna escassa, gerando a sua supervalorização, isto é, a moeda passa a valer mais que a mercadoria. Há outro problema também, era necessário vender as mercadorias para pagar o tributo, daí a desvalorização da mercadoria, pois se vendia uma quantidade maior pela mesma quantidade de moedas. Este fato produziu alterações na economia agrícola de Judá, e conseqüentemente, acirrou a disputa pela terra. Outro fator que teve muita influência nas relações econômicas foi o despontar do escravagismo como modo de produção, trazido pelos gregos. Neste modo de produção, o indivíduo escravo faz parte dos meios de produção. O escravagismo inicia quando o trabalhador se endivida. A perda da terra é o primeiro passo rumo a este sistema. Depois da perda da terra, só resta ao trabalhador a venda de seu próprio corpo. O produto do trabalho escravo tem de circular nos meios mercantis, isto implica no crescimento da demanda que força o aumento da produção, tornando a força de trabalho objeto de intercâmbio mercantil.

Diante da necessidade de se obter prata para o pagamento do tributo que havia sido fixado pelos persas e sabendo que Judá não possuía minas nem de ouro,

47 DONNER, Herbert, História de Israel e dos povos vizinhos – Da época da divisão do reino até Alexandre Magno, São Leopoldo, Petrópolis, Sinodal/Vozes, vol.2, 2000, p.446.

nem de prata, não se pode mais pensar numa agricultura familiar, ou à base da troca de mercadorias. A produção estava voltada para o comércio, deveria se produzir um excedente, afim de vendê-lo para a obtenção de moeda. Outro agravante, era que os agricultores teriam que produzir os produtos mais aceitos no mercado. Isto significa se dedicar a atividades agrícolas que geravam lucros, em detrimento de produtos voltados para o consumo da família.

A província de Judá situava-se quase que totalmente na região montanhosa.48 Do lado nordeste, nas planícies do Jordão, havia um pequeno espaço onde cultivava- se o campo com o auxílio da irrigação, nas montanhas era preciso contar com a água das chuvas. As desvantagens desse tipo de relevo é que além de obter rendimentos maiores com o cultivo na planície, as encostas das montanhas eram muito íngremes, o que impossibilitava o cultivo em determinadas áreas. A qualidade da terra também, é outro fator importante, pois na planície a terra é rica em ferro e adequada ao plantio de cereais, já a terra calcária das regiões mais altas, são mais propícias para o desenvolvimento de plantas de raízes profundas, como a oliveira, a videira e a figueira. Era favorável também para a criação de gado.

No mercado comercializava-se cevada, derivados da oliveira, vinho e gado. Não havia uma grande produção de cevada em Judá, portanto a produção dos derivados da oliveira e o vinho deveriam compensar a falta desse produto. Existem elementos arqueológicos que indicam uma produção muito grande de óleo de oliva e vinho49. O grande problema de concentrar a produção em culturas perenes como a oliveira e a videira, é que estas exigiam grandes investimentos. As oliveiras, por exemplo, só dão lucro dez anos depois de terem sido plantadas. Além disso emprega pouca mão-de-obra. Ao agricultor pobre era muito difícil se dedicar ao plant io da oliveira. Os investimentos em aparelhagem para a industrialização e beneficiamento da oliva e da uva só eram possíveis para os mais ricos.

48 KIPPENBERG, Hans G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo, Edições Paulinas, 1988, p.42.

49 CARTER, Charles, The Emergence of Yehud in the Persian Period. A Social and Demographic Study, Sheffield Academic Press, 1999, p.216.

Portanto, era realmente difícil produzir excedentes, a terra torna-se mais disponível para a especulação e o investimento da classe rica dominante, estes passam a investir na produção agrícola para vendê-la no mercado.

O valor crescente do escravo no mercado grego também despertou o interesse na disputa de terras em Judá. O preço passou de 60 siclos de prata.50 Segundo o

próprio Neemias (Ne 5,7-8), para os nobres e governantes era interessante manter um sistema que levasse os mais pobres ao endividamento. Além de tomar suas terras, ainda havia a possibilidade de vendê-los como escravos no Mar Mediterrâneo. Em Joel 4,6-7 também há uma denúncia desse comércio.