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Çağdaş Kentte Kamusal Mekân

3. GÜNÜMÜZ KENT DOKUSUNDA KAMUSAL MEKÂN

3.1 Çağdaş Kentte Kamusal Mekân

O livro de Malaquias apresenta, através de seus oráculos, uma preocupação com a vida social associada à vida cúltica. Sua mensagem, norteada pela prática cúltica, reflete as condições limitadas da sociedade no território de Judá no período da dominação persa. Registra os conflitos e posiciona-se numa projeção que transformaria a realidade da comunidade de Judá e de Jerusalém.

O tratamento do tema da justiça, no livro de Malaquias, apresenta-se na mesma direção dos profetas anteriores ao exílio, mas insere inovações considerando a nova perspectiva social.

A estruturação do livro na forma de demandas judiciais sugere a apresentação de uma causa em busca de justiça. Não apenas a forma, mas o conteúdo apresenta o anseio por justiça na comunidade pós-exílica (2,10-16; 2,17-3,5 e 3,13-21). São

apresentados vários níveis de injustiças no livro e, sobre todas, Javé se posiciona ao lado do menos proeminente, do mais fraco.

A consideração da justiça no livro de Malaquias deve partir da compreensão do papel externo da dominação persa frente ao sistema judicial em Judá, da compreensão da estrutura da sociedade judaíta, das leis que se sedimentaram no seio da comunidade de Judá (e seus confrontos) e dos sistemas de opressão estabelecidos pela quebra das leis e da legitimação das injustiças.

A análise dos dados promoverá a reflexão para averiguar se Malaquias era um mensageiro comprometido com a justiça dos menos favorecidos, ou se estava inserido numa luta pelo poder no templo, em defesa de um grupo.

Para tanto, este capítulo pretende refletir sobre a sociedade em Judá após o exílio na sua relação com a Pérsia, considerando a estrutura social e seus conflitos, bem como, os temas da opressão e sua relação com a quebra ods códigos legais da aliança deuteronômica visando a justiça como uma realidade possível para a vida do povo.

3.1. A dominação persa frente ao sistema judicial em Judá: regimentos e interferências

O domínio persa se estabeleceu com um modelo administrativo e político diferenciado dos impérios anteriores. Ciro (559-530 a.C.) fez fama como um conquistador com qualidades avançadas para o seu tempo e seus sucessores perseguiram esse ideal político. Sobre valores mais tolerantes estabeleceu um domínio mais político-militar do que sócio-cultural-religioso. A base do império persa não estava “na indústria, mas no poder”183. O império se sustentou por longos anos por causa de sua organização e força.

A organização persa se estabelecia nas diversas províncias (satrapias) através de um governador de confiança (ou um governante vassalo) que agiria pelos interesses do rei e um comandante militar autônomo destacado para a segurança. A província teria um secretário nomeado como um ajudante-inspetor e ainda poderia a

183 DURANT, Will, A História da Civilização: nossa herança oriental, Vol. 1, Rio de Janeiro: Record,

qualquer momento indicar um grupo que serviria como fiscais do império (olhos e ouvidos do rei).184

Especialmente, após Dario I, o império persa dominou os diversos territórios pela administração e taxação, sendo eficientes e, se necessário, cruéis para a manutenção do poder nas regiões sob seu controle.

Os persas tinham a administração da justiça como alvo social e também religioso. Ao firmar editos e veredictos, o rei persa, supunha-se inspirado pelo Deus Supremo (Ahura Mazda) e, por isso, a lei representava a vontade divina, bem como, as violações ir contra a vontade divina. 185

A lei suprema era a vontade soberana (com forte dimensão religiosa). O orgulho da Pérsia consistia em afirmar que as suas leis não mudavam. Uma promessa ou um decreto do rei era irrevogável. O rei era a instância mais alta (supremo tribunal), mas este normalmente delegava tal função a um de seus nobres.

O sistema de justiça era bastante elaborado. O rei (ou seu comissionado) era a instância mais alta, sendo seguida pela “Alta Corte da Justiça”186 formada por sete membros e depois as cortes locais espalhadas por todo o império.187 Contudo o poder do rei era supremo.

Cada região mantinha suas leis, seus costumes, sua moral e sua religião. As leis eram formuladas pelos sacerdotes que também funcionavam como juízes.188 O império persa funcionava com a combinação da autoridade central e da iniciativa provincial sendo reservados alguns direitos às administrações locais189. Os sacerdotes locais tinham reservado para si o poder da lei religiosa de seu povo. Entretanto, as decisões político-econômico-administrativas foram completamente retiradas dos templos.190

Os tribunais, pelas implicações religiosas e éticas dos persas, deveriam ser redutos que garantiriam a justiça na vida dos povos inseridos no império. No período de Cambises houve um incidente que provocou a moralização da justiça pela pena capital a um juiz corrupto.

184 JAGUARIBE, Hélio, Um Estudo Crítico da História, Vol.2, São Paulo: Paz e Terra, 2001, p.260. 185 DURANT, Will, A História da Civilização: nossa herança oriental, p. 243.

186 Esta instância aconselhava o monarca em questões legais. Confira JAGUARIBE, Hélio, Um

Estudo Crítico da História, p.259.

187 DURANT, Will, A História da Civilização: nossa herança oriental, p. 243. 188 Idem, p.243.

189 JAGUARIBE, Hélio, Um Estudo Crítico da História, p.260.

190 GORGULHO, Gilberto e ANDERSON, Ana Flora, “Identidade e Esperança do povo de Deus”, em

Os persas tomaram outro cuidado para a administração da justiça entre o povo191. Com o passar dos anos e na medida em que “as leis persas foram adquirindo complexidade, uma classe de homens, denominados ‘relatores da lei’, formou-se para explicá-las aos litigantes e ajudá-los na condução de suas causas”192.

O sistema judiciário dos persas usava uma processualística regular. Aplicava como punição para delitos menores as chibatadas (de cinco a duzentas) ou até mesmo o uso de fiança. As chibatadas poderiam ser comutadas (cada chibatada por uma quantia de multa). A administração da do sistema legal era parcialmente financiada pela comutação das chibatadas por multas.193

Os crimes mais sérios eram punidos com maior rigor. As punições para os mais graves crimes podiam variar, pela gravidade do delito nas seguintes penas: marca de fogo, aleijamento, mutilação, cegueira, prisão e morte. A letra da lei proibia que se condenasse um homem à morte por crime comum, mas um governo que se impôs pela força não hesitou em fazê-lo.194

As penas de morte eram cabidas em casos de traição, estupro, sodomia, onanismo, cremação ou enterro dos mortos, intrusão na intimidade do rei, aproximação de suas concubinas, assentamento acidental no trono ou qualquer ato que desagradasse à casa reinante.195

A aplicação da pena de morte fazia-se por meio de veneno, da empalação, da crucificação, do enforcamento, do apedrejamento, do enterro do corpo até o pescoço, do esmagamento entre duas pedras, do assentamento em brasas ou pelo método de tortura do bote. Muitas outras formas de pena capital foram utilizadas pelos monarcas persas no exercício do poder para a intimidação e manutenção do poder.

A administração da justiça no território de Judá parece ter seguido as normas persas de preservação das leis locais. Neste período parece que o código legal mais desenvolvido, o deuteronômio, continuou orientando a prática da justiça na comunidade de Judá e Jerusalém. Pelo sistema social vigente a administração da

191 Heródoto informa que: “os magistrados reais são homens escolhidos entre todos os persas. Seu

cargo é vitalício, a menos que cometam uma injustiça que os torne indignos dele. São eles que interpretam a lei e julgam os processos, convergindo toda as questões para seu tribunal”. Confira HERÓDOTO, História: o relato clássico da guerra entre Gregos e Persas, São Paulo: Ediouro, 2ª. Edição reformada, 2000, p. 337.

192 DURANT, Will, A História da Civilização: nossa herança oriental, p. 243. 193 Idem p. 243

194 DURANT, Will, A História da Civilização: nossa herança oriental, p.243. 195 Idem p. 243.

justiça deveria ser realizada pelos anciãos (chefes de família) e pelos sacerdotes sob a supervisão do governador da província transeufratiana (quinta satrapia).

As autoridades persas, nas mais diversas províncias, preocupavam-se mais com os interesses do reino (o recolhimento dos tributos que deveria cobrir a estrutura das satrapias e o valor fixo da tributação ao monarca dominante), e também se mantinha respeitosamente diante das leis locais, desde que estas não levassem os povos submissos à rebelião ou a contrariedade dos projetos do império.

Portanto, a justiça reclamada no livro de Malaquias está ligada ao sistema judiciário da comunidade judaíta. As reclamações e frustrações estavam mais focalizadas para as opressões internas promovidas pela própria estrutura social do que pela justiça dos dominadores. A queixa se direcionava aos juízes do povo e aos sacerdotes que não estavam aplicando a lei da aliança corretamente.

Em Jerusalém, com o restabelecimento do templo, os sacerdotes deveriam ensinar e aplicar as leis da aliança para uma vida mais justa e igualitária. As leis da aliança que, relidas (deuteronômio), normatizavam o novo momento de vida em Judá. Estas estavam sendo ignoradas e negociadas. O povo que aguardava uma sociedade mais justa se viu diante de um sistema preparado para beneficiar os grupos mais poderosos, e os sacerdotes cediam a administração da justiça pelos benefícios recebidos no templo (Esd 2,68; Ne 7,70).196

A vida carregada de injustiças em Judá estava sendo motivada pelos interesses internos da comunidade. Os vários grupos e as transformações sociais geravam uma luta interna pelo poder, pelo bem estar e pelo crescimento de cada família. A justiça estava sendo preterida pelo poder econômico. Os sacerdotes estavam cedendo e, coniventes, não faziam valer as leis da aliança. Por isso, Malaquias é tão enfático na condenação dos sacerdotes (1,6-2,9).

O entendimento da vivência em injustiça aponta para o reconhecimento do fator motivador: A estrutura social em transformação: o sistema de parentesco. Para isso, torna-se importante compreender a formação da sociedade em Judá, nos dias de Malaquias, discernindo os conflitos existentes para entender a crise de justiça reclamada pelos judaítas e, especialmente, aqueles que haviam retornado do exílio na Babilônia.

196 KIPPENBERG, Hans G., Religião e Formação de Classe na Antiga Judéia: estudo sociorreligioso

3.2. A estrutura social em Judá: uma realidade confrontadora e opressiva

O território de Judá sob a política da Babilônia estruturou-se no interior do país. Suas atividades foram voltadas para a agricultura sem interesses urbanos. Esta postura refletia a política de dominação dos babilônios preocupados mais com a inibição das revoltas no Egito e das possíveis coalizões na região do que propriamente com a prosperidade da região. Por causa desta política, o território de Judá permaneceu habitado e cultivado, mas desurbanizado e estruturalmente desolado (fato ainda notado nos dias de Neemias – 445 a.C.).

A ascensão de Ciro promoveu uma retomada da urbanização e do desenvolvimento regional através do comércio. Ciro e seus sucessores também apoiaram este território por motivos estratégicos. Sua política, em muito, refletia o desejo de ter um povo aliado perto de um povo tão dado às insurreições: o Egito.

O retorno de alguns judaítas que estavam exilados na Babilônia visava o repovoamento de Jerusalém (e região) e a reconstrução do templo como sinal de apoio religioso e da retomada de uma estrutura social em Judá com os incentivos da Pérsia. Com essa política, a Pérsia, buscava aliados. Se não todo o povo, pelo menos os sacerdotes que veriam os monarcas persas como patronos de seus cultos. Assim, sedimentava um apoio importantíssimo para a contínua dominação.

Desde o período do domínio babilônico, os que permaneceram na terra retomaram a estrutura clânico-familiar como a base da sociedade judaíta que vivia da pecuária e agricultura de uma forma bastante autônoma.

Os que foram exilados para a Babilônia mantiveram-se unidos em regiões rurais (mesmo sendo de origem citadina) conservando as esperanças religiosas e políticas para a cidade de Jerusalém. Seus ideais de uma sociedade justa pelo governo de Javé e de seu ungido mantinham uma sociedade esperançosa baseando suas vidas na produção da terra na Babilônia. No exílio sedimentaram as organizações sociais num formato comum: o sistema familiar. Com ela conservavam as tradições e se estruturavam aguardando o retorno e a vida dirigida pelos valores e líderes escolhidos por Javé.

Assim sendo, a estrutura da sociedade judaíta no pós-exílio permaneceu essencialmente no sistema de parentesco. Entretanto, este sistema favorecia o conflito entre os “habitantes da terra” e os “repatriados da Babilônia”, pois os que retornavam do exílio deveria ter o direito de reassumir as posses que eram originariamente de seus familiares e, estas estavam habitadas e cultivadas.

Este sistema social era reconhecido em todo o Antigo Oriente. Tratava-se de um modelo comum que outorgava o direito de propriedade como hereditário. O parente mais próximo teria o direito de resgatar a terra mesmo que esta tivesse sido vendida a um estrangeiro197.

Assim sendo, os que retornaram do exílio voltaram às localidades de seus antepassados (Esd 1,5; 4,1; 10,9 e Ne 11,4) e ainda com o apoio dos dominadores do território, os persas, conflitando os interesses. Mas muitos que retornaram do exílio preferiram habitar as regiões próximas a Jerusalém (já que a maioria dos exilados era descendente dos habitantes de Jerusalém).

O modelo da organização social, nos dias de Malaquias, era o sistema de parentesco. Provavelmente, com enfrentamentos e desentendimentos quanto a posse e a distribuição da terra entre os “habitantes da terra” e os que retornaram do exílio.

A comunidade pós-exílica caracterizou-se pela organização social subdividida

por famílias

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“casas dos pais”. Estas

compreendiam o pai com a(s) mulher(es), concubinas, filhos casados e filhas solteiras. O pai possuía poder restrito sobre a mulher e irrestrito sobre filhos e escravos.198

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“casas dos pais” eram a unidade básica da organização, da produção e das relações sociais. Esta unidade social se apropriava da terra, do trabalho e da produção, mantendo a posse e a herança.199

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“mishpaha” (clã) é um grupo caracterizado pela

residência comum onde os direitos da terra são transmitidos por herança. Constitui-se em uma ampliação pela união das “casas dos pais”. A

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“mishpaha” confere direitos corporativos de propriedade da terra impondo os limites territoriais. Também exige entre os seus membros uma relação de responsabilidades mútuas. A reciprocidade era praticada em forma de troca de bens e serviços. A reciprocidade também determinava as instituições do direito, da religião e da liderança comunitária.200 Nesta organização,

197 KIPPENBERG, Hans G., Religião e Formação de Classe na Antiga Judéia, p. 31. 198 KIPPENBERG, Hans G., Religião e Formação de Classe na Antiga Judéia, p.22 e 25.

199 GORGULHO, Gilberto e ANDERSON, Ana Flora, Identidade e Esperança do povo de Deus, em

Os Profetas e a luta do povo, s/nº, 1986, p.62.

os anciãos dirigiam a comunidade e faziam justiça. Os órfãos e viúvas desfrutavam da proteção familiar e eram amparados pela solidariedade da família.

O sistema social de parentesco continuava ampliando-se na união das

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“famílias”, “clãs” constituindo as tribos (shebet

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e matteh

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). As tribos se baseiam numa organização de proximidade física e de interesses comuns.201

A estrutura social de parentesco favorecia a inserção de estrangeiros como componentes das

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“casas dos pais” (sendo considerados como filhos adotivos) e ainda a presença de escravos (normalmente admitidos nesta condição pela derrota militar ou por endividamento).

Este sistema de sociedade visava, sobretudo, o bem estar do grupo. As redes de proteção tecidas pelos valores da reciprocidade deveriam levar cada componente a se comprometer solidariamente com outros membros do grupo.

A vida comunitária gerava uma forte dependência do gr upo visando manter as propriedades, os valores, a religião e os vínculos com as tradições de seus ancestrais. Esta estrutura se relaciona diretamente com os valores da redenção

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“a vingança de sangue”, “o levirato”.

Este sistema pressupunha um ideal de igualdade entre os membros da família. No pós-exílio, especialmente para os que retornaram do exílio babilônico, floresciam as esperanças de um novo começo baseado no cumprimento das profecias que apontavam para o ideal de justiça e igualdade. Mas a proeminência das “casas dos pais” do “povo da terra” foi imposta e conduziu a comunidade para uma transformação.

Se impôs na comunidade de Judá uma competição acirrada tendo como alvo a proeminência social e religiosa. Isto alterou as normas sociais do parentesco e fez com que cada família almejasse lugares mais altos baseados na economia, podendo para isso, negar os valores da tradição e o rompimento com as leis da aliança.

No pós-exílio “as casas dos pais” adquiriram importância maior em relação ao clã e a tribo. Emanciparam-se dos domínios tradicionais das ampliações familiares (clãs e tribos) e buscavam caminhos próprios para a notoriedade de sua família e uma melhor colocação social.

O período pós-exílico promoveu uma reestruturação social no sistema de parentesco. Nesta transformação notou-se a diminuição das redes de proteção e de solidariedade entre as famílias (tornando órfãos e viúvas mais vulneráveis). Prevaleceu o privilégio de algumas famílias economicamente mais fortes que aproveitavam o direito da estrutura familiar para adquirir as propriedades dos que estavam endividados (formação de latifúndios patrimoniais). Outro fator de profunda transformação foi a abertura para os casamentos fora das relações da família e, especialmente, com estrangeiros/as.

O crescimento da injustiça, no território de Judá, estava vinculado às transformações sociais. Os endividados, pela tributação persa e pelo enfraquecimento da solidariedade familiar, eram forçados a negociar suas propriedades com um parente economicamente mais forte que se aproveitava da oportunidade para adquirir maiores lucros. Os endividados, na maioria das vezes, só mudavam de credor.

O livro de Neemias relata um leva nte do povo que se manifesta, após longos anos, o empobrecimento gradativo e exploratório a que estavam submetidos (Ne. 5). O referido pronunciamento descreve como a maioria estava sendo penalizada com a exploração do sistema de parentesco. Neemias, como representante do governo persa, retira sua responsabilidade juntamente com a estrutura governamental e transfere a responsabilidade aos líderes do povo.

As famílias economicamente mais fortes influenciavam os sistemas comerciais, judicial e religioso. Os sacerdotes estavam do seu lado, pois ofertavam em nome de suas famílias para o templo e para a manutenção do sacerdócio em dias tão difíceis para os ministradores do templo de Jerusalém. Seu poder financeiro e de pressão poderia reverter demandas judiciais através de testemunhas sob seu poder (quer econômico quer por gratidão).

A justiça reclamada nos dias de Malaquias estava vinculada ao sistema social de Judá. Um ajuste interno nas instituições poderia auxiliar na minimização dessas desigualdades. Entretanto, não será o curso que a história seguirá. Sabe-se que essas transformações sociais foram se sedimentando.

É também evidente, que os persas poderiam intervir para o restabelecimento da justiça em Judá, mas longos anos se passaram com a crescente insatisfação por viver num sistema de tantas injustiças. Só muito posteriormente, Artaxerxes II (404-359/8 a.C.) constituiu Esdras para essa finalidade: intervir no território de Judá

e nele estabelecer uma legislação capaz de trazer maior satisfação aos seus habitantes (Esd 7,25-26).

Os conflitos familiares também se fizeram notados dentro da instituição sagrada do sacerdócio. Desde há muito, havia disputas internas pela proeminência no templo. Nas listas de Esdras e Neemias ficou configurada a proeminência dos Sadocitas e a desconsideração dos levitas na divisão das provisões do templo (Ne13,10), fazendo-os trabalhar nos campos e afastando-os do serviço do templo de Jerusalém.

A disputa familiar no templo foi também assumida pelo profeta e, nesta, prefere o grupo menos proeminente de seu tempo. Sua mensagem aponta um grupo enfraquecido pela opressão como portador das respostas para o restabelecimento da justiça nas relações cotidianas do povo.

O livro de Malaquias anseia pela justiça na vida do povo. Sua mensagem é confrontadora das realidades sociais que fomentam os sistemas de injustiças. Reconhece que os problemas são mais de ordem interna do que externa. Reconhece que o templo tem um papel fundamental no estabelecimento da justiça e que os sacerdotes não devem estar comprometidos com outros valores a não ser os da lei da aliança. Também anuncia que a Justiça de Javé será implantada sobre o seu povo, mas faria a separação entre justos e injustos para que o reinado da justiça se estabelecesse de forma ple na.

Malaquias desejava uma sociedade justa. Sua mensagem condenava as ações