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2.3. BAĞIMSIZ DENETİM KANITLARI

2.3.8. İlişkili Taraflar

Com o objetivo de aquecer o mercado de capitais e conferir aos acionistas das companhias abertas alguns direitos que a própria lei não lhes garante, a BOVESPA expediu Resoluções que acabariam por criar uma importante inovação no cenário do mercado de capitais brasileiro. As Resoluções n. 264/2000 e 265/2000 instituíram, respectivamente, o Regulamento de Listagem do Novo Mercado e o Regulamento de Práticas Diferenciadas de Governança Corporativa.

113 As ofertas públicas de ações podem ser divididas em três grupos: primárias, secundárias e mistas. Nas ofertas primárias, a companhia emite novas ações, que são oferecidas ao público geral. Nas secundárias, são levadas à bolsa as ações já detidas por acionistas da empresa. Já nas ofertas mistas, são distribuídas tanto ações

Os denominados “Novo Mercado” e “Níveis Diferenciados de Governança Corporativa” foram implantados pela BOVESPA, portanto, com a finalidade de criar um maior grau de compromisso assumido pelas companhias em relação às práticas de boa governança. Pela ordem decrescente de compromisso, são eles: Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1114.

A adesão das companhias ao Nível 1, ao Nível 2 ou ao Novo Mercado é

formalizada por meio de um contrato, assinado pela BOVESPA, pela companhia, seus

administradores, conselheiros fiscais e controladores. Ao assinarem o contrato, as partes acordam em observar o Regulamento do segmento específico, que consolida os requisitos que devem ser atendidos pelas companhias listadas naquele segmento, além de, no caso das companhias do Novo Mercado e do Nível 2, adotar a arbitragem para solução de eventuais conflitos societários.

Na hipótese de a companhia descumprir qualquer compromisso assumido perante a BOVESPA relacionado ao nível de governança corporativa no qual está listada, o

descumprimento pode ensejar desde a imposição de multa pecuniária pela BOVESPA, até o

descredenciamento da companhia, com a conseqüente obrigação de que seja realizada oferta pública de compra da totalidade das suas ações em circulação. A aplicação pela BOVESPA da devida penalidade à companhia inadimplente não prejudica ou afasta, todavia, o direito de os investidores lesados pleitearem judicialmente as perdas e danos cabíveis em face da companhia.

114 Vale a pena aqui fazer referência ao “Bovespa Mais” e transcrever trecho constante do informativo “IPO – Oportunidades e fatores de sucesso” da BDO Trevisan: “Para atender o segmento das médias e pequenas empresas em fase de crescimento e ampliação de liquidez e que ainda não estão prontas para cumprir as rígidas exigências do mercado de capitais, foi criado o Bovespa Mais, um mercado alternativo que possibilita às companhias listadas obterem o reconhecimento e despertarem o interesse dos investidores. O Bovespa Mais é um segmento do mercado de balcão organizado e administrado pela BOVESPA, no qual podem ser listadas apenas companhias abertas com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este segmento tem como objetivo acolher as empresas que sejam particularmente atrativas aos investidores que buscam aplicações de médio e longo prazo e cuja preocupação com o retorno potencial sobrepõe-se à necessidade de liquidez imediata” (Disponível em http://www.bdotrevisan.com.br).

Em razão da natureza e efeitos dos compromissos assumidos pelas companhias que são admitidas em um dos níveis diferenciados de governança corporativa da BOVESPA, as ações por ela emitidas passam a ter um maior potencial de valorização em

relação às demais companhias cujos papéis são negociados na BOVESPA, em vista do que

poderão oferecer ao investidor em termos de transparência e, em última análise, segurança. É o que se demonstra nos itens a seguir.

Nesse mesmo sentido são as considerações de EDUARDO ALFRED TALEB

BOULOS e FERNANDO SZTERLING:

Os valores mobiliários emitidos por companhias do Novo Mercado ou aderentes aos níveis de governança corporativa certamente serão mais atraentes aos investidores, de modo a trazer benefícios aos seus emissores, consistentes em um maior valor de mercado da companhia, associado a um menor custo de captação de recursos, além de maior liquidez aos papéis. Aliás, são essas expectativas que têm sido o maior estímulo à adesão aos regulamentos115.

2.4.2.1. Novo Mercado

A BOVESPA assim define o Novo Mercado:

O Novo Mercado é um segmento de listagem destinado à negociação de ações emitidas por empresas que se comprometem, voluntariamente, com a adoção de práticas de governança corporativa e disclosure adicionais em relação ao que é exigido pela legislação.

115 Eduardo Alfred Taleb Boulos e Fernando Szterling, O Novo Mercado e as Práticas Diferenciadas de Governança Corporativa: exame da legalidade frente aos poderes das bolsas de valores, Revista de Direito

A valorização e a liquidez das ações são influenciadas positivamente pelo grau de segurança oferecido pelos direitos concedidos aos acionistas e pela qualidade das informações prestadas pelas companhias. Essa é a premissa básica do Novo Mercado116.

O Novo Mercado foi instituído com a finalidade de fortalecer e desenvolver o mercado de capitais brasileiro, impondo padrões mais elevados de governança corporativa às companhias nele listadas voluntariamente e, assim, atendendo aos anseios dos investidores mais exigentes e estrangeiros.

Ao entrar no Novo Mercado117 a companhia assume perante o mercado que

adotará, voluntariamente, regras societárias mais rígidas que as exigidas por lei, as quais se encontram consolidadas no “Regulamento de Listagem do Novo Mercado”. As denominadas boas práticas de governança corporativa ampliam os direitos dos acionistas e oferecem maior segurança jurídica aos investidores quanto aos compromissos assumidos pela companhia, na medida em que determinam que os conflitos societários sejam solucionados por meio de uma Câmara de Arbitragem.

As companhias listadas no Novo Mercado também oferecem maior transparência de informações com relação aos atos praticados pelos administradores e controladores da companhia, o que confere ao investidor maior segurança quanto à aplicação do seu capital. Trata-se, por assim dizer, de uma questão de credibilidade que, no limite, traduz-se em risco: as companhias listadas no Novo Mercado, a princípio, oferecem menor risco ao investidor.

116 As informações a respeito do Novo Mercado encontram-se disponíveis em http://www.bovespa.com.br. 117 Não há restrições à entrada das companhias no Novo Mercado. A rigor, qualquer companhia que cumprir o

Resta claro, portanto, que o ingresso de uma companhia no Novo Mercado reflete nitidamente seu esforço em melhorar a sua relação com os investidores oferecendo- lhes maior segurança, e em elevar o potencial de valorização dos seus ativos.

Diversas são as obrigações assumidas pelas companhias listadas no Novo Mercado, dentre as quais transcrevo as seguintes:

(i) emissão exclusivamente de ações ordinárias, sendo conferido a todos os acionistas o direito a voto;

(ii) extensão para todos os acionistas das mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da companhia;

(iii) conselho de administração com mínimo de 5 (cinco) membros e mandato unificado de até 2 (dois) anos, permitida a reeleição. No mínimo, 20% (vinte por cento) dos membros deverão ser conselheiros independentes;

(iv) realização de ofertas públicas de compra de todas as ações em circulação, no mínimo, pelo valor econômico, nas hipóteses de fechamento do capital ou cancelamento do registro de negociação no Novo Mercado;

(v) divulgação de demonstrações financeiras de acordo com padrões internacionais IFRS (International Financial Reporting Standard) ou US GAAP (Generally

Accepted Accounting Principles in the United States);

(vi) apresentação de um calendário anual, do qual conste a programação dos eventos corporativos, tais como assembléias, divulgação de resultados, etc.;

(vii) divulgação dos termos dos contratos firmados entre a companhia e partes relacionadas;

(viii) divulgação, em bases mensais, das negociações de valores mobiliários e derivativos de emissão da companhia por parte dos acionistas controladores; (ix) manutenção em circulação de uma parcela mínima de ações, representando 25% (vinte e cinco por cento) do capital social da companhia;

(x) quando da realização de distribuições públicas de ações, adoção de mecanismos que favoreçam a dispersão do capital, e

(xi) adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado para resolução de conflitos societários.

Entre todas as obrigações assumidas pelas companhias listadas no Novo Mercado, destaca-se a relacionada no item (i) acima, qual seja a emissão exclusiva de ações ordinárias com direito a voto. O princípio “uma ação – um voto” traduz-se na adoção de uma política de tratamento igualitário aos acionistas, como forma de instauração de um equilíbrio político na companhia, em contraposição à estrutura das companhias abertas reguladas pela LSA. Nessas, onde é permitida a emissão de ações preferenciais – as quais podem sofrer restrição ou supressão do direito de voto –, se verifica nitidamente a diferença de papéis desempenhados por aqueles entendidos como minoritários e os controladores, diferença essa que dificilmente viabilizará alguma forma de equilíbrio na companhia.

Confirmando tal entendimento, CALIXTO SALOMÃO FILHO pondera:

Não é de espantar, portanto, que o perfil típico do minoritário brasileiro seja o do especulador, que entra na sociedade já com a perspectiva e a expectativa da saída. Não apenas ao minoritário não é dado qualquer direito a participar da sociedade, como é forte o estímulo para que saia. Como nenhum mercado de capitais pode se desenvolver à base de especuladores,

não parece haver esperança de salvação para o mercado de capitais brasileiro sem uma profunda revisão de nossa concepção societária.

É o que procuram fazer, por exemplo, ainda que incipientemente, as regras do Novo Mercado da Bovespa. Através da criação de um tipo único de acionista com poder político, permitir a volta da confiança societária ao nosso mercado118.

2.4.2.2. Selos Nível 1 e Nível 2 da BOVESPA

Os Níveis 1 e 2 da BOVESPA foram criados com a finalidade de incentivar as companhias neles listadas a gradativamente se aproximarem do padrão exigido no Novo Mercado.

A premissa básica é a mesma do Novo Mercado, isto é, que a adoção de boas práticas de governança corporativa pelas companhias lhes confere maior credibilidade, atraindo investidores a adquirirem as suas ações e pagarem um melhor preço por elas, reduzindo seu custo de captação.

A adesão das companhias ao Nível 1 ou ao Nível 2 depende do grau de compromisso assumido. As companhias do Nível 1 comprometem-se principalmente em aprimorar o mecanismo de prestação de informações ao mercado e com a dispersão acionária. Deste modo, as principais práticas agrupadas no Nível 1 adicionais à legislação em vigor são:

(i) melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Trimestrais (ITRs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras trimestrais –

entre outras: demonstrações financeiras consolidadas e a demonstração dos fluxos de caixa;

(ii) melhoria nas informações relativas a cada exercício social, adicionando às Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFPs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras anuais – entre outras, a demonstração dos fluxos de caixa;

(iii) melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Anuais (IANs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém informações corporativas – entre outras: a quantidade e características dos valores mobiliários de emissão da companhia detidos pelos grupos de acionistas controladores, membros do conselho de administração, diretores e membros do conselho fiscal, bem como a evolução dessas posições;

(iv) realização de reuniões públicas com analistas e investidores, ao menos uma vez por ano;

(v) apresentação de um calendário anual, do qual conste a programação dos eventos corporativos, tais como assembléias, divulgação de resultados, etc.;

(vi) divulgação dos termos dos contratos firmados entre a companhia e partes relacionadas;

(vii) divulgação, em bases mensais, das negociações de valores mobiliários e derivativos de emissão da companhia por parte dos acionistas controladores; (viii) manutenção em circulação de uma parcela mínima de ações, representando 25% (vinte e cinco por cento) do capital social da companhia, e

(ix) quando da realização de distribuições públicas de ações, adoção de mecanismos que favoreçam a dispersão do capital.

Para que a companhia seja classificada no Nível 2, além das obrigações estabelecidas para as companhias listadas no Nível 1, são atribuídas à companhia e seus controladores novas práticas de governança relativas aos acionistas minoritários, que podem assim ser resumidas:

(i) divulgação de demonstrações financeiras de acordo com padrões internacionais IFRS (International Financial Reporting Standard) ou US GAAP (Generally

Accepted Accounting Principles in the United States);

(ii) conselho de administração com mínimo de 5 (cinco) membros e mandato unificado de até 2 (dois) anos, permitida a reeleição. No mínimo, 20% (vinte por cento) dos membros deverão ser conselheiros independentes;

(iii) direito de voto às ações preferenciais em algumas matérias, tais como, transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia e aprovação de contratos entre a companhia e empresas do mesmo grupo sempre que, por força de disposição legal ou estatutária, sejam deliberados em assembléia geral;

(iv) extensão para todos os acionistas detentores de ações ordinárias das mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da companhia e de, no mínimo, 80% (oitenta por cento) deste valor para os detentores de ações preferenciais;

(v) realização de uma oferta pública de aquisição de todas as ações em circulação, no mínimo, pelo valor econômico, nas hipóteses de fechamento do capital ou cancelamento do registro de negociação neste Nível; e

(vi) adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado para resolução de conflitos societários.