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5.2. Öneriler

5.2.2. İleri Araştırmalar için Öneriler

Ao longo da entrevista o estudante relembra suas experiências e dificuldades vividas para entrar na universidade. Isso fez com que ele retomasse os dilemas desafiadores que tivera que enfrentar, como relata:

Eu trabalhava na ... coisa que não tinha nada a ver, aquela empresa de produto de limpeza. Aquela que funcionava até aqui em BH auxiliar de produção. E assim serviço muito diferente, do que eu faço hoje, do curso e tudo. E então estava naquela coisa um horário de trabalho, um local que era distante de segunda à sábado. Assim insalubre. Quando foi em 2005, logo no final, quer dizer no final de 2004 quando eu tava lá com 11 meses ... eu não dei conta mais não. Então, pedi pra ser mandado embora porque eu não estava dando conta do trabalho, estava tendo problemas respiratórios, assim sabe. Na época eu tinha sinusite, eu tinha mexido com água sanitária. Então assim o negócio para mim estava horrível. (Eduardo).

Assim como outros jovens oriundos de famílias de baixa renda e negra, para Eduardo enfrentar sua realidade sócio-econômica se sujeitou a aceitar qualquer serviço, com a finalidade de contribuir para a sobrevivência familiar e de conquistar sua independência financeira. As questões expostas no depoimento mostrado anteriormente confirmam o processo continuado de ocupação do negro no mercado de trabalho ao longo da história. As empresas e organizações requeriam apenas o emprego da força física, havia uma desconsideração para sua contribuição cognitivo-intelectual. A sua condição de trabalho em relação às condições insalubres no trabalho e o impacto à sua saúde, bem como a integridade física, coincidentemente, o faz comparar com a realidade social e educacional de seus amigos de infância.

Eu tenho um fato que é interessante assim que eu acho que é um pouco importante para mim, por exemplo, porque meus amigos é ...

assim o pessoal que eu cresci todos estão . Alguns formaram e outros estão aí na Universidade. A grande maioria já formou. Assim entre os

26, 27 anos Então assim eu tenho um amigo muito próximo que ele fazia Filosofia inclusive. Então assim, e na Federal. E o relato dele era assim, era muito incentivador. Ele contando dos textos e eu comecei a fazer estudo de psicanálise, por exemplo, em 2003. Três anos antes...

de entrar na PUC por causa da influência dele, que ele vinha falando de

um texto de Freud que ele leu. Eu ficava encantado com aquilo. Quando eu entrei, eu já tinha entendido um pouco, em função das conversas com este meu amigo e as leituras. (risos) Essa coisa de Freud pra entender a linguagem pelo menos já ajudou sabe. (Eduardo).

Quando Eduardo fala de sua realidade no trabalho e em seguida relata ter um fato ‘interessante’ para comentar: sua situação de desigualdade frente aos colegas, percebe-se em sua fala que ele não quer ficar na mesmice (uma identidade já posta, imutável) de sua realidade social. A comparação e o seu encantamento diante das experiências dos amigos relacionadas ao conhecimento, o potencializa e o faz reelaborar seu projeto de vida para entrar em um curso superior. Busca na lembrança a diferença em anos de seu atraso para o ingresso no curso. Mesmo estando em uma situação desfavorecida em relação aos colegas brancos, Eduardo não se afasta deles, pelo contrário, busca construir sua mesmidade (a superação de uma situação vivida pelo sujeito), a expressão do “outro” que também pode vir a ser.

Mais assim até esse contato com meu amigo foi muito bom nessa época. E era ele esse meu amigo da Filosofia e é esse, um amigo de infância que formou em Geografia. Então assim a gente vivia comentando isso porque a gente fazia caminhada junto. Então era

aquela história assim eu desempregado e os dois na Federal. E aquilo mexia assim comigo. Eu ficava doido pra... Pô eu queria estudar lá também. Acabou que, eu acabei indo pro mercado de trabalho nessa

época e aí pensei ah! Eu vou fazer cursinho. Aí esse meu amigo eu acho que nessa época ele até largou Economia. È Filosofia e foi fazer Economia. E ele é... Ah! Eu acho que você não devia mexer com isso cara. Eu acho que você está numa formação mais técnica. Você devia encarar isso. Então para entrar essa área parece que a linguagem empresarial pegou muito de surpresa assim sabe. Eu acho que você deve entrar numa área assim... direto numa empresa. De indústrias, você já enfurnar nisso. Ma eu não fui. Fui fazer o cursinho, mas não passei no vestibular de 2004. (Eduardo, grifo nosso).

Ao ser obrigado a enfrentar o mercado de trabalho Eduardo adia o seu projeto de ingressar na universidade, parece que a própria fala dos colegas tenha influenciado na sua decisão. Contudo, quando ingressa no cursinho está tentando fazer do seu desejo uma realidade concreta. Ele deseja enfrentar a negação e expressa seu Eu que busca se reposicionar. A sua narrativa descreve como ele

se sente indignado ao se comparar com os colegas de infância, pois enquanto estava desempregado e fora da universidade, sobretudo a pública, alguns de seus colegas experimentavam qual curso melhor se identificava com eles.

As expectativas e projetos dos estudantes, durante sua trajetória acadêmica, estão geralmente ligados as suas condições matérias e ao fato de eles não terem opção para afastar-se do mercado de trabalho para se dedicar aos estudos. Esta é realidade do jovem negro cotista nas universidades.