SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.1 SONUÇ VE TARTIŞMA
5.2.2 İlerde Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler
• Condução dos aspectos éticos da pesquisa
O desenvolvimento da presente pesquisa teve início após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos da Universidade Federal de Uberlândia (CEP/UFU) em 07/02/2008 (Protocolo nº 013/08) (ANEXO). Todas as suas etapas transcorreram em conformidade ao que preconiza a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e está coerente com os princípios éticos, que garantem o respeito, a integridade física e emocional, a justiça, a privacidade, o sigilo, a autonomia, o bem-estar de todos os participantes.
ETAPA 1: A finalidade da escolarização e da “terminalidade específica” para os educandos com deficiência intelectual expressas nos documentos oficiais
Esta etapa envolveu a análise de documentos oficiais já mencionados nos instrumentos de coleta de dados, com o propósito de averiguar como a proposta de “terminalidade específica” de escolaridade estava neles expressa.
A intenção inicial incluía analisar a exposição de motivos para a proposição da “terminalidade específica” de escolaridade com o fim de compreender a origem e argumentação que geraram essa proposta de certificação. Entretanto, após repetidas tentativas, não conseguimos ter acesso à essas informações junto aos órgãos competentes, como o Conselho Nacional de Educação e a Secretaria de Educação Especial do MEC.
ETAPA 2: O sentido da escolarização dos educandos com deficiência intelectual expresso pela família
Para efetivar essa etapa, inicialmente apresentamos o projeto para a Secretaria Municipal de Educação, requerendo autorização para realizar a pesquisa. Após obtermos o consentimento, dirigimo-nos ao Núcleo de Apoio à Diferença Humana (NAHD) solicitamos informações sobre as escolas e o quantitativo de alunos com deficiência intelectual inseridos no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de cada unidade escolar da rede municipal de ensino. Entramos em contato com a direção das unidades escolhidas, explicarmos a
pesquisa e solicitamos o consentimento para desenvolvê-la. Todas as escolas concordaram em participar, assinando o Termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE A).
Com o apoio dos pedagogos responsáveis pelo AEE de cada unidade selecionada, enviamos carta às famílias relatando sobre a pesquisa e convidando-as para uma reunião realizada na própria escola. Na reunião, nos apresentamos e explicamos de forma mais detalhada a finalidade da pesquisa, esclarecendo aos presentes sua forma de participação. Com os pais ou responsáveis que não compareceram a esse encontro, entramos em contato via telefone, explicamos sobre a pesquisa e os convidamos a participar.
Identificados os familiares que aceitaram fazer parte da pesquisa, agendamos horário e local para realizar a entrevista, atendendo à conveniência de cada participante. A maioria das entrevistas foi realizada na própria escola, em uma sala disponibilizada para tal e onde não havia a presença de outras pessoas além de entrevistado e entrevistadora. Isso permitiu que os respondentes ficassem à vontade para manifestar sua opinião sobre o assunto. Por solicitação uma mãe, a entrevista foi realizada no local de trabalho dela.
Conforme sugestões de Manzini (2003), antes de iniciar a entrevista esclarecemos ao participante o porquê da sua realização, da sua importância como participante e reiteramos que sua identidade e a de seu filho não seriam reveladas. Colhemos a assinatura do Termo de Consentimento livre e esclarecido dos participantes do estudo (APÊNDICE B) e, por último, solicitamos permissão para a gravação da entrevista.
Durante a realização da entrevista, cuidamos em manter a mesma ordem das questões e a mesma formulação verbal. Entretanto, em respeito à diversidade na forma de cada um dos entrevistados compreender as informações, e sem perder de vista os objetivos do estudo, quando necessário detalhamos o conteúdo das perguntas visando a facilitar a compreensão do respondente. Essa conduta permitiu que as questões fossem respondidas adequadamente e de modo a garantir a objetividade dos dados e empreender a análise das informações. Quando a resposta não atendia aos objetivos da questão, reformulávamos a pergunta, sem mudar o seu sentido.
Mesmo cientes que provavelmente os familiares não conheciam sobre a “terminalidade específica”, devido aos fatos já expostos no capítulo anterior, durante a realização da entrevista, perguntamos aos participantes se eles possuíam conhecimento sobre o assunto e constatamos que realmente, nenhum deles sabia do que se tratava.
Diante disso, explicamos-lhes em que consistia a referida proposta, reportando-lhes que essa possibilidade estava prevista em documentos federais que legislavam sobre a
Educação Especial. Discorremos sobre o artigo 16 da Resolução nº 2/2001 e procuramos deixar claro que:
• O certificado de “terminalidade específica” era diferente do certificado de conclusão que receberiam aqueles alunos sem deficiência que chegassem ao final da 8ª série;
• A “terminalidade específica” possibilitaria ao aluno com deficiência intelectual que a recebesse ir para a educação de jovens e adultos, educação profissional e/ou para o mercado de trabalho;
• Apesar da possibilidade prevista em Lei, a rede municipal de ensino de Uberlândia até aquele momento não estava emitindo a referida certificação.
Certos que os pais haviam compreendido do que se tratava a referida certificação, perguntamos a eles se gostariam ou não que seus filhos recebessem a recebessem. Após responderem, pedimos que dissessem por quê.
Cabe registrar que houve um caso em que um pai, algum tempo após responder à entrevista, retornou dizendo que não queria mais participar da pesquisa, pois, segundo ele, talvez, no futuro, a filha não concordasse com sua opinião sobre o certificado de “terminalidade específica” de escolaridade, o que poderia gerar conflito na relação dos dois.
A média de duração da entrevista foi de trinta minutos. As respostas foram gravadas em aparelho de áudio para complementar o registro escrito das falas realizado pela própria pesquisadora, resguardando-se o anonimato dos respondentes.
Em seguida as entrevistas foram transcritas, digitalizadas e categorizadas, sem perder de vista os objetivos da pesquisa.
ETAPA 3: Dados do histórico escolar dos alunos com deficiência intelectual Com a autorização das escolas e dos participantes consultamos o histórico escolar dos alunos cujos familiares responderam à entrevista, para identificarmos o percurso escolar dos alunos no ensino infantil, fundamental e escola especial, os quais foram importantes para complementar as informações dos depoentes sobre tal aspecto. Esses dados já foram apresentados no quadro oito.
A coleta de dados (entrevista e dados do histórico) teve início em abril de 2008 e foi concluída em julho de 2008.
• Análise dos dados
As fontes documentais recolhidas foram abordadas de forma descritiva e o resultado dessa análise, exposto nas partes anteriores, será retomado no confronto com os dados obtidos com a pesquisa empírica junto aos familiares de alunos com deficiência intelectual inseridos em classes comuns de escolas da rede municipal de ensino de Uberlândia/MG.
Os dados obtidos com a entrevista foram analisados utilizando o método análise de conteúdo, um conjunto de instrumentos metodológicos aplicados a discursos, que se baseia na inferência e revela o não aparente de qualquer mensagem, pois busca desvelar o sentido das falas analisadas (BARDIN, 1977).
Após a transcrição e digitalização das entrevistas, realizamos a leitura extensiva dos relatos dos familiares, o que possibilitou o desmembramento do texto em unidades de registros e o estabelecimento das categorias e subcategorias, com base no conteúdo das falas das unidades (BARDIN, 1977). O sistema de categorias derivou-se das questões do roteiro de entrevista e do conteúdo manifesto pelos respondentes, sem perder de vista os objetivos do estudo.
O quadro a seguir, apresenta o sistema de categorias e subcategorias utilizado para a análise dos dados obtidos com as entrevistas. Ele foi elaborado tendo em vista os objetivos do estudo e o relato dos participantes.
Quadro 1 - Categorias e subcategorias dos relatos verbais dos familiares sobre a escolarização dos filhos com deficiência intelectual na escola comum
CATEGORIA SUBCATEGORIA
1.1 Aprendizagem e desenvolvimento 1.2 Socialização
1.3 Alfabetização 1.4 Conseguir emprego 1.5 Formar e ter profissão 1.6 Ter ocupação
1.7 Normalizar 1.8 Ter independência 1. Razões para o filho
freqüentar a escola
1.9 Diminuir o preconceito
2.1 Atendimento educacional especializado (AEE) 2.2 Alfabetização
2.3 Socialização
2.4 Prazer e motivação do filho em estar na escola 2.5 Qualidade da atenção dada ao aluno
2.6 Aprendizagem e desenvolvimento
2.7 Ter responsabilidade, disciplina e formar conduta 2.8 Preservar o estado geral de saúde
2.9 Ter independência 2.10 Aprender matemática 2.11 Ter ocupação
2. Contribuições da escola comum para a vida do filho
2.12 Ter acesso ao lazer
3.1 Desenvolvimento e aprendizagem 3.2 Alfabetização
3.3 Socialização
3.4 Conseguir emprego
3.5 Apoio de profissionais especializados 3.6 Ação dos professores da sala comum 3.7 Inserção no esporte 3.8 Ter independência 3.9 Normalização 3.10 Reforço escolar 3. Expectativas em relação à escola 3.11 Aprender matemática 4.1 Positiva 4.2 Negativa 4. Percepção sobre a aprendizagem do filho na
escola 4.3 As vezes aprende
5.1 Conhecimento prévio 5.2 Aceitação
5.3 Negação 5. Perspectiva das famílias
quanto à “Terminalidade Específica”
CATEGORIA SUBCATEGORIA 6.1 Permanecer na mesma escola 6.2 Conseguir emprego
6.3 Educação profissional 6.4 EJA
6.5 Escola especial 6. Opinião sobre o futuro
escolar
6.6 Escola regular e escola especial 7.1 Educação profissional
7.2 Mercado de trabalho 7. Opinião da família sobre
encaminhamento dado a
partir da “TE” 7.3 EJA
8.1 Prática pedagógica da escola
8.2 Apoio complementar de outros profissionais e serviços 8.3 Atendimento educacional especializado (AEE)
8.4 Sala especial 8. Sugestões da família para
a escolarização dos filhos
8.5 Ter menos alunos por sala
Nesta pesquisa os instrumentos serviram de apoio ao levantamento de dados, de forma que as análises pudessem transformar-se muito mais em uma reflexão e não em um espelho da realidade. Como não há neutralidade daquele que investiga, e por vivenciar o contexto investigado, enquanto pesquisadora meu olhar esteve carregado de interpretações que buscaram refletir o posicionamento e as concepções dos envolvidos o que inclui os meus próprios como investigadora.
A seguir, serão apresentados e discutidos os resultados da pesquisa empírica, obtidos a partir do relato verbal dos participantes.
6 ESCOLARIZAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E