2. BÖLÜM
2.2. YÖNETİME STRATEJİK YAKLAŞIMLAR
2.2.2. İkinci Kuşak Stratejik Yaklaşımlar
depende de atividade educativa. Tais serão os temas tratados a seguir.
2.1 Ontogênese Humana: O Trabalho enquanto categoria fundante do ser social.
34 Consideramos que a atividade (modo de intervenção no mundo particularmente humana – trabalho) é o elemento fundador da sociabilidade humana, ou seja, é responsável pela ontogênese do ser humano.
Para, de fato, compreendermos a dimensão dessa afirmativa é necessário aprofundar nossa analise acerca dos processos de apropriação-objetivação da cultura que proporcionam este desenvolvimento e humanização. Neste sentido, Vigotski (2001), Luria (1987), Leontiev (1978a), dentro outros, compreendem a categoria da atividade como orientação principal para a compreensão do processo de desenvolvimento humano. Tal acepção se deve ao fato desses teóricos terem elaborado seus estudos buscando fundamentação teórico-epistemológica na perspectiva de homem e sociedade defendida pelo Materialismo Histórico-Dialético, desenvolvida na teoria marxiana. Segundo Marx e Engels (2007), o homem deve ser compreendido como um sujeito social e histórico, síntese de múltiplas determinações e resultado do processo de relação consciente com a natureza.
Marx (2004) problematizou a relação entre indivíduo e sociedade, indivíduo e gênero humano, buscando identificar qual a origem (ontológica) do ser humano e, nessa direção, identificou o trabalho como elemento fundante da essência humana, estando no centro do processo de construção da consciência e humanização dos seres humanos.
Cabe destacar que nesta compreensão do ser humano enquanto um ser social, não se tem a intenção de colocá-lo num patamar acima da natureza ou apartado desta, considerando que ele também o é. Ademais, o homem apenas se humanizou em decorrência de sua relação metabólica com os elementos naturais, incorporando-os, transformando-os de acordo com suas necessidades e avançando à sua condição de espécie, tornando-se assim um ser social.
Isso implica afirmar que o homem, apesar de possuir sua própria característica biológica, que o diferencia enquanto espécie dos outros animais avança a esta condição ao construir instrumentos que lhes são próprios, como, por exemplo, a linguagem e consciência. Tal avanço possibilita que o homem não seja mais regido apenas pelas leis biológicas, mas também, por leis históricas e sociais, que possibilitaram a criação do gênero humano em todas as suas características.
Outra questão indispensável ao processo de humanização do homem, diz respeito à socialização humana. De acordo com Oliveira (1996), a socialização se dá através do processo de apropriação-objetivação dos objetos culturais historicamente construídos, sendo condição por excelência da construção de sua individualidade. Este
35 processo é guiado por uma intervenção intencional perante a realidade, ou seja, o homem, diferentemente dos outros animais, já não mais age por instinto, movido apenas pelas leis biológicas, mas, agora, atua em sociedade, intervém na natureza com objetivo de transformá-la intencionalmente e conforme suas necessidades.
Essa ação do homem, orientada a uma finalidade específica e intencional, é criada e desenvolvida em decorrência da ação no seu grupo social. Ainda de acordo com Oliveira (1996) é neste ato orientado a um fim, que é denominado de ato objetivado, ou objetivação, que se deve compreender a formação da consciência humana e enquanto produto da atividade social dos homens. Para Marx (1985, p. 149), a atividade especificamente humana
É um processo entre o homem e a natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. [...] Ele põe em movimento suas forças naturais pertencentes a sua corporalidade, braços, pernas cabeça e mãos, a fim de apropriar-se da matéria natural, de uma forma útil para sua própria vida. Ao atuar por meio deste movimento sobre a natureza externa a ele, e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.
Com isto o autor nos afirma que o homem é qualitativamente diferente dos animais pelo fato de não se limitar a adaptar-se a natureza, mas sim por modificá-la em função do atendimento de suas necessidades. Aponta ainda que esta atividade é orientada a um fim – consciente e intencional – apresentando sempre uma forma útil para sua vida, o que reafirma a intencionalidade e dá um caráter objetivo, uma valoração a atividade, enfatizando que o trabalho sempre está carregado de motivos sociais.
Ainda corroborando com está discussão, Marx (1985) apresenta em outra brilhante exemplificação, mais diferenças entre a atividade humana para com a dos demais animais, reafirmando a intencionalidade e a consciência presentes no ato do trabalho. Para o autor,
Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colméias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça antes de construí-lo em cera (MARX, 1985, p.142).
Ou seja, pelo fato do homem antecipar mentalmente a sua ação, esta ação é uma ação consciente, isto é, antes de executar a ação, o homem conscientemente constrói todo o processo de execução de tal atividade dirigindo-a a um fim, sendo que nos animais, todo o processo de construção está limitado a sua herança biológica.
36 Outra característica a ser discutida em relação ao trabalho humano é sua característica mediadora. Leontiev (1978a) exemplifica tal característica a partir da divisão social do trabalho na execução de uma caça. Quando um grupo sai para caçar, afirma o autor, e um indivíduo fica encarregado de espantar a caça na direção dos outros indivíduos que estão na espreita para interceptá-la, a ação do sujeito que espantou a caça não tem significado imediato. O ato em si de espantar a caça não tem sentido se o objetivo era apanhá-la somente, no entanto, se avaliada no seu conjunto, na sua totalidade histórica, essa ação passa a ter fundamental significado.
No exemplo acima, podemos perceber que além da característica mediada do trabalho, fica evidenciado o seu caráter social, pois é realizado coletivamente e de forma intencional no sentido de atender a uma prática social. Desta forma e nessa direção o trabalho é intencional, premeditado, pois necessita de elaboração prévia e consciente, pois, como mostra o exemplo, todos os membros do grupo de caçadores sabiam qual a sua função na atividade de caça, assim como de que forma sua ação individual contribuiria para atingir o objetivo estabelecido pelo grupo, que era apanhar a caça para alimentar o próprio grupo e garantir a sua sobrevivência.
Portanto, ressaltamos que é na atividade que podemos encontrar a essência genérica do homem, e esta é determinada pelas formas de comunicação e da produção social humana, assim como afirma Leontiev (1978a) ao dizer que o trabalho precisa ser reconhecido como base fundamental para o enriquecimento e desenvolvimento do homem; o trabalho reconhecido como atividade vital, criadora e produtiva; é na sua atividade que o sujeito se constrói e essa atividade determina a condição humana, sendo assim, podemos afirmar que é a atividade que cria o próprio homem. Por meio desta atividade – o trabalho – o homem, se forma na condição humana ativa e conscientemente, sendo esta socialmente motivada, a qual deve ser vista como a categoria que orienta e regula a vida concreta dos homens na sociedade. Para Martins,
À medida que o indivíduo começa a agir no mundo, estabelecem-se vínculos cada vez mais dinâmicos entre as suas necessidades e os objetos que as satisfazem [...] esse objeto por sua vez, à medida que satisfaz a necessidade do indivíduo, adquire a função estimuladora e orientadora da atividade, quer dizer, converte-se em motivo da atividade para o indivíduo (MARTINS, 2004, p. 87)
Neste sentido, é que afirmamos que a atividade humana encontra-se no centro do processo de formação da consciência do homem, ao passo que este não mais age por instinto, mas atua conscientemente, como já afirmamos. Portanto, a ação humana sobre o meio, deixa de ser uma ação natural e passa a ser socialmente motivada, pois este, ao
37 deixar de agir única e exclusivamente para atender suas demandas instintivas, biofísicas e fisiológicas, passa a agir de forma intencional no sentido de suprir as novas demandas criadas pela sua participação social, possibilitado pela sua consciência social, motivado socialmente.
Sendo assim, tendo em vista a especificidade desse trabalho, se é através do trabalho – atividade vital – que o homem constrói sua individualidade, desenvolve sua consciência, agindo intencionalmente junto com outros homens, isto é, o homem se torna homem, buscamos enfatizar o processo de tomada de consciência dos sujeitos escolares em relação a real situação de pobreza e exclusão as quais os mesmos podem vivenciar em sua realidade cotidiana, mostrando que tal situação não é a única possibilidade de construção e vivencias de suas vidas, mas sim, situações impostas ideologicamente e intencionalmente às classes populares, tendo em vista, o seu controle e manutenção do status quo.
Desta forma, consideramos que ao buscar o desenvolvimento dos educandos a partir de um trabalho educativo que objetiva construir formas de intervenção na realidade mediadas pela consciência, estaremos contribuindo para construção de possibilidades de liberdade e emancipação dos sujeitos assolados pela exclusão, segregação e violência inerentes às sociedades de classes. Sobre estas possiblidades é que trataremos a seguir.
2.2 O processo histórico social de apropriação da cultura e o