2. BÖLÜM
3.6. Anketin Hazırlanması İle İlgili Aşamalar
A partir das discussões apresentadas anteriormente, percebemos que a educação escolar torna-se importante instrumento de desenvolvimento dos sujeitos humanos, sobretudo quando pensamos nas possibilidades de um processo de desenvolvimento da consciência crítica desses sujeitos.
Acreditamos nestas possibilidades mesmo sabendo que a escola na sociedade capitalista tem cumprido a função de reproduzir a ideologia da classe dominante. Isto é possível, pois as contradições postas no “sociometabolismo do capital” (MÉSZÁROS , 2005), nos possibilitam pensar numa escola a qual poderá contribuir para a construção de um novo modelo de sociedade, na qual se supere as propostas e relações colocadas pelo modo de produção capitalista e crie condições para a elevação do homem às esferas mais altas do desenvolvimento humano, e possíveis neste momento histórico.
Portanto, em seguida, pretendemos realizar uma breve reflexão a respeito destas contradições presentes no interior do sistema educacional, buscando compreender a relação dialética posta entre as necessidades que a escola deveria suprir e as que de fato, estão sendo atendidas.
Ao pensar a escola como uma das importantes instituições sociais responsáveis pela formação do indivíduo, acreditamos ser necessária uma leitura crítica das contribuições oferecidas pelos teóricos da educação para tentarmos ampliar um pouco mais essa discussão. Para tanto realizaremos a interlocução entre os pressupostos da Teoria histórico-cultural e a Pedagogia histórico-crítica, e, diante dessas contribuições, refletiremos sobre a viabilização de uma escola que crie condições para o processo de conscientização e humanização dos alunos.
É importante ressaltar que falamos de alunos de uma escola municipal, de tempo integral e que, em sua grande maioria, é constituída por alunos em condições de pobreza e exclusão social. Assim sendo, é essencial que tais sujeitos tenham possibilidades de conhecer a realidade da qual fazem parte, tomando consciência de seu entorno, para que
44 possamos assim, paulatinamente, pensar e concretizar a transformação qualitativa do homem e da sociedade.
Oportuna, a célebre citação de Saviani (2000, p.11), ao nos esclarecer que a escola deve possibilitar a superação das visões de senso comum e avançar na direção do pensamento crítico-filosófico e o autor enfatiza que o trabalho educativo se faz essencial nesse processo pois “é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada individuo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens” (SAVIANI. 2000, p. 11).
No que se refere ao nosso trabalho, que tem como objetivo principal discutir o processo de apropriação/objetivação destes alunos das classes populares, sobre os conceitos que exprimem parte de sua realidade - os de exclusão social e pobreza- torna- se estritamente necessário discutir a importância da educação numa perspectiva crítica e emancipadora.
É, portanto, nesse processo educativo intencional, histórico e social que consolida-se um processo de transformação objetiva e subjetiva do sujeito humano e, conforme afirmação de Vigotski (2001), a linguagem, como vem sendo enfatizado, é um elemento mediador fundamental nesse processo, pois, é por meio da linguagem que os seres humanos se comunicam, constroem signos e símbolos para atender suas necessidades sociais, bem como a utilizam para transmitir os conhecimentos acumulados em decorrência de sua relação com a natureza e com os outros homens.
Buscamos, com este trabalho, valorizar o processo educativo e, nesse sentido, compreender que toda relação social torna-se uma relação pedagógica, na qual o homem comunica-se com outro homem, ensina outro homem, transmite seus conhecimentos e experiências, enfim, a educação passa a ser um instrumento fundamental para a reprodução e manutenção da vida humana, pois, “ela é, ao mesmo tempo, uma exigência do e para o processo de trabalho, bem como, ela própria, um processo de trabalho” (SAVIANI, 2000, p.15).
É importante compreender que a natureza da educação, como afirma Saviani (2000), se caracteriza pelo processo de humanização dos indivíduos, tendo em vista que possibilita a construção da segunda natureza humana, aquela histórico-social, não natural e biológica, mas construída no movimento da história social dos homens e mais uma vez afirma-se, o professor da educação escolar, torna-se sujeito imprescindível para a humanização dos homens.
45 Para que esse representante da espécie humana se torne humano, é preciso que sejam criadas as condições objetivas de apropriação das objetivações já existentes do gênero humano (OLIVEIRA, 1996, p. 16). Para a autora, fazem parte das objetivações do gênero humano todo conhecimento, popular, artístico, científico, técnico e filosófico, todos os objetos (materiais e simbólicos), as experiências, costumes, hábitos e valores, dentre outras construções culturais, produzidas historicamente pela humanidade ao longo do processo de transformação da natureza.
Considerando que o cerceamento destas possibilidades de apropriação e objetivação, a partir dos elementos culturais constitutivos do gênero humano, acaba por limitar o desenvolvimento dos indivíduos mantendo-os em níveis de desenvolvimento bastante rudimentares, é que defendemos o quanto o processo educativo pode se mostrar um fundamental meio de humanização dos sujeitos. Contudo, sabemos que para que este processo possa se concretizar, faz-se necessário não somente a mediação do professor, ou do outro mais desenvolvido, mas também a possibilidade de acesso aos objetos culturais produzidos pelo gênero humano.
Desta forma, como afirma Viotto-Filho (2005b), quando os indivíduos têm garantida as condições teórico-práticas para compreender a realidade de forma crítica os mesmos poderão avançar significativamente e superar os níveis de consciência baseados no senso comum e conquistar outras esferas de compreensão da realidade, esferas relacionadas à uma consciência de caráter crítico-filosófica, consciência necessária para a implementação de uma prática social de caráter transformador.
No entanto, afirma Oliveira (1996), o conhecimento de todos estes fatores por si só não é suficiente para a mudança da realidade, para que a práxis humana (prática efetivamente transformadora da realidade) seja realizada é necessário sim, que o pensamento capte a realidade nas suas múltiplas determinações conhecendo-a, mas não para conciliar-se com ela, mas, para transformá-la. Dessa forma, fica posta a necessidade de uma atuação mais ampla dos sujeitos sociais e nesse momento valorizamos a ação do professor como um sujeito social imprescindível no processo de transformação do homem e da sociedade. Assim Oliveira (1996), parafraseando Gramsci, diz: “[...] a mera existência de condições de liberdade e possibilidades não é o bastante para transformar as relações sociais de dominação. É ao mesmo tempo necessário conhecê-las profundamente para saber utilizá-las, e mais ainda, é necessário querer utilizá-las (p.16)”.
46 Portanto, ao compreender o ser humano como síntese de múltiplas relações sociais, nossa análise do indivíduo não pode, principalmente em se tratando da atividade educativa, reduzir-se à compreensão das camadas superficiais do “ser da realidade”, ou seja, à uma compreensão imediatista da realidade concreta, mas sim, é preciso assumir um posicionamento histórico-crítico em relação ao “dever-ser” tanto no que se refere ao indivíduo, quanto no que se refere ao gênero humano. Ou seja, faz-se mister trabalhar no sentido da práxis como possibilidade de transformar a realidade social e humana.
2.5 A importância do processo educativo para a emancipação humana.