• Sonuç bulunamadı

İKİNCİ EYLEM PLANI SÜRECİ: YANSITICI DÜŞÜNME BECERİSİ

5. ARAŞTIRMACI BİLGİLERİ VE ROLÜ

3.4. İKİNCİ EYLEM PLANI SÜRECİ: YANSITICI DÜŞÜNME BECERİSİ

Em fevereiro de 2003, participei de reuniões dos coordenadores do Projeto AJA-Expansão, nas quais apresentei a proposta de pesquisa e obtive autorização para o seu desenvolvimento em turmas do projeto; estive presente em alguns encontros para formação de educadores populares com o intuito de melhor conhecer o trabalho realizado no programa; freqüentei algumas aulas na turma onde eu iria realizar esta pesquisa, momentos em que priorizei uma aproximação com as alunas e apresentei a proposta de pesquisa as ser desenvolvida obtendo a autorização verbal para a realização deste trabalho. Só então iniciei a coletas dos dados. Nas duas primeiras semanas participei das aulas, ainda como auxiliar da educadora popular que lá atuava. Nesse período, realizei a entrevista inicial com duplo interesse: num primeiro momento, o de conhecer o grupo de alunos com o qual iria trabalhar, buscando perceber sua visão do conhecimento matemático de uso social; e, num segundo momento, para realizar uma análise com a atenção dirigida para o que elas poderiam me informar sobre tempo vivido.

Realizado o primeiro estudo das entrevistas, iniciei o trabalho em sala de aula com uma dupla função: professora e pesquisadora. Com o propósito de investigar o fenômeno “o tempo vivido por alfabetizandos-adultos no processo de

alfabetização Matemática”, me propus a elaborar e desenvolver, entre os meses

de fevereiro e junho de 2003, atividades matemáticas que favorecessem a inserção do alfabetizando no universo da linguagem Matemática, de modo que eles pudessem “habitar” o processo de alfabetização, no qual estariam envolvidas por meio de atos de compreender, interpretar essa linguagem e comunicar (se) por intermédio dela. E, ainda, me coloquei a tarefa de conduzir a aula de modo que houvesse um ambiente de participação favorável ao diálogo, à exposição de sentimentos, ansiedades, dúvidas, à auto-avaliação, à avaliação do professor, do trabalho e das atividades.

Cada aula foi gravada em fita cassete, e o texto da sua transcrição, foi utilizado na composição da descrição das situações vivenciadas pelos sujeitos. Diante do volume de informação, impôs-se a necessidade de selecionar aquelas que fossem significativas para o fenômeno a ser investigado: como se dá o tempo

vivido pelos alfabetizandos-adultos nas aulas de Matemática. Procedi então à

escolha dos sujeitos e das aulas conforme descrevo a seguir.

a) A escolha dos sujeitos

Para a escolha dos sujeitos, recorri às pastas das alunas, contendo entrevistas inicial, e atividades escritas, por elas desenvolvidas. Das dezoito alunas matriculadas, somente quinze freqüentavam as aulas, e dessas apenas treze eram mais assíduas. Este foi o meu primeiro critério de seleção. Observando mais atentamente as treze, escolhidas pelo critério assiduidade, constatei que quatro não estavam presentes no período em que realizei as entrevistas iniciais (anexo A), e uma havia parado de freqüentar antes do término da coleta de dados. Restavam então oito alunas com as quais eu realizei este trabalho de investigação, as quais apresento a seguir.

Sujeito A - FRAN

• Senhora de 71 anos, separada do marido, vive com uma filha; • não escreve nem lê;

• apresenta dificuldade na elaboração da idéia a ser escrita e se expressa oralmente com dificuldade;

• não reconhece a grafia nem mesmo de numerais menores do que 10; reconhece cédulas e moedas mas não consegue reuni-las descobrindo o valor total.

Sujeito B - JAC

• Senhora com 59 anos, separada do marido, mora com duas filhas e trabalha como revendedora de produtos de beleza;

• não lê, nem escreve, são os clientes que marcam o que querem comprar na própria revista;

• apresenta dificuldade na elaboração da idéia a ser escrita e se expressa oralmente com dificuldade;

• diz conhecer os números, mas apresentou dificuldades no seu registro. Sujeito C - CAT

• Senhora com 61 anos, mora com o filho e o marido, ambos com problemas de saúde;

• paga aluguel (barraco de dois cômodos) e vive de aposentadoria do marido; • não lê nem escreve. Desenha o próprio nome com dificuldade;

• apresenta dificuldade no traçado das letras;

• apresenta dificuldade na elaboração da idéia a ser escrita e se expressa oralmente com dificuldade;

• Conhece somente números menores que 10. Sujeito D - LID

• Senhora com 74 anos, viúva, mora só, em casa própria, próxima da residência dos filhos;

• atua como missionária na igreja católica;

• Já sabe ler e escrever ortograficamente. Mostra-se interessada pela regularidade da língua, quer aprender a pontuar.

• conhece os números, opera bem mentalmente, mas não consegue registrar o pensamento matemático.

Sujeito E - MAR

• Senhora com 63 anos, viúva, paga aluguel, mora com dois filhos (desempregados) e vive da aposentadoria;

• não reconhece nenhuma letra ou número; • conhece dinheiro e sabe lidar com ele. • possui bom cálculo mental;

• apresenta dificuldade na elaboração da idéia a ser escrita e se expressa oralmente com dificuldade;

• apresenta problema de visão, mas não teve ainda condições de comprar o óculos. Sujeito F - APA

• Senhora de 41 anos, mora com marido e um casal de filhos (adolescentes); • ainda não lê nem escreve, mas se mostra bem interessada nas aulas;

• conhece as letras, mas ao escrever as palavras tem tendência em evidenciar as vogais;

• apresenta bom cálculo mental, conhece os números e lida bem com as medidas. • tem gosto pela Matemática.

Sujeito G - PAM

• Uma senhora com 67 anos, mora em uma casa própria (3 cômodos), no mesmo lote em que o filho reside. Está sempre com os netos. Seus filhos cursaram até pelo menos o segundo grau. Dois deles têm curso superior. Era incentivada por toda a família a estar na escola;

• lê e escreve sem muitas dificuldades. Sua escrita apresenta clareza de idéias, com erros ortográficos e ausência de pontuação.

• conhece os números, opera mentalmente mas não sabe registrar o pensamento realizado.

Sujeito H - NIC

• Senhora com 73 anos, vive com o filho (casado, mulher e dois filhos) em casa própria;

• lê com dificuldade;

• escreve frases curtas e com problemas ortográficos;

• conhece os números, opera mentalmente mas tem dificuldade no registro.

b) A escolha das aulas

As aulas da turma escolhida para o presente trabalho ocorreram em um período de quatro meses consecutivos, numa carga horária de 2,5 horas diária (14:30-17:00 h), quatro dias por semana (de segunda a quinta-feira), conforme cronograma abaixo:

Tabela 4: Cronograma de aulas desenvolvidas no semestre

Mês Dias Fevereiro 10 11 12 13 17 18 19 20 24 25 26 27 Março 05 06 07 07 10 11 12 13 17 18 19 20 24 25 26 27 31 Abril 01 02 03 07 08 09 10 14 15 16 17 21 22 23 24 28 29 30 Maio 05 06 07 08 12 13 14 15 19 20 21 22 26 27 28 29 Junho 02 03 04 05 10 11 12 13 17 18 19 20 24 25 26 27

Em negrito - Dias de aula de Matemática.

Metade da carga horária da turma acompanhada nesta pesquisa foi coordenada por mim, tempo que eu utilizei tanto com aulas de Matemática, especificamente, como em aulas de leitura e produção de textos diversos em língua materna que pudessem estar contribuindo para reflexões que envolvessem o conhecimento matemático, tais como número, formas e operações, ou por sugerir uma situação cotidiana em que a matemática se fizesse presente, ou por apresentar como núcleo argumentativo um registro característico da linguagem matemática. Tal estratégia, além de fazer parte da proposta pedagógica, também serviu como um modo de manter as alunas freqüentando as aulas, pois ler, língua materna, era um dos seus principais interesses. Foram gravadas, entretanto, só os momentos dedicados às atividades em que a atenção esteve voltada para o conhecimento matemático, em especial leitura, interpretação e produção da sua escrita.

As gravações de todas as aulas foram transcritas para, depois de transformadas em texto escrito, poderem ser lidas, relidas e analisadas,

buscando compreender a dinâmica dos encontros e o modo como foram vividas as situações de interação das alunas com a leitura e escrita da linguagem matemática. Tendo as gravações sido transformadas em texto escrito, poderia retornar a situações vividas tantas vezes quantas fossem necessárias, poderia me deter em alguma fala específica, com calma e cuidado, e num tempo próprio.

Diante das transcrições das aulas, imperou-se a necessidade de selecionar algumas, visando a uma melhor interlocução. Nesse momento retomei mais uma vez a pergunta norteadora desta investigação “como se dá

o tempo vivido por alfabetizandos-adultos nas aulas de Matemática e como se dá a sua atuação em situações que evolvem a leitura e escrita da linguagem matemática”. Entendendo que deveria evidenciar, nas

transcrições, as vivências do aluno em situações de leitura e escrita da linguagem Matemática, em primeiro plano, para, separados estes momentos, reler com atentividade, buscando compreender o tempo vivido dos alfabetizandos adultos, elaborei um quadro contendo uma apresentação geral das aulas desenvolvidas, contendo o dia, conteúdo trabalhado e recurso utilizado. Nesse quadro busquei elementos que tornassem as aulas distintas das outras, seja em função do conteúdo trabalhado, seja do recurso utilizado. Evidencio que o conteúdo explicitado não se deu em função de um cronograma de trabalho, mas conforme a temática e o texto trabalhado na semana. Isso justifica a mudança, aparentemente brusca, quando se compara o que foi trabalhado nas aulas de uma semana e o que foi trabalhado em outra. O momento vivido, no entanto, não se limita ao ambiente de sala de aula. No contexto das relações sociais, o aluno lida com a diversidade, tendo contato com números em intervalos e conjuntos diversos.

Apresento, logo a seguir o referido quadro com todas as aulas trabalhadas, destacando, em itálico, as aulas selecionadas e evidenciando, com o sublinhado, o critério de seleção das mesmas. Optei por tal modo de apresentação por considerar que ele possibilita objetividade e clareza difíceis de serem atingidos em texto corrente. Após a apresentação das aulas, esclareço os porquês da escolha.

Quadro 1: Aulas desenvolvidas entre os meses de fevereiro e junho de 2003

Dia/

Mês Conteúdo trabalhado Recurso utilizado

Discussão Contexto/interação com

Língua Portuguesa

12/02 Leitura e escrita dos números até 10 O nome das alunas escrito A história da escolha dos nomes, poemas 13/02 Operações de adição e situações problemas Sentenças Matemáticas

escritas

Situações em que os erros nas contas podem trazer prejuízos

18/02 Leitura e escrita de dezenas exatas, introdução aos sinais +, -, =, lidando com o sistema monetário em cédulas

Cédulas de R$ 10,00 O trabalho de cada um

19/02 Leitura e escrita de dezenas exatas; iniciação ao registro da multiplicação; lidando com o sistema monetário em cédulas

Cédulas de R$ 10,00 O trabalho

20/02 Leitura dos números e sinais de + e = na calculadora, idéia de juntar (adição), lidando com valor monetário registrado em encarte

Encartes e calculadora Lista de compras

26/02 Leitura e escrita dos números até 10, leitura e escrita de dezenas exatas e construção de dezenas inexatas com montagem de fichas

Fichas

27/02 Leitura de unidades, dezenas exatas e inexatas, reconhecimento dos números e sinais na calculadora - aprendendo a usar a

calculadora, lidando com sistema monetário registrado em encartes

Encartes e calculadora

12/03 Leitura e escrita de números múltiplos de 5; construção da tabuada de multiplicação por 5; aprendendo a ler as horas

Relógio manipulável O tempo e o tempo livre, condição de vida do idoso

13/03 Aprendendo a ler as horas, leitura e escrita dos números até 12

Relógio em desenho O tempo e o tempo livre, condição de vida do idoso 19/03 Leitura e escrita do número no contexto de

texto narrativo - texto coletivo (criação de personagem) leitura e escrita de números para a contagem de votos para a escolha da opção a ser registrada no texto

Texto construído coletivamente

A história de vida

20/03 Escrita de números para registro de tempo vivido em sua história de vida

Texto construído individualmente

A história de vida

26/03 Leitura de números: centenas exatas, o milhar, e números diversos

Fichas

e linha de tempo

A história de vida

27/03 Leitura e escrita de dezenas inexatas, multiplicação

Calculadora

01/04 Leitura e escrita de números diversos Embalagens e produtos diversos

02/04 Leitura e escrita de números diversos, idéia de dobro e triplo, sinais de x =. – receita, calculadora

Receita de bolo; calculadora Receita e lista de compras

09/04 Leitura e escrita de centenas exatas, + = ... o número ½.; o q que é quilograma

Balança de cozinha, pacotes com pesos diversos - centenas exatas e 250

Leitura de rótulos

10/04 Leitura e escrita de números diversos, idéia de diferença. Sinais - ; =

Balança de banheiro Calculadora

Dia/

Mês Conteúdo trabalhado Recurso utilizado

Discussão Contexto/interação com

Língua Portuguesa

14/04 Leitura e escrita de números diversos (peso, validade, data de fabricação)

Embalagens Direitos do consumidor 15/04 Sentença Matemática de divisão e

multiplicação a partir de desenhos para contagem

Desenhos para contagem

23/04 Situação problema envolvendo multiplicação de valor monetário 14x 0,50, idéia de divisão, reconhecendo o sinal de divisão na calculadora

Atividade escrita Direitos do aluno do Aja - recursos para merenda

24/04 Leitura e escrita de números diversos; contagem de dinheiro (moedas); idéia de divisão

Lista de compras, Moedas; calculadora

Direitos do aluno do Aja - recursos para merenda 30/04 Leitura de centenas exatas Medidor de capacidade; rótulo

de refrigerante

Direitos do consumidor

07/05 Leitura de centenas exatas. O que é litro e meio litro

Medidor de capacidade Direito do consumidor

08/05 Porcentagem Calculadora, papel quadriculado (10x10)

Direito do consumidor; direito do idoso 14/05 Porcentagem desconto Encarte, calculadora Direito do consumidor 15/05 Porcentagem e juros – empréstimos Propaganda de financiadora,

tabela de juros em empréstimos

Direito do consumidor

21/05 Leitura de números diversos – metro, idéia de diferença

Calculadora e metro Conhecendo do seu mundo

28/05 Leitura e escrita de números diversos, idéia de diferença

Metro e calculadora Conhecendo o seu mundo 29/05 Leitura e escrita de números diversos – figuras

geométricas (triângulo, retângulo e quadrado)

Régua, figuras diversas para medida

Conhecendo o seu mundo

04/06 Leitura de números diversos, quadrados e retângulos; meio (0,5)

Régua, retalhos, papel para moldes. Texto receita como fazer a hélice (patchwork)

O belo e o simples, aprendendo a história do patchwork

05/06 Leitura de números diversos (valores maiores que mil)

Gráficos e texto informativo. Fichas para composição e decomposição dos números

O analfabetismo no Brasil, o valor da Matemática para a compreensão da informação

As aulas foram escolhidas a partir da interrogação formulada, com foco no tempo vivido pelo alfabetizando no mundo da leitura e escrita da Matemática, nas atividades em que as situações de leitura e escrita foram mais significativas, seja pela expansão da extensão numérica, seja pela característica do número tratado (naturais: com dezenas exatas ou não; racional: na forma fracionária ou decimal), seja pelo recurso didático utilizado, e ainda pela introdução de sinais utilizados na escrita Matemática.

Escolhidas as aulas, a partir das transcrições, construí um texto descritivo das mesmas, permeando o relato da condução dada com as

exposições orais dos sujeitos escolhidos, que se mostraram significativas para a pergunta em foco. Tais registros se encontram no anexo B, apresentado por meio de gravação em cd-rom.

CAPÍTULO IV

ANALISANDO E INTERPRETANDO OS DADOS

Na dupla função de professora e pesquisadora, sendo e estando mundanamente contextualizada, sigo uma trajetória de investigação alicerçada na filosofia da pesquisa qualitativa.

Para Joel Martins7, a pesquisa qualitativa é compreendida como uma trajetória reentrante em direção ao que se deseja compreender.

Pesquisar é ter uma interrogação e andar em torno dela, em todos os sentidos, sempre buscando, todas as suas dimensões, e, andar outra vez e outra ainda, buscando mais sentido, mais dimensões, e outra vez... (MARTINS, 1989 apud FINI, 1994, p. 24)

Não há aqui a pretensão de neutralidade, pois a compreensão do pesquisador envolve, conforme Martins e Bicudo (1989), a compreensão de si mesmo e o modo como percebe a realidade que o cerca em termos de possibilidades. Ele atribui significados ao mundo que seleciona para ser conhecido à medida que o vai compreendendo e tecendo as tramas de suas interpretações e respectivas expressões.

Neste trabalho, fiz opção pela pesquisa qualitativa numa abordagem fenomenológica. A Fenomenologia busca ir às coisas- mesmas8, expor o percebido no movimento da intencionalidade da consciência. Conforme Martins,

A Fenomenologia é um nome que se dá a um movimento cujo objetivo precípuo é a investigação de fenômenos que são experienciados coincidentemente, sem teorias sobre a sua explicação causal e tão livre quanto possível de pressupostos e preconceitos. (MARTINS, 1990 apud BICUDO, 1994, p. 15)

7

Fundador da Sociedade de Estudos e Pesquisa Qualitativos (www.se&pq.org.br); professor da Puc-São Paulo até 1993, ano em que faleceu, tendo sido também professor da Unicamp em períodos concomitantes ou não.

8 A expressão coisas-mesmas, conforme denomina E. Husserl, refere-se à percepção direta, sem conceitos prévios percebidos.

Há, na Fenomenologia, a indicação de um caminho de procura que pode, dependendo do rigor do pesquisador, conduzi-lo às coisas- mesmas. Nele me aventuro desde o momento em que, lançada no mundo, percebendo-me e percebendo a realidade que me cerca como possibilidades, defini um tema de estudo e a partir daí sigo na busca da essência, entendida como as características básicas ou estrutura do fenômeno tematizado. Entendo que esse procedimento me possibilita uma leitura atenta e, também, retornos às interpretações daquilo que está expresso nas transcrições das aulas e das entrevistas iniciais9.

Seguindo o itinerário anunciado, procedi à descrição da manifestação do fenômeno situado. Conforme Bicudo (2000), a descrição é como um protocolo que se limita a narrar o visto, o vivido pelo sujeito, apontando para o fenômeno que se quer compreender. Nesta pesquisa, as descrições se referem às transcrições das fitas das aulas e das entrevistas realizadas com os sujeitos no início do período de aulas e que se encontram de forma integral nos anexos A e B.

Partindo das descrições, iniciei as análises, realizando sucessivas reduções. A redução é um procedimento chave quando se pretende trilhar o caminho da pesquisa fenomenológica. Ela “[...] inibe as possibilidades de conhecimento teórico prévio, reorienta a direção do olhar, permite que se fale daquilo que é visado, pois seleciona as partes da descrição consideradas essenciais do fenômeno” (BICUDO, 1994, p. 20).

No movimento de redução o investigador coloca o fenômeno em suspensão para que seja olhado em suas manifestações. Conforme nos esclarece Bicudo10,

Ao centrar sua atenção nos enunciados, que fala dessas manifestações, o pesquisador efetua uma análise, buscando compreender os sentidos e os significados que se abrem no horizonte da interrogação formulada. Os significados atribuídos, explicitados em proposições, permitem que avance na busca de compreensões, de modo que, mediante a efetivação de trabalho árduo em que a articulação dessas compreensões vai se processando, tornando possível sua reunião em todos mais amplos, também explicitados por proposições que expressem as convergências desveladas ou elaboradas. No terreno dessas convergências, as divergências também são apontadas e seus significados explicitados.

O trabalho de redução é eminentemente um processo em que o movimento do pensar ocorre, entendido como logos, que diz do esforço de reunir, com sentido e de modo inteligível as compreensões interpretadas, constituindo-se então o discurso esclarecedor do pesquisador, passível, esse discurso, de ser explicitado em linguagem. Esse é o movimento em que o pesquisador transcende os sentidos e significados percebidos, analisados e interpretados dos individuais, caminhando para uma generalidade mais abrangente, porém articulada a esses individuais. (BICUDO, 2005)

Assim, partindo das proposições elaboradas no processo de análise dos individuais, fui realizando sucessivas reduções agrupando as proposições que expressavam minha interpretação em termos que explicitam um pensamento articulador. Nesta pesquisa tal processo de redução resultou no quadro das convergências menores e maiores. Das várias convergências maiores, busquei modos relacioná-las formando regiões de generalidades formadas pela minha compreensão e interpretação no âmbito da interrogação do fenômeno investigado, daí formando as categorias abertas. As categorias abertas expressam a estrutura geral do fenômeno, pois desvelam as convergências das convergências.

[...] Elas não falam de generalizações, mas apontam generalidades articuladas pelo movimento do pensamento em que o logos se constitui em processo e que mantêm ligações com os individuais, embora os transcenda. (BICUDO, 200511)

Enfim, no estudo realizado parto da análise dos individuais indo para uma compreensão geral do fenômeno, voltando sempre às asserções dos sujeitos, para, num movimento reflexivo, realizar o pensamento meditativo explicitado por Heidegger (1983) e que revela uma das possibilidades de o logos se constituir. Para ser mais específica, passo ao modo como realizei o estudo das entrevistas iniciais e das aulas.