3.1.1 Atualização da base viária georreferenciada
A existência da localização em um mapa georreferenciado dos acidentes de trânsito é imprescindível para qualquer análise espacial, desde a simples visualização de padrões, identificação de zonas críticas e até as mais complexas análises espaciais. O acidente é um evento espacial pontual, sendo devidamente localizado se for conhecida a sua coordenada geográfica. Apesar da popularização de equipamentos móveis que permitem a obtenção direta das coordenadas geográficas, muitas informações de acidentes foram coletadas pelos órgãos de trânsito no formato de endereço de correspondência.
Consolidação das bases georreferenciadas - Base viária
- Base de áreas
AEDE - Análise exploratória em áreas
- Identificação da dependência e da heterogeneidade espacial
Avaliação dos modelos geoponderados com superdispersão
Efeito de escala - Agregação das áreas de análise - Avaliação das estatísticas (uni/bivariada) e autocorrelação espacial.
- Avaliação dos modelos não espaciais e espaciais.
A geocodificação é o processo de transformar endereços em coordenadas geográficas, sendo seu sucesso em parte relacionado ao uso de uma base de eixos viários atualizada e consistente. Vários tipos de erros podem ocasionar a não localização do acidente, tais como: desatualização da base de eixos viários, abreviações e erros ortográficos, mudança na denominação do logradouro ao longo da extensão da via, existência de logradouros homônimos, erros na coleta ou processamento da informação e numeração irregular de imóveis ou problemas de conectividade dos links da base viária, provocando a inexistência de nós.
Com o intuito de melhorar o sucesso da geocodificação dos acidentes de trânsito e adicionar outras informações úteis para a modelagem espacial do DSV, Lima et al. (2015) apresentaram um método para consolidar/atualizar uma base de eixos viários georreferenciada, que foi aplicado à rede urbana do município de Fortaleza. A sequência de atividades para a atualização e consolidação de uma base de dados georreferenciada para a modelagem do DSV foi estruturada de acordo com as seguintes etapas:
a) Escolha da base geográfica de logradouros e da ferramenta de atualização: No ambiente de Fortaleza, observou-se a existência de bases de diversas instituições, cada uma diferente da outra, sendo que eram alteradas isoladamente de acordo com os objetivos de cada atividade. Assim, foi escolhida como base geográfica inicial a originada da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), já que essa possuía o maior número de atributos utilizados pelo sistema de informações de acidentes de trânsito do município. A ferramenta de atualização escolhida levou em consideração os critérios de licenciamento do aplicativo, disponibilidade de rotinas de manipulação e visualização espacial dos dados e a possibilidade de atualização simultânea e em tempo real (ambiente web). Desta forma, utilizou-se o software Quantum GIS, que é um Sistema de Informações Geográficas – SIG de licença livre, juntamente com PostGIS, que é uma extensão geoespacial para o Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD).
b) Verificação de conectividade e topologia dos arcos: A necessidade de verificar a conectividade dos links deve-se à existência de pseudo nós na base viária, ou seja, as geometrias finais das linhas (endpoint) não estavam ligadas aos pontos finais de outras geometrias, ocasionando a não existência da interseção e que porventura poderia apresentar acidentes de trânsito. A necessidade de correção
da topologia dos links decorre do fato de que, quando se realiza uma análise espacial em nível de áreas, o número de acidentes dentro da área pode ser alterado, caso a topologia dos links esteja incorreta. De forma geral, os números pares e ímpares das edificações estão posicionados à direita e à esquerda, respectivamente, ao longo dos logradouros, considerando o sentido de crescimento da numeração da via. Se o sentido de criação do link na base viária não corresponder à realidade de campo, os acidentes poderão ser geocodificados no lado errado do logradouro e consequentemente, em áreas erradas.
c) Atualização da numeração das edificações e inclusão de atributos físicos das vias: A atualização da numeração das edificações no aplicativo QGIS foi feita através da visualização da numeração inicial e final, do lado direito e esquerdo, de cada quadra, de cada via, através da ferramenta Street View do Google Maps. De forma concomitante, foram também coletadas outras informações do segmento de via, tais como número de pistas, número de faixas de tráfego e sentido de circulação.
d) Teste de avaliação da qualidade da atualização: Foi avaliado se a atualização proporcionou aumento da taxa de sucesso do georreferenciamento, seja para acidentes ocorridos em interseções ou localizados em segmentos.
3.1.2 Atualização das bases de área georreferenciada
É comum a utilização de bases geográficas originadas de diferentes fontes, podendo existir incompatibilidades espaciais. Por exemplo, as camadas de áreas como setores censitários ou zonas de tráfego, que são delimitadas em grande parte pelos eixos viários, podem não ser perfeitamente coincidentes com a base de eixos viários utilizada para realizar o georreferenciamento dos acidentes. Caso não haja qualquer tipo de tratamento entre essas camadas, poderá ocorrer uma quantificação errônea das observações pontuais para as unidades espaciais.
Por conta disso, as camadas de setores censitários e zonas de tráfego foram redesenhadas, a partir da base de eixos viários, fazendo como que as delimitações dessas unidades espaciais fossem coincidentes. Além das camadas de áreas, foi feita também a compatibilização para outras camadas pontuais como a base de interseções semaforizadas e de equipamentos de fiscalização eletrônica, ambas originadas da AMC.
Além das bases geográficas citadas, foram utilizadas também informações relativas ao uso do solo disponibilizadas pela Secretaria Municipal das Finanças (SEFIN) do ano de 2014 e informações sobre o Censo 2010. A consolidação final do banco de dados com todas as informações agregadas foi feita com a aplicação de ferramentas típicas de um SIG, como funções que permitem realizar consulta espacial, sobreposição de camadas e operações espaciais com base no relacionamento topológico das entidades geográficas disponíveis. Ao final do processo, foi gerada uma camada de setores censitários e outra de zonas de tráfego, contendo informações de acidentes de trânsito, exposição, características da rede viária, características socioeconômicas e uso do solo.