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7. ABDURRAHMÂN es-SA’DÎ’NİN KAYNAKLARI

7.1. İBN TEYMİYYE

7.1.3. İbn Teymiyye’nin Tefsir Yöntemi

“Le Brésil a aujourd´hui un peuple, il n’a encore qu’une nationalité factice, ce qui fait le peuple, c’est la race”.

(GUSTAVE AIMARD, Le Brésil Nouveau, 1888)50

Sublinhamos como a representação da sociedade brasileira realizada pelos franceses exerceu um papel importante na caracterização do Brasil – e, mesmo do Novo Mundo em certa medida –, entre o início da colonização e o século XIX. As imbricações dessa representação tornaram-se importantes para a percepção do futuro da nação. O Brasil era o local ideal para o estudo dos efeitos da mestiçagem na vida social. A obra de Arthur de Gobineau – Ministro da França no Brasil a partir de 1869 – sobre o encaminhamento das raças humanas foi, em certa medida, emblemática para a discussão sobre a direção da sociedade brasileira. Em um discurso baseado na classificação da humanidade a partir do escalonamento racial, Gobineau (1853) afirmava que raças oriundas da miscigenação, como a brasileira, estariam fadadas ao fracasso: a mestiçagem daria origem a uma sociedade degenerada, sem valor, despida de classificação (GOBINEAU, 1853, p. 24). E essa raça, para o autor, poria termo inexoravelmente à civilização. Ao chegar ao Brasil Gobineau escreveria, então, sobre os brasileiros enquanto uma população fadada ao fracasso justamente devido à mestiçagem. A solução, para o autor, estaria em um branqueamento da população a partir da imigração para salvar o país da inviabilidade de uma nação composta por raças mistas (SCHWARCZ, 2008, p. 36).

Esse questionamento sobre o futuro do Brasil miscigenado, juntamente com o fim da escravidão em 1888, forneceu, a partir de então, o traço fundador das análises sobre a sociedade brasileira. As teses de Gobineau seriam bastante consideradas, principalmente em escritos de autores brasileiros positivo- evolucionistas, como Nina Rodrigues. Elas estariam presentes, também, no ideário da política de branqueamento da nação que se iniciara antes mesmo do fim do Império, em 1877, e se fortalecera no início da República. Afinal, a mestiçagem, aos

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O Brasil possui hoje um povo, ele ainda conta apenas com uma identidade fictícia. (Tradução nossa)

olhos de Gobineau e daqueles que o seguiram constituiria “[...] uma pista para explicar o atraso ou uma possível inviabilidade da nação.” (SCHWARCZ, 2015, p. 18).

O Decreto nº 528 de 1890, que Regularisa o serviço da introducção e localisação de immigrantes na Republica dos Estados Unidos do Brazil, versaria sobre o assunto em seus quatro primeiros artigos:

Art. 1º É inteiramente livre a entrada, nos portos da Republica, dos individuos válidos e aptos para o trabalho, que não se acharem sujeitos á acção criminal do seu paiz, exceptuados os indigenas da Asia, ou da Africa que sómente mediante autorização do Congresso Nacional poderão ser admittidos de accordo com as condições que forem então estipuladas. Art. 2º Os agentes diplomaticos e consulares dos Estados Unidos do Brazil obstarão pelos meios a seu alcance a vinda dos immigrantes daquelles continentes, communicando immediatamente ao Governo Federal pelo telegrapho quando não o puderem evitar.

Art. 3º A policia dos portos da Republica impedirá o desembarque de taes individuos, bem como dos mendigos e indigentes.

Art. 4º Os commandantes dos paquetes que trouxerem os individuos a que se referem os artigos precedentes ficam sujeitos a uma multa de 2:000$ a 5:000$, perdendo os privilegios de que gozarem, nos casos de reincidencia51. (DECRETO nº 528, de 28 de junho de 1890)

A política de branqueamento contaria com a crise de países europeus como Itália e Alemanha para prover o Brasil com a mão de obra branca europeia tão almejada por seus idealizadores, até os anos 1930. Exemplo dessas considerações seria o trabalho do médico brasileiro João Batista Lacerda – diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro na época – apresentado no Congresso Universal das Raças, em julho de 1911.

Das imagens utilizadas por Lacerda para ilustrar seu trabalho, o quadro A redenção de Cam, de Modesto Brocos y Gomes se destaca ao apresentar uma cena da evolução/branqueamento do povo brasileiro. Para o autor, a mestiçagem brasileira teria solução em uma transição “branqueadora” que se daria no intervalo de um século, caso a política de branqueamento tivesse continuidade: “Le nègre

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DECRETO. Decreto n. 528 de 28 de junho de 1890. Regularisa o serviço da introducção e localisação de immigrantes na Republica dos Estados Unidos do Brazil. Disponível em: <http://goo.gl/s9QSfG>. Acesso em: 25 jun. 2015.

passant au blanc, à la troisième génération, par l’effet du croisement des races”52 (LACERDA, 1911 conforme SCHWARCZ, 2015, p. 16).

Figura 2 – A redenção de Cam (1895) – Modesto Brocos y Gomes

Fonte: MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES, IBRAM/MinC. Rio de Janeiro, 2015.

A imagem do Brasil mestiço, produtor de “filhos do sol” – parafraseando o francês Gustave Aimard (1887) – era, de fato, apreensiva para o governo e elites locais, encontrando ecos nos escritos dos pensadores sociais à época. Como salienta Schwarcz, esse era um assunto político e historicamente construído globalmente no período em questão – haja vista as teses sobre o darwinismo social – e, no Brasil, o tema racial era ponto chave para a compreensão da nação.

Nesse mapeamento da questão nacional – relacionada a características físicas e atributos morais – foram vários os intelectuais nacionais que opinaram sobre a questão. Se a tendência até a década de 1930 era a uma percepção da questão da mestiçagem negativada, esse quadro que passaria a se modificar na

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O negro passando a branco, na terceira geração, por efeito do cruzamento das raças. (Tradução nossa).

década de 1920, principalmente a partir da Semana de Arte Moderna, ganharia contornos bastante diferentes com a política nacionalista de Getúlio Vargas e as teorias sobre a “democracia racial” – que tem em Gilberto Freyre seu principal representante – e sobre o “homem cordial brasileiro”, tratado por Sérgio Buarque de Holanda, que exerceriam influência nas décadas seguintes, como se vê a seguir.

2.3 Do morro da Conceição para o cotidiano francês: esboços de uma imagem