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A política de investimento do FS está pautada na busca da rentabilidade, da segurança e da liquidez de suas aplicações, bem como no objetivo de assegurar a sua sustentabilidade econômica e financeira para o cumprimento das finalidades descritas nos artigos 47 e 48. Do
que se nota, no dizer de L. G. Almeida (2010, p.08) que a vinculação nítida aos objetivos financeiros e macroeconômicos do país, é ―elemento caracterizador de um FSR‖.
Nos termos do artigo 53 da Lei no 12.351/2010, o Comitê de Gestão Financeira do Fundo Social (CGFFS) será o responsável para dizer o montante de resgate anual, a rentabilidade mínima esperada, o tipo e o nível de risco assumido, os percentuais (mínimo e máximo) de recursos a serem investidos no exterior e no país, e a capitalização mínima a ser atingida antes de qualquer transferência para as finalidades e para os objetivos do FS.
Pelo que se depreende do artigo 53 acima referenciado, esse Comitê terá um poder decisório relevante, daí a sua composição ser motivo de crucial importância. E, diferentemente, do modelo norueguês existirá uma disciplina imposta por lei para não ocorrência de transferência de receitas do fundo para as áreas do orçamento que estejam em déficit.
O parágrafo primeiro do artigo 52 diz que caberá ao Poder Executivo a regulamentação de sua composição e funcionamento. Todavia, desde já se assegura a participação do Ministro de Estado da Fazenda, do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e do Presidente do Banco Central do Brasil106. Com a previsão de participação das autoridades monetárias e financeiras do Estado, supre-se a lacuna inicialmente verificada no âmbito do PL, que seu artigo 7º somente prescrevia que o Comitê seria regulamentado pelo Poder Executivo Federal.
Vale ressaltar que pelo parágrafo segundo, esses ministros não serão remunerados pelas funções a ser exercidas no âmbito do Comitê, mas despesas operacionais serão custeadas pelo próprio FS.
Caso o Comitê decida pela necessidade de contratação de instituições financeiras federais para atuarem como agentes operadores do FS, será feita a devida remuneração pelos serviços dessas instituições107.
Dentro dessas premissas financeiras, a União108 ainda poderá utilizar os recursos do FS para ser cotista única de fundo de investimento específico. Nesse ponto é interessante a construção
106 No texto original do PL não havia a menção expressa a esses Ministérios. 107 Não poderíamos esperar que a lei tratasse isso de forma distinta.
108 Nos termos do parágrafo primeiro do artigo 56 do Substitutivo, a integralização das cotas do fundo de
investimento será autorizada em ato do Poder Executivo, ouvido o Comitê de Gestão Financeira do Fundo Social. Inclusive, a responsabilidade patrimonial do cotista fica limitada à integralização das cotas que subscrever (parágrafo terceiro).
do aparato de divisão do FS109 e de futuro fundo de investimento específico, ou seja, os dois são distintos.
O FS tem natureza pública, conforme visto no capítulo 3. Nesse sentido, o artigo 165 da CF, em seu parágrafo 9º, inciso II, remete à necessidade de regulamentação da matéria aqui tratada por lei complementar, o que é acabou sendo feito pela Lei no 4.320/64, norma federal sobre direito financeiro, que em seu artigo 71 define fundo especial como: ―o produto de receitas especificadas que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação‖ (L. G. ALMEIDA, 2010, p. 07).
Os fundos podem ser de dois tipos. O primeiro, de destinação110, com a vinculação de receitas para aplicação em determinada finalidade, previsto constitucionalmente no inciso II do parágrafo nono, do art. 165. O segundo, de participação, ―tem caráter tributário e tem previsão constitucional nos arts. 157 a 162, sendo de se mencionar o Fundo de Participação dos Estados e Fundo de Participação dos Municípios.111‖ (R. F. OLIVEIRA, 2008, p. 238). O fundo sob análise se trata do primeiro tipo, sendo assim, além de se encontrar mencionado em lei, tais receitas deverão estar vinculadas a determinadas finalidades, ou seja, ―programas instituídos pelas normas, de interesse da Administração Pública‖, bem como se exige sua constituição por norma peculiar112 (R. F. OLIVEIRA, 2008, p. 284). A lei poderá dispor sobre as maneiras pelas quais os recursos serão empregados. Não possui personalidade jurídica e nem capacidade processual, posto corresponder a mero lançamento fiscal e não pratica atos jurídicos (não são titulares de direitos e nem sujeito de obrigações) (R. F. OLIVEIRA, 2008, p. 288-89).
109Segundo L. G. Almeida (2010, p.16), os fundos têm uma quase-personalidade jurídica; são dotados de
autonomia para a gestão dos ativos que lhe são destinados, e têm capacidade processual própria.
110 Outros exemplos de fundos: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação – (FUNDEB) - EC n. 53/2006; Fundo partidário previsto no parágrafo terceiro do artigo 17 da CF; Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (FCEP) – EC n. 31/2000 e LC n. 111/2001; Fundo de Amortização da Dívida Pública Mobiliária Federal; Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT); Fundo de Aposentadoria Programada Individual – FAPI; Fundo de Compensação de Variações Salariais (FAVS); Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), destinado ao financiamento de projetos de investimento de interesse social, nas áreas de habitação e saneamento; Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) tem por finalidade propriciar à União recursos para investimento de capital no desenvolvimento nacional. Outros fundos, podem ser consultados na página do Banco Central. Vale citar, ainda, o Programa Fome Zero que apesar de não ser fundo tem o objetivo de assegurar alimentação adequada e é coordenado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA).
111 O fundo que trataremos nesse capítulo é o referente ao primeiro tipo. O segundo será explorado no capítulo 6. 112 Essa norma peculiar consiste em regramento próprio para a aplicação dos recursos e a forma alternativa de
Por seu turno, o fundo de investimento específico, pelo próprio texto da lei, é de natureza privada, constituído por instituição financeira federal, que observará as normas do inciso XXII113 do art. 4º da Lei no 4.595/64. Portanto, submete-se à regulação e à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)114.
A União, ao aportar os recursos do FS, poderá participar do fundo de investimento como única cotista. Ademais, fundo de investimento específico tem patrimônio próprio separado do patrimônio do cotista e do administrador e se sujeita a direitos e obrigações próprias115. Pelo se depreende, correta a posição de L. G. Almeida (2010, p.08) ao afirmar que os dois fundos aqui delineados, tanto o FS quanto o fundo de investimento específico, serão controlados pelo Estado brasileiro, o que corresponde a um dos elementos essenciais definidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para enquadramento do FS como Fundo Soberano de Riqueza116.
Ademais, o parágrafo único do artigo 50 estabelece que ―Os investimentos e aplicações do FS serão destinados preferencialmente a ativos no exterior, com a finalidade de mitigar a volatilidade de renda e de preços na economia nacional.‖ Já o parágrafo segundo do artigo 56 diz que ―o fundo de investimento terá por finalidade promover a aplicação em ativos no Brasil e no exterior.‖
O que na verdade pretende se ressaltar nesse ponto é a ausência de menção ao artigo 72 da Lei no 4320/64, pois conforme bem lembrado por L. G. Almeida (2010, p. 10) ―toda e qualquer aplicação das receitas dos fundos públicos financeiros, incluindo assim o Fundo Social, está vinculada à lei orçamentária da União, ou seja, requer previsão orçamentária aprovada pelo Congresso Nacional.‖
Ainda, quanto ao fundo de investimento, observa-se que o seu estatuto, dentre várias matérias, irá delinear ―políticas de aplicação, critérios e níveis de rentabilidade e de risco, questões
113 Assim prescreve o art. 4º da Lei n. 4.320/64: ―Compete ao Conselho Monetário Nacional, segundo diretrizes
estabelecidas pelo Presidente da República: XXII - Estatuir normas para as operações das instituições financeiras públicas, para preservar sua solidez e adequar seu funcionamento aos objetivos desta lei.‖
114 Nesse sentido, para maiores esclarecimentos, recomenda-se a leitura da Instrução CVM n.º 409, de 18 de
agosto de 2004, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nºs 411/04 e 413/04 (CVM, 2011a). Também, a Instrução CVM n. 306/1999 que prevê os deveres de diligência e lealdade, o dever de informar, dentre outros (CVM, 2011b).
115 Artigos 55 e 56 da Lei no 12.351/2010.
116 Para aprofundar esse ponto, recomendamos a leitura do Generally Accepted Principles and Practices (GAPP)
ou Princípio de Santiago que serve de diretrizes para a apropriada governança e responsabilidade dos Fundos Soberanos de Riquezas (FSRs).
operacionais117 da gestão administrativa e financeira e regras de supervisão prudencial de investimentos‖.
O estatuto ou regulamento do fundo de investimento específico deverá seguir o disposto no artigo 41 da Instrução CVM no 409/2004, elaborado pela instituição administradora e aprovado simultaneamente a sua constituição. Apesar de existir a previsão do Comitê (CGFFS) como responsável pela definição da política de investimento do FS, no tocante ao fundo de investimento específico não há, na redação original do PL, nem no Substitutivo, ligação entre a função do Comitê e as diretrizes porventura integrantes do estatuto do fundo de investimento. Por tal motivo, L. G. Almeida (2010, p.12) salienta que pelo fato de a política do Fundo Social não ser vinculada à política de investimento estabelecida no regulamento do fundo de investimento específico, existe a possibilidade de desconformidade entre as diretrizes do FS e do fundo de investimento. Tal lacuna, segundo essa autora, pode restringir ou eliminar qualquer finalidade macroeconômica do Fundo Social, ―o principal objetivo de sua constituição‖.
No caso de sua dissolução, os recursos retornarão ao FS. Os demonstrativos contábeis desse fundo deverão seguir as normas pertinentes sobre a matéria e de acordo com o seu estatuto, sendo assim, a divulgação de informações poderá ficar ao critério da instituição financeira federal administradora do fundo de investimento específico (L. G. ALMEIDA, 2010, p. 11). Dentro dessa perspectiva, juridicamente, não há empecilho para que parte dos recursos do FS seja destinada ao fundo de investimento, de natureza privada e com patrimônio próprio, destinado a promover a aplicação em ativos no país e no exterior.
Nota-se, portanto, que a tendência inicial do diploma é incentivar a constituição de poupança por meio de investimentos, que promovam rentabilidade e sustentabilidade, inclusive por meio de instituição de fundo de investimento privado.
Embora, não seja possível verificar os dados orçamentários, como no exemplo da Noruega, é crível pontuar que guardadas as diferenças sociais e de cunho político, no caso brasileiro, pode ser que despesas públicas sejam preteridas a políticas macroeconômicas, por essa razão verifica-se um distanciamento da política de investimento com o princípio da justiça intra e intergeracional.
117 O parágrafo quinto do artigo 56 prevê a não incidência dos tributos de competência da União sobre as