BÖLÜM 2: İŞ GÜCÜ DEVRİNİN TANIMI VE KAPSAMI
2.2. İşgücü Devrinin Önemi
Nesta seção são analisadas as relações entre educação, crescimento e desenvolvimento econômico, reforçando a importância da educação para o desenvolvimento socioeconômico dos países.
O papel da educação para os países é um tema recorrente no meio acadêmico, em especial quando está relacionado com o crescimento e desenvolvimento econômico. O interesse pelo tema aumenta ainda mais dado à importância inquestionável da educação para o desenvolvimento socioeconômico de um país (GREMAUD, FERNANDES, ULYSSEA, 2006). Nesse sentido vários estudos têm sido realizados relacionando investimentos em capital humano e crescimento econômico. Gremaud, Fernandes e Ulyssea (2006) afirmam que a acumulação de capital humano e, portanto, o nível educacional da força de trabalho tem um papel determinante no crescimento econômico. Deste modo, a grande parte da motivação das políticas de incentivo ao capital humano nos países em desenvolvimento está relacionada com a possibilidade de proporcionar maior crescimento econômico, que contribuirá para uma elevação dos níveis de renda nesses países, com foco na redução da pobreza em longo prazo (HANUSHEK, 2013).
A partir da década de 1950 surgiram importantes estudos sobre os efeitos do capital humano e da educação no crescimento e desenvolvimento econômico, com destaque para os trabalhos feitos por Schultz (1961), Denison (1974) e Psacharapoulos (1981; 1985). Nestes estudos são relacionados os efeitos positivos da educação sobre o crescimento econômico e o aumento da renda familiar. Barro (1999), ao analisar dados de 100 países entre 1960 e 1995, destaca que o crescimento econômico está relacionado principalmente ao desempenho dos alunos em ciências, assim como a quantidade de anos de estudos no segundo grau e níveis superiores. Para o autor, se mantida a qualidade, o aumento quantitativo da educação (número de alunos e quantidade de anos de estudo) favorece a melhoria do desempenho econômico do país. Barro e Lee (2010), em um estudo com 146 países utilizando dados de 1950 a 2010, reforçam os achados anteriores de que a escolaridade tem um efeito positivo sobre o nível de renda de um país e que a educação também produz importantes efeitos econômicos e sociais.
Pereira e Albyn (2009), ao avaliarem os efeitos da educação no crescimento econômico em Portugal, também apontaram a escolaridade como um fator determinante no crescimento
econômico do país entre 1960 e 2001 sendo que, pela análise de causalidade, impulsos na média do número de anos de escolaridade levam a aumentos indiretos no PIB por trabalhador. Resende e Wyllie (2006) corroboram com os resultados acima ao apontarem que países com alto nível de investimento em educação obtiveram altos níveis de crescimento econômico.
Franco (2008) ao destacar os reflexos da educação sobre o crescimento econômico destaca que a qualidade da educação oferecida pelas escolas, mensurada pelo desempenho dos alunos em testes padronizados, tem forte relação positiva com a produtividade e o crescimento econômico dos países. Neste sentido, Solmon (1985) avaliou o impacto da qualidade da escola sobre os resultados dos alunos, principalmente o desempenho no trabalho e, posteriormente, sobre o crescimento econômico. Para o autor, a melhoria da qualidade do ensino fornecido pelas escolas em países em desenvolvimento pode ser mais importante para as futuras perspectivas econômicas dessas nações no longo prazo do que ampliar o acesso à educação de má qualidade. De maneira semelhante, Cadaval (2010) aponta que a qualidade da educação (mais do que quantidade) é um fator importante para o crescimento econômico do país e da renda das famílias.
Por estar relacionada a aspectos sociais, como a melhoria do padrão de vida, a educação também é utilizada como um importante indicador de desenvolvimento humano. Criado por Amartya Sen e Mahbub ul Haq em 1990, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) vem sendo utilizado pela Organização das Nações Unidas desde 1993 como forma de classificar os países, comparativamente, pelo seu nível de desenvolvimento humano. Em seu cálculo são utilizados dados relativos à renda, longevidade e educação, que envolve a taxa de alfabetização, que corresponde ao número de pessoas, com quinze anos ou mais, que já concluiu o ensino fundamental e a taxa de escolarização, que considera o número de pessoas matriculadas em algum curso de nível fundamental, médio ou superior (SEN, 2000; PNUD, 2014).
Deste modo, maiores níveis de educação tendem a gerar maior rendimento para os trabalhadores no mercado de trabalho, fazendo com que esse aumento da renda reflita em melhores padrões de vida para esses beneficiários. Desta forma, indivíduos com maior nível de escolaridade tendem a ter renda superior aos indivíduos com menor grau de instrução educacional. Essa diferença de renda entre os cidadãos, causada em parte pela diferença do
nível educacional, corrobora para a manutenção de uma distribuição desigual de renda, como ocorre em países como o Brasil.
Menezes Filho (2001) defende que a desigualdade de renda no Brasil, reflexo da má distribuição educacional, é percebida por diversos aspectos como etnia e diferenças regionais. Em um país como o Brasil, onde a maioria da população situa-se nos limites da pobreza, o direcionamento de recursos do estado para a área educacional, visando sua ampliação e qualidade, não só é fator essencial para promover o desenvolvimento econômico e social, como pode constituir em um importante instrumento para diminuir a excessiva desigualdade da distribuição de renda (BATALHA; MIRANDA; LIRIO, 2012). Cunha et al. (2009) também defendem a ideia de que é possível reduzir as desigualdades por meio da educação. Segundo os autores (2009),
[...] parece haver consenso de que a educação é um dos fatores que contribui para a redução da desigualdade. As escolas são, portanto, essencial na criação de oportunidades, especialmente para as crianças de famílias de baixa renda. Escolas poderiam contribuir para a minimização dos efeitos de segregação social, que é uma característica importante das cidades brasileiras (CUNHA et al., 2009, p. 882).
Ao considerar que a educação é um dos fatores que permite que um país tenha maiores níveis de crescimento e melhores condições de vida para a população, o desenvolvimento da área educacional se torna ponto fundamental para que o país atinja essas metas, o que em termos práticos significa (1) reduzir a evasão3 escolar no ensino fundamental, em especial entre a população mais carente e (2) aumentar o número de estudantes que concluem o ensino médio e iniciam o ensino superior.
Segundo Moran (2007), para enfrentar tais desafios é necessário repensar a escola brasileira, pois da maneira como se apresenta hoje ela é pouco atraente. O autor aponta que além das limitações escolares o desinteresse e a necessidade de trabalhar são os principais motivos que estão levando muitas crianças do 5° ao 8° ano a abandonarem as escolas. Baseado em uma pesquisa realizada pelo INEP, produzida em 2005 e publicada em 2007, o autor destaca que,
[...] o que afasta as crianças entre a 5ª e a 8ª série é mais o desinteresse (40%) do que a necessidade de trabalhar (17%). A escola, principalmente a partir da quinta série, fica fragmentada, compartimentalizada. As disciplinas estão soltas, falam de assuntos sem ligação direta com a vida do aluno. Muitos Professores estão desmotivados. A infraestrutura está bastante
3 Evasão é a condição do educando que, matriculado em determinada série/ano letivo, não se matricula na
comprometida, o acesso real da maior parte dos alunos à Internet é muito insatisfatório. No ensino superior, metade dos alunos não termina o seu curso, não se formam. Com uma escola assim e, ao mesmo tempo, com o rápido avanço da sociedade rumo à sociedade do conhecimento, o distanciamento entre a escola necessária e a real vai ficando dramático (MORAN, 2007, p.1).
As causas da evasão escolar são variadas, partindo da falta de motivação dos alunos e despreparo dos Professores à falta de infraestrutura da escola (MENDES, 2013). Além destas questões, a evasão também está ligada à entrada do estudante precocemente ao mercado de trabalho (LEME; WAJNMAN, 2000; CORSEUIL; SANTOS; FOGUEL, 2000; KASSOUF, 2002). Segundo Akkari (2001), muitas crianças acabam abandonando os estudos para trabalhar e contribuir na renda familiar. Desta forma, as causas da evasão estão ligadas tanto à perspectiva do aluno, quanto da instituição. De acordo com Rumberger (2006),
No que se refere à dimensão institucional, não apenas a escola, como também, outras instituições – como a família e a comunidade -, podem influenciar tanto na permanência quanto na saída dos alunos da escola. Especificamente no contexto escolar, os recursos que esta instituição oferece ou deixa de oferecer podem tanto influenciar na efetivação do engajamento e desempenho acadêmico, quanto contribuir para o processo de desengajamento e evasão do estudante (RUMBERGER, 2006).
Costa (2010), baseado na Lei n.º 9.394/1996 (BRASIL, 1996), que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e ajusta os princípios da Constituição, aponta que a garantia do direito de educação deve ser relacionada a um padrão de qualidade que possa prover aos estudantes condições de aprendizado. Moran (2007) corrobora com esta observação ao considerar que a educação universal e de qualidade é uma condição necessária para o ser humano evoluir, ser competitivo, superar a desigualdade, oferecer melhores perspectivas, empreendedorismo e empregabilidade. Desta forma, a garantia ao direito à educação não é condição suficiente para aumentar o nível de escolarização, sendo necessária, além do aumento de número de matrículas e democratização do ensino, a provisão de meios para evitar a evasão e proporcionar condições de permanência e continuidade para os estudantes (MEC, 2006). A permanência do aluno na escola é determinante para a sua renda futura. Rodrigues (2010) colabora com tal constatação ao concluir em seu estudo, sobre o impacto da educação no rendimento salarial, que obter um ano a mais de escolaridade tem impacto significativo sobre a renda futura.
Com base na literatura pesquisada ficou evidente que quanto maior o nível educacional, maior será o redimento salarial médio das pessoas e melhores serão suas condições e oportunidades
de trabalho. Dentro deste contexto, Menezes-Filho (2001) destaca a necessidade eminente de se formular políticas voltadas para as pessoas com baixo nível educacional, de modo que elas possam ser inseridas ou readaptadas no mercado de trabalho e consigam ter melhores condições de vida, contribuindo assim para o crescimento e desenvolvimento econômico do país.