2.3. İŞ TATMİNİ KAVRAMININ TANIMI VE ÖNEMİ
2.3.1. İş Tatminini Etkileyen Bireysel Faktörler
Na discussão dos dados far-se-á a ligação entre as diversas partes do estudo em relação à interpretação dos resultados de maior significância. Atendendo à escassez de estudos semelhantes, a respectiva interpretação será apoiada na revisão da literatura efectuada e em dados resultantes de estudos que darão uma visão mais integradora da nossa realidade em relação a outras realidades.
Inicialmente centrar-nos-emos na caracterização da amostra, seguindo-se a discussão dos principais resultados obtidos, tendo em conta a literatura existente.
O presente estudo, realizado com uma amostra de 47 indivíduos com idades superiores a 65 anos, frequentadores de umas das instituições seleccionadas, deparamo- nos com uma predominância de indivíduos do sexo feminino, representando, respectivamente, 72% e 28% da amostra.
Em relação às idades, estas variam entre os 65 e os 85 e mais anos, sendo que a distribuição da média por idades encontra-se na classe etária compreendida entre os 70 e os 74 anos, com um desvio padrão de 3,45 anos.
Comparando estes dados com o estudo realizado por Rodrigues em 2009, verificamos que estes estão em conformidade com os do autor. O panorama nacional acompanha o agravar do envelhecimento da população residente, com um predomínio do sexo feminino, à semelhança do que acontece em outros países, devido à esperança média de vida nas mulheres ser superior, vivendo estas mais três anos e meio que os homens (Rodrigues, 2009).
No que concerne às habilitações literárias, verificamos que a maioria dos indivíduos frequentou o ensino básico primário, com uma percentagem de 66,0%, seguindo-se os indivíduos que não possuem qualquer instrução educacional com 12,8%. Desta forma, salienta-se que embora sejam indivíduos com idades avançadas há uma prevalência dos utentes com níveis de literacia em relação aos que não sabem ler nem escrever.
Comparando estes dados com os do estudo realizado por Rodrigues em 2009, as habilitações literárias variam entre a situação de não saber ler nem escrever até ao
ensino médio, pelo que nenhum elemento da amostra possuía formação de nível superior, pelo que os dados obtidos neste estudo diferem dos dados do autor referido.
Relativamente ao estado civil dos inquiridos verificamos que, 57,4% dos indivíduos são casados ou vivem em união de facto, seguindo-se 21,3% dos indivíduos viúvos e em igual percentagem os indivíduos solteiros.
Estes dados, divergem dos obtidos por Rodrigues (2009), e mostram-nos uma diferença percentual de mulheres em relação aos homens, pois o valor superior para o estado civil de casados ou a viver em união de facto e um menor valor de viúvos, quer de solteiros, sendo que as mulheres apresentam-se com valores mais elevados para o estado civil de casadas e uma diminuição do estado de viúva ou solteira.
Por conseguinte e em relação à frequência e não frequência de instituições, deparamo-nos com 51,1% dos indivíduos a residirem na sua habitação e a não frequentarem qualquer instituição, 25,5% dos indivíduos a residirem num lar e a frequentar as actividades que lá se desenvolvem e ainda, 23,4% dos indivíduos que residem no domicílio mas frequentam uma instituição para realizarem qualquer tipo de actividade.
Ao testarmos as hipóteses, constatou-se no teste de H1 verificou-se as dimensões e a ordem média de cada grupo. Ao calcularmos a probabilidade de significância obtivemos um valor de p = 0,360 > α = 0,05, logo não rejeitamos a hipótese das médias serem iguais entre os grupos concluindo que as diferenças encontradas entre os grupos não são estatisticamente significativas.
Este resultado faz-nos que que não existe qualquer relação entre a idade do utente e a sua funcionalidade.
No teste de H2, os níveis de significância associados a cada teste apresentam valores de p= 0,094, p= 0,062 e p= 0,278, tendo um erro de 0,05, o que podemos concluir que todas as distribuições das habilitações escolares são normais.
No que concerne à diferença de médias feita entre grupos e dentro dos mesmos grupos, a significância é igual a 0,125, pelo que não se pode rejeitar a hipótese das médias serem iguais, logo a diferença das médias observada não é estatisticamente significativa (F (5,41) = 1,846; p = 0,125).
Desta forma, verificamos que não existe qualquer relação entre a funcionalidade e as habilitações literárias nos grupos estudados.
Passamos agora a discutir os resultados referentes à funcionalidade dos idosos, como também observar a relação das actividades de vida diária e socioculturais, enquanto um fomento da funcionalidade do idoso ao nível da saúde física e mental.
Em relação ao primeiro objectivo, que coincide com H3, “analisar a relação das actividades socioculturais nas capacidades dos idosos institucionalizados (SCMM e USM) e não institucionalizados (residentes no domicilio na freguesia de Santo António) ”, os dados obtidos revelam que não existe um efeito estatisticamente significativo (p=0,349) sobre as actividades socioculturais e o local de residência, pelo que se verifica que o meio não influência o nível de funcionalidade.
Segundo Veras (1997), a funcionalidade é muito útil no envelhecimento, pois envelhecer mantendo as funções não significa problemas para o idoso, família ou comunidade, em que está inserido, no entanto, se as funções se deterioraram, criam-se incapacidades que condicionarão a sua autonomia e satisfação no auto-cuidado.
Se por um lado e à medida que as pessoas envelhecem, as suas casas e o meio que as rodeiam tornam-se mais significativos para estas criando-se laços de afectivos e, em consequência, envelhecer no seu espaço habitacional, prevenindo a institucionalização é uma das maiores necessidades dos idosos e das suas famílias (Gitlin, 2003). Assim, atendendo ao crescente aumento da população idosa incapacitada ou semi-incapacitada, ao tipo de famílias e à disponibilidade para a prestação de cuidados aos seus há, cada vez mais, uma necessidade de se recorrerem às institucionalizações dos idosos.
No que concerne às AVD’s e às ASC’s, na opinião de Veras (1997), existem várias formas de medir as funções desempenhadas pelos indivíduos, e se as capacidades do idoso forem resgatadas de forma plena ou adoptada, podem realizar-se as actividades quer diárias, quer socioculturais de forma independente, ou seja, deve estimular-se o idoso a participar dentro das suas possibilidades, em que as actividades devem ser feitas com o idoso e não por ele.
Ao compararmos estes resultados obtidos por Rodrigues, no desenvolvimento do seu estudo, verificamos que em ambos os estudos não existe diferença significativa entre os grupos e a funcionalidade.
A saúde e o bem-estar dos idosos são modificáveis, pelo que as determinantes de saúde nesta população são complexas, abrangendo as diversas dimensões: funcional, mental e social. Segundo Greaves & Farbus (2006), citado por Rodrigues (2009), as actividades sociais e lúdicas nos idosos que se encontram na comunidade aumentam a sua actividade cognitiva, assim como o sentimento de auto-estima, de identidade de grupo e de bem-estar, apesar das suas limitações funcionais, diminuindo os sintomas de vulnerabilidade emocional.
Neste sentido, é de salientar a importância das actividades socioculturais quer nos idosos institucionalizados, quer nos que residem na comunidade, pois estas promovem a melhoria da funcionalidade do utente (Rodrigues, 2009).
Os resultados da amostra em estudo conduzem-nos a uma semelhança de actividades lúdicas e de lazer a serem frequentadas quer por utentes institucionalizados, quer por utentes não institucionalizados.
Em relação ao segundo objectivo e H4 “ avaliar a funcionalidade dos Idosos Institucionalizados e não Institucionalizados, assim como funcionalidade ao nível da saúde física, saúde mental, actividades de vida diárias e socioculturais nos idosos da Santa Casa da Misericórdia de Machico, Universidade Sénior de Machico e Freguesia de Santo António da Serra” verificamos que por rejeição de os valores das médias obtidos as diferenças encontradas entre os grupos são significativas (p=0,02). Numa análise entre o local de residência e a saúde mental os resultados destes indicam-nos a um valor de p= 0,155, pelo que este não é significativo entre o primeiro sobre o segundo, verificando-se o mesmo entre as AVD’s e as ASC’s e os grupos com um valor de p=0,349. Por conseguinte, a relação entre a funcionalidade e o local de residência não apresenta ligação significativa, sendo p=0,234.
O primeiro aspecto a realçar, quanto à avaliação da saúde física é o facto de não se observar diferenças estatisticamente significativas entre grupos.
Segundo Lyyra et al. (2006) citado por Rodrigues (2009), a presença de um número de doenças crónicas não diminuía o nível de qualidade de vida, evidenciando que os idosos que percepcionavam satisfação com a sua vida no momento presente viviam mais tempo independentemente da possibilidade de ocorrência de doença, ou disfunção física, cognitiva ou baixo apoio social.
Posto isto, e em relação à saúde física, os determinantes da mudança de estado físico ao longo do tempo é de elevada importância para a adequação dos cuidados de intervenção na e com a população idosa (Wilson, Barnes, Krueger, Hoganson, & Benner, 2005), o que há uma incidência na diminuição da habilidade manual, especialmente a partir dos 65 anos, onde se começa a notar um declínio gradual. Esta resulta das alterações músculo esqueléticas, vasculares, nervosas e de doenças como a osteoporose, osteoartrite e artrite reumatóide (Carmeli et al., 2003).
Segundo Andrews (2000), citado por Rodrigues (2009, p. 244) “as actividades de promoção da saúde devem ter em conta os elementos psicossociais, estando comprovado que, nos idosos a actividade física moderada regular, associada a
actividades sociais e ocupacionais, comporta benefícios para a saúde dos idosos que as praticam”.
Ao nível da saúde mental e tendo em conta os estudos já efectuados e sabendo que os processos degenerativos relacionados com o envelhecimento, acrescem a estes os factores hereditários e os adversos psicossociais, que contribuem, num conjunto mútuo para o aumento da susceptibilidade ou desencadear de depressão no idoso (Alexopoulos, 2005).
Limitações do estudo
Uma das principais limitações deste estudo recai sobre a simensão reduzida da amostra. Por se tratar de uma população em idade avançada e com uma saúde geral muito fragilizada, uma grande parte apresentava deficit cognitivo fraco. Foram incluídos apenas os residentes no Lar da Misericórdia de Machico, utentes da Universidade sénior e utentes da freguesia de Santo António da Serra em igual número para que fosse possível comparar os grupos e que poderiam ter capacidades adequadas para colaborar com a aplicação do instrumento da OARS.
Por outro lado, a dimensão do questionário, exigindo um elevado tempo na realização da entrevista, conduziu a uma ponderação na definição do tamanho da amostra, conjugando o volume de informação com os objectivos propostos, o que dificultou a conjugação de toda a informação pedida pelo Questionário de Avaliação Multidimensional de Idosos.
Contudo, de todas as limitações encontradas resultou uma maior experiência e um ganho de competências adquiridas para o planeamento e desenho do estudo.
Implicações práticas
Tendo em conta os resultados obtidos com o presente estudo consideram-se algumas recomendações para investigação na área do envelhecimento e da Animação Sociocultural enquanto uma Terapia Ocupacional.
É fundamental consciencializar a população em geral para a importância de se desenvolverem programas de actividades lúdicas e de lazer significativas quer para os idosos institucionalizados, quer para os residem no seu domicílio, no sentido de
Seria interessante e pertinente aprofundar este estudo com uma revisão mais aprofundada sobre as temáticas que aqui foram abordadas, para que fosse possível perceber os determinantes das necessidades ocupacionais e que desta forma que permitisse fazer correlações com o índice de funcionalidade adaptada as actividades socioculturais.
Na falta de instrumentos que avaliem ganhos da Animação Sociocultural na funcionalidade dos idosos, é necessárias mais investigação sobre os instrumentos disponíveis, passiveis de serem utilizados na prática da animação sociocultural, sendo sensíveis ao ganho desta intervenção específica, este estudo demonstra que a OARS pode não ser um instrumento adequado para este efeito.
Assim, pretende-se que este trabalho sirva de estímulo a outros profissionais, no intuito de procurarem uma maior compreensão sobre o processo de envelhecimento, suas peculiaridades e necessidades, associados quer aos efeitos da institucionalização, quer aos efeitos de residir no domicílio de forma a direccionarem esforços para promover a autonomia, a independência e a reabilitação deste grupo de pessoas, daí que se considere pertinente mais investigação e produção científica nestas áreas.
CONCLUSÃO
A problemática do envelhecimento e o seu impacto social é uma questão que desde há muito se coloca e, como tal, a política social neste âmbito tem uma história recente na generalidade dos países.
Em Portugal, uma política de apoio às pessoas idosas já está consagrada na Constituição da Republica desde 1976, pelo que as intervenções políticas nesta área têm sido meramente suficientes.
São vários os estudiosos que se têm dedicado a esta problemática procurando dar o seu contributo na definição de políticas gerontológicas mais eficientes. Na sua essência, assentam em princípios fundamentais como sejam a interdisciplinaridade, a intersectorialidade, a manutenção do idoso na sua comunidade e de preferência no seio familiar e a revalorização do seu papel na sociedade contemporânea.
O aumento do número de idosos e o impacto que a rotina institucional pode ter sobre a participação nas actividades diárias e sobre o desempenho ocupacional configura-se um campo fértil e desafiador, não só para os Gerontólogo, mas também para todos os profissionais que trabalham quer com residentes em lares para idosos, quer com residentes no domicílio.
Este estudo permitiu, não só analisar a melhoria da capacidade funcional dos idosos, como também observar a relação das actividades de vida diárias e socioculturais enquanto um fomento da funcionalidade do idoso ao nível da saúde física e mental.
No que concerne aos resultados obtidos, constatou-se que a relação das actividades socioculturais nas capacidades dos idosos institucionalizados (SCMM e USM) e não institucionalizados (residentes no domicilio na freguesia de Santo António) não revela um efeito estatisticamente significativo (p=0,349 > 0,05 ) sobre as actividades socioculturais e o local de residência, pelo que se verifica que o meio não influência o nível de funcionalidade.
Por outro lado, e no que concerne à funcionalidade dos Idosos Institucionalizados e não Institucionalizados, assim como à funcionalidade ao nível da
Santa Casa da Misericórdia de Machico, Universidade Sénior de Machico e Freguesia de Santo António da Serra constatou-se que, por rejeição dos valores das médias obtidos as diferenças encontradas entre os grupos são significativas (p=0,02). Numa análise entre o local de residência e a saúde mental os resultados destes indicam-nos a um valor de p= 0,155, pelo que este não é significativo entre o primeiro sobre o segundo, verificando-se o mesmo entre as AVD’s e as ASC’s e os grupos com um valor de p=0,349. Por conseguinte, a relação entre a funcionalidade e o local de residência não apresenta ligação significativa, sendo p=0,234.
Em relação aos objectivos aos quais nos propusemos foram parcialmente atingidos, dado que a reduzida dimensão da amostra dificultou a constatação de evidências significativas.
No entanto, a importância deste estudo está relacionada com o desafio de compreender o ser humano e na falta de instrumentos que avaliem ganhos da Animação Sociocultural na funcionalidade dos idosos, verificou-se que são necessárias mais investigação sobre os instrumentos disponíveis, passiveis de serem utilizados na prática da animação sociocultural, sendo sensíveis ao ganho desta intervenção específica, este estudo demonstrou que a OARS pode não ser um instrumento adequado para este efeito.
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