3.2. Taraflar Arasındaki Hukuki İlişkiler
3.3.4. İş Sağlığı ve Güvenliği Hukuku Açısından Değerlendirilmesi
3.2.1.1 O professor instrutor
O professor investigado é do quadro efetivo de professores da Rede Estadual do Paraná. Na época da coleta de dados, o professor instrutor atuava no município da pesquisadora, com dois padrões de Língua Inglesa, com uma carga horária de 20 horas/aula cada um, na única escola estadual de Ensino Fundamental e Médio
desse município. Selecionamos o professor de Inglês de Escola Pública porque seus textos podem nos informar construtos de representação sobre o trabalho do professor em serviço no contexto da Escola Pública do interior do Paraná. Além disso, como professora atuando no mesmo contexto do professor investigado, esta pesquisadora sempre teve uma preocupação com a Escola Pública, bem como em poder contribuir para o processo de formação continuada nesse contexto.
Em relação à formação, o professor instrutor tem participado de cursos voltados à gestão de Escola Pública e também já participou uma formação em Língua Espanhola. É importante lembrar que o professor de investigado, nesta pesquisa, também tem formação em Língua Espanhola, com a qual demonstra ter mais afinidades que com a Língua Inglesa. Essa formação foi obtida em um curso de línguas e não em um curso de graduação.
Mantemos o foco de estudo no contexto da Escola Pública pelo fato de que o trabalho docente nesse espaço social torna-se cada vez mais complexo e difícil para a realização de objetivos que possam ser efetivos. Além disso, trata-se de um contexto em que temos atuado desde o início da profissão e, principalmente, por acreditarmos nas possibilidades de desenvolvimento da atividade de trabalho que aí existem.
Em relação ao professor investigado, é importante observar e considerar sua dedicação à sua situação de trabalho e as preocupações que tem com a escola em todos os seus aspectos, seja em relação à área pedagógica, seja em relação aos problemas que envolvem pais e alunos, a assuntos específicos em relação ao prédio da escola, ao gerenciamento financeiro da escola, entre outros.
Mesmo com dificuldades impedindo o professor de participar dessa pesquisa, houve muito boa vontade de sua parte em colaborar com este estudo. Deve-se lembrar que esse professor sempre se dispôs a participar e colaborar com o desenvolvimento de pesquisas. Podemos afirmar isso porque ainda no processo de formação inicial desta pesquisadora, realizamos o estágio supervisionado em uma turma de Ensino Médio do professor instrutor. Algum tempo depois, já em processo de formação continuada, ao cursar uma especialização, em 1994, também sobre o ensino de Língua Inglesa, esse mesmo professor participou de uma pesquisa para elaboração de uma monografia desenvolvida pela UEL, e sua situação de trabalho não era tão diferente da atual, em relação à sobrecarga de trabalho. Assim, além de relações de trabalho, temos grandes laços de amizade com o professor instrutor.
Quanto ao seu processo de formação continuada, o professor investigado sempre tem participado de cursos propostos pela Secretaria de Educação do Paraná, entre outros. No entanto, por várias razões, não pôde dar continuidade a esse processo de formação sobre o ensino de Língua Inglesa.
O professor investigado tem demonstrado muito apoio, incentivo e coolaboração em participar desse estudo, muito embora sua sobrecarga de trabalho os impedia, muitas vezes, de se envolver com tal proposta de pesquisa.
Trataremos, na próxima seção, do papel da pesquisadora como possível sósia do professor instrutor para a obtenção das minúcias do agir desse professor.
3.2.1.2 A pesquisadora sósia
A pesquisadora iniciou sua prática profissional como professora de Língua Inglesa em 1994, tanto no Ensino Fundamental e Médio, como no Ensino Superior, atuando na formação inicial, no curso de Letras de uma Faculdade Estadual do interior do Paraná, nas áreas de Língua Inglesa, Literaturas de Língua Inglesa, Prática de Ensino e Orientação de estágio supervisionado. A pesquisadora atua na escola de Ensino Fundamental e Médio junto ao professor instrutor desde 1996.
Como dissemos no início desta pesquisa, buscamos o programa de Mestrado em Estudos da Linguagem, pela UEL, no Paraná, e, em seguida, o programa de Doutorado no LAEL, pela PUC, de São Paulo. Desse modo, fomos descobrindo o papel da pesquisa acadêmica para a formação inicial e continuada com a publicação de artigos, participação em congressos, ministrando cursos na formação continuada, entre outras atividades.
Assim, como já foi explicitado anteriormente, ao descrevermos o procedimento das instruções ao sósia, no início deste capítulo, para recuperar a atividade do professor instrutor, a pesquisadora utilizou-se de recursos para que o instrutor se transpusesse no papel do outro, como o uso do pronome eu.
No entanto, percebemos algumas limitações quanto ao papel da pesquisadora ao atuar como um possível sósia. Um exemplo disso são os temas levantados pela pesquisadora ao questionar o professor instrutor sobre como deveria agir em seu lugar na escola. Ou seja, a pesquisadora deveria elaborar
perguntas conforme o que professor lhe dissesse, mas sem induzi-lo com a sugestão de temas.
Após iniciar o procedimento, explicando ao professor como a interação das instruções ao sósia deveria ocorrer, em relação aos os papéis de cada um no procedimento, a pesquisadora inicia suas perguntas, como nos exemplos a seguir:
[...]
2.Professor Instrutor: Tá. Eu não sei exatamente né, pelo que eu pude entender, como você agiria no meu lugar então, numa semana, é isso? Pesquisadora Sósia: É. É. Professor Instrutor: Éh::: como chegaria na sala, ( ) a partir até do momento de chegar na no pátio, tudo?
3.Pesquisadora Sósia: Isso, isso. Por exemplo, olha, ah::: porque a gente pensando no início da semana, a gente pensa logo na, na segunda-feira né? Tá, ah::: você, ah...o...o seu horário de de trabalho de aula, em sala de aula começa a que horas na segunda-feira?
4.Professor Instrutor: É.. a partir das sete e quarenta. [...]
9.Pesquisadora Sósia: Tá, não, mas... tudo bem. Ah... você... acho que você tentou é.. me passar assim umas umas instruções gerais né?
10.Professor Instrutor: É, gerais.
11.Pesquisadora Sósia: É::: mas... ah::: pra eu chegar lá e fazer tudo isso e agir dessa forma como você está falando, eu devo me prepara:::r? Eu tenho alguma coisa assim que eu tenha que fazer no fim de semana, por exemplo, de repente, antes destas aulas da segunda?
12.Professor Instrutor: Não, tudo bem. Primeiro, é...a gente no fim de semana a gente tem que preparar né? Ver o que vai ser trabalhado, que eu faço né? Sempre eu faço isso.
Observamos pelo exemplo que a pesquisadora induz o professor com sugestões de temas, porém, acreditamos que mais importante que não induzir o instrutor, é o deslocamento que este deve ter ao descrever a própria atividade profissional, ao descrever o que faz ao pesquisador, ou seja, ao fornecer instruções para que o outro possa substitui-lo, mesmo que seja uma situação hipotética. Esse deslocamento somente pode ocorrer se o uso dos pronomes eu e você for adequado pelo instrutor e pelo pesquisador. Ao deslocar-se da própria atividade, o instrutor, que seria o professor investigado, tem a oportunidade de se olhar na própria situação de trabalho e esse é o objetivo com o procedimento das instruções ao sósia. O uso dos pronomes eu e você valida o procedimento.
Em outras palavras, é necessário que o pesquisador concentre-se na possibilidade fictícia de ser substituto do professor investigado, que é o professor instrutor, e utilize o pronome eu para direcionar as perguntas ao instrutor. Além disso, o pesquisador deve preocupar-se também com os tipos de perguntas que fará
para não levantar os temas, mas motivar o instrutor a dizê-los. Por outro lado, o instrutor deve concentrar-se na própria atividade e também na possibilidade fictícia de que o pesquisador o substituirá, imaginando todos os detalhes e as minúcias da sua situação de trabalho, utilizando-se do pronome você ao fornecer as instruções ao pesquisador para que este saiba como agir em seu lugar. Desse modo, o professor instrutor pode ver-se no outro ao deslocar-se, usando o pronome você. Vejamos um exemplo fictício de como o procedimento das instruções ao sósia poderia ocorrer, em relação ao uso dos pronomes eu e você pelo professor instrutor e pela pesquisadora:
Pesquisador Sósia: Como eu devo agir ao chegar na escola? O que eu devo fazer primeiro?
Professor Instrutor: Você deve cumprimentar a todos e ir para a sala dos professores. Chegando lá, você cumprimenta os colegas, verifica seu material em sua gaveta. Então, você tem que pegar os materiais que vai usar em sala de aula, verificar se estão funcionando, como aparelho de CD e CD, o apagador, livros didáticos. Depois, você tem que pegar o livro de chamada que fica na gaveta dos livros de chamada e, em seguida, assinar o livro ponto e anotar o horário na mão mesmo para ser mais prático.
Assim, se o objetivo do procedimento das instruções ao sósia é motivar o professor a deslocar-se da própria prática profissional para descrevê-la nas suas minúcias no sentido de entender as especificidades e complexidade da própria situação de trabalho, o uso adequado dos pronomes eu e você torna-se essencial para que a realização do procedimento seja bem sucedida. Ou seja, ao usar tais pronomes, o instrutor pode obter o deslocamento necessário para uma melhor descrição do agir docente.
Discutidos o uso e as características do procedimento das instruções ao sósia, passamos a explicitar o local e os procedimentos da coleta de dados.