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III. ARAŞTIRMANIN BULGULARI

III. 2. İŞÇİLERİN SOSYO-EKONOMİK VE KÜLTÜREL ÖZELLİKLERİ

A partir dos recursos utilizados e das propostas das atividades, foi possível realizar perguntas sobre os conhecimentos, atitudes e valores que as crianças expressavam.

Os questionamentos foram momentos fundamentais no trabalho, visto que eles permitiram acesso às percepções das crianças, tanto no que diz respeito à escrita como das relações étnico-raciais e, assim, auxiliaram, por um lado, na organização, e, por outro, nas orientações anteriormente mencionadas.

Na prática pedagógica, os questionamentos identificados foram alguns sobre os recursos didáticos, outros pautados na produção das crianças e, por fim, as atitudes.

5.1.3.1 Questionamentos sobre os recursos: texto, imagem, mapa, filme

Os trabalhos sobre relações étnico-raciais, tais como Cavalleiro (2000), Gomes (2012) e Gonçalves (1985), entre outros, apontam a necessidade de romper o silêncio que envolve questões sobre o tema. Portanto, o questionamento foi uma estratégia para favorecer o diálogo. Ao serem questionadas sobre as percepções que tinham sobre os recursos, as crianças se manifestavam e pareciam pensar sobre o que havia sido falado.

Ao falar sobre o título do livro que tinha como tema uma menina negra, Kobbi completou: “Parece até de Marte”, e questionei como ele sabia que parecia nome de Marte, se ele sabia outros nomes de Marte. Ele ficou pensando (Atividade 1).

A mesma criança, em outro momento de questionamento, apenas comentou sua fala, sem maiores detalhes. Ele utilizou o mesmo adjetivo “super” para falar de dois jogadores, no entanto, para o primeiro jogador ele apresentou indícios de rejeição à ideia de ter um super- homem negro, e, para o segundo jogador, o menino manifestou empolgação ao classificar o homem branco. Ou seja, a expressão do valor negativo sobre a imagem da pessoa negra e o inverso sobre a pessoa branca só ocorreu devido ao questionamento.

Fui para a quarta imagem, e o Kobbi disse: “Esse é super-negro”. Perguntei por que era super negro, se era o super-homem negro, e Kobbi disse com ar de rejeição: “Não, ele é só super-negro”. Eu perguntei se alguém tinha escrito branco. Como nenhuma criança disse que havia escrito a palavra branco, eu falei para eles que aquele jogador estava no sol como o outro e que eles estavam dizendo para as outras imagens que no sol ficava branco, e por que para aquele jogador não? (Atividade 5).

O questionamento também estava relacionado às percepções que a turma já havia demonstrado em momentos anteriores.

Passei para a próxima imagem que era de uma criança negra das Ilhas Salomão, onde há negros de cabelos naturalmente loiros, e mencionei que eles falaram que o cabelo deixava a pessoa branca. Eu disse que a criança tinha nascido com o cabelo loiro e perguntei: “E agora?” (Atividade 5).

Durante os questionamentos dos recursos, surgiram dúvidas sobre o pertencimento étnico-racial, tanto de si como do outro.

As crianças participaram intensamente desses momentos de falar sobre o pertencimento que ocorreu em mais de uma atividade e, pelas falas, também foi tema levado para os familiares.

Perguntei para o Kobbi o que era preto. Nouberse disse que não existia preto, e Kofi disse que: “Preto é moreno”. Perguntei o que era moreno, e ele disse “Moreno é negro”, então eu disse que era negro e não moreno. Mugambi disse: “Moreno é

pardo”, portanto novamente questionei o que era pardo, e Cleópatra disse: “Eu acho que pardo é uma espécie de negro”. Makena disse: “Minha mãe falou que é mais ou menos negro, mais ou menos branco”. O Kwesia apontou para a televisão e disse: “Tipo ele”. Asad perguntou: “Mas meio negro e meio branco não é preto?”. Perguntei o que era meio negro e meio branco, e uma criança disse: “Da sua cor”. Então, perguntei: “Eu sou meio negra meio branca?”. Nourbese gritava que eu era morena (Atividade 5).

As explicações infantis sobre o pertencimento também foram questionadas:

Cleópatra explicou: “Ele não é moreno, porque moreno é branco de cabelo preto”. Perguntei, então, para o Kobbi se ele era moreno. Ele fez com a cabeça que não, e o Kwabu disse: “Eu sou branco”. Perguntei: “Você é branco de cabelo preto?”, e ele com a cabeça fez gesto positivo, então perguntei se ele era moreno, e respondeu: “Não, só branco, só branco”. Voltei à questão para Cleópatra, perguntando: “E agora?” (Atividade 3).

Sendo esta pesquisa realizada com crianças de sete e oito anos, essas dúvidas são recorrentes, visto que o processo histórico das relações étnico-raciais influenciou e ainda influencia a sociedade. Portanto, ser negro ou branco no Brasil tem representações diferentes; eis um dos motivos de focar o assunto.

Makena já estava há bastante tempo com a mão erguida, e indiquei para ela falar. A menina comentou: “Eu sou branca, minha mãe também e meus irmãos são todos pretos, porque meu pai é preto”. Repeti as informações de Makena para todos e perguntei como eles entendiam aquela situação (Atividade 5).

Interessante notar que, com os questionamentos sobre os recursos, meninas e meninos demonstraram desestabilização de ideias, curiosidades, estranhamentos, depreciação e apreciação das palavras, das imagens, do mapa e do curta-metragem, ou seja, questionar os recursos era uma oportunidade de começar ou continuar o diálogo.

5.1.3.2 Questionamentos pautados na produção das crianças: textos e desenhos

Perguntar o que as crianças estavam produzindo foi uma ação utilizada pela professora- pesquisadora para acompanhar, auxiliar e dialogar sobre os textos e desenhos.

Nos textos produzidos, o questionar possibilitou que os/as estudantes voltassem ao próprio texto e percebessem troca de letras, se o sentido pretendido estava contemplado, se desejavam realizar modificações e também complementassem informações. No trecho abaixo, a criança escreveu corretamente, entretanto o significado foi acessado depois da pergunta.

Kofi havia feito um desenho e uma escrita(tipo uma legenda). Perguntei o que ele havia escrito ele disse sem ler que era black power, mas perguntei o que estava escrito

e ele leu: “Metade black power”. Também explicou que o cabelo era um pouco liso e um pouco cacheado (Atividade 2).

Curiosidades e a dúvidas moviam determinadas perguntas. Por exemplo, algumas meninas em uma das atividades escreveram que gostavam de seus cabelos e, mesmo questionando, elas afirmavam que gostavam. No entanto, a professora-pesquisadora ainda tinha dúvidas se aquelas respostas eram uma maneira de as meninas quererem “agradar”, mas, no decorrer do processo, as atitudes delas de soltarem os cabelos deu a impressão que as respostas eram verdadeiras. Porém, ao final da intervenção algumas mantiveram a escrita de que gostavam dos cabelos. Uma delas disse que não. Em novo questionamento, ela relatou que a mãe expressou-se de forma depreciativa o jeito que a criança optou por deixar seus cabelos. Inclusive, as famílias de duas meninas já haviam realizado procedimentos de alisamento.

Durante a escrita, a professora-pesquisadora perguntava para as crianças que ainda não sabiam escrever de forma convencional o que tinham escrito. Ou seja, o que a criança estava tentando dizer ao escolher determinadas letras, então nesta situação o questionamento serviu para auxiliar a criança a refletir sobre como se escreve.

Durante as produções de desenhos, como as impressões sobre o continente africano, os questionamentos foram oportunidades privilegiadas, pois as crianças criaram narrativas para explicar suas representações.

Chewe começou a explicar seu desenho: “Oh, tia, eu fiz um homem sorrindo, com um martelo e um serrote”. Perguntei por que ele tinha serrote, e a explicação foi: “É porque ele está trabalhando e aqui é os pininhos e aqui é uma tábua”. Questionei se eles trabalhavam no continente africano: “Eu acho que eles trabalham”, o menino respondeu. Eu ainda perguntei se era só com serrote ou com outras coisas, e a resposta foi: “Com outras coisas”. Indaguei: “Tipo o quê?”, e ele falou: “Tipo chave de fenda”. Continuei o diálogo: “E com computador, você acha que eles trabalham?”, e ele fez que não com a cabeça. Perguntei por que, e ele respondeu: “Porque é só, é só porque trabalhador trabalha de... mas esse aqui trabalha no africano de ferramenta e esses homens trabalham de computador”. Eu disse que tinha entendido, e ele falou: “Entendeu?!” (Atividade 4).

As produções de desenhos sobre as impressões do continente africano, em geral, estavam relacionadas a representações estereotipadas, mas houve crianças que apresentaram diferenças como, por exemplo, desenhar as pirâmides do Egito. E outras criam imagens que se afastam da ideia de continente pobre e desenham pessoas sorrindo e até pintando.

Aproximei-me de Udama e vi o seu desenho, falei que estava lindo e perguntei o que era. A explicação foi: “Um pintor, ele tá pintando”. Perguntei o que ele estava pintando, e a resposta foi: “Ele está pintando uma coisa que não existe no mundo”. Então, perguntei se ela achava que tinha pintor no continente africano, e ela fez com a cabeça que sim. Cleópatra, que já estava por perto, explicou: “Eles usam aquela

coisa, é tipo uma tinta, acho que é tinta”, e Asad comentou “Tinha um tempo que lá no continente africano eles usavam carvão para desenhar nas cavernas” (Atividade 4).

Por meio do questionamento durante as produções das crianças, a professora- pesquisadora ampliou as condições e formas de diálogos.

5.1.3.3 Questionamentos das atitudes

Tentando compreender as ações e reações, a professora-pesquisadora questionava desde o que parecia um gesto aleatório até as manifestações de soltar os cabelos, rir do colega ou mesmo não realizar a atividade proposta.

Durante a leitura, Bintu começou a colocar sua franja para cima e algumas crianças apontavam. Perguntei para Adofo por que ele havia chamado o colega para falar do cabelo da menina. Questionei mais uma vez qual era o problema se ela quisesse usar o cabelo daquele jeito, e as crianças começaram a falar concordando comigo. Rawekwon, que antes havia rido da colega, mexeu em seus cabelos e falou: “Professora, oh”, e mostrou os cabelos. Eu disse que estava bonito, e, nesse momento, mais crianças começaram a soltar seus cabelos (Atividade 10).

Questionou-se mesmo quando já se sabia algumas respostas, como no caso das crianças que não realizaram as atividades. Em uma atividade de leitura em grupo, havia duas que tinham dificuldades nessa habilidade e, para completar, demonstraram em diferentes momentos que não desejam ter suas imagens relacionadas com ser negro(a), mesmo apresentando características fenotípicas relacionadas a esse grupo. Então, o questionamento nesse caso foi buscando sensibilizar as crianças para participar, conversar sobre suas percepções.

Para a professora-pesquisadora, o questionamento como uma estratégia isolada não seria adequado na intervenção, visto que não ofereceria para as crianças subsídios para novas aprendizagens e desenvolvimento. Ou melhor, na sua visão, ao ter como objetivo educar as relações étnico-raciais e promover a prática da leitura e escrita no ambiente escolar, a ação pedagógica de questionar deve ser componente com outras ações.