B) İÇSEL BÜYÜME MODELLERİ VE BÜYÜME SÜRECİNDE “BEŞERİ
2. İçsel Büyüme Modellerinde Araştırma Geliştirme Faaliyetleri: Romer
Toda e qualquer prática social, por mais elementar que seja, não escapa à necessidade de configurar seu campo operatório de ação. Essa atividade assegura a organização espacial segundo a importân- cia dada pelos indivíduos e pelos grupos sociais, produzindo objetos que, na medida em que são erigidos, ganham um arranjo sistêmico que influencia a realização de novas práticas sociais. O conjunto das relações descritas ao longo da história determina a produção espacial.
Essa produção, todavia, permite assegurar o controle sobre o que se quer construir, possuir, distribuir, alocar e negociar. Permi- te também impor e manter uma ou várias ordens, garantindo que os objetos e suas funções tenham um fim coletivo ou privado. Por fim, permite definir o conjunto das relações sociais, econômicas e culturais -ideológicas como relações de poder. Quando isso aconte- ce, temos a necessidade de enfatizar no espaço o recorte do território.
Esse território, assim como o espaço, suporta e condiciona as práticas sociais, já que é produzido a partir de intencionalidades, assumindo novo significado à medida que o tempo transcorre e os objetos que o compõem se acumulam. O caminho que vai do espaço ao território passa, então, por um conjunto de relações de poder:
poder político, poder econômico, poder da ideologia.11
Em determinados territórios, o poder político se sobrepõe ao eco- nômico. Em outros, a economia e a política sofrem uma influência muito maior das ideologias. Muitas vezes, é a economia que produz a ideologia para conduzir a política. Mas o importante é que todas essas dimensões sejam consideradas na definição de um território, pois elas não apenas são contidas por ele, como também o contêm.
Essa relação do contém e do ser contido implica uma tessitu- ra que, por sua vez, remete a uma noção de limite, um dos com- ponentes gerais mais importantes de toda prática social e espacial (Raffestin , 1993). Nesse sentido, limites são elementos que expri- mem as relações que um grupo mantém com uma porção do espa- ço, com o território. Devemos considerar esses elementos porque as ações dos grupos sociais sempre exigem delimitações e, quando isso não se dá, elas se dissolvem, pura e simplesmente.
Mas, se as tessituras sempre enquadram um poder, este, por sua vez, ganha um alcance que pode atingir uma ou mais escalas geográficas (Raffestin, 1993). A capacidade de difusão escalar de um poder nos leva a concluir que os territórios não apresentam
11 Aceitamos o conceito de ideologia trabalhado por Terry Eagleton (1997, p.194 -195), para quem ela tem “como objetivo revelar algo da relação entre uma enunciação e suas condições materiais de possibilidade, quando essas condições de possibilidades são vistas à luz de certas lutas de poder centrais para a reprodução de toda uma forma da vida social”. O autor supera a visão que explica a ideologia como “falsa consciência”, ao assinalar que ela “nunca é o mero efeito expressivo de interesses sociais objetivos, mas tampouco são todos os significantes ideológicos aleatórios no que diz respeito a tais interes- ses”. A ideologia, nesse sentido, “deve afigurar -se como uma força social or- ganizadora que constitui ativamente sujeitos humanos nas raízes de sua expe- riência vivida e busca equipá -los com formas de valor e crença relevantes para suas tarefas sociais específicas e para a reprodução geral da ordem social”.
limites apenas lineares, ou seja, limites que abrangem os espaços contíguos. Muitas vezes, os limites de poder de um determinado território alcançam enorme distância, e o arranjo reticular é a for- ma segundo a qual essas relações são estabelecidas. Como assinala Raffestin (1993, p.154), isso nos conduz a pensarmos “os limites não somente do ponto de vista linear”, mas também do ponto de vista das zonas e das redes.
Às vezes, um território tem um limite político -administrativo e outro econômico. Da mesma forma, os limites de influência de uma ideologia produzida num território podem ultrapassar as redes que a sua influência econômica estabelece, fazendo que as tessituras sejam superpostas, cortadas e recortadas sem cessar (Raffestin, 1993). Or- ganizado a partir do arranjo de várias malhas, um mesmo território apresenta vários limites de influência, em função das dimensões que se queiram considerar. Mas, uma vez que não há como pensar o ter- ritório sem o arranjo relacional das dimensões que o compõem, essa superposição de influências é exatamente aquilo que o caracteriza.
Não conseguiríamos encontrar o arranjo multidimensional do território cearense sem levar em consideração esses pontos levan- tados por Raffestin. No Ceará, assim como em qualquer outro território, o arranjo sistêmico das ações e dos objetos foi minucio- samente produzido a partir de relações de poder. Essas relações so- freram larga influência de mecanismos exógenos ao território. E, na composição dos grupos diretamente vinculados com as transforma- ções mais recentes, as relações definidas dentro do Ceará também influenciaram grupos e ideias fora do território. Têm -se, então, um arranjo transescalar estabelecido, rico em elementos de influência recíproca, com o estado tanto se abrindo aos ditames provenientes de outros territórios como direcionando certos encaminhamentos produzidos dentro das suas fronteiras. As influências dadas e re- cebidas passam pelas dimensões políticas e econômicas, bem como pela imagem de modernidade largamente difundida como ideolo- gia, servida a quem possa interessar.
Ao tentar entender a produção do Ceará levando em consi- deração esses preceitos, discorreremos nesta seção sobre as ca-
racterísticas econômicas e político -ideológicas que firmaram as particularidades territoriais desse estado nos últimos anos. Ao realizar essa atividade, também buscaremos apontar os limites (Raffestin, 1993) cearenses que qualificam sua influência territo- rial. Ao fim da seção, procuraremos realizar uma síntese do aspecto territorial, apresentando a sua organização transescalar a partir de um conjunto sistemático de objetos e ações que demarcam o Ceará como território da acumulação privada no seio de uma nova confi- guração de acumulação capitalista.