• Sonuç bulunamadı

Hz Osman'ın Şehit Edilişi Sırasında Hz Ali

F. Hz Osman ve Hz Ali İlişkileri

9. Hz Osman'ın Şehit Edilişi Sırasında Hz Ali

Portanto, a corrupção que denominamos “procedimental” se refere à corrupção na dimensão do processo político. Por “processo”, entendemos que são os meios e as negociações envolvidos na deliberação política. Nessa esfera, a lógica corrupta diz respeito a formas antidemocráticas, favoritistas e baseadas na reciprocidade específica para a obtenção de resultados políticos. A consequência é a obrigação de retribuir o favor, impossibilitando a reciprocidade generalizada, nos termos de Putnam (2006).

A corrupção que se refere ao simples “desvio do público para fins privados”, percebida, majoritariamente, pelos brasileiros como sendo um problema grave, atua numa esfera mais imediata e próxima do eleitor. Essa dimensão diz respeito aos “resultados políticos”, ou seja, que benefício ou política pública foi feita para quem. O eleitor percebe, mais facilmente, o resultado de cada governo e isso exige menos informação dele. Ao contrário, entender o que acontece dentro do parlamento e dos partidos políticos é uma tarefa complexa que exige do cidadão mais informação.

Por esse motivo, a hipótese é que os brasileiros percebem a corrupção

simples, que se refere à informação obtida sobre os resultados políticos de forma simplificada ou incompleta, e percebe menos a lógica corrupta “procedimental” gerada no processo político. Desse modo, é possível explicar

porque há índices altos de percepção da corrupção, mesmo assim se fazendo necessária a “Lei da Ficha Limpa” como forma de impor accountability entre eleitores e candidatos e também de conter os altos índices de venda de votos48. A venda de votos evidencia a frouxidão do vínculo político do eleitor e seu descaso com tudo o que se relaciona à política, provavelmente decorrente de ambos os tipos de corrupção.

Outro indício que sustenta essa hipótese é a porcentagem da população brasileira que prefere políticos que “roubam, mas fazem” (39,6%) e que, de fato,

48 A ONG Transparência Brasil e a União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle registraram

que mais de 8,3 milhões de eleitores brasileiros receberam oferta de dinheiro, bens ou vantagens em troca do voto (Abramo, 2007).

votam nesses políticos por acreditarem que merecem o seu voto (40,9%)49. O apoio

ao político que “rouba, mas faz” demonstra uma opinião ou compreensão baseada somente em resultados políticos, já que entender como seria possível o “roubo” não é interessante ou é muito complexo ou é uma opinião apenas sobre a política em geral, que não interessa ao cidadão. O foco do eleitor que compartilha desse ponto de vista são os resultados políticos, principalmente aqueles que podem ser vistos, como grandes obras: pontes, viadutos, edifícios, e não aqueles resultados que têm de ser lidos nos jornais ou sabido por qualquer outro meio que necessite de maior cognição dos eleitores. Esses dados mostram que o eleitor brasileiro, em geral, é tolerante a políticos corruptos e, por isso, contribuem para a sua prática.

Em relação à desconfiança, podemos pensar em duas hipóteses. No nível teórico, o patrimonialismo é um hábito fortemente enraizado na política e tolerado ou ignorado pela sociedade. Portanto, a primeira hipótese é que o patrimonialismo

não influencia os altos níveis de desconfiança no país, pois é uma lógica corrupta ignorada ou pouco percebida pelos indivíduos. Inversamente, a corrupção “simples”, que se refere ao âmbito dos resultados políticos, é mais percebida pela população que reage com desconfiança aos objetos políticos. A

corrupção política percebida afeta a avaliação do desempenho político pelos sujeitos. Acreditando que a performance do governo seja pobre, o indivíduo reage com cinismo.

Outra questão, a segunda hipótese, é de que modo explicar como a corrupção, de raízes culturais, afeta a confiança política que, por sua vez, é determinada pela avaliação do desempenho do governo pelo cidadão? De fato, a corrupção afeta a confiança, como ficou evidenciado nas pesquisas discutidas acima, porém essa corrupção é tida como corrupção “simples”. Tais pesquisas somente testam esse tipo de corrupção, por isso o debate sobre corrupção abaixo se refere também ao que chamamos de tipo “simples”.

Um dos motivos para a relação direta e positiva entre desconfiança e corrupção pode ser o aumento da capacidade crítica dos cidadãos que, ao perceberem a corrupção, se afastam e desconfiam dos objetos políticos, possibilitando, então, a recorrência da corrupção política. A quantidade de anos de duração dos regimes democráticos aumenta a chance de os indivíduos terem

participado e procurado as instituições para a solução de seus problemas; entretanto, a desconfiança é um obstáculo a isso. Os cidadãos, sob regimes democráticos recentes, são insuficientemente equipados para entender as funções das instituições ou distingui-las devido à pouca experiência prática, levando-os a avaliar as instituições negativamente. O cidadão, então, segue o seguinte pensamento: “eu desconfio porque não conheço, e aprendi, desde criança, que, quando eu não conheço, eu devo desconfiar”. É possível que, se participasse da vida pública, entendesse melhor a função e a necessidade de cada instituição, confiando nelas. Portanto, podemos levantar a seguinte hipótese: quanto menos há

participação política, mais o comportamento dos indivíduos será orientado pela cultura tradicional do país, já que sua experiência com as instituições em vigor é reduzida.

A alta percepção da corrupção pode ser fruto dos baixos níveis de participação política. Assim, podemos levantar esta outra hipótese: a corrupção

percebida tem causas estruturais também, que dependem do nível da participação política. A baixa participação pode ser causada por canais de

participação ineficientes ou inutilizados pela sociedade. Não podemos determinar o sentido da causalidade, pois a baixa participação pode estimular a alta percepção de corrupção e a alta percepção da corrupção pode causar a reação de distanciamento da política, reduzindo a participação.

As hipóteses anteriores sobre corrupção e participação são afetadas pela descoberta de Canache e Allison (2005) de que a percepção das pessoas comuns é próxima da corrupção percebida por especialistas, que, portanto, é o que mais se aproxima da corrupção na realidade50. Se a população consegue se informar

corretamente sobre o nível de corrupção política, então o nível de participação não influencia na variação da percepção da corrupção. Influencia, sim, na participação como reação aos altos índices de corrupção, estabelecendo, desse modo, uma direção na causalidade. Ou seja, os cidadãos percebem

corretamente a corrupção se informando de outras formas que não por meio da participação. O baixo nível de participação, então, seria uma causa da alta corrupção política. Como estamos supondo que a corrupção “procedimental” é menos percebida, então ela afeta menos o nível de participação. A corrupção “simples”, que

50 A literatura sobre corrupção política acredita ser impossível mensurar diretamente esse fenômeno por se

é a testada nos surveys, é a que se correlaciona com a participação política.

O intuito de preconizar essas hipóteses é apenas demonstrar as possibilidades de explicação por trás da vinculação dos conceitos tratados aqui (cultura política, corrupção, patrimonialismo, participação política e desconfiança). As hipóteses levantadas, embora não comprovadas ou testadas, possuem potencial para serem pesquisadas em outras oportunidades. Esperamos que, futuramente, pesquisas empíricas sejam elaboradas, incluindo a fragmentação do conceito de corrupção política, para confirmar (ou não) tais hipóteses51.