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Hz Ebû Bekir'in Halife Seçiminde Hz Ali ve Ebû Bekir'e Biatı

F. Hz Osman ve Hz Ali İlişkileri

1. Hz Ebû Bekir'in Halife Seçiminde Hz Ali ve Ebû Bekir'e Biatı

No final dos anos 1990, a cultura política volta a ser debatida na tentativa de explicar a drástica redução da confiança política na Europa e nos Estados Unidos nos anos 1970 e 1980 e o desafio das democracias recentes em se estabelecer. Em 1999, Pippa Norris, em Critical citizens, combina a abordagem institucional com a experiência política dos cidadãos, para procurar entender suas atitudes e comportamento (Norris, 1999). As pesquisas de Rose e Shin (2001) comprovam que o apoio político democrático é um processo de aprendizagem em que os valores e perspectivas normativas são determinantes, assim como a avaliação pessoal do funcionamento e desempenho das instituições. Torna-se claro que a experiência política é importante na explicação do que o cidadão espera das instituições. Essa experiência é afetada pela avaliação racional dos sujeitos sobre o desempenho político e institucional (Moisés, 2008, p. 12).

Com o enraizamento da cultura política como área válida de pesquisa, as orientações subjetivas dos atores políticos se mostram um importante instrumento para explicar o que os elementos estruturais não conseguem. O registro atual se concentra em questões como a desconfiança, participação, corrupção política e qualidade da democracia. Buscar comprovar o papel da cultura como variável interveniente, ao lado das estruturais, na explicação de tais questões é o primeiro objetivo da cultura política; e, em seguida, buscar os fatores que explicariam o comportamento dos indivíduos em direção à política e suas consequências para o processo de democratização.

A corrupção política é um comportamento que ganha destaque nas pesquisas de cultura política por ser antidemocrático e antirrepublicano. Sua recorrência é um obstáculo ao desenvolvimento de uma cultura política compatível com a democracia. A reincidência das práticas corruptas ou mesmo a presença de sua lógica nas relações políticas mostra que as leis e instituições democráticas são insuficientes para orientar a ação dos atores na política. Os sujeitos necessitam, primeiramente, ser orientados por valores democráticos de forma que a lei impere, tornando, assim,

o aparato institucional congruente com as especificidades sociais – seus objetivos, valores e expectativas. A corrupção exacerbada é um obstáculo para alcançar essa congruência, e pode apresentar causas culturais e estruturais, que discutiremos adiante.

Como indicado, tratar a abordagem da cultura política em termos de subculturas fez com que fosse refletida a heterogeneidade das sociedades na teoria. Para Inglehart (2002), as subculturas tomam a forma de síndromes. Esse autor, em artigo intitulado “Cultura e democracia” (publicado em 2000, em inglês), analisa a influência de conjuntos de valores nas instituições democráticas, argumentando que o desenvolvimento socioeconômico e político é acompanhado da mudança valorativa da população. O resultado são duas síndromes (materialistas e pós- materialista) que se fragmentam em outras quatro (tradicional versus secular e sobrevivência versus autoexpressão). É possível, então, que as sociedades sejam agrupadas de acordo com cada síndrome, apresentando uma grande correlação com as variáveis estruturais.

Os países de valores materialistas são, majoritariamente, os de atividades agrícolas, podendo se desenvolver para as industriais. Os pós-materialistas são os de valores que suportam a economia baseada no setor de serviços. O desenvolvimento econômico traz mudanças culturais que demandam eficácia da democracia. Cinco anos depois, Inglehart junto com Welzel (2005), partindo dos mesmos pressupostos, reforçam a mesma conclusão: de fato, o desenvolvimento socioeconômico é conectado com uma síndrome de valores específica. Nesse contexto, a cultura é variável interveniente que explica como o desenvolvimento socioeconômico resulta em mais democratização: o desenvolvimento desperta a população para valores de autoexpressão. Contudo, somente a prosperidade econômica não é suficiente para aumentar os níveis de democracia. Isso ocorre quando ela resulta numa situação de segurança e autonomia, possibilitando que os indivíduos se preocupem com a necessidade da emancipação humana e da autoexpressão.

A importância do conceito de síndrome para esta dissertação está no fato de que o patrimonialismo é possibilitado por um grupo de valores específicos, que se organizam e funcionam para alcançar o benefício público. Esse conjunto de valores, originados historicamente, culmina na sobreposição do público com o privado.

Portanto, em um contexto de valores e regras tradicionais, o patrimonialismo encontra suas condições de existência. Essa síndrome se fragmenta conforme o ponto de vista de três tipos de atores: os econômicos, os sociais e os políticos.

Os atores econômicos são motivados e guiam suas ações pelo pensamento de que o Estado é controlador da sociedade e suas atividades econômicas. Por esse motivo, acreditam ser necessário ter amigos dentro da burocracia estatal e serem aliados do Estado como forma de obter bons negócios e lucros. Para compensar a falta da livre competição comercial, a ajuda e a influência do Estado são buscadas por meio de laços de amizade, camaradagem, personalismo e troca de favores. Por exemplo32, hoje em dia, podemos citar as denúncias sobre fraudes em licitações. O governo, ao demandar serviços de empresas privadas, forja o processo licitatório para conseguir contratar amigos e parentes, fazendo com que ambos consigam aumentar as suas rendas.

Socialmente, os indivíduos se distanciam da esfera política. Esse distanciamento é ocasionado pela crença de que o povo não deve se envolver na administração pública, pois é um terreno restrito para membros da elite política que supostamente entendem sobre a gerência da coisa pública. A política não é lugar para pessoas comuns, estas devem procurar cuidar de suas vidas pessoais sem interferir nos negócios do Estado. Além da exclusão desses sujeitos, acredita-se que mesmo os interessados politicamente não conseguiriam interferir nas decisões políticas por estarem de “fora” dela. Se o cidadão comum não foi um dos cooptados politicamente e, portanto, não participa do clientelismo dentro da arena política ou “fora” dela como um aliado, ele não pode fazer nada a não ser aproveitar o máximo as oportunidades que, por ventura, surgirem, inclusive com a venda de seu voto. Dada a situação de distribuição desigual e ineficiente de recursos materiais (referimo-nos aos níveis de pobreza e miséria), a população disputa as poucas chances de sobrevivência se mostrando leal e prestativa aos donos do poder – fazendeiros, comerciantes e políticos –, na esperança de algum dia também ser cooptada. Pois, acredita-se que é só por meio da política que se tem uma vida boa e lucrativa.

O ponto de vista político é, presumivelmente, um reflexo dos outros dois. O

32 Para citar apenas um exemplo recente, temos o caso do deputado distrital Benedito Domingos que está sendo

indiciado por formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva. O inquérito policial aponta que o Deputado favoreceu empresas ligadas a familiares em licitações do governo do Distrito Federal segundo reportagem do Correio Braziliense (10 maio 2011, por Ana Maria Campos). Notícias dessa natureza nos meios de comunicação são recorrentes.

político tem amigos e poder de influência na rede de troca de favores, por meio da qual garante e recebe benefícios. A administração pública se direciona à representação dos interesses privados e dos negócios, já que a competição comercial é vencida por quem tem mais influência política. Além de todas essas intenções que motivam a ação política, os atores políticos agem dessa maneira pelo fato de outros grupos de pessoas também terem agido do mesmo modo. Esse hábito é mais bem perpetuado quando se está rodeado de outros funcionários que são amigos e parentes e, por isso, o político irá cooptá-los quando oportuno. Os membros do governo e seus aliados ganham direta ou indiretamente e, por isso, as reformas são evitadas. A sociedade não participa e não se envolve, facilitando e ajudando a perpetuar esse modo de se “fazer política”. Portanto, o que é relevante é manter os seus pares políticos satisfeitos e nenhuma mudança em vista.

2.2. Os estudos de cultura política em conjunto com variáveis estruturais,