III. MACAR KRALLIĞI VE DOĞU ROMA ĠMPARATORLUĞU ĠLE
3. Hristiyanlığı Kabul Sonrası Macarlar ve Doğu Roma Ġmparatorluğu
Subcluster (GRAF.14) centrado no site oficial do governo brasileiro, referenciado pelo Institut National de la Recherche Agronomique da França, pelo governo de Bogotá e pelo Forest Stewardship Council, que promove certificação de manejo florestal.
100 CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL. 2012. Rio de Janeiro.
Disponível em: <http://cupuladospovos.org.br/>. Acesso em: 5 jul. 2012.
COMISSÃO BRASILEIRA JUSTIÇA E PAZ – CBJP. 2013. Brasília. Disponível em: <http://www.cbjp.org.br/>. Acesso em: 3 ago. 2012.
GRÁFICO 14 – Subcluster a5
Fonte: Dados da pesquisa
Esse agrupamento de sites é um pouco marginal no cluster de ecologia social, mas pode ser considerado central em relação à rede inteira. Nele estão os sites do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário (com forte apelo para a agricultura familiar em sua página inicial) e do Desenvolvimento Social, que nos últimos anos no Brasil se destaca por política de combate à pobreza (bolsa família, bolsa escola etc.).
Embora o governo do Brasil seja reconhecido pela ONU por seu trabalho de combate à pobreza, é atacado em fluxos de informação negativos à sua imagem pela maioria dos sites de a1 e a3, principalmente pela construção da hidrelétrica de Belo Monte (GRAF.15). A Norte Energia, composta por capital estatal e privado, é a empresa que venceu a licitação para construção. Mantém um blog, um pouco deslocado na rede (não é citado por nenhum ator), mas que cita o IBAMA e o site oficial do governo brasileiro:
GRÁFICO 15 – Rede em torno do blog oficial de Belo Monte
Fonte: Dados da pesquisa
O título desse blogbelomonte.com.br é ‘Energia para o Brasil, desenvolvimento para a região do Xingu’. O processo de convencimento para a aceitação pública dessa obra é construído em torno da imagem da usina de Belo Monte como um passo em direção ao progresso. Os vídeos são didáticos, uma música tranquila de fundo, imagens do rio, casas e tribos ilustram o texto com informações positivas, dito por uma voz em off: “As comunidades indígenas foram ouvidas e puderam escolher os antropólogos que as estudaram, as famílias que já moram em áreas inadequadas de igarapés de Altamira serão realocadas”... “Estão sendo construídas escolas, postos de saúde e sistemas de captação e tratamento de água”. O site apresenta os estudos e não narra nenhum conflito que possa estar prejudicando a construção, em um processo de convencimento que não reconhece controvérsias.
Para Henrique Cortez, do site EcoDebate, o fato da ONU não ter cobrado do Brasil, durante a Rio+20, uma discussão sobre a hidrelétrica de Belo Monte reflete a sua lógica, por consenso, de não ter conflito aberto com nenhum estado membro, o que esvazia a capacidade de ação. Henrique está de acordo que Belo Monte não vai alagar as terras indígenas, pelo contrário, vai secar, porque terão o curso do rio desviado. “Na volta grande vai diminuir 90% do fluxo d’água, isso é secar. Toda meia verdade é uma mentira completa” (informação verbal101), disse ele.
Enquanto guerra de significações, ao menos dois processos de semiose podem ser analisados nesse site (FIG.13). O primeiro tem como objeto a imagem de ‘universitários’ defendendo a construção da usina: reforça o eterno conflito do iluminismo contra a sabedoria tradicional. Os universitários representando a ‘ciência e a tecnologia’ resolvendo os problemas das populações atrasadas, só que dessa vez a imagem da ‘ciência’ é ilustrada por dois ‘geeks’, jovens de óculos grandes, com jeito de estudiosos e o cenário da Rio+20 atrás.
FIGURA 13 – Geeks na Rio+20 explicam os benefícios de Belo Monte.
Fonte: NORTE, on-line102
Essa imagem (FIG. 13) é a chamada para o segundo processo de semiose que vamos detalhar: o vídeo que mostra a viagem dos jovens de Altamira a Rio+20, com camisetas escritas “Eu sou do Xingu, apoio Belo Monte”. Uma estudante, em seu depoimento, diz que com a construção da usina “vai chegar curso de Medicina, de Direito, o que a gente não tem”, que “vai trazer muito progresso”. Em outro momento, o vídeo evoca que precisam ser destruídos mitos: 1) Paulo, membro do MAB, declara que o Brasil não precisa da energia de Belo Monte, pois a população consome apenas 25% da energia gerada no pais, e que o restante é consumido pelas indústrias. Em seguida, uma explicação bem didática ensina que sem indústria, não há empregos e renda para a população; 2) O segundo mito é a frase de uma ativista do Greenpeace, Tatiana Carvalho, em que ela declara que o Brasil não precisa investir em usinas hidrelétricas, e sim somente reparar as vias de transmissão de energia. A resposta é que dos 17,5% de perda de energia do Brasil, cerca de 12% são ‘gatos’ feitos pela população para roubar energia, e que isso é um
102
NORTE Energia. Usina Hidréletrica de Belo Monte. Disponível em: <http://blogbelomonte.com.br/>. Acesso em: 23 abr. 2012.
problema ‘social’ e não de tecnologia. Nesse contexto, evidencia a culpa da população no problema ocasionado. 3) O terceiro mito, segundo o vídeo, é que Belo Monte vai alagar terras indígenas. Eles respondem que a área alagada diminuiu em mais de 50% do projeto original e que serão construídos canais para que as áreas indígenas não sejam afetadas. E finalizam com um índio dizendo que não é contra nem a favor, mas que precisam de energia na aldeia, para fazer ‘artesanato e marcenaria’ e ‘ver televisão’, pois ele ‘gosta de se informar’...
Essa lógica de edição do vídeo (FIG.14), de mostrar falas de líderes e pessoas significativas dos movimentos que são contra a construção de Belo Monte e, em seguida, argumentar contra essas falas com infográficos, mapas e números, denota um processo semiótico no qual, racionalmente, contrapõem-se os discursos para afirmar os motivos hegemônicos. Como um signo que precisa se afirmar no seu contrário para reforçar sua verdade. De fato, os autores do vídeo usaram imagens de seus opositores para desestruturar as verdades de suas falas. E o fato desse blog estar situado dentro do cluster da ecologia social prova que esse conflito é interno, transita nos espaços digitais da gestão da natureza de caráter social.
FIGURA 14 – Frames do vídeo do blog de Belo Monte
Fonte: NORTE, on-line103
103
NORTE Energia. Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Disponível em:
O discurso nacionalista e desenvolvimentista do blog oficial de Belo Monte, embora bem combatido nas redes dos subclusters a1 e a3 da ecologia social brasileira, tem sua presença forte em a5, apoiada pelas Nações Unidas. A revista oficial do prêmio International Green Awards, da UNEP e das Nações Unidas, deu especial destaque a um texto da presidente Dilma Rousseff, em inglês, em que ela afirma que o modelo desenvolvimentista iniciado por Lula “é o desenvolvimento sustentável”, sendo que “de acordo com a ONU nenhum outro país tem dado mais que o Brasil na redução do carbono, em programas de desenvolvimento sustentável e erradicação da miséria. E reforçou seu discurso com o número de que, nos dois últimos governos, mais de 40 milhões de pessoas saíram da pobreza. (UNEP, 2012, p. 25)
FIGURA 15 – Recorte da revista Rio+20: Climate Change, New economy.
Fonte: UNEP, 2012, on-line.104
Após todas essas descrições, que têm a função de contextualizar o leitor sobre que tipo de informação se debate dentro do cluster com predominância de ecologia social – seguindo a orientação de “apenas observar”, como diz Bruno Latour – analisamos que esse cluster tende a ter seu lado direito (a2 e a5) mais próximo das políticas da ONU da economia verde e seu lado esquerdo, dos clusters a1 e a3 mais contrários à essa política, evidenciando várias controvérsias, como a construção de Belo Monte e os conflitos de terra no Brasil. Por outro lado, a existência do subcluster a4, centrado no cluster A, e o seu propósito enquanto evento, é justamente fazer esse diálogo de oposição com o cluster B, representante das políticas de gestão da natureza que emergem com foco na economia.