BÖLÜM 2: DAVRANIġSAL FĠNANS ve DAVRANIġSAL FĠNANS
2.5. DavranıĢsal Finans Modelleri
2.5.3. Hong ve Stein‟ın Modeli, Haber Avcılığı ve Momentum DavranıĢı
A entrada na escola para a maioria dos professores aconteceu de forma tranqüila. Logo foram se adaptando ao novo espaço de convivência, a escola, que até hoje é lembrada por todos, com muito carinho, especialmente o período entre a 1ª e a 4ª série.
Embora cada um dos professores tenha estudado em escola e épocas diferentes, todos apresentavam condições básicas para o desenvolvimento do processo ensino- aprendizagem.
Como lembranças ainda não esquecidas e que marcaram negativamente essa fase estão os castigos (físicos) recebidos pelo professor P2A, apontados em seus relatos, como a utilização da palmatória em sala de aula. Essas lembranças são comuns para a maioria dos alunos dessa época. Ainda hoje se observa o ranço do autoritarismo muito
presente em nossas escolas. Se outrora o castigo era físico, como dar reguadas na cabeça, puxar orelhas, colocar o aluno de joelhos no milho, palmatória e outros, atualmente ele é simbólico, verbal. De qualquer forma, os castigos deixam as suas seqüelas.
Ainda a respeito dessa questão, os relatos de P1A indicam que sofreu discriminação de classe pela sua professora da 4ª série, que até hoje é lembrada com mágoa.
Para P4B há uma mistura de “marcas“ negativas e positivas de seus professores, registradas em sua memória e nenhuma delas foi esquecida. Isso tudo pode ser percebido em seus relatos, ao apontar a professora da 3ª série como “muito agressiva,
seca” e que lhe deu um “beliscão”, um “chacoalhão”. Como conseqüência desse
episódio, apresentou dificuldades na aprendizagem.
Porém duas outras professoras (da 1ª / 2ª / 4ª série) são identificadas por P4B como pessoas maravilhosas e que jamais serão esquecidas por ela, exteriorizando nos relatos o seu “amor”, a sua “adoração”, principalmente pela professora da 4ª série. Uma professora que ensinava com “carinho, calma, clareza”, que permitia aproximação entre ela e seus alunos e dessa forma tornando a relação professora / alunos muito prazerosa.
Nessa perspectiva, lembramos Freire (1996, p.103), ao comentar que “o clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter formador do espaço pedagógico.”
Esse caráter atribuído por Freire (1996) como formador do espaço pedagógico também se dá e se concretiza quando estão presentes na relação professor – aluno a
cognição e a afetividade, não como razões dicotômicas, mas dependentes, complementares uma da outra, tornando assim a relação prazerosa e de compreensão e alegria mútuas, exemplificada e revelada na frase da professora: “A gente aprendia com
prazer.” ( P4B ).
As professoras hoje são tidas por P4B como “modelos” para a sua prática pedagógica, especialmente sob o aspecto da relação professor / aluno e desta com a aprendizagem. Ou seja, a professora P4B tenta reunir em sua prática docente, as experiências e atitudes “positivas” de antigas mestras. O que nos mostra a influência que exerceram sobre a formação docente de P4B.
Nesse sentido, P2A também aponta dois ex-mestres que marcaram a sua vida de modo positivo. Percebemos pelos relatos, que esses ex-professores influenciaram a sua maneira, o seu jeito de ser professor.
Quanto ao processo ensino-aprendizagem, os discursos dos professores, na sua maioria, retratam a metodologia de ensino utilizada numa abordagem tradicional, pois de acordo com Mizukami (1986, p.16),
“todos deverão seguir o mesmo ritmo de trabalho, estudar pelos mesmos livros-textos, utilizar o mesmo material didático, repetir as mesmas coisas, adquirir, pois, os mesmos conhecimentos.O professor já traz o conteúdo pronto e o aluno se limita passivamente a escutá-lo. A didática tradicional quase poderia se resumida, pois, em “dar a lição” e em “tomar a lição”. ( Mizukami, 1986, p.16)
Quanto ao ensino de Ciências, alguns professores como P1A, P3B e P4B relatam que atendiam prioritariamente às questões referentes à saúde: alimentação, higiene pessoal e controle de verminose (exame de fezes anual e tratamento para os casos positivos, na escola de P1A).
Aliado a esse procedimento e subjacente aos discursos dos professores sobre os conteúdos de Ciências abordados durante esse período de ensino, percebemos um conceito de saúde ensinado numa perspectiva biologizante pois:
“à análise das causas sempre fica restrita aos agentes biológicos capazes de causar doença, tais como vírus, bactérias, vermes... e às maneiras mais convenientes de evitá-la ( hábitos corretos de higiene e alimentação). Esse tipo de abordagem parte do princípio de que a responsabilidade pela saúde é apenas de natureza individual, uma vez que a doença tem uma determinação meramente biológica. Quando se utiliza uma abordagem mais ampla, encarando o contínuo saúde-doença como um processo que, além de biologizante, é socialmente determinado, garante-se o entendimento de saúde enquanto um direito do cidadão.” ( São Paulo, 1997, p. 35)
Os professores (todos) também relatam que aprenderam Ciências e outras disciplinas por meio de questionários.
Entendemos que o ensino por meio de questionários não permite que o aluno amplie seu conhecimento, ao contrário, é um ensino reducionista à medida que não dá oportunidade de o aluno argumentar, comparar, relacionar, propor, refletir, enfim, não possibilita o aprendizado.
Pelos relatos, podemos dizer ainda que o ensino estava centrado na memorização, na “decoreba” dos conteúdos específicos das diferentes disciplinas.
4.1.2 Vivências a partir da 5ª série
Mudança de escola, disciplinas e metodologias diferentes, novos professores, novo ciclo de amizades. Não era mais um único professor, mas vários, com jeitos diferentes de ver e sentir o mundo, de ensinar.
A relação professor / aluno tão bem ancorada de 1ª a 4ª série, agora na 5ª se fragmentava. Decorrentes desse impacto, os professores relatam, especialmente P3B e P4B, problemas de aprendizado. P3B necessitou de “aulas particulares” para colaborar na aprendizagem de sala de aula e P4B, considerada “a melhor aluna da sala”, a partir da 5ª série teve seu aprendizado comprometido como relata: “a partir da 5ª série caiu
totalmente meu aprendizado”.
Os alunos, na 5ª série, também vivenciam a transição das fases do desenvolvimento humano, puberdade / adolescência bastante complicada, tensa, para a maioria deles. Se encontrarem a incompreensão da família, dos professores, dos colegas, acrescida a essa dificuldade, a sensação de estar “perdido” é ainda maior.
Como apontam em seus relatos, os professores vivenciaram, nesse percurso, situações de ensino muito semelhantes. O ensino estava centrado no professor e o livro didático era o único recurso utilizado por ele.
Todas as disciplinas seguiam uma mesma regra: os professores por meio dos livros didáticos adotados explicavam os conteúdos de ensino, passavam o questionário, que era memorizado pelos alunos através da “ decoreba”.
Nos relatos de P1A, apesar do ensino recebido, ela conseguiu ir além: leu muitos livros desenvolvendo o gosto pela leitura, percebeu as relações entre a teoria dada em sala de aula e o cotidiano, estabelecendo um nexo, que pode ser exemplificado na seguinte afirmação:
“o professor não dava experimento mas ele relatava coisas, então a gente
passava a observar e comprovar na natureza o que tinha sido falado em aula.” ( P1A )
Outro relato importante para P1A diz respeito à sua professora de Matemática, que foi única da 6ª série até o 3º colegial, ou seja, essa professora acompanhou sua classe por vários anos. P1A entendeu tal atitude como positiva e interessante e hoje, como professora, faz exatamente o mesmo.
Observamos a influência exercida pela ex-professora na sua prática docente. Nesse sentido, as professoras P3B e P4B, embora em escolas diferentes, apontam dois professores de Ciências como os melhores e comentam o porquê:
“ o professor era descontraído brincava. Relacionava o conteúdo com aquilo que a gente vivia; era aberto ao diálogo; trazia coisas pra gente usar na sala de aula: modelos anatômicos, cartazes do corpo humano.” ( P3B ) “... tinha aulas práticas...como era o corpo humano, eu lembro da gente discutindo, debatendo...” ( P4B )
Tanto P3B quanto P4B, apropriando-se dessas estratégias de ensino realizadas pelos seus professores, transpuseram-nas às suas práticas docentes, confirmando a influência deles.
Quanto à avaliação, o que depreendemos dos dados obtidos nos relatos é que ela estava centrada numa abordagem tradicional:
“Visando à exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em sala de aula, mede-se, portanto, pela quantidade e exatidão de informações que se consegue reproduzir. Daí a consideração de provas, exames, chamadas orais, exercícios etc., que evidenciem a exatidão da reprodução da informação.” ( Mizukami, 1986, p.17)