BÖLÜM 1: MENKUL KIYMET BORSALARI, HĠSSE SENEDĠ
1.3. Hisse Senedi Fiyat Hareketleri
“Estudos de Caso Múltiplos” - uma escola e sete famílias de alunos:
mundos que se falam?
“Reconhecer o valor de uma cultura diferente, mas também reconhecer-se como depositário de um bem cultural válido, é ganhar aos olhos dos outros e de si próprio um prestígio novo e estimulante” (POURTOIS, DESMET e BARRAS, 1994, p. 298)
Apresentamos nesse capítulo oito estudos de caso a partir dos dados de pesquisa coletados junto aos membros da escola, as famílias e os alunos. Mostramos, em primeiro lugar, o caso da escola, tomando-a como uma unidade educativa, e considerando a perspectiva dos diversos agentes que nela atuam. Em seguida revelamos os sete estudos de caso referentes às famílias e seus filhos.
Como já mencionamos anteriormente, na apresentação dos casos consideramos os sentidos atribuídos: à escola e às famílias pelos participantes da pesquisa; à relação escola–famílias e suas implicações na educação escolar e ainda à política da Progressão Continuada implantada na escola pública estadual paulista.
No caso da escola optamos por destacar os dados referentes a cada categoria.
Nos casos das famílias estes temas encontram-se no texto como um todo, reconstruídos a partir das configurações familiares e do cruzamento das informações obtidas sobre as famílias, os alunos, a escola e seus professores. Aqui tomamos cada família no seu conjunto (alunos/filhos e familiares): as visões dos seus integrantes, suas experiências e expectativas. Consideramos que tomando as famílias em suas configurações singulares poderíamos compor de modo mais coeso as suas visões singulares, situando-as no contexto mais amplo das interações entre a escola e as famílias.
Gostaríamos de destacar dois aspectos, no nosso ponto de vista essenciais para o entendimento da leitura que fizemos dos dados levantados junto às
famílias e seus filhos. Um refere-se ao entendimento do que seja família no sentido estrito e no sentido amplo. Para tal, recorremos a SARTI (1999, p.100-101):
A família não se define, assim, pelos indivíduos unidos por laços biológicos, mas pelos significantes que criam os elos de sentido nas relações, sem os quais essas relações se esfacelam, precisamente pela perda, ou inexistência, de sentido. (...) A família delimita-se, desse modo, por uma história que vai sendo contada aos indivíduos desde que nascem, ao longo do tempo, por palavras, gestos, atitudes ou silêncios. Estes por sua vez, são constantemente redefinidos pelas várias mensagens que chegam à família através do mundo ao seu redor. No entanto, cada um conta esta história do seu jeito. Ela é recontada de maneiras diferentes por e para cada um dos membros que compõem a família, dependendo do lugar a partir do qual ouvem e falam, construindo várias (e variadas) histórias.
Para contar a história destas famílias, suas visões sobre o mundo social em que viviam, pensamos ser pertinente recorrer a um outro aspecto, desta vez destacado por CARVALHO (2000, p. 13):
As expectativas em relação à família estão, no imaginário coletivo, ainda impregnadas de idealizações, da quais a chamada família nuclear é um dos símbolos. A maior expectativa é de que ela produza cuidados, proteção, aprendizado dos afetos, construção de identidades e vínculos relacionais de pertencimento, capazes de promover melhor qualidade de vida a seus membros e efetiva inclusão social na comunidade e sociedade em que vivem. No entanto, estas expectativas são possibilidades e não garantias. A família vive num dado contexto que pode ser fortalecedor ou esfacelador de suas possibilidades e potencialidades.
Assim, apresentamos a seguir, primeiro o caso, da escola, retratado a partir das perspectivas dos seus agentes educativos, e depois as configurações familiares que retratam os olhares das famílias e seus filhos acerca dos elos que se estabelecem entre a escola e as famílias e destas com o processo de escolarização dos filhos.
3.1 – CASO 1 - A ESCOLA
“(...) o professor... eles não gostam muito de alunos (...)” e a família... “o que eles podem fazer na escola?”
Antes de iniciarmos a apresentação do estudo de caso da escola situaremos brevemente a escola investigada e os membros da escola que participaram da pesquisa.
A escola investigada localiza-se em um bairro periférico do Município de São Carlos-SP. O bairro fica à margem de uma rodovia estadual e é constituído por casas modestas, a grande maioria já acabada, mas algumas ainda sem processo de construção ou ampliação. No mesmo há um posto de saúde, uma escola de educação infantil, uma fábrica e pequenos estabelecimentos comerciais (açougue, padaria, farmácia, lojas de materiais de construção, pequenos mercados de frutas, verduras e outros). As ruas do bairro são asfaltadas e o mesmo é atendido por pelo menos três linhas de ônibus urbano para acesso ao centro da cidade e outros bairros distantes.
Trata-se de uma escola diferenciada porque não seguia a reorganização escolar (adotada no Estado de São Paulo a partir de 1996) que separou as escolas de Ensino Fundamental em unidades educacionais distintas: de 1ª à 4ª e de 5ª à 8ª. Como retratado em estudo anterior realizado na mesma escola (MAGALHÃES, 1999) este fato ocorreu, devido à reivindicação da população por uma escola que atendesse aos seus filhos no próprio bairro, uma vez que outras escolas que atendiam à demanda de alunos de 5ª a 8ª séries, ficavam distantes. Após reivindicações da população e solicitação formal da direção da escola junto aos órgãos responsáveis no Estado, a escola manteve o atendimento para todo o Ensino Fundamental.
Apesar de atender a todo Ensino Fundamental e funciona em três turnos (matutino, vespertino e noturno) a escola pode ser considerada de pequeno porte: a estrutura física da escola é composta por sete salas de aulas (em uma delas funcionava a biblioteca da escola, que teve que ser ocupada para sala de aula, devido a demanda para formação de mais uma sala); uma sala de professores, uma sala da coordenação pedagógica; uma sala da direção da escola e secretaria; uma cozinha; uma pequena sala
usada para almoxarifado; quatro banheiros; uma quadra coberta; um pequeno pátio, com um palco para apresentações, mesa e bancos de cimento, onde os alunos se acomodam na hora de tomar a merenda. Há ainda uma área gramada e com árvores, onde os alunos brincam e circulam, principalmente, na hora do recreio.
Quanto aos agentes educacionais participantes da pesquisa podemos destacar: a Diretora tinha aproximadamente 50 anos, e estava na direção da unidade escolar há cerca de 8 anos; além disso era professora universitária. A Coordenadora tinha cerca de 40 anos e assumira a função na escola há 5 anos. A professora Conselheira tinha perto de 38 anos, estava na escola há quase 2 anos (ministrava a disciplina Educação Artística), tinha 20 anos de magistério e no momento da pesquisa lecionava em três escolas diferentes. A professora 2 também tinha cerca de 38 anos, exercia o magistério há 10 anos e lecionava História; no momento da pesquisa trabalhava em quatro escolas e além de professora era também manicura.
Passamos em seguida a apresentar os dados da escola:
Sentidos atribuídos à escola.
As participantes situavam a escola, nos dias atuais, como enfrentando um grande desafio, principalmente no que se referia ao seu papel educativo junto ao tipo de clientela que vinha recebendo. Reconheciam que sua essência era a educação, a formação das novas gerações. Mas duas delas apontavam que este objetivo estava comprometido na medida em que a escola estava sobrecarregada de funções que não lhe cabia desenvolver (controlar o comportamento, ser “guarda de crianças”, “puxar a orelha” dos alunos), o que acabava comprometendo que o fizesse de modo adequado. A escola fazia apenas “o que estava sendo possível” e com muita dificuldade. As falas que ilustram estas visões são as que seguem.
A Diretora apresentou uma visão mais genérica sobre o papel da escola e situou a importância do cumprimento deste papel, principalmente junto aos alunos das classes populares:
“Olha, o papel da escola e o papel da família é um só, é educar10. Se você se aprofundar no que seja a educação das crianças, você vai ver que é papel da família, é papel da escola, é papel da sociedade como um todo estar educando as novas gerações. Agora, o que significa educar? Será que é só instruir? Será que é só transmitir conhecimento, educar? Eu acho que é muito mais que isso. Claro, que a
escola é o lugar essencial da construção do conhecimento. (...) De uma maneira
sistematizada, de uma maneira formal. E tem muitos alunos que se não tiverem a
escola para construir esse conhecimento, não têm outro lugar. Então, a escola ...
principalmente nas classes populares, a escola é fundamental para que isso aconteça na vida do aluno”.
Ela ainda questionou a relevância e o tipo de conhecimento que precisava ser ensinado pela escola. Sugeriu que antes da abordagem dos conteúdos tipicamente escolares, era preciso a escola fazer uma reflexão filosófica com os alunos e suas famílias, para o entendimento do real sentido da escola e do conhecimento:
“Antes de ensinar substantivo, adjetivo, pronome e verbo, tem que
ensinar quem sou eu, qual é minha missão... como aluno, como jovem, o que que eu
estou fazendo aqui no mundo. Porque que eu tenho que ter conhecimento? Sabe, eu acho que é uma reflexão até filosófica que tem que se fazer com as crianças e com as
famílias, descobrindo a missão. Porque se você descobre o porquê das coisas, você faz
as coisas. Você não precisa nem insistir. As coisas acontecem naturalmente. Então, o conhecimento, ele vai sendo produzido naturalmente se o aluno souber o porque que ele tem que ter esse conhecimento”.
Mas ela não deu indícios fazia isso na sua escola. A direção tem liberdade para chamar os pais e discutir esse tipo de questão com eles e também ir às classes falar com os alunos, se não houver espaço para todos estarem juntos. Mas questões como estas não eram discutidas com as famílias e alunos. Era o ideal, mas na prática isso não ocorria na escola.
A partir desta fala da Diretora podemos questionar se, de fato, o conhecimento pode ser produzido naturalmente. Em que circunstâncias, sob que condições? Todas as famílias e seus filhos teriam condições de se desenvolverem, adquirirem conhecimento, terem acesso aos saberes produzidos socialmente ao longo dos tempos, sem o intermédio da escola? Se assim fosse, que sentido teria a existência da escola?
10
Os grifos em negrito nas falas das participantes, são destaques nossos. Os fizemos com o intuito de realçar o que priorizamos na análise. Talvez o leitor fizesse outros destaques, outras análises.
E claro que, por exemplo, as famílias das camadas populares não têm condições de proporcionarem aos seus filhos um ambiente e situações de aprendizagens priorizadas pela escola. Não dispõem do repertório nem dos recursos que a escola gostaria que elas tivessem. Assim, a escola precisa estimular e proporcionar situações e estratégias de ensino que favoreçam a aprendizagem dos alunos. E se eles não conseguem fazer o proposto sozinhos, os professores precisam conduzir, orientar as aprendizagens dos alunos. Não “entregar” o conhecimento pronto, mas também não supor que o aluno vá aprender sozinho, “naturalmente”, quando “for o tempo”. Por outro lado, se as famílias e os alunos perceberem a função da escola e do porque devem freqüenta-la e aprender determinadas coisas então a educação escolar poderá ser facilitada e até ser mais produtiva. Mas, era a escola que teria que disparar esse processo de reflexão mais formal. A conscientização das famílias sobre a importância do que se aprende na escola é mais intuitivo, baseado no senso comum e nas percepções da própria vida não escolarizada.
Para a Coordenadora o papel da escola, assim como o da família, estava perdido em meio às atuais circunstâncias em que ambas as instâncias se encontravam e havia uma confusão de papéis, com uma sobrecarga de atribuições à escola, que nem sempre podia cumpri-las:
“Eu acho.. que ... qual é o papel da escola, qual é o papel da família?
Hoje ela está meio que perdida. Mas, eu te diria assim, perdida mesmo. Porque foi
jogada tanta responsabilidade para a escola na educação das crianças, que ... fica difícil você determinar qual é o papel da família em relação à educação. Porque tudo é
função da escola. Até a ... desde o comportamento dessa criança até a aprendizagem,
ficou para a escola. (...) Então, é uma responsabilidade que ... está aí meio confusa. Para gente estar determinando qual é a função da escola, qual é a função da família, eu acho que hoje está ... está complicado”.
A Coordenadora afirmou ainda que a escola procurava fazer o que podia para que o aluno aprendesse e quando se via sem saber como resolver um determinado caso procurava solicitar à família que encaminhasse o filho para outros profissionais de apoio, inclusive fora da escola (por exemplo, na universidade):
“Olha, sinceramente, a gente tem procurado atender todos os problemas que a gente encontra, todos. Até mesmo na orientação, de estar pedindo para o pai levar a criança para fazer avaliação em algum lugar. Procura mostrar para o pai que,
muitas vezes, a criança vai passar por psicólogo, esse tipo de coisa, mas que não é que
ela tenha algum problema. Mas, que aquilo pode ajudar a gente a trabalhar com a
criança, porque partindo daí nós vamos ter a fala de um psicólogo para tá trabalhando junto. (...) E a gente tem procurado atender todos esses casos. Só que tem alguns que é difícil. Têm alguns que os pais se recusam, que os pais acham que é a gente que está vendo coisa, que não tem nada, que a criança não tem problema. Mas na medida do possível a gente atende sim, a gente procura atender”.
Estas falas indicam, como veremos também em outras mais adiante, que a escola e seus profissionais pareciam ter muita dificuldade para lidar com os casos fora do esperado pela escola e, mais ainda, sentiam grande necessidade de recorrer a um profissional da saúde, quando não conseguiam ensinar a alguns alunos. Mesmo reconhecendo a necessidade de algum profissional especializado para ajudar a resolver questões que extrapolavam o âmbito de atuação do professor, o que ocorre muitas vezes é que ao primeiro sinal de não aprendizagem do aluno, é mais fácil responsabilizar a vítima e indicar o caso para uma resolução médica. Felizmente, nem todas as famílias incorporam este tipo de discurso da escola, uma vez que se recusam a atender este tipo de solicitação da escola.
Entendemos que ao não saber lidar e reconhecer o próprio fracasso, culpando a vítima, a escola acaba transformando uma pequena dificuldade dos alunos em um grande drama, o que leva a pré-concepções sobre a capacidade de aprendizagem dos alunos e dos seus irmãos menores: problemas de família.
A Conselheira expressou sua visão sobre a escola tomando como horizonte a escola ideal, mas também apontou que no seu dia-a-dia a escola (real) tem que trabalhar com uma situação concreta, com o que se dispõe e, neste sentido, procura fazer o que pode para cumprir o seu papel de preparar o aluno para o futuro:
“Eu acho que a função da escola hoje é encaminhar o aluno... da
melhor forma possível, com o que nós temos hoje, tentando... se adaptar à clientela
que tem e dando as informações mais assim... mais necessárias possíveis, eu acho. Você dando condições para que o aluno... possa amanhã se virar sozinho, ser alguém e ter seus direito... saber quais são seus direitos, seus deveres”.
E aqui revela o olhar de que para eles, o pouco basta, ajudando a mantê- los no mesmo status social e econômico em que se encontram. Afinal... são incapazes ... Uma é a escola dos ricos, outra a escola dos pobres.
A Conselheira ainda indicou de que modo entendia que a escola devia desenvolver o seu papel:
“Eu acho que isso é conhecimento. É fazer eles lerem, é fazer eles buscarem onde está a informação, onde está isso... (...) Então, eu acho que escola é isso hoje em dia é informação. É informação assim, é ele (o aluno) buscar informação para ele poder crescer no seu conhecimento. Então, acho que é esse o papel da escola hoje em dia”.
Aqui percebemos uma questão delicada. A escola não oferece conhecimento, mas informação e ainda é o aluno que tem que buscá-la.
Ainda podemos questionar se todos os alunos teriam a facilidade e o acesso a busca de informações, do conhecimento. Teriam eles, alunos das camadas populares, a facilidade e a disponibilidade que alunos de outras camadas têm, muitas vezes dentro de sua própria casa? Pensamos que não. O que está aqui em jogo é a atribuição do acesso e da aquisição do saber puramente ao indivíduo, ao aluno. Parece que se ele não consegue buscá-lo, se fracassa nessa empreitada para a qual a escola nem ao menos o prepara, a culpa é sua. Mas e o papel educativo do professor? O aluno deve ter um papel ativo no ensino é fundamental; aprender a buscar informações (mas não só) é extremamente importante, principalmente nessa sociedade em mudança, mas o professor tem a sua especificidade de formador e não pode se abster disso, sob o pretexto da necessidade do aluno caminhar sozinho. E caminhar sozinho não é ser abandonado.
Segundo a professora 2, apesar de ser função básica da escola ensinar, tornar o indivíduo cidadão, esta função está ficando em segundo plano porque à escola têm sido delegadas funções que eram das famílias, como por exemplo o cuidado, a guarda dos alunos. Para ela, o professor ocupava um lugar que era da família e com isso, deixava de cumprir o seu papel de professor:
“O papel da escola é ensinar. Ensinar a ler, a escrever, a ... torná-lo cidadão. Só que não é mais. Não tá sendo mais. (...) Estão jogando muita coisa para escola que não é obrigação. (...) O papel do professor hoje, na realidade, não é ensinar mais. É cuidar das crianças para que os pais vão (sic) trabalhar. ... Muitas
vezes a gente deixa de dar aula porque a gente precisa conversar com o aluno. Precisa ouvir (...) A educação hoje não é mais você ensinar ler, escrever ... ensinar seus
aquela coisa ... é a educação que o pai e a mãe tem que dar em casa. O professor tá
fazendo esse papel, hoje na sala de aula”.
A professora 2 também relatou que as condições de exercício profissional na escola não contribuem para que os professores desenvolvam seu trabalho de modo mais satisfatório, dado o contexto atual, em que se requer da escola um maior leque de funções, formas ampliadas de educação, para além dos simples conteúdos escolares, principalmente quando os alunos têm na escola sua principal fonte de acesso ao saber e à cultura valorizados socialmente. Neste quadro, a professora se via desvalorizada enquanto profissional e desamparada no exercício de sua ação docente. Se via como professora e um pouco como mãe, apesar de saber que não podia ocupar este último papel na vida dos seus alunos, seja porque seu papel era outro, seja porque a própria situação não possibilitava que ela o exercesse com o coletivo dos seus alunos:
“Eu acho que deveriam valorizar muito mais o professor agora. Muito mais. Porque eu falo assim: ‘olha, eu tenho sete filhos. (...) É tão difícil.’ Imagina 40,
43 filhos. Porque eles passam o maior tempo da vida deles é com a gente (os
professores), não é com os pais. Então, a gente está educando de todas as formas. (...) Então, é lógico que a gente se preocupa também, mas também não tem que ser tudo, que nós também temos nossa família”.
A professora tem razão ao indicar como uma dificuldade e agravante na qualidade do ensino a desvalorização dos professores. Ainda é coerente o seu pensamento sobre os papéis educativos da escola, uma vez que nessa discussão não podemos perder de vista que não se deve confundir o papel materno/paterno com o papel docente, nem vice-versa. Cada qual tem sua especificidade e deve procurar desenvolvê-lo bem.
Entretanto, como a própria professora sinalizou (também indicado na fala da Diretora), hoje em dia a escola constitui-se o locus privilegiado para a formação de muitos alunos, que têm nela sua única oportunidade de se desenvolver como seres humanos plenos. Claro que a exigência é grande para a escola, mas ela não pode se eximir do seu papel formador. Dos professores e da escola como um todo são exigidos papéis mais amplos em termos educativos. Dela está sendo exigido muito mais que formar as novas gerações na cultura socialmente valorizada, para o exercício da cidadania, para a formação dos sujeitos (sua subjetividade, sua identidade, sua