O total projetado de automóveis, com base na idade da pessoa de referência e no tamanho do domicílio, foi obtido, para cada qüinqüênio, multiplicando a taxa observada em 2000 (número de automóveis por total de domicílios, em função da idade da pessoa de referência e do tamanho do domicílio) pelo total projetado de domicílios, em função da idade da pessoa de referência e do tamanho dos mesmos, para o respectivo qüinqüênio (k), conforme pode ser visualizado na equação seguinte:
k ij i j ij k domicílios de Total domicílios de Total automóveis de Total automóveis de Total = = + = * 100 15 5 1 2000 , (55)
onde o índice “i” representa a idade da pessoa de referência e o índice “j”,o tamanho do domicílio, fazendo com que o primeiro termo do somatório represente a taxa observada de posse de automóvel, em 2000, em função dessas variáveis. Caso o objetivo seja calcular o total de automóveis, com base apenas no total de domicílios, basta ignorar os índices “i” e “j”, bem como os respectivos somatórios, agregando o total de automóveis e domicílios, antes de efetuar o cálculo. As freqüências de domicílios que possuem um automóvel, dois automóveis, três ou mais automóveis, respectivamente, considerando ambos os sexos (ver TABs. A 39, A 40 e A 41, em anexo, respectivamente), foram mantidas constantes para projetar a frota de automóveis de Belo Horizonte, em função: do total de domicílios, da idade da pessoa de referência, tamanho do domicílio, idade da pessoa e tamanho do domicílio, simultaneamente, cujos resultados encontram-se na TAB. 22.
Tabela 22: Total de automóveis projetados em função do total de domicílios, idade da pessoa de referência, tamanho do domicílio, idade da pessoa de
referência versus tamanho do domicílio, Belo Horizonte, 2005 a 2050
Total de domicílios Idade da pessoa de referência Tamanho do domicílio
Idade da pessoa de referência versus tamanho do domicílio Ano de projeção
Total Razão1 Total Razão1 Total Razão1 Total Razão1
2005 571.024 1,12 591.801 1,16 557.010 1,09 581.789 1,14 2010 602.272 1,05 636.288 1,08 578.909 1,04 612.642 1,05 2015 642.283 1,07 685.923 1,08 607.459 1,05 655.630 1,07 2020 676.842 1,05 723.100 1,05 631.240 1,04 691.319 1,05 2025 706.259 1,04 752.381 1,04 651.478 1,03 717.651 1,04 2030 732.043 1,04 775.068 1,03 668.293 1,03 736.052 1,03 2035 752.082 1,03 786.029 1,01 679.563 1,02 743.214 1,01 2040 744.748 0,99 760.466 0,97 672.350 0,99 724.399 0,97 2045 737.414 0,99 734.904 0,97 665.136 0,99 705.584 0,97 2050 730.080 0,99 709.341 0,97 657.923 0,99 686.769 0,97
1) Razão entre os totais de automóveis em relação ao qüinqüênio anterior. Para a razão de 2005, foi utilizado o total do ano 2000, que corresponde a 508.731 automóveis registrados pelo DETRAN/MG. Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 2000, IBGE. MINAS GERAIS. Departamento de Trânsito. Evolução histórica de frota circulante de veículos, por categoria, em Belo Horizonte: 1999/2008. Dados recebidos por mensagem eletrônica, em 06 maio 2008.
O total de automóveis projetado, com base no total de domicílios, apresenta-se crescente até 2035, acompanhando, assim, o crescimento do total projetado de domicílios, no período de 2000 a 2050.
Ao longo do período de projeção, o total projetado com base apenas na idade da pessoa de referência é sempre maior que os totais obtidos nas demais projeções. O total projetado de automóveis aumenta mais rapidamente se a projeção considera apenas a idade da pessoa de referência, porque não considera o fato de que as pessoas de referência podem estar residindo em domicílios menores, para os quais, as freqüências de posse de automóveis tendem a ser menores.
O GRAF. 29 permite visualizar a evolução das diferentes projeções, ao longo do período de projeção.
Gráfico 29: Projeções de automóveis, em função do total de domicílios, da idade da pessoa de referência do domicílio, do tamanho do domicílio, da idade da pessoa de
referência versus tamanho do domicílio, Belo Horizonte, 2000 a 2050
Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 2000, IBGE.
Ao considerar somente o tamanho do domicílio, as projeções seguem a tendência geral das projeções obtidas pela idade da pessoa de referência, porém em um nível mais baixo. A projeção baseada apenas na idade da pessoa de referência sobreestima o total de automóveis; enquanto que a projeção baseada apenas no tamanho do domicílio subestima, pois não considera que, dentre os domicílios menores, há pessoas de referência em idades intermediárias, para as quais, a freqüência de posse de automóvel tende a ser maior. A
500 550 600 650 700 750 800 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050 Ano T ot al d e au to m óv ei s (e m m ilh ar es )
partir de 2035, as razões de crescimento do total projetado de automóveis, com base no tamanho do domicílio, são maiores do que ao projetar, com base na idade da pessoa de referência. Seguindo o raciocínio de Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2004) para o uso do automóvel na Áustria, isso pode acontecer quando o aumento da proporção de domicílios menores compensa o fato de que eles possuem menores taxas de posse de automóvel. De acordo com os autores, o aumento pode ser explicado pelo fato que domicílios menores têm uma maior posse per capita de automóvel e, portanto, um deslocamento na composição da população, em direção a domicílios menores, leva a uma maior posse agregada de automóvel.
Diante do exposto, a projeção que inclui tanto a idade da pessoa de referência, quanto o tamanho do domicílio, considera o fato de que ao se deslocar em direção aos domicílios mais idosos, estar-se-á também se movendo em direção a um domicílio menor, que, por sua vez, tende a possuir menor posse de automóvel. Da mesma forma, ao deslocar em direção aos domicílios menores, estar-se-á movendo em direção a um domicílio, que pode ter uma pessoa de referência pertencente aos grupos etários mais avançados, ou não, conforme pode ser visto no GRAF. 27 do capítulo anterior.
De maneira geral, os resultados, aqui apresentados, assemelham-se aos obtidos pro Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2004), ao analisar o uso do automóvel, na Áustria. Segundo os autores, as variáveis “idade” e “tamanho do domicílio” são importantes para a projeção do uso do automóvel na Áustria; ao passo que as informações referentes ao sexo do chefe do domicílio e à composição domiciliar (quanto à proporção de adultos em relação às crianças) têm um efeito menor. Em relação ao sexo do chefe do domicílio de Belo Horizonte, esse efeito não foi avaliado devido ao fato de que o modelo toma, preferencialmente, as pessoas do sexo feminino como pessoa de referência do domicílio. Já em relação à proporção de adultos em relação às crianças, não foi possível avaliar de forma eficaz a influência dessa variável, pois os resultados elaborados pelo programa ProFamy não apresentam a idade das pessoas que co-residem com os pais.
Diante dos resultados obtidos para Belo Horizonte, pode-se dizer que as projeções do total de automóveis, obtidas com base na idade da pessoa de referência e tamanho do domicílio são as que permitem avaliar, de forma mais detalhada, o efeito demográfico na estrutura futura dos domicílios, que por sua vez, influenciará a demanda futura por automóveis, pois,
o município de Belo Horizonte, não somente, passará por um processo de envelhecimento da população, mas também por redução do tamanho dos domicílios.