A situação conjugal de cada pessoa, obtida no Censo Demográfico de 2000, foi utilizada para identificação da pessoa de referência no domicílio. Se a mulher apresentava situação conjugal casada e era cônjuge do responsável pelo domicílio, ela foi considerada pessoa de referência do domicílio; se o homem não se encontrava casado e era o responsável pelo domicílio, ele foi considerado a pessoa de referência.
Com base nos dados do Censo Demográfico de 2000, para o município de Belo Horizonte, pode-se dizer que as porcentagens de domicílios que possuíam um automóvel, dois automóveis, três ou mais automóveis correspondiam a 31,6%, 9,9% e 2,6%, respectivamente. As TAB’s. A 36, A 37 e A 38, em anexo, apresentam as freqüências de domicílios que possuem: um automóvel, dois automóveis, três ou mais automóveis, respectivamente, em função da idade e sexo da pessoa de referência e do tamanho do domicílio.
Como o modelo de projeção multi-estado, assume, preferencialmente, o sexo feminino para determinar a pessoa de referência do domicílio, não faz muito sentido avaliar a importância dessa variável na projeção da frota de automóveis. Portanto, essas freqüências foram novamente calculadas, sem considerar a variável “sexo”, e estão apresentadas nas TAB’s. A 39, A 40 e A 41, para a posse de um, dois e três ou mais automóveis, respectivamente. Ao agregar todos os tamanhos de domicílio, as freqüências são, praticamente, idênticas às que foram obtidas, ao se considerar o chefe do domicílio (ver TAB. A 35, em anexo), cujas pequenas diferenças podem também ser resultantes do processo de arredondamento. Essas freqüências de domicílios, por idade da pessoa de referência e tamanho do domicílio, que possuem um, dois três ou mais automóveis, foram calculadas dentro de cada grupo etário, para cada tamanho de domicílio (ver GRAF. 28).
Gráfico 28: Freqüência de domicílios que possuem automóvel, por grupo etário da pessoa de referência e tamanho do domicílio, Belo Horizonte, 1º. de setembro de 2000
a) um automóvel por domicílio
b) dois automóveis por domicílio
c) três ou mais automóveis por domicílio
Nota: as freqüências, para cada tamanho, foram calculadas dentro de cada grupo etário. Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 2000, IBGE.
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80+ Grupo etário F re qü ên ci a
1 pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5 ou mais pessoas geral
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80+ Grupo etário F re qü ên ci a
1 pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5 ou mais pessoas geral
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80+ Grupo etário F re qü ên ci a
Conforme pode ser visualizado, no GRAF. 28, as freqüências de domicílios constituídos por uma única pessoa, que pertence ao grupo etário de 25 a 29 anos, e que possuem um automóvel, dois automóveis, três ou mais automóveis correspondem a 27%; 6% e 1%, respectivamente. Isso significa que, dentre os domicílios constituídos por uma única pessoa pertencente ao grupo etário de 25 a 29 anos, 34% deles possuíam um ou mais automóveis, em 2000.
Para os domicílios que possuem um único automóvel, a freqüência geral aumenta até o grupo etário de 35 a 39 anos, de maneira semelhante à freqüência calculada para os domicílios de tamanho um, quatro e cinco ou mais. Para os domicílios de tamanho dois e três, os maiores valores ocorrem um pouco antes, para o grupo etário de 25 a 29 anos e 30 a 34 anos, respectivamente. O padrão geral de posse de um único automóvel assemelha-se muitos ao padrão de posse apresentado pelo domicílio de tamanho um, principalmente até grupo etário de 50 a 54 anos, mas assemelha-se também ao padrão apresentado pelo domicílio de tamanho quatro.
Ao analisar as freqüências de domicílios que possuem dois automóveis, a freqüência geral aumenta até o grupo etário de 50 a 54 anos, de maneira semelhante à freqüência calculada para os domicílios com quatro ou mais pessoas. Dentre os domicílios de tamanho três, a freqüência aumenta até o grupo etário de 55 a 59 anos; ao passo que, para o domicílio de tamanho dois, o maior valor ocorre para o grupo etário de 30 a 34 anos. Naturalmente, para o domicílio de tamanho um, a freqüência de domicílio que possui dois automóveis é muito pequena.
A freqüência geral de domicílios que possuem três ou mais automóveis é bem pequena em todos os grupos etários, assumindo o maior valor para o grupo etário de 50 a 54 anos.
Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2004, p. 180), ao considerar os padrões de uso do carro e posse do automóvel, em função da idade e tamanho do domicílio, acharam que o padrão etário de demanda de transporte agregado sobre todos os tamanhos de domicílio refletia, principalmente, os padrões etários observados para os domicílios de tamanho um e dois. Para Belo Horizonte, apenas a taxa geral de posse de um automóvel apresentou-se mais associada à taxa de posse de um automóvel por domicílios constituídos por uma única pessoa. Como em 2000, o tamanho médio dos domicílios de Belo Horizonte correspondia a
3,5 pessoas, aproximadamente, essas freqüências de posse de automóvel podem também estar refletindo essa característica dos domicílios.
A associação entre a posse de automóvel e a idade da pessoa de referência identificada por Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2002), Pfeiffer & Strambi (2005), Fioravante (2008) reflete, em parte, o ciclo de vida, uma vez que o domicílio cuja idade da pessoa de referência situa- se nos grupos etários intermediários, ou seja, nem muito jovem, nem muito idoso, é aquele em que essa pessoa é mais provável de já ter tido filhos, os quais ainda moram com essa pessoa, contribuindo, assim, para a formação de domicílios de tamanhos maiores.
É esperado que a freqüência de domicílios que possuem automóveis apresente alterações no período de 2000 a 2050, devido a vários fatores; por exemplo, investimento em transporte público, elevação ou redução de juros para financiamento, variação da renda, emprego, disponibilidade de crédito ou até mesmo mudanças comportamentais, resultantes da difusão do automóvel, que contribuirá para que se torne um bem comum para as gerações mais novas e para o sexo feminino. Entretanto, como não há uma previsão confiável de qual será esse cenário, de longo prazo, optou-se por manter constante a freqüência de domicílios que possuem automóvel. Assim, nesse trabalho será observada a variação no total de automóveis da frota de Belo Horizonte, que pode ser esperada em virtude apenas de mudanças no número e composição dos domicílios projetados.