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Belgede 2011 yılında Yeni Asya (sayfa 117-132)

Uma primeira avaliação do ensino oferecido pela EAAPB e, portanto, do conteúdo ministrado, bem como uma aproximação de suas práticas pedagógicas, pode ser feita a partir da leitura do Relatório de 1921. Naquele ano, a escola matriculou 179 alunos, assim distribuídos nos seguintes Cursos e anos letivos, conforme pode ser visto no quadro seguinte:

Quadro 3 – Alunos Matriculados em 1921 na EAAPB total/curso Curso 1º. Ano 2º. Ano 3º. Ano 4º. Ano

Alfaiataria 43 07 03 01 54 Encadernação 16 05 21 Marcenaria 20 03 02 25 Sapataria 10 02 01 13 Serralheria 42 16 04 04 66 total- escola 179 Quadro construído com base nas informações de Outeiro, 1921.

O Relatório de 1921 traz ainda os resultados dos exames finais e de acesso, realizados em novembro daquele ano. Dos 179 alunos matriculados, apenas 51 fizeram o exame, ou seja, 28,49%. Dos 51 alunos que fizeram o exame, apenas 36 obtiveram êxito, 20,11% do total de alunos matriculados. Os números são baixos, confirmando a “evasão escolar” como um problema crônico na educação neste período (primeiro quarto do século XX), em que a escola (incluindo as escolas de aprendizes), “ainda não havia se imposto radicalmente às práticas das famílias, dentre elas, as práticas do trabalho” (VAGO, 2010, p. 26). Mas, ainda assim, era a escola da Paraíba (ao lado da escola do Paraná), que registrava um dos índices mais baixos de evasão146. Esse fato, um grau de eficiência pequeno,

146 Os dados disponíveis para comparações são escassos. Como exemplo, tomamos uma informação de

Nascimento (2007, p. 134-135), para quem, no ano de 1917, foi registrado na Escola de Alagoas uma das menores taxas de conclusão, apenas 1,8% dos alunos matriculados. No Maranhão, entre 1923 e 1929 “não houve um só concluinte”.

certamente colocava em dúvida o cumprimento do Decreto de criação das EAA, o ordenamento para o trabalho, a formação e moralização dos menores (sobretudo os filhos das classes despossuídas), bem como a higienização da população, tal como almejado pelo ideal republicano. No caso da EAAPB, constatamos que, apesar do esforço dos professores e mestres, os resultados não foram exatamente promissores, ou, como escreveu o Diretor Coriolano de Medeiros, “são pouco satisfactorio [s]”. Já no Relatório de 1921, quando a escola tinha pouco mais de uma década de funcionamento, encontramos dados para reflexões sobre os problemas e as dificuldades enfrentadas. No tocante às officinas, que eram em número de cinco (Serralheria, Marcenaria, Alfaiataria, Sapataria e Encadernação), eram “todas pessimamente installadas, quer, quanto aos compartimentos que occupam, quer pela quantidade e estado do material permanente existente” (OUTEIRO, 1921, p. 8). Vejamos a situação da officina de Serralheria, considerada a principal da escola. Segundo consta no relatório ela possui,

[...] um torno improprio para o aprendiz nelle trabalhar, de uma machina de furar, de uma machina de cortar e punçonar, de duas pequenas bancadas, presos as quaes estão alguns tornos de bancadas de duas forjas e de um reduzido numero de ferramentas manuaes. É necessario dizer que quase todo o material enumerado, além de defficiente e improprio, em parte, para o ensino, está mal distribuido e installado na officina. Pela usura produzida pelo o trabalho durante 11 annos, acha-se reduzida a sua capacidade productora e, com relação ao torno, um pouco alterada a precisão indispensavel a toda machina de tornear (OUTEIRO, 1921, p. 8).

As dificuldades e os limites das officinas não acabam aí. Outeiro informa, ainda no mesmo relatório, que a força motriz da escola era produzida por dois motores à gasolina, sendo ambos com mais de 13 anos de vida útil e de propriedade do governo do Estado, podendo, portanto, a Escola ficar sem os mesmos a qualquer momento. As officinas de Marcenaria, Alfaiataria e Sapataria careciam de materiais e ferramentas. Somente a de Encadernação, talvez pela sua relativa simplicidade, apresentava uma situação mais confortável no que diz respeito aos materiais disponíveis. Dessa forma, conclui-se que as officinas precisavam ser melhoradas para que nelas os alunos (aprendizes) pudessem “encontrar todas as ferramentas concernentes ao seu officio, e o mestre dispôr de elementos, para dar boa orientação didactica à respectiva officina” (OUTEIRO, 1921, p. 9).

Esse conjunto de problemas, no nosso entendimento, se refletia no aprendizado dos alunos. Ao relatar os exames finais que os alunos faziam ao final do ano, Outeiro lamentou os

resultados, ao mesmo tempo em que reconheceu os esforços realizados pelos professores e mestres:

Realizaram-se a 28, 29 e 30 de Novembro, respectivamente, os exames primario final, de desenho final e de accesso ou passagem aos annos seguintes, e a 5 de Dezembro os exames finaes de Serralheria, Alfaiataria e Sapataria. Não posso abster-me de dizer que os examinados apresentaram preparo pouco satisfactorio, quer em conhecimentos theoricos, quer em technicos, não obstante, parece-me, terem-se esforçado os professores e mestres pelo adeantamento e progresso dos aprendizes (OUTEIRO, 1921, p. 25).

Quadro 4 – Alunos, aprovados e reprovados na EAAPB Oficina Fizeram o Exame:

51 alunos

Grau de Aprovação Aprovado Reprovado

Encadernação 20 Promovido ao 2º. Ano 05 05

Inhabilitado no 1º. Ano 10 10

Inhabilitado no 2º. Ano 04 04

Promovido ao 3º. Ano 01 01

Serralheria 17 Promovido ao 2º. Ano 09 09

Promovido ao 3º. Ano 05 05 Inhabilitado no 3º. Ano 01 01 Promovido ao 4º. Ano 01 01 Concluiu o curso de officina, somente. 01 01

Marcenaria 03 Promovido ao 2º ano 03 03

Alfaiataria 08 Promovido ao 2º ano 05 05

Promovido ao 3º ano 02 02 Concluiu o curso, recebeu

certificado.

01 01

Sapataria 03 Promovido ao 2º ano 02 02

Concluiu o curso, recebeu certificado.

01 01

36 15

Total 51

Por ter explorado bastante o tema da ausência de uma infraestrutura adequada ao funcionamento da Escola, bem como a baixa frequência dos aprendizes, Outeiro sugeriu, no nosso entendimento, serem esses os principais motivos dos resultados pouco satisfatórios apresentados. Sobre este tema, escreveu em seu relatório:

A frequencia deixa muito a desejar. Não só ha falta de assiduidade, como, em certa epoca do anno, [...] as aulas são abandonadas sem intermitência por regular numero de aprendizes. A frequencia media annual no curso diurno foi de 122,78, sendo 178 o numero de matriculados. A do curso nocturno foi de 39,05, sendo 121 o numero de matriculados (OUTEIRO, 1921, p. 25).

A constatação de um aprendizado pouco satisfactorio, traduzido na expressão “os examinados apresentaram preparo pouco satisfactorio, quer em conhecimentos theoricos, quer em technicos”, leva-nos a refletir sobre as causas desse fenômeno. Se havia esforço dos professores e mestres, por qual motivo o insucesso? Se alunos eram de boa índole e não cometiam atos capazes de perturbar a ordem escolar, a ponto de o Diretor escrever em seu relatório que em 1921 “nenhum acto de indisciplina houve de importancia a registrar-se” (OUTEIRO, 1921, p. 25), por qual/quais motivo/motivos o resultado não se apresentava como esperado? A frequência era baixa e, isso, certamente, contribuía negativamente com o aprendizado. Mas, como explicar a baixa frequência? Parece-nos que nem mesmo o incentivo previsto no Artigo 21 do Regulamento de 1918, que previa que 10% da renda obtida pela escola se destinariam à confecção de produtos distribuídos entre os alunos, “de accordo com a applicação, comportamento e frequencia” constituía grande incentivo capaz de manter os alunos na escola147.

Belgede 2011 yılında Yeni Asya (sayfa 117-132)

Benzer Belgeler