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HİZMETİN ÖRGÜTLENMESİNDE ÖLÇEK

Em 1911 foi publicado por Jung um trabalho com o título Métamorphoses et Symboles de la libido, que foi profundamente reformulado quarenta anos mais tarde para se tornar Métamorphoses de l‟âme et ses symboles, mudança de título que reflete na mudança de conteúdo. Uma parte interessante é a que foi dedicada à metamorfose do conceito freudiano de libido. Para ele, este termo introduzido por Freud não está certamente destituído de conotações sexuais, mas ao mesmo tempo é necessário afastar integralmente qualquer definição exclusiva e unilateralmente sexual desta noção.59

Jung interroga se a perda do real para a qual tinha chamado a atenção na sua Psychologi de la démence précoce deve ser reconduzida a uma ausência apenas do estado libidinoso ou se, pelo contrário, ela se confunde com aquilo a que se chama interesse objetivo em geral. Já não se pode admitir que a ―função do real‖ normal não seja mantida senão por relações de libido, quer dizer, pelo interesse erótico. Na verdade, em muitos casos, a realidade em geral desaparece.60

Para Jean Garrabé,61 a impossibilidade de explicar pela teoria sexual da libido

o autoerotismo, que Bleuler considerava, como uma perturbação fundamental das relações com o mundo externo da esquizofrenia, levou Jung a metamorforsear também a sua interpretação psicanalítica, pois esta já não se baseava na análise da organização libidinal, mas sim na análise das estruturas da alma humana.

59 GARRABÉ, J. (1992). História da Esquizofrenia. Lisboa: Climepsi, 2004, p. 57. 60 Idem.

Todavia, para o historiador Jean Garrabé,62 Freud citou Abraham63 (1877- 1925) de forma bastante injusta como aquele que primeiro estabeleceu que o fato da libido se desinteressar pelo mundo externo constitui um caráter particularmente claro da demência precoce. Escreveu que a demência precoce extingue a capacidade de transferência sexual, de amor objetal e que a ―autoestima sexual‖ refletida sobre o ego, ou autoerótica, é a fonte do delírio de grandeza da demência precoce o que o leva a concluir que é o autoerotismo que distinguia a demência precoce da histeria.

As palavras de Freud:

Do ponto de vista da teoria da libido, embora se assemelhe à demência precoce na medida em que a repressão propriamente dita em ambas as moléstias teria o mesmo aspecto principal desligamento da libido, juntamente com sua regressão para o ego, ela se distinguiria da demência precoce por ter sua fixação disposicional diferentemente localizada e por possuir um mecanismo diverso para o retorno do reprimido (isto é, para a formação de sintomas). Parecer-me-ia plano mais conveniente dar à demência precoce o nome de parafrenia. Este termo não possui conotação especial e serviria para indicar um relacionamento com a paranóia (nome que não pode ser modificado) e, além disso, relembraria a hebefrenia, entidade que hoje se acha fundida com a demência precoce. É verdade que o nome já foi proposto para outros fins, mas isto não precisa nos preocupar, visto que as aplicações alternativas ainda não passaram para uso geral. Abraham muito convincentemente demonstrou que o afastamento da libido do mundo externo é uma característica particular e claramente marcada da demência precoce. Desta característica inferimos que a repressão é efetuada por meio do desligamento da libido. Aqui, mais uma vez, podemos considerar a fase de alucinações violentas como uma luta entre a repressão e uma tentativa de restabelecimento, por devolver a libido novamente a seus objetos. Jung, com extraordinário acume analítico, percebeu que os delírios e estereótipos motores que ocorrem nessa perturbação são os resíduos de antigas catexias objetais, que se apegam com grande persistência. Essa tentativa de restabelecimento, que os observadores equivocadamente tomam

62 GARRABÉ, J. (1992). História da Esquizofrenia. Lisboa: Climepsi, 2004, p. 62.

63 Karl Abraham nasceu em Bremen no dia 3 de maio de 1877. Logo depois que concluiu

seus estudos na Alemanha foi a Zurich e conseguiu de Bleuler um cargo de ajudante na clínica de Burgholzli, onde conheceu Jung e também conheceu os trabalhos de Freud com quem iniciou correspondência em 1907 (Cf. POSTEL, J.; QUÉTEL, C. História de la psiquiatria. México: FCE,1993, p. 573).

pela própria doença, não faz uso da projeção, como na paranóia, mas emprega um mecanismo alucinatório. Este é um dos principais aspectos em que a demência precoce difere da paranóia e esta diferença pode ser geneticamente explicada a partir de outro ângulo. A segunda diferença é demonstrada pelo resultado da doença naqueles casos em que o processo não permaneceu demasiadamente restrito. O prognóstico, em geral, é mais desfavorável do que na paranóia. A vitória fica com a reconstrução. A regressão estende-se não simplesmente ao narcisismo (manifestando-se sob a forma de megalomania), mas a um completo abandono do amor objetal e um retorno ao auto-erotismo infantil. A fixação disposicional deve, portanto, achar-se situada mais atrás do que na paranóia, e residir em algum lugar no início do curso do desenvolvimento entre o auto-erotismo e o amor objetal. Além disso, não é de modo algum provável que impulsos homossexuais, tão freqüentemente talvez invariavelmente encontrados na paranóia, desempenham papel igualmente importante na etiologia dessa enfermidade muito mais abrangente, a demência precoce.64

O desinteresse da libido, além do investimento abrasador do objeto, a perda da capacidade de sublimar, além de uma sublimação aumentada, Jung já tinha desenvolvido, desde 1906, esta ideia do desinteresse da libido pelo mundo externo. Em contrapartida, Freud atribuiu a Jung o mérito exclusivo de ter reconhecido com uma extraordinária importância analítica que as ideias delirantes não são o resultado de esforços desesperados para restabelecer os investimentos objetais.65

A evolução da demência precoce fornece o segundo caráter diferencial. Ela é em geral menos favorável do que a da paranoia, a vitória não reside como nesta última afecção, na reconstrução, mas na repressão. A regressão não se contenta em atingir o estádio do narcisismo (que se exprime pelo delírio de grandeza), ela vai até ao abandono completo do amor objetal e ao regresso ao autoerotismo infantil. Entretanto, não é nada provável que os pensamentos homossexuais que se encontram tão frequentemente, na paranoia, desempenhem um papel de igual

64 FREUD, S. (1911). Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de

paranóia. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1972. v.XII, p. 100-102.

importância na etiologia de demência precoce, afecção com um caráter imensamente menos circunscrito.66

Pois, o que censura a Jung é o fato de ter preferido a este estudo a análise do simbolismo das produções delirantes esquizofrênicas com uma origem que não é sexual. Assim, a exploração psicanalítica da demência precoce deveria ter proporcionado a Freud ocasião para estudar de um ponto de vista genético estes estádios primitivos da sexualidade, determinantes para a evolução posterior da libido.67

Garrabé,68 diz que Freud teve que retornar ao estádio do narcisismo, com o inconveniente de não dispor de material clínico em primeira mão, no estudo que introduz de certa forma oficialmente o conceito na teoria psicanalítica publicada no mesmo ano em que inicia a Primeira Guerra Mundial. Freud introduziu a noção de narcisismo na teoria psicanalítica em 1914. O termo tinha sido criado, em 1899 por Paul Näcke para designar a perversão na qual um sujeito trata o seu próprio corpo de forma semelhante à que geralmente se trata o corpo de um objeto sexual.

Mas, Freud teve um motivo importante para se interessar pela ideia do narcisismo primário, quando submeteu a concepção da demência precoce ou esquizofrenia à hipótese da teoria da libido. Os pacientes parafrênicos apresentavam dois traços de caráter fundamentais: o delírio de grandeza e o fato de desviarem o seu interesse para mundo externo. Entretanto, na esquizofrenia a libido retirada do mundo externo foi conduzida para o ego, de tal forma que apareceu uma atitude a que se pode chamar narcísica. Freud concebe este narcisismo aparecido

66 GARRABÉ, J. (1992). História da Esquizofrenia. Lisboa: Climepsi, 2004, p. 63. 67 Idem.

pela introversão dos investimentos de objetivos no ego como um estado secundário construído com base num narcisismo primário.69

Em relação à sexualidade dos esquizofrênicos Kraepelin70 nos diz que as observações que fazia com seus pacientes, que parecem assinalar a demência e a vida sexual, foram alvo de muita atenção. Entretanto, nos diz que o aumento da excitação sexual encontra-se em todas as formas possíveis de loucura