As características em relação às fontes de água para consumo humano pelas comunidades estudadas podem ser visualizadas na Tabela 3.1. Na maioria das comunidades as fontes de abastecimento de água utilizadas para consumo humano é mista e a escolha da melhor opção depende da facilidade de acesso.
Tabela 3.1- Fontes de abastecimento de água utilizada para consumo humano pelas comunidades estudadas.
Comunidade domicílios N° habitantes N°
Fonte abastecimento de
água
São Raimundo 20 126 Chuva/ poço
Novo Horizonte 11 56 Chuva/poço
Pupuai 33 187 Poço
Bauana 18 104 Poço
Barreira do Idó 11 50 Chuva/rio
St. Ant. do Brito 13 68 Chuva/rio
Morada Nova 9 42 Chuva/rio
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1) Poços tubulares profundos
Os poços tubulares profundos são perfurados mecanicamente chegando a uma profundidade média de 33 metros, sem revestimento, ou proteção em volta da abertura, nem cerca ou cobertura para isolamento do mesmo. As comunidades que utilizam o poço como fonte de água estão localizadas em território de terra firme, que são áreas não inundáveis na estação chuvosa.
A água bombeada do poço é distribuída à população em um ponto próximo ao poço sem nenhum tipo de tratamento prévio, filtração ou cloração. A água do poço é utilizada para beber e cozinhar. Outras atividades diárias, como lavagem de roupa, louça e banho são realizadas em outras fontes de água (rio, lago e igarapé).
2) Água da chuva
A água da chuva é coletada por sistemas individuais rudimentares, com calhas construídas com materiais disponíveis nas comunidades, na maioria das vezes retalhos de telhas de alumínio, que transportam a água coletada até reservatórios abertos próximos do domicílio (Figura 3.14). A água de chuva é apreciada para consumo humano tanto em comunidades localizadas em território de várzea quanto em terra firme.
Figura 3.14- Captação domiciliar de água da chuva para consumo humano. Foto: Carolina Bernardes
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3) Água de superfície
A água de superfície é utilizada como fonte de abastecimento, tanto por comunidades localizadas em território de terra firme, quanto por aquelas localizadas em área de várzea. As comunidades localizadas em área de várzea têm acesso quase direto à água de superfície na estação chuvosa (Figura 3.15 A). No entanto, na estação, seca o rio pode baixar cerca de 15 metros, tornando o acesso à água de superfície mais difícil (Figura 3.15 B).
Figura 3.15 - Acesso á água em comunidades localizadas em áreade várzea na estação chuvosa (A) e na estação seca (B). Foto: Carolina Bernardes.
Nesse período, a busca de um balde d´água com volume de 15 litros, recipiente geralmente utilizado nos domicílios, pode levar cerca de 5 minutos. Um tempo elevado se for considerado o senso comum de abundância de água na região amazônica e se for comparado esse valor, por exemplo, com a média de tempo (cerca de 5 minutos) para coleta de 15 litros de água no semiárido baiano (ORRICO, 2003), onde se conhece a problemática de escassez de água.
O acesso à água de superfície (rio, igarapé, lago) se dá por meio de portos flutuantes, que geralmente são utilizados por duas ou três famílias. Esses portos são utilizados para coleta de água para consumo humano, banho, limpeza de peixes e lavagem de louça e roupa (Figura 3.16). A água para consumo humano é coletada em baldes e levada para os domicílios, geralmente por mulheres ou meninas jovens.
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Figura 3.16- Agua de superfície utilizada para diversos fins pelas comunidades. Foto: Carolina Bernardes
As comunidades localizadas em terra firme têm acesso à água de superfície em igarapés, e lagos. O tempo de acesso a essas fontes de água gira em torno de 1 min de caminhada, na estação chuvosa. Na estação seca, esses corpos hídricos pioram em qualidade, quantidade e acessibilidade e muitas vezes não são usados pela população como fonte de abastecimento de água. A alternativa para subir a demanda das comunidades são as “cacimbas” (poços rasos), que são escavadas todos os anos pelos moradores na estação seca. A água da “cacimba” é utilizada para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupa e louça (Figura 3.17).
Figura 3.17- “Cacimba” utilizada como fonte de água principalmente na estação de seca por comunidades localizadas em território de terra firme.Foto: Carolina Bernardes.
73 Independentemente da fonte de água, geralmente, o armazenamento da água nos domicílios é feito em recipientes abertos, o que contribui para a redução de sua qualidade. O volume de água armazenado depende da capacidade do container e da quantidade de habitantes por domicílio (Figura 3.18).
Figura 3.18- Armazenamento de água no domicílio. Foto: Carolina Bernardes
As tarefas relacionadas às práticas do uso da água para diversas atividades, tais como coleta de água para consumo, lavar roupa/louça e manutenção da salubridade ambiental são atividades tipicamente femininas realizadas apenas pelas mulheres.
Após a coleta da água nas principais fontes de abastecimento: lago, igarapé, água de chuva e poço tubular a água para consumo é tratada em duas etapas. Na primeira, realiza-se a decantação da água, por um ou dois dias, em recipientes grandes. Na segunda, côa-se a água com um pano limpo em um pote de barro coberto com uma tampa ou pano, no qual a água fica armazenada para consumo. Essa água é armazenada nos potes de barro, que geralmente possuem uma abertura de 25-30 cm, por onde se retira a água por meio da inserção de vasilhas e eventualmente as mãos dentro dos potes (Figura 3.19).
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Figura 3.19- Armazenamento de água utilizada para consumo humano e forma usual de coleta dessa água. Foto: Carolina Bernardes
Nas comunidades onde há algum sistema de distribuição de água para o domicílio, uma das causas mais evidentes da falta de água nas residências são as perdas ao longo das tubulações, bem como ausência de equipamentos fundamentais como torneiras nos pontos de uso junto aos domicílios. Por falta de agente gestor local, não há grande preocupação sobre esses aspectos de operação e manutenção, o que torna difícil assegurar o funcionamento adequado desses sistemas.